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    Ciência e Cultura

    On-line version ISSN 2317-6660

    Cienc. Cult. vol.54 no.1 São Paulo June/Sept. 2002

     

     

    Teatro

    CIÊNCIA SOBE AO PALCO

     

    A montagem de um teatro de repertório com foco na ciência é o resultado da excelente performance que as peças Copenhagen e Einstein alcançaram nos palcos por onde passaram nos últimos quatro anos. O ator Carlos Palma que, junto a Adriana Carui, coordena o Projeto Arte e Ciência no Palco, foi surpreendido pela receptividade que a montagem de Einstein, um monólogo do canadense Gabriel Emanuel, obteve nos 17 Estados por onde tem sido encenada desde 1998. “Nos debates realizados após a peça, notei que existe uma grande inquietação dos cientistas em difundir seu trabalho.” Partindo desta constatação, da demanda de mais de 80 empresas que abrigaram encenações em seus auditórios e de toda a extensão de escolas que requisitou o espetáculo, Carlos e Adriana começaram a engendrar o projeto, detectando que a ciência é rica como conflito humano e possui uma carga dramática adequada a montagens teatrais.

    O próximo estágio da dupla, após esta experiência, foi encenar a peça infanto-juvenil Da Vinci pintando o sete para então dar o salto mais arrojado, que foi montar Copenhagen. “O texto de Michael Frayn, premiado em Inglaterra, França e Estados Unidos, tem uma dramaturgia impecável e trata de uma temática difícil abordando os mistérios da Física e o diálogo de dois gênios – o dinamarquês Niels Bohr e o alemãoWerner Heisenberg – em 1941, ambos envolvidos na pesquisa da bomba atômica.” O Projeto Arte e Ciência no Palco já tem uma agenda para os próximos cinco anos, que se inicia agora em agosto com a peça do espanhol José Sanches Sinisterra, Perdida no tempo e no espaço, uma comédia sobre Física quântica, com direção de Marco Antonio Braz. O elenco repete a dupla de Copenhagen – Carlos Palma e Oswaldo Mendes – e introduz Flávia Pucci. “O nó dramático é saber onde a partícula está, quebrando a dimensão de tempo e espaço e utilizando a platéia como quarto personagem”, antecipa Adriana.

    Na programação prevista para março de 2003, está Enigma, que trata do código binário, com texto de Alan Turing e direção de Roberto Vignati. Carlos Palma acrescenta que, desde o sucesso das primeiras peças, não parou de receber textos teatrais para avaliação, sempre com temas científicos. O texto a subir ao palco em 2004 já foi definido: trata-se de Arcadia, uma peça de Tom Stoppard, o mesmo autor de Shakespeare apaixonado. Desta vez, ele trata da teoria do caos e 12 atores estarão em cena.

    “A intenção é montar um teatro de repertório mas com um rodízio de diretores para que seja possível mudar a linguagem.” Palma destaca ainda os apoios importantes da empresa Amana-Key, de Oscar Motomura, de Oswaldo Mendes e do iluminador Francisco Alves.

     

    Wanda Jorge