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    Ciência e Cultura

    On-line version ISSN 2317-6660

    Cienc. Cult. vol.55 no.3 São Paulo July/Sept. 2003

     

     

    MANEJO FLORESTAL

    Plantas exóticas ameaçam biodiversidade

     

    O uso indiscriminado de plantas exóticas para fins paisagísticos, comerciais e até de reflorestamento, caso do Pinnus ellioti (pinheiro americano), já é encarado como um risco ao ecossistema. "A recuperação ambiental com plantas exóticas é um erro pois estabelece, na prática, uma monocultura que ocupa o espaço de espécies nativas em prejuízo da biodiversidade", afirma a engenheira florestal Sílvia Ziller. Ela coordena o Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental, organização não-governamental de Curitiba, que realiza um levantamento inédito de plantas exóticas invasoras no Brasil, com a elaboração de um sistema de informações geográficas para localizar as regiões invadidas por essas espécies. Sílvia acrescenta que o potencial de as espécies invasoras alterarem os sistemas naturais é tão grande, que essas plantas são hoje a segunda maior ameaça mundial à biodiversidade, só perdendo para a exploração humana direta na destruição de habitats.

    O Brasil começou, na década de 60, a usar variedades exóticas como solução para a recuperação florestal, e quem plantasse pinus e eucalipto recebia, inclusive, incentivo fiscal por parte do governo. O mesmo problema ocorreu, também, no setor pastoril, com a implantação de gramíneas africanas, como a braquiária, para fins forrageiros. "Substituir o campo natural resulta em perda de biodiversidade e de produtividade, pois a vegetação nativa é mais rica em proteínas para o gado", explica a pesquisadora.

    No cenário internacional, Sílvia cita o caso da Cidade do Cabo, na África do Sul. A ação dos colonizadores a partir do início do século XIX que, para fins paisagísticos, substituíram paisagem nativa (herbáceo arbustiva) por coníferas da Austrália e da América do Norte, resultou na quebra do balanço hídrico: por consumirem muito mais água, essas árvores invadiram os mananciais. "Se não forem removidas, o que o governo já começou a fazer, a cidade do Cabo poderia perder em 20 anos, 40% do volume de água de sua bacia hidrográfica e, em 40 anos, os rios correriam o risco de secar".

    A questão de plantas exóticas invasoras assumiu tal dimensão que a ONU criou, em 1997, o Programa Global de Espécies Invasoras (Gisp). No Brasil, apesar da disseminação dessas espécies estar enquadrada na Lei de Crimes Ambientais, "falta-nos uma visão mais ampla do problema e mais atuação dos órgãos de fiscalização". Para reverter esse quadro, Sílvia sugere a intensificação da pesquisa para demonstrar as conseqüências do uso de espécies exóticas e a viabilidade do uso de plantas nativas. Os dados para o levantamento de plantas exóticas invasoras estão sendo coletados entre as universidades e formulário disponível no site do instituto: http://www.institutohorus.org.br.

     

    Marta Kanashiro