SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.63 issue3Processo que faz o produto ser identificado no mundo inteiroProsa author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Ciência e Cultura

Print version ISSN 0009-6725

Cienc. Cult. vol.63 no.3 São Paulo July 2011

https://doi.org/10.21800/S0009-67252011000300025 

 

Lúcia Delorme

 

Desimporta
que o grão do instante
vivo intenso
depois pó
se perca e
menos que nada
se anule
existir também é isso

como se não tivesse sido

...

Fluxo não é jorro

exemplo:
Heráclito

Sentir não se piegas

vê:
acácias

Suave pode ser aresta

exemplo:
vértebras

. . .

Cuidado, Calandra, com as asas que usares
em sua insistência sem causa
o frágil liame
da cantata
pode resultar em entulho
pode resultar em desastre

a evasão absoluta é a morte

. . .

A Criação é um peso
no trabalho divino,
nem Deus é livre
em seu ofício
Serão os pássaros
sobre as acácias
no espaço do pátio?

Duvido

. . .

Rua das Naus
sem nau nenhuma

Não Pólux, mas Tífis
errante em seus velames

no perigo das origens, mas
sem excessos semânticos:

ex-Príamo
o mendigo ali?

Não.
Sua autoevidência
inconteste:

mefítico

Rua das Naus
sugere mas falha

seu tráfego
além tempo,

seu Ulisses
no vento

. . .

Cuide, ó Nauta,
do teu mapa cego,
no vento o trajeto
quedará impresso

O teu rumo Tróia
tão exato incerto
por Índicos, selvas,
faina e tédio

Cuide, ó Nauta,
dos frágeis afetos
e também dos golpes
que sofreste e deste

Estação ou porto,
inventário ou hora
o suspiro extremo,
ó Nauta, desconhece

 

Lúcia Delorme, nascida na cidade de São Paulo, é formada em psicologia e vive em Salvador, Bahia. Escreve o blogue Raízes aéreas e é autora do livro do mesmo nome, inédito, de onde foram tirados os poemas aqui publicados.

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License