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    Ciência e Cultura

    versão On-line ISSN 2317-6660

    Cienc. Cult. v.54 n.2 São Paulo out./dez. 2002

     

     

    ARQUEOLOGIA

    Tradições ceramistas são foco de pesquisa no litoral norte catarinense

     

    A cerâmica, um dos elementos materiais da cultura de um povo, torna-se fundamental quando é um dos únicos registros remanescentes. Esse é o caso das tradições Guarani e Itararé, povos que habitaram o sul brasileiro. A partir de vestígios encontrados, a arqueóloga Dione da Rocha Bandeira busca identificar novos sítios arqueológicos no litoral norte de Santa Catarina, para levantar informações sobre o modo de vida e particularidades étnicas dos grupos relacionados a essas tradições.

    O trabalho de Dione tem o apoio do Museu Arqueológico de Sambaquis de Joinville (SC) e da Fapesp, e faz parte de seu doutorado em História na Unicamp. Uma vez identificado o sítio, os restos faunísticos são elementos importantes para obter indicações sobre alimentação e ambiente (arqueozoologia).

     

     

    A pesquisa, iniciada em 1999, deverá ser concluída no final de 2003, sob orientação do professor Pedro Paulo Funari, da Unicamp.

    Hoje, existe confirmação de apenas um sítio arqueológico Guarani e seis Itararé na região. As pesquisas e datações são escassas, com pouca informação sobre seus hábitos e costumes. Muitas vezes só restam cacos de cerâmica, numerados, em acervos de museus. Há somente dois sítios com cerâmica, datados, na região, ambos da tradição Itararé. Um deles, o Enseada I, foi ocupado nas camadas superiores por este povo por volta de 550 dC.

    Parte do trabalho vem sendo realizada no museu de Joinville, "é quase uma arqueologia dentro do acervo", diz a pesquisadora. Ela analisou cerâmicas coletadas pelo arqueólogo alemão, Guilherme Tiburtius, que trabalhou no sítio de Itacoara, na década de 40, onde identificou peças com características Guarani. Esse sítio foi considerado fluvial pelo pesquisador alemão. Porém, em suas primeiras escavações no local, Dione encontrou apenas vestígios Itararé relacionados ao ambiente marinho e, por isso, deverá retornar ao local para novos estudos.

    "O que mais impressiona é a ausência de vestígios de povos Guarani nessa região", embora seja a ocupação pré-histórica mais recente em todo o litoral daquele estado, segundo apontam estudos etno-históricos. Segundo a pesquisadora, sabe-se muito mais sobre eles em outras regiões. Uma das possibilidades é que os grupos Guarani tenham ocupado áreas agricultáveis que, mais tarde, teriam atraído o colonizador europeu, destruindo os vestígios da ocupação anterior.

    Já os Itararé, também focados no estudo da pesquisadora, viviam da caça e coleta de moluscos e vegetais e, principalmente, da pesca. Sua cerâmica é normalmente lisa, as vezes extremamente polida e brilhante, com função mais utilitária, como para cozinhar alimentos. Ao contrário das confeccionadas pelos Guarani, maiores, com decorações artísticas, às vezes associadas a urnas funerárias em contextos cerimoniais, característica típica do grupo.

    Esses grupos, eventualmente, assentaram-se sobre sambaquis – areia misturada com restos de animais (principalmente moluscos e crustáceos) que chegam a formar montes de até a altura de 30 metros. Os sambaquis da região são os maiores de todo o mundo e são herança dos sambaquianos, que habitaram o litoral sul de Santa Catarina há mais de mil anos. (Ver box)

     

     

    Germana Barata