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    Ciência e Cultura

    versão On-line ISSN 2317-6660

    Cienc. Cult. v.54 n.2 São Paulo out./dez. 2002

     

     

     

    AGRICULTURA

    Uso de brotos descartados de batata-semente economiza divisas

     

    Parece um alimento banal. Afinal, a batata cai bem em quase todas as combinações de pratos preferidos pelos brasileiros. A batata-semente, no entanto, é artigo de luxo pois precisa ser importada, especialmente da Holanda, para transformar-se em tubérculos a serem multiplicados no campo. Do laboratório de virologia do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), uma instituição secular, respeitada e atualmente com sinais de abandono, nasceu uma grande idéia: aproveitar os brotos que são descartados pelos agricultores e utilizá-los como matéria-prima de reprodução.

    O virologista José Alberto Caram Souza Dias, do IAC, enxergou há mais de dez anos o que hoje parece óbvio: esses brotos da semente básica são livres de vírus e se transformam em novos minitubérculos aptos para multiplicação. No entanto, são até hoje descartados pelas esteiras de tratamento da batata-semente importada, durante o processo de preparação para o cultivo na terra.

    Bastou colocar caixas sob cada uma dessas esteiras para receber a infinidade de brotos descartados e encontrar parceiros entre os viveiristas de cítricos da região de Limeira, no interior paulista, já habituados ao cultivo controlado de mudas, para que a experiência fosse um sucesso.

    O Brasil gasta algo como US$ 12 milhões por ano para importar cerca de 300 mil caixas onde cabem em média 400 tubérculos em cada. Este volume chegou, no ano passado, a 120 milhões de tubérculos adquiridos para multiplicação pelos viveiristas brasileiros. A prática corriqueira dos viveiristas é que muda essa história: para aumentar o número de brotos é feita a desbrota manual das batata-sementes. Esses brotos, retirados tanto do tubérculo importado totalmente livre de doenças como da batata-semente de segunda geração no Brasil, podem ser plantados e são matéria-prima nobre nessa cadeia de produção. Cada minitubérculo gera três outros que, por sua vez, serão multiplicados na razão de dez batatas-sementes em média.

    A parceria proposta por Caram e aceita pelos viveiristas de Limeira atendia todos os pré-requisitos: multiplicar batatas-sementes em telados anti-afídeos no meio de laranjais que é o local ideal, já que não se tem notícia de viroses comuns às duas culturas; além disso, a região mantém um isolamento de 50 quilômetros de raio sem cultivo de batata, livre, portanto de vetores que colocassem em risco o viveiro. Para os produtores de mudas cítricas, a experiência é uma ponte de saída econômica para a crise de lucratividade enfrentada pelo setor."Já estamos no terceiro ano de parceria de batata com laranja, com ótimos resultados e com a experiência de Limeira atraindo viveiristas de outras regiões produtoras", conlui Caram.