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    Ciência e Cultura

    versão On-line ISSN 2317-6660

    Cienc. Cult. v.54 n.2 São Paulo out./dez. 2002

     

     

    PLANEJAMENTO

    Crise energética ainda em pauta

     

    A crise energética brasileira não foi surpresa para os especialistas, passou por um período crítico de muita visibilidade na mídia e superou essa fase. A dúvida, porém, é se a questão foi realmente resolvida Para o consultor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e professor da Engenharia Mecânica da Unicamp, Gilberto Jannuzzi, o impasse permanece.

    Avanços positivos, como a conscientização sobre o desperdício e a diminuição do consumo, aconteceram, mas os grandes problemas não foram resolvidos. Januzzi acrescenta que o aperfeiçoamento tecnológico substituiu uma tecnologia inadequada, "mas não saímos do risco, apesar dele ser menor agora".

    Ele ressalta o benefício de algumas ações governamentais, como a aprovação da lei 10.295, que estabelece os níveis máximos de consumo ou mínimos de eficiência energética, para máquinas e aparelhos fabricados ou vendidos no país, bem como das edificações construídas. "A lei tramitava no Congresso há dez anos e foi importante agilizar sua aprovação", afirma Jannuzzi.

    O Fundo Setorial de Energia Elétrica liberou recursos para desenvolver novas tecnologias que capacitem o setor energético a atender novas crises. "Mas ainda falta planejamento e visão estratégica para atender a demanda futura", acrescenta. Essa é uma análise que outros especialistas do setor também compartilham.

    Para Maurício Tolmasquim, coordenador do Centro de Economia Energética e Ambiental (Cenergia) da Coppe, na UFRJ, o governo estava desprevinido para a crise e tomou medidas precipitadas, que resultaram num impacto sobre a economia e o bem-estar da população. Ele aponta erros no Programa Emergencial de Termelétricas. "É irracional num país rico em hidreletricidade". Para Tolmasquim, as térmicas só deveriam entrar no sistema em casos de seca ou períodos de maior consumo, para complementar o abastecimento. Além disso, o investimento nas térmicas é encarecido pelo gás proveniente do gasoduto Brasil-Bolívia, que é pago independente de sua utilização, afirma Tolmasquim.

    O professor da Coppe adverte, porém, sobre um problema que está sendo criado para o futuro. "Se toda oferta programada fosse real, o Brasil teria excesso de oferta até o ano de 2010, mas, na realidade, pode haver um déficit, pois a maioria dos empreendimentos não está sendo concretizada. Há um falso cenário na estratégia governamental que afasta investidores. É preciso afugentar a idéia de abundância que predomina no mercado", conclui.

     

    Marta Kanashiro