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    Ciência e Cultura

    versão On-line ISSN 2317-6660

    Cienc. Cult. v.54 n.2 São Paulo out./dez. 2002

     

    Manuscritos

    O TEMPO NAS PÁGINAS DE UM CATÁLOGO

     

    O Museu Calouste Gulbenkian de Lisboa realizou uma das exposições mais significativas pela passagem do milênio, durante o primeiro semestre de 2000.

    O conjunto de peças reunidas compôs um valioso registro do imaginário visual, relacionado à evolução das representações conceituais do tempo. Belíssimas iluminuras em pergaminho, arregimentadas, compunham um cenário onde não eram apenas escritos caligráficos, mas veículos de outro tipo de conhecimento, registros de imaginação poética.

    O livro A imagem do tempo: livros manuscritos ocidentais é o cuidadoso catálogo, síntese dessa exposição que propiciou uma meditação sobre o tempo, através de alguns dos mais importantes manuscritos dos séculos XI ao XVI produzidos no Ocidente.

     

     

    O ponto de partida da estrutura da exposição foi o importante núcleo de livros manuscritos da Colecção Calouste Gulbenkian, apresentados ao público em sua totalidade. Contou, também, com a colaboração de outros notáveis acervos, como o da Biblioteca Apostólica Vaticana de Roma; da Biblioteca Nacional Francesa de Paris; da Biblioteca Nacional Russa de São Petersburgo e do Instituto dos Arquivos Nacionais, Torre do Tombo de Lisboa.

    O livro, ricamente ilustrado, estrutura-se em sete grandes partes: O tempo antes do tempo, A medição do tempo, O tempo sacralizado, O tempo do homem: Memória e História, O tempo do Direito, O tempo resgatado e o Tempo para além do tempo. Os capítulos abordam formas de representação do tempo ao longo dos séculos e como foram integrados pelo homem, os padrões e fronteiras que nos servem de medida.

     

     

    Folhear este livro é um exercício de maravilhosa expectativa pela novidade inesperada que sua iconografia contempla e pelo horizonte de leitura que descortina. Os textos introdutórios do catálogo são elaborados por especialistas que enunciam a problemática referente a cada uma das seções que configuram uma dimensão de tempo; depois, alinhavam uma compreensão do conjunto das diversas imagens que figuraram na exposição, de modo a situá-las nos respectivos contextos culturais das comunidades humanas a que se integram.

    No texto de introdução, o coordenador científico da obra, Aires Nascimento, diz que esta publicação "é, intencionalmente, também um espaço aberto de interpelação e um tempo a construir... O livro encerra os seus segredos, mas é fonte de vida. Com ele o tempo pode ganhar uma densidade humana mais intensa. Porque, afinal, ele é também construção de vários tempos e a sua descoberta consente um aprofundamento do tempo pessoal que ninguém pode assumir em vez de outro".

     

    Mayla Yara Porto

     

    SERVIÇO
    A imagem do tempo: livros
    manuscritos ocidentais,

    Fundação Calouste Gulbenkian,
    Lisboa, 2000, 485 páginas.