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    Ciência e Cultura

    versão On-line ISSN 2317-6660

    Cienc. Cult. v.54 n.2 São Paulo out./dez. 2002

     

    Victor Hugo

    AUTOR POPULAR E INTÉRPRETE DO ROMANTISMO FRANCÊS

     

    A vida de Victor Hugo percorreu quase todo século XIX plena de produção e presença política na sociedade francesa da época. Precoce e superdotado,ainda menino compôs seus primeiros poemas, que lhe valeram recompensas da Academia Francesa (1817) e da Academia dos Jogos Florais de Tolouse (1819). Além de poeta, romancista, dramaturgo e teorizador do Romantismo, participou dos grandes debates políticos de seu século, tornando-se no final da vida o poeta oficial da República. É um autor popular, não só por suas idéias sociais, mas também pelos grandes sentimentos humanos que exprimiu ao longo de sua obra. Para Célia Berrettini, professora emérita da ECA-USP e especialista em Literatura Francesa, pode-se perceber, pelas comemorações que ocorrem por toda parte pelos 200 anos de seu nascimento, que Victor Hugo alcançou sua aspiração máxima: a de ser um poeta popular.

    Em 1812, aos dez anos, Victor Hugo compõe o drama Le Chateau du Diable, obra que mais tarde ofereceu a seu grande amor, Juliette Drouet. Dois anos depois, escreve a primeira tragédia – Irtamène – segundo o modelo de Voltaire; aos 20 anos tem sua primeira peça aceita – Inês de Castro – que acabou censurada, pois a personalidade do rei Alfonso, manobrado por sua mulher, evocava a de Luis XVIII, nas mãos de seus favoritos, rememora a pesquisadora.

    As vítimas sociais, tão bem retratadas em sua produção – como em Notre Dame (1831) e Os miseráveis (1862) – foram expressões de um observador privilegiado, cuja vida ocupou quase todo século. Para Berrettini, sua obra caracteriza-se pela fecundidade e diversidade. A produção de Victor Hugo expressa sua grande vitalidade, mantida até a morte, mas há uma linha divisória em sua obra, após perder tragicamente sua filha num naufrágio, em 1844. "Essa dor passa a estar presente nos seus poemas e desenhos – elegias à sua filha Leopoldine", segundo a pesquisadora.

    "Teatro é um púlpito"

    De partidário do príncipe Luís Napoleão III, a quem apóia para Presidente da República, passa depois a atacá-lo, denunciando ambições totalitárias e combatendo o cesarismo, o que o leva ao exílio (1851 a 1870) em Bruxelas, Jersey e Guernesey. Nessa época, funda o Journal L'Événement. Disposto a ser o "vingador da consciência francesa ultrajada" – produziu um panfleto em prosa sobre o monarca, a quem chamava de "O Pequeno". Chegou a cogitar de exilar-se no Brasil, segundo historiografia lembrada por Berrettini. Fez alusões ao país em diversos momentos de sua obra. Como ao elogiar as senhoras do Rio de Janeiro – "que à noite põem nos cabelos pequenas bolas de gaze, contendo cada qual um vaga-lume, bela marca luminosa que as adorna de estrelas" – em Os trabalhadores do mar, obra traduzida por Machado de Assis. Em 1871, elogiou a lei do Ventre Livre em um jornal belga. Em 1883, ao saber da fundação de um clube republicano na Paraíba do Sul, dedicou alguns versos onde vaticinava um grande futuro para o Brasil: "Sereis a Europa amanhã". Para a professora, o poeta com as maiores marcas de influência de Victor Hugo em sua obra foi Castro Alves, "embora outros também tenham absorvido características suas".

     

     

    Victor Hugo realizou a unidade da arte dramática, analisa Célia. Como definiu no prefácio de sua peça Cromwell: "o drama é a poesia completa ou a síntese do grotesco e do sublime. O drama se assemelha à tragédia pela pintura das paixões, e à comédia pela pintura dos caracteres. O drama é a terceira forma de arte, compreendendo, envolvendo e fecundando as duas primeiras"

     

    Wanda Jorge