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    Ciência e Cultura

    versão On-line ISSN 2317-6660

    Cienc. Cult. v.55 n.1 São Paulo jan./mar. 2003

     

     

     

    MINORIAS ÉTNICAS

    Tapete turco inspira projeto arquitetônico de estudantes brasileiros para antigo pátio ferroviário em Berlim

     

    A trama dos fios de um tapete turco inspirou estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a desenhar o projeto que recebeu um dos setes prêmios do XXI Congresso Mundial de Arquitetutra 2002, em Berlim, promovido pela Union Internationale des Architectes (UIA), entidade fundada em 1948, ligada à Unesco.

    O grupo carioca concorreu com outros 600 projetos sob o tema "Definindo uma arquitetura para o século XXI"; e a área focalizada foi um pátio ferroviário ocioso da antiga estação de trem Hamburger Bahnhof, que abriga um museu de arte desde 1996. O projeto premiado ­ "Tapete cultural ­ uma arquitetura de conexões" ­ foi criado pelos alunos Flávio Castellotti, Gabriel Duarte, Juliana Castro, Marcos Figueiredo, Rodrigo Louro e Renata Bertol, sob orientação dos professores Pablo Cesar Benetti e Gustavo Rocha-Peixoto.

    A idéia do tapete surgiu quando os estudantes se depararam com o terreno do pátio, que mede um quilômetro por 400 metros. "Nenhuma imagem poderia ser mais adequada para propor inclusão social das minorias étnicas que vivem na periferia de Berlim: quando se observa um tapete turco tudo é aparentemente simétrico e equilibrado, mas, visto de perto, se percebe que não há simetria entre os nós da trama", diz Gabriel Duarte.

    Os fios da trama são análogos às ruas e vias do projeto; a franja do tapete nas pontas arremata todo o desenho que, ao sul, cria conexão com uma estação de trem, já em construção e, ao norte, aproveita um viaduto existente como estrutura educacional para o ensino da língua alemã e capacitação técnica de jovens. O projeto prevê a integração entre turistas e imigrantes e considera diferentes formas de relação com a cidade, abrigando instituições educacionais e entidades culturais das minorias étnicas, na região noroeste, e hotéis e albergues na parte sudeste.

    Para o diretor da FAU, Pablo Benetti, os estudantes incorporaram a idéia de que a arquitetura deve ter uma postura crítica em relação a formas de organização social. "A arquitetura deve impedir o isolamento, a paranóia, a segregação e as injustiças sociais. Não se trata de criar um projeto utópico, mas propor formas de inclusão social para se opor à forma reacionária e violenta com que as cidades se organizam", considera Benetti.

    O projeto tem espaços e traçados anti-hierárquicos, próprios para a convivência das diferentes culturas de uma metrópole mundial, por isso chamada de arquitetura de conexões. "É um projeto aplicável a grandes metrópoles, inclusive para cidades brasileiras", conclui o diretor.

     

    Marta Kanashiro