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    Ciência e Cultura

    versão On-line ISSN 2317-6660

    Cienc. Cult. v.55 n.1 São Paulo jan./mar. 2003

     

     

    EUA

    Alfabetismo tecnológico

     

    Um estudo publicado há cerca de um ano sobre questões relacionadas com alfabetismo tecnológico continua a provocar intensos debates nos Estados Unidos, na área educacional e científica. O estudo chama-se Falando tecnicamente: por que todos os americanos precisam saber mais sobre tecnologia e foi preparado pelo Comitê sobre Aptidão Tecnológica, grupo de especialistas norte-americanos dos setores científico, corporativo e acadêmico. Esse comitê foi formado pela Academia Nacional de Engenharia americana (NAE) e o Centro de Educação do Conselho Nacional de Pesquisa americano (NRC).

    O texto, após mais de dois anos de discussões, conclui que a enorme maioria da população tem uma visão muito estreita da tecnologia e de seu uso no cotidiano. No estudo, a tecnologia é abordada como algo bem maior do que apenas computadores, eletrônica, máquinas, componentes e estruturas; inclui, também, os processos de desenvolvimento, desenho e uso desses sistemas.

    Ao analisar a visão do alfabetismo tecnológico nos EUA, o estudo recomenda uma intensa campanha educacional em escolas, museus, centros de tecnologia e nos meios políticos, entre outros. O chamado alfabetismo tecnológico integra a habilidade de usar equipamentos e sistemas tecnológicos com um entendimento mais profundo de riscos e benefícios de seu uso, além da compreensão razoável dos processos que levaram ao desenvolvimento desses produtos tecnológicos, incluindo a interconexão complexa entre engenharia, ciência, política, ética, leis, entre outros fatores.

    Entre as conclusões, está a de que todos os educadores deveriam estar melhor preparados para ensinar tecnologia de forma integrada a outros assuntos. Não só professores de ciência deveriam ter uma educação mais sólida em tecnologia e engenharia, mas também os da área de humanas deveriam ter plena consciência de como a tecnologia se relaciona com as suas respectivas matérias.

    Nesse sentido, já existem nos EUA alguns padrões a serem seguidos pelas escolas, que foram publicados pela International Technology Education Association (Associação Internacional de Educação em Tecnologia), encontráveis no endereço eletrônico: www.iteawww.org/TAA/STLstds.htm. É interessante verificar a deficiência no ensino tecnológico em um aspecto que, aparentemente, pareceria um dos poucos lugares onde o tema é tratado, a área de computação. As escolas, em geral, enfatizam o uso dos computadores e da Internet para melhorar o aprendizado em outras disciplinas, em vez de educar sobre a própria tecnologia. Acreditam que aulas com computadores já tornam seus alunos tecnologicamente aptos, o que impede o estudo de idéias e conceitos mais gerais sobre ciência e tecnologia.

     

    Marcelo Knobel