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    Ciência e Cultura

    versão On-line ISSN 2317-6660

    Cienc. Cult. v.55 n.1 São Paulo jan./mar. 2003

     

    Teatro

    DE GALILEU À BIOTECNOLOGIA

     

     

    Os temas científicos passaram a freqüentar os palcos dos teatros com maior assiduidade em 2002. Mas os autores lembram que o marco dessa tendência foi uma encenação clássica, que empolgou platéias em 1969: Galileu Galilei de Bertolt Brecht, em sua primeira montagem no Brasil por José Celso Martinez. No elenco, grandes nomes como Claúdio Corrêa e Castro no papel de Galileu, Othon Bastos e Íttala Nandi. Nestes mais de 30 anos, a peça Galileu teve várias montagens diferentes e a mais recente aconteceu em 1998, dirigida por Cibele Forjas e apresentada na Sala Carlos Miranda em São Paulo.

    Na mesma linha, o núcleo Arte e Ciência no Palco, de São Paulo consolidou seu repertório especializado em apresentações nos últimos dois anos: Einstein, Copenhagen, Perdida e o espetáculo infantil Da Vinci ­ pintando o sete. A montagem Perdida, que estreou no segundo semestre, compõe agora o revezamento nos palcos, das outras peças do grupo. Perdida tem o subtítulo Uma comédia quântica ­ os paradoxos do espaço e do tempo e é dirigida por Marco Antonio Braz com os atores Oswaldo Mendes, Flávia Pucci e Carlos Palma, que também é o coordenador do projeto.

    Entre a nova safra de produções teatrais com enredo científico está a peça DNA ­ nossa comédia, produzida pela atriz Íttala Nandi em conjunto com a Associação Nacional de Biossegurança (ANBio) e com Bibi Ferreira na direção. "Fizemos um texto popular de fácil compreensão para um público jovem", diz Íttala. É um comédia centrada nas posições divergentes de uma cientista, que defende a liberdade de pesquisa e um ecologista, que é contra os alimentos transgênicos. A peça dá saltos entre o presente e o passado, contando a história de cientistas que mudaram os paradigmas da ciência, como Oswaldo Cruz, Adolfo Lutz e Galileu.

    A peça foi escrita por Thiago Santiago, que já trabalhou em novelas e minisséries da Rede Globo e a pesquisadora Leila Macedo Oda da ANBio (www.anbio.org.br). Ela é doutora em microbiologia e imunobiologia, especializada em biossegurança. Leila diz que o objetivo é usar um meio não convencional como o teatro para fazer divulgação sobre biotecnologia e atingir um público diferente.

    A estréia da peça acontece em março em São Paulo, com o apoio da Fapesp. Depois de uma temporada de três meses, a peça irá para outros estados, onde há projetos de parceria com as secretarias estaduais de educação.

    O diretor João das Neves, que trabalhou no Teatro Opinião nos anos 60, preparou a tragédia grega Cassandra com os alunos do Instituto de Artes da Unicamp. Ele assinala que a obra inspirou a formação de ciências como a psicanálise e a psiquiatria.

    A adaptação do texto é da alemã Christa Wolf, com uma releitura do mito. "Ela traz o mito para o mundo hoje, com os absurdos da guerra e da violência com uma discussão filosófica e antropológica discutindo o social", diz Neves. Para o diretor, Galileu continua um exemplo de discussão do papel da ciência, quando o personagem diz: "se as conquistas científicas não servirem para libertar o ser humano, elas não serviram para nada".

     

    Guto Paschoal