SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.58 número2 índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

    Links relacionados

    • Em processo de indexaçãoCitado por Google
    • Não possue artigos similaresSimilares em SciELO

    Compartilhar


    Ciência e Cultura

    versão On-line ISSN 2317-6660

    Cienc. Cult. v.58 n.2 São Paulo abr./jun. 2006

     

     

    O CONHECIMENTO, A TERMINOLOGIA E O DICIONÁRIO

    Maria Tereza Camargo Biderman

     

    A NOMEAÇÃO DA REALIDADE E O LÉXICO DAS LÍNGUAS NATURAIS É a partir da palavra que as entidades da realidade podem ser identificadas e nomeadas pelos seres humanos. A designação e a nomeação dessas realidades cria um universo significativo revelado pela linguagem.

    A atividade de nomear resulta do processo de categorização. Por sua vez, a categorização fundamenta-se na capacidade de discriminação de traços distintivos entre os referentes percebidos ou apreendidos pelo aparato sensitivo e cognitivo do homem. A esse processo segue-se o ato de nomear. Por essa razão a categorização é o processo em que se baseia a semântica de uma língua natural, por meio do qual o homem desenvolveu a capacidade de associar palavras a conceitos.

    O léxico de uma língua constitui, portanto, uma forma de registrar o conhecimento do universo. Ao dar nomes às entidades perceptíveis e apreendidas no universo cognoscível, o homem as classifica simultaneamente. Assim, a nomeação da realidade pode ser considerada como a etapa primeira no percurso científico do espírito humano de conhecimento do universo. Ao identificar semelhanças e, inversamente, discriminar os traços distintivos que individualizam estes referentes em entidades distintas, o homem foi estruturando o conhecimento do mundo que o cerca, dando nomes (palavras e termos) a essas entidades discriminadas. É esse processo de nomeação que gerou e gera o léxico das línguas naturais.

    Por outro lado, e inversamente, esse processo está indissoluvelmente associado à cultura com que se conjuga uma língua natural. Daí resultam as disparidades vocabulares que opõem, muitas vezes, variedades de uma mesma língua como muito bem ilustram os evidentes contrastes entre o português do Brasil e o português europeu, sobretudo com respeito às terminologias técnico-científicas.

    Outra questão importante: a expansão do universo cognoscível na contemporaneidade em virtude da ampliação ad infinitum desse universo, propiciada e provocada pelas mudanças contínuas emanadas das ciências e das técnicas. Estamos falando da explosão do léxico nas modernas culturas e civilizações, gerando um motu contínuo de neologismos designadores de novos conceitos que se vão formando e criando. À medida que fabrica novas realidades, o homem cria novas palavras em um processo incessante. E o léxico vai assumindo dimensões gigantescas sendo praticamente impossível registrá-lo e descrevê-lo por meio de um dicionário.

     

     

    A DISSEMINAÇÃO DO CONHECIMENTO E A DEMOCRATIZAÇÃO DO SABER Na contemporaneidade o conhecimento adquirido e produzido por alguns membros das diversas comunidades humanas tende a ser divulgado e conhecido por todo o planeta Terra por meio de algumas instituições típicas das sociedades modernas: 1. a mídia escrita, a eletrônica, a cinematográfica; 2. o jornalismo, sobretudo o científico; 3. e a escola, entendendo-se por esta palavra toda e qualquer instituição dedicada à transmissão do conhecimento de maneira organizada, sistemática e institucionalizada. Assim, tais veículos garantem a disseminação do conhecimento junto a um público cada vez maior, levando juntamente com o conhecimento das realidades o vocabulário que as designa. Vamos exemplificar com duas áreas diretamente relacionadas com a vida dos seres humanos em nossos dias: a área das ciências biomédicas e a economia.

    O VOCABULÁRIO DAS CIÊNCIAS DA SAÚDE

    Na sua convivência freqüente com esse mundo o público leigo vem integrando em seu vocabulário muitos termos técnico-científicos que designam especialidades médicas, tipos de exames laboratoriais e de diagnóstico, técnicas de tratamento, drogas e medicamentos, recursos vários usados na cura das doenças, e assim por diante. Vamos ilustrar com alguns exemplos:

    doenças e manifestações mórbidas da saúde: carcinoma, cisto, dengue, distúrbio neurológico, enfisema pulmonar, epidemiologia, gastrenterite/gastroenterite, glaucoma, hepatite, herpes, hipertensão arterial, hipoglicemia/hiperglicemia, hipertireoidismo, isquemia, isquemia cerebral, leishmaniose, mal degenerativo, neurose, osteoporose, patologia, paranóia, pólipo, sarcoma, septicemia, síndrome, síndrome do pânico, soropositivo, síndrome de Alzheimer, síndrome de Down;

    técnicas, exames e tratamentos: análise do DNA, biologia molecular, biópsia/biopse, densidade óssea, diagnóstico por imagem, exame parasitológico, gastrectomia, hemograma, informação genética, psicoterapia, laparoscopia, mamografia, neurocirurgia, raio X, ultra-sonografia;

    profissionais da saúde e especialidades médicas: cardiologia, cardiologista, citologia, dermatologia, dermatologista, endocrinologia, endocrinologista, fisioterapia, fisioterapeuta, gastroenterologia, geriatra, geriatria, ginecologia, ginecologista, hematologia, imunologia, microbiologia, neurologia, neurologista, oftalmologia, oftalmólogo, ortopedia, ortopedista, otorrinolaringologia, otorrinolaringologista, parasitologia, proctologia, pneumologia, toxicologia,urologia, urologista.

    O VOCABULÁRIO DA ECONOMIA E DAS FINANÇAS

    Nesse domínio terminológico muitos são os termos do complexo bancário e financeiro, das finanças públicas, do mercado tout court e do mercado de capitais com que os cidadãos vêm convivendo nos dias atuais e que incorporaram a seu vocabulário por viverem em uma sociedade capitalista dominada pelo mercado. Vejamos alguns exemplos dessa imensa pletora de termos: ágio, alíquota, amortização, apólice, auditoria, balança comercial, bens de consumo, capital de giro, cartão de crédito, cartel, cheque especial, contribuinte, data-base, déficit, deságio, dívida pública, dividendo, duplicata, endossar, endosso, factoring, fluxo de caixa, globalização, holding, imposto de renda, imposto territorial urbano (IPTU), imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA), inadimplência, joint venture, leasing, licitação, margem de lucro, monopólio, nota promissória, oligopólio, passivo, patrimônio, pessoa física, pessoa jurídica, preço de mercado, privatização, risco-Brasil, saldo médio, spread, superávit, taxa de câmbio, valor de mercado, valor venal, venda a prestação, etc.

    A CRIAÇÃO DE NOVOS TERMOS NA LÍNGUA Um problema teórico de grande relevância relativamente aos vocabulários científicos e técnicos diz respeito ao processo de criação das novas unidades léxicas que, como se disse, é fato que ocorre com enorme freqüência nesses domínios. Ora, sucede que as linguagens de especialidade geram novos termos com base no acervo que a língua já possui. De um lado, reutiliza palavras já existentes para criar outras, ou então, serve-se dos processos de formação de palavras que existem no sistema do português. Assim, por exemplo, os processos de derivação e composição são continuamente solicitados para gerar neologismos que se fazem necessários. Mas a língua se serve também, não raro, de empréstimos de outras línguas, sendo o inglês, na atualidade, o idioma que maior número de termos fornece ao português. Ver exemplos mencionados acima: holding, leasing, spread na economia. A derivação é acionada freqüentemente sendo que, nesse caso, a prefixação ocorre comumente. Aqui tem imensa importância o uso de prefixos ou elementos de composição gregos e latinos, como por exemplo: aero-, agro-, anti-, arqui-, auto-, bio-, cine-, demo-, electro-, endo-, epi-, extra-, fisio-, fono-, foto-, geo-, hetero-, hidro-, hiper-, hipo-, inter-, macro-, maxi-, mega-, micro-, mini-, mono-, neuro-, multi-, pluri-, poli-, proto-, pseudo-, radio-, retro-, semi-, sub-, super-, supra-, tele-, ultra-, etc. É verdade que o neologismo científico formado a partir de um desses formantes muitas vezes não foi gerado no português, mas em outro idioma (o inglês, o francês) e nossa língua adotou esse vocábulo, adaptando-o às características morfossintáticas do português, podendo-se considerar que se trata de empréstimo. De fato, o vocabulário técnico-científico tem caráter universal e, para todas as línguas, o grego e o latim constituem a fonte lexical onde todos vão beber na revitalização contínua de seus léxicos.

    Mas também o processo de composição tem enorme vitalidade na geração dos vocabulários científicos e técnicos. Exemplos: cardiovascular, aminoácido, carboidrato, ácidos graxos, ação oxidante, distúrbio neurológico, enfisema pulmonar, dermatologia, dermatologista, endocrinologia, endocrinologista, fisioterapia, fisioterapeuta, neurotransmissor, radical livre, síndrome do pânico, síndrome de Down, balança comercial, balanço de pagamentos, bens de consumo, capital de giro, cartão de crédito, imposto de renda, imposto predial ou imposto territorial urbano (IPTU), margem de lucro, pessoa física, pessoa jurídica, preço de mercado, risco-Brasil, saldo médio, etc.

    Por outro lado, ao servir-se de seu patrimônio lexical, muitas vezes o português procede a uma ressemantização de unidades já comuns na língua. A reutilização do vocabulário já existente na língua, atribuindo-lhe novos sentidos, é um recurso usado freqüentemente nas terminologias. Esse procedimento evita a criação contínua de novas unidades até então inexistentes, fazendo-se economia de novas formas, o que expandiria ad infinitum o número de unidades diferentes do léxico. Assim, com base em traços semânticos que a significação nuclear da palavra já possui, ampliam-se seus valores de sentido para incluir novas denotações. É o que ocorreu recentemente com o vocabulário da informática. Vários termos foram criados a partir de outros já existentes no português. Contudo, a esses vocábulos foram agregados características semânticas novas como por exemplo, ocorreu com arquivo, barra, botão, carregar, comando, disco, janela, lixeira, memória, placa, porta, programa, rede, rodar, salvar, tecla, teclado, vírus.

    O REGISTRO DO VOCABULÁRIO TÉCNICO-CIENTÍFICO EM DICIONÁRIOS GERAIS DA LÍNGUA Os dicionários constituem uma organização sistemática do léxico, por meio da qual os lexicógrafos tentam descrever o vocabulário dessa língua acumulado ao longo dos séculos. Assim, essas obras recolhem o patrimônio léxico da língua num dado momento da história da comunidade, visando descrever e documentar esse tesouro lexical que a tradição foi armazenando. De fato, esse ideal é intangível, já que o léxico cresce em progressão geométrica e esse processo nunca cessa enquanto a língua for viva. Até mesmo os maiores tesouros lexicográficos já compilados, como a edição de 1983 do Webster (500 mil verbetes) nem de longe registrou todo o acervo lexical do inglês naquela data.

    No caso da língua portuguesa, nossos dicionários gerais são mais modestos. Nosso dicionário geral de maior porte é a 10ª edição do Dicionário de Morais, reeditado por J.P.Machado para a Editorial Confluência em 12 volumes (1949-1959), que inclui uma nomenclatura de 306.949 verbetes. Para que se tenha um parâmetro comparativo da expansão do vocabulário português ao longo do tempo e da história da língua, vamos comparar essa 10ª edição com a edição considerada fundadora desse Dicionário de Antonio Morais e Silva, a 2ª edição de 1813. Nessa edição de 1813, Morais registrou 40 mil vocábulos (verbetes) tendo abarcado a língua dos séculos XVI, XVII e XVIII. As obras que lhe serviram de fonte de referência são desses três séculos. Examinando o vocabulário técnico-científico desse dicionário e comparando-o com o de nossos dias, podemos dar-nos conta da imensa evolução da terminologia científica.

    Na contemporaneidade são dicionários gerais: o Novo Aurélio- Dicionário da língua portuguesa- Século XXI (1999) registrando uns 135 mil verbetes, o Dicionário Hoauiss da língua portuguesa(2001), cerca de 228.500 verbetes e o Dicionário Michaelis de português, cerca de 200 mil verbetes. Ora, seja qual for a dimensão de um dicionário geral, o fato é que a imensa maioria desse acervo é constituída pela terminologia técnico-científica. O vocabulário comumente usado na língua não ultrapassa 10 mil unidades vocabulares, embora essas palavras sejam usadas com uma altíssima freqüência, além de serem reutilizadas continuamente com novas conotações, gerando o fenômeno da ressemantização acima referido, e gerando também o fenômeno da polissemia pelo qual os valores semânticos dos vocábulos se multiplicam. Inversamente, o vocabulário técnico-científico tem freqüência de uso muito baixa na língua como um todo, sendo usado apenas no âmbito de cada língua de especialidade pelos profissionais dessa área como é o caso dos dois domínios que comentamos acima: o das ciências biomédicas e o da economia. Entretanto, em face do fenômeno da democratização do saber, uma parcela desse vocabulário ultrapassa as fronteiras do domínio especializado e ingressa na grande corrente do uso geral.

    Portanto, dado o número gigantesco de termos técnicos e científicos, e considerando-se o escasso emprego de muitos deles, o dicionarista terá uma tarefa complexa na seleção das unidades que integrarão a nomenclatura do dicionário geral. Uma vez que é impossível registrar tudo, ou quase tudo, e levando em consideração as limitações de uma obra impressa, quais critérios utilizará o lexicógrafo para selecionar a nomenclatura do dicionário? Na realidade mesmo os dicionários mais bem elaborados que utilizaram critérios lingüísticos e léxico-estatísticos não operaram de modo rigorosamente científico. Basta ler o prefácio do dicionário do francês Petit Robert, escrito pelo grande lexicógrafo e especialista nas ciências do léxico, Alan Rey. Os melhores dicionários da língua inglesa, tipo Oxford e Cambridge, também não justificam de modo totalmente satisfatório suas escolhas. Rey explica que selecionou apenas os termos vulgarizados na língua comum, o que não esclarece muito. O acervo do Petit Robert é de 70 mil entradas. Aliás, não se trata de um dicionário geral como estamos aqui considerando, mas de um dicionário de porte relativamente grande para o uso do consulente letrado.

    Em qualquer hipótese, como proceder ? Onde recolher esse vocabulário geral da língua inclusive um número suficientemente grande de termos técnico-científicos para atender às necessidades de um eventual consulente letrado, mas não especialista ? A resposta é: partir de um gigantesco corpus de textos informatizados da língua, textos esses que sejam representativos de todos os gêneros, que incluam as duas modalidades da língua (falada e escrita) e que abranjam todos as áreas do conhecimento. Seria factível? Relativamente ao número de áreas técnico-científicas, não se sabe exatamente que número seria esse; talvez totalize uns 250, 300 ou mais domínios. Numa tentativa que estava sendo levada a efeito pela Editora Longman de Londres no início dos anos noventa, a partir do corpus do Webster, a equipe de especialistas elencou 200 áreas do conhecimento para trabalhar com elas, formulando a hipótese de que cobririam quase a totalidade das áreas do conhecimento. A evolução da ciência de lá para cá ampliou o número de domínios científicos, criando muitas especialidades novas. Parece-me impossível responder a essa questão.

    Por outro lado, infelizmente, a confecção de dicionários gerais da língua é planejada e executada por editoras comerciais que não estão dispostas a investir milhões em pesquisa para investigar a complexidade do léxico geral de uma língua e produzir um dicionário segundo critérios que poderíamos chamar de científicos.

    Atualmente existem dois corpora de grandes dimensões do português que foram criados com objetivos lexicográficos – um brasileiro e um europeu. O europeu Corpus de Referência do Português Contemporâneo, (CRPC), da Universidade de Lisboa tem cerca de 201,5 milhões de ocorrências. O brasileiro da FCL da Unesp, campus de Araraquara com 200 milhões de ocorrências de palavras. A partir do corpus do CRPC foi elaborado o Dicionário da língua portuguesa contemporânea (2001) da Academia de Ciências de Lisboa, contendo 70.000 verbetes. A partir do corpus de Araraquara foi elaborado o Dicionário de usos com 60 mil verbetes (Ática, 2002). Portanto, nenhum desses dois dicionários tem dimensões de um dicionário geral, embora ambos tenham a virtude de se terem baseado em um corpus de textos efetivamente produzidos, logo com usos reais da língua.

    Um corpus de referência de grandes dimensões (digamos uns 200 milhões de ocorrências) com as características acima referidas, pode embasar o projeto de produção de um dicionário geral da língua. De fato, algumas línguas como o francês e o inglês já possuem corpora com o dobro dessas dimensões, ou seja, 400 milhões de palavras. No caso do francês, a partir desse corpus, produziu-se um dicionário monumental Dictionnaire de la langue française des XIXème. e XXème. siècles (1969-1994) em 16 volumes, embora contendo apenas 80 mil verbetes.

    Um corpus ideal de uns 200 milhões de palavras, desenhado com a arquitetura acima referida, teria condições de embasar um dicionário geral do português. Dele seria extraída a nomenclatura (lista das palavras-entrada) usando-se critérios lexico-estatísticos e evitando-se soluções aleatórias. Programas adequados extrairiam do corpus as concordâncias de texto dos lemas dessa nomenclatura. As concordâncias de texto permitiriam identificar os significados (conceitos) e os usos dos vocábulos selecionados para a nomenclatura do dicionário, que é a espinha dorsal do dicionário. E haveria ainda todas as outras enormes complexidades postas pelas redes de significação em que se encadeiam os significados e conceitos no interior do léxico. Aqui dificilmente o computador poderia ajudar o lexicógrafo. Nessa etapa da elaboração do dicionário faz-se mister o engenho do dicionarista e um profundo conhecimento do idioma.

    Infelizmente, creio que o Brasil ainda não possui esse tipo de obra, mas já tem condições de produzir tal dicionário.

     

    Maria Tereza Camargo Biderman é lingüista e lexicógrafa, professora da Unesp é autora de dicionários:Dicionário ilustrado de português, Ática, 2005, Dicionário didático de português, Ática, 1998 e Dicionário do estudante, Globo, 2005.

     

    BIBLIOGRAFIA CONSULTADO

    Biderman, M.T.C. Teoria lingüística. São Paulo, Editora Martins Fontes, 2001.

    Biderman, M.T.C. "Dimensões da palavra".In Filologia e língua portuguesa, S.Paulo, Humanitas Publicações/FFLCH/USP, nº 2, 1998, 81-118.

    Cuenca, M. J. & Hilferty, J. Introducción a la lingüística cognitiva. Barcelona, Editorial Ariel, S.A. ,1999.

    Lenneberg, E.H. Fundamentos biológicos del lenguaje. Madrid, Alianza Universidad, 1975.

    Robert, P. Le Petit Robert. Paris, Les dictionnaires-Robert, 1990.