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    Ciência e Cultura

    versão On-line ISSN 2317-6660

    Cienc. Cult. v.58 n.2 São Paulo abr./jun. 2006

     

    TEATRO

    ESPAÇO DA CIÊNCIA CRESCE NO PALCO

     

    A produção de ciência no país tem se fortalecido a cada ano e junto com ela o interesse público e o leque de alternativas que tratam do tema. Os palcos já receberam visitas esporádicas de encenações inspiradas na academia e seus personagens, mas a partir de abril até dezembro um dos mais tradicionais teatros da capital paulista, o Ruth Escobar, abrirá as portas para seis espetáculos do grupo Arte e Ciência no Palco e contará com a participação do português Teatro Trindade, criado e dirigido por Carlos Fragateiro, que iniciará um intercâmbio de experiências internacionais em solo brasileiro.

    "A ciência está na ordem do dia, a sociedade já se deu conta de sua importância, das vantagens e riscos contidos no avanço tecnológico e começa a fazer perguntas, através dos vários meios de que dispõe", afirma Carlos Palma, idealizador do grupo nacional. Mais do que entretenimento e ferramenta de ensino entre educadores, professores e alunos do ensino médio, o palco é visto como uma possibilidade de ampliar e cativar o público para os questionamentos, provocações e reflexões sobre assuntos científicos, que tocam a natureza humana e estão cada mais infiltrados nas preocupações sociais e econômicas.

    A estréia em abril é com Oxigênio, peça que trabalha questões de ética e prioridade de autoria nas descobertas científicas. Foi o que ocorreu na primeira síntese do oxigênio em laboratório por Carl Wilhelm Scheele (1742-1786), entre 1772 e 1773, mas cujos créditos foram, sobretudo, atribuídos a Joseph Priestley, mesmo tendo ele feito a mesma descoberta, independentemente, um ano depois. E se o exemplo do oxigênio nos parece distante, o caso do cientista coreano Woo Suk Hwang que fraudou os resultados de uma descoberta em 2005 é ilustrativo de que a discussão é atual. A corrida pela autoria de descobertas pioneiras como teria sido o caso do desenvolvimento de células-tronco embrionárias humanas facilitam o acesso de cientistas a financiamentos de pesquisa, garantem consultorias e expertise na área e podem significar até uma candidatura ao prêmio Nobel.

     

     

    A partir de agosto o núcleo Arte e Ciência no Palco, idealizado por Palma em 1998, fará uma maratona a cada semana com seu repertório e, em novembro, será a vez da companhia portuguesa fazer o mesmo trabalho com suas produções inspiradas em temas científicos. "Nosso objetivo é fazer todas as conexões possíveis entre a racionalidade inerente da ciência e a subjetividade permanente da arte usando para isso a complexidade que o teatro oferece como forma de expressão", explica.

     

    Germana Barata