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    Ciência e Cultura

    versão On-line ISSN 2317-6660

    Cienc. Cult. vol.63 no.3 São Paulo jul. 2011

     

     

    APRESENTAÇÃO

    Cerrado: história, cultura, potencialidades e desafios

    Laurindo Elias Pedrosa

     

    Em Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas, o professor Aziz Nacib Ab’Sáber (2003), sistematizador dos domínios morfoclimáticos brasileiros, em capítulo específico sentencia que "[...]sem prejuízo da preservação relativa dos patrimônios naturais do 'universo dos cerrados e cerradões'[...]", onze são as diretrizes mínimas a serem seguidas pelos órgãos de gerenciamento do meio ambiente do Brasil para o bioma do Cerrado. O grau de preocupação com a preservação e a manutenção de equilíbrio ambiental para este que é o segundo maior bioma brasileiro em extensão territorial, frente às suas potencialidades e recursos, está presente nas produções acadêmicas e científicas tanto dos decanos como dos iniciantes, somando-se, em igual valor e validade, às manifestações que ressoam nos altiplanos, pelos movimentos sociais e ambientais, ativistas e preservacionistas, mesmo que anonimamente.

    Conhecer o Cerrado em sua totalidade é uma necessidade, tanto para a aplicação de programas e gerenciamento dos recursos para o setor produtivo público e privado, quanto para a gestão dos recursos naturais físicos e biológicos. É bem mais do que a máxima lógica: conhecer para intervir.

    Muitos foram os que se deram ao trabalho de estudos e pesquisas sobre a produção de conhecimentos sobre o Cerrado, dentre tantos apoiamos nossa base teórica e discursiva na trilogia: Cerrado: caracterização, ocupação e perspectiva, de Maria Novaes Pinto e outros autores, UnB, 1994; Cerrado: ecologia e flora, de Sueli Matiko Sano e outros autores, Embrapa, 2008; e Andarilhos da claridade: os primeiros habitantes do Cerrado, de Altair Sales Barbosa, UCG 2002. Produções bibliográficas diferenciadas no tempo e no espaço, mas que se complementam e se interagem nas informações tão atualizadas e de nível e valor elevado.

    No atual contexto das transformações sociais, espaciais e ambientais em ritmo acelerado, nunca visto em toda a história de ocupação do Cerrado, e coincidindo com o advento da aprovação e alteração, pelo Congresso Nacional, de nova redação para o Código Florestal Brasileiro de 1965, é que apresentamos uma coletânea de artigos no Núcleo Temático Cerrado, nesta edição da revista Ciência e Cultura, como contribuição para a reflexão, e que envolvem a história, a cultura, as potencialidades e os desafios, frente ao desenvolvimento econômico, ambiental e social desse bioma tão em voga na atualidade, e em plena e acirrada disputa pelos setores do agronegócio, hidronegócio e bioenergéticos. O primeiro grupo de artigos versa sobre as potencialidades naturais do Cerrado: "Situação e perspectivas sobre as águas do Cerrado", de Jorge Enoch Werneck Lima; "Análise espacial da temperatura de superfície no Cerrado: uma análise sazonal a partir de dados orbitais de resolução moderada, para o período de 2003 a 2008", de Nicali Bleyer dos Santos, Laerte Guimarães e Nilson Ferreira; "Usos do solo no advento do agronegócio da cana-de-açúcar no sudoeste de Goiás - Estudo de caso do município de Jataí", de Íria Oliveira Franco e Hildeu da Assunção; e "A oferta ambiental do Cerrado e seu uso", de Sueli Matiko Sano.

    O segundo grupo versa sobre patrimônio cultural e diversidade, como: "O Cerrado na perspectiva dos povos indígenas de Goiás: a arte de vida do povo Tapuia do Carretão-Go", de Eguimar Felício Chaveiro, Lorranne Gomes da Silva e Sélvia Carneiro de Lima; "A identidade cultural do goiano, de Nasr Fayad Chaul; e um artigo que defende a constituição de espaços de produção de pesquisa, ensino e extensão com a temática "UFCer – uma universidade no Cerrado e para o Cerrado", de Manoel Rodrigues Chaves.

    E, por último, ao finalizamos a nossa apresentação, vislumbramos com expectativa a realização da 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na cidade de Goiânia, em pleno coração do gigante e no core do bioma do Cerrado, um alento e uma oportunidade para as discussões e chamamento para as responsabilizações, segundo o que preconiza o Artigo 225 da Constituição Federal: "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações".

     

    Laurindo Elias Pedrosa é professor titular do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Goiás – UFG – Campus Catalão. Email: lepedrosa@hotmail.com.