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    Ciência e Cultura

    versão On-line ISSN 2317-6660

    Cienc. Cult. vol.63 no.3 São Paulo jul. 2011

    http://dx.doi.org/10.21800/S0009-67252011000300025 

     

    Lúcia Delorme

     

    Desimporta
    que o grão do instante
    vivo intenso
    depois pó
    se perca e
    menos que nada
    se anule
    existir também é isso

    como se não tivesse sido

    ...

    Fluxo não é jorro

    exemplo:
    Heráclito

    Sentir não se piegas

    vê:
    acácias

    Suave pode ser aresta

    exemplo:
    vértebras

    . . .

    Cuidado, Calandra, com as asas que usares
    em sua insistência sem causa
    o frágil liame
    da cantata
    pode resultar em entulho
    pode resultar em desastre

    a evasão absoluta é a morte

    . . .

    A Criação é um peso
    no trabalho divino,
    nem Deus é livre
    em seu ofício
    Serão os pássaros
    sobre as acácias
    no espaço do pátio?

    Duvido

    . . .

    Rua das Naus
    sem nau nenhuma

    Não Pólux, mas Tífis
    errante em seus velames

    no perigo das origens, mas
    sem excessos semânticos:

    ex-Príamo
    o mendigo ali?

    Não.
    Sua autoevidência
    inconteste:

    mefítico

    Rua das Naus
    sugere mas falha

    seu tráfego
    além tempo,

    seu Ulisses
    no vento

    . . .

    Cuide, ó Nauta,
    do teu mapa cego,
    no vento o trajeto
    quedará impresso

    O teu rumo Tróia
    tão exato incerto
    por Índicos, selvas,
    faina e tédio

    Cuide, ó Nauta,
    dos frágeis afetos
    e também dos golpes
    que sofreste e deste

    Estação ou porto,
    inventário ou hora
    o suspiro extremo,
    ó Nauta, desconhece

     

    Lúcia Delorme, nascida na cidade de São Paulo, é formada em psicologia e vive em Salvador, Bahia. Escreve o blogue Raízes aéreas e é autora do livro do mesmo nome, inédito, de onde foram tirados os poemas aqui publicados.