<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252002000100007</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Pesquisa impulsiona produção de camarões em viveiros e mercado de trabalho regional]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Schober]]></surname>
<given-names><![CDATA[Juliana]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2002</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2002</year>
</pub-date>
<volume>54</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>10</fpage>
<lpage>11</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252002000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252002000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252002000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1sebr.gif">  </P>     
<p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a07f1.jpg"></P>     
<p>&nbsp;</P>     <p><font color="black">C<small>ARCINICULTURA</small> M<small>ARINHA</small></font></P> <FONT SIZE=4>       <p> <font color="#000000"><b>Pesquisa impulsiona produção de camarões em viveiros    e mercado de trabalho regional</b></font></P>      <p>&nbsp;</P> </FONT>       <p> <font color=black>O dia em que a criação dos camarões marinhos virou assunto    de cientista, a produtividade aumentou e a paisagem costeira e paradisíaca de    muitos países ficou diferente. A vida de muitos pescadores também mudou. Ao    mesmo tempo que gera debates sobre sustentabilidade e impacto ambiental nos    manguezais, a atividade gera emprego e renda para pescadores artesanais prejudicados    com a escassez dos estoques naturais de camarão marinho. </font></P>      <p><font color="black"> Dados da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão    mostram que dos 8,5 mil km de litoral, o País ocupa apenas 8,5 mil hectares    com o cultivo. Comparada a países vizinhos, esta ocupação é irrisória: o Equador,    com uma extensão similar ao Ceará, possui mais de 160 mil hectares de cultivo;    e Honduras, com 200 km de litoral, já chega a 12 mil hectares. Quando se considera    o potencial de geração de emprego, a balança pende ainda mais para a carcinicultura.    “É uma das atividades que menos requer investimento para gerar um emprego –    US$ 13.880 – enquanto o setor automotivo precisa de US$ 91 mil e, o químico,    US$ 220 mil”, contabiliza Raúl Malvino Madrid, coordenador geral de Aquicultura    do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a07t1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p><font color="black"> Por seu potencial, a atividade no Brasil está em franca    expansão, o que levou o ministério a elaborar, há três anos, o Programa de Apoio    ao Desenvolvimento do Cultivo do Camarão Marinho, que resultou, entre outras    ações, na publicação da <i>Plataforma tecnológica do camarão marinho cultivado</i>,    financiada pelo CNPq. Esta plataforma pretende nortear ações científicas e tecnológicas    dos órgãos governamentais com as iniciativas privadas a fim de transformar o    País em um dos maiores produtores mundiais de camarões marinhos cultivados.</font></p>      <p><font color="black"> A importância econômica dos viveiros de camarões marinhos    é cada vez maior em muitos países costeiros subdesenvolvidos. Para um país tropical    se tornar um produtor é preciso que as condições ambientais dos ecossistemas    estuarinos sejam propícias. No Brasil, do sul da Bahia ao norte do Maranhão    há condições excelentes para a implantação e desenvolvimento de camarões confinados.</font></p>      <p><font color="black"> As primeiras tentativas começaram nos anos 70, com a criação    de várias espécies de camarões marinhos no Brasil, mas não foram bem-sucedidas.    O professor Marcos Rogério Câmara, do Departamento de Oceanografia e Limnologia    da Universidade Federal do Rio Grande do Norte diz que a produção decolou somente    nos anos 90, com o cultivo da espécie <i>Litopenaeus vannamei</i>, que se tornou    responsável por aproximadamente 80% de toda a produção brasileira de pós-larvas.</font></p>      <p><font color="black"> Madrid explica que todo o esforço empregado para o desenvolvimento    das espécies brasileiras não foi suficiente para elevar os níveis de produção.    “Durante dez anos de trabalhos de domesticação das nossas espécies, o desempenho    produtivo oscilou de 400 a 600 kg/ha/ano, níveis insuficientes para garantir    lucratividade”. Já a espécie <i>Litopenaeus vannamei</i> alcança um rendimento    médio de 5000 kg, acrescenta Madrid. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a07f2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p><font color="black"> A tecnologia de cultivo do <i>Litopenaeus vannamei</i>    foi desenvolvida pelos países do Pacífico, mas para que este camarão fosse introduzido    aqui no Brasil foram feitas várias adaptações. A espécie é originária da costa    sul-americana do Pacífico, que se estende do Peru ao México. A fácil adaptação    a diferentes ambientes permitiu sua introdução em terreno brasileiro e a carne    de alta qualidade é muito bem aceita nos mercados americanos e europeus, para    onde se destina grande parte da produção brasileira.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font color="black"> Para se “fazer” um camarão marinho é preciso uma boa dose    de pesquisa e persistência, pois é necessário aperfeiçoar as técnicas e aclimatá-lo    às condições dos estuários brasileiros. O desenvolvimento deste setor deve-se    aos avanços científicos nos campos da engenharia para aquicultura, na seleção    dos camarões reprodutores, nos processos de maturação e larvicultura, na produção    intensiva de juvenis e no manejo dos ecossistemas de engorda. Segundo Câmara,    os principais centros de pesquisa estão no Departamento de Aquicultura da Universidade    Federal de Santa Catarina (UFSC) e no Departamento de Oceanografia da Fundação    Universidade de Rio Grande (FURG) no Rio Grande do Sul, além do esforço individual    de vários grupos e pesquisadores de universidades brasileiras.</font></p>      <p>&nbsp; </p>      <p align=RIGHT><font color=black><b><i>Juliana Schober</i></b></font></p>     <p align=RIGHT>&nbsp;</p> <table width="305" border="0" cellspacing="4" cellpadding="4" align="center" bgcolor="#D2D2A6">   <tr>     <td>           <p align="center"><b>U<small>MA FAZENDA FEITA DE HOMENS</small></b></p>           <p><font color=black>Nem só de ciência e tecnologia são feitas as fazendas          de camarões </font>marinhos brasileiras. Elas também contam, e muito,          com o esforço diário de muitos trabalhadores. Para conhecê-los melhor,          a bióloga Ana Lúcia Carneiro Scherfer realizou um estudo pela Universidade          Federal de Santa Catarina. O estudo de Schaefer foi realizado nas fazendas          de camarão do município de Laguna, em Santa Catarina, durante o período          de 1999 a 2000. Este é um dos únicos estudos brasileiros existentes sobre          o tema.</p>           <p><font color="black"> Ela concluiu que os trabalhadores são ex-pescadores          artesanais que recebem salários maiores que os obtidos com a pesca artesanal,          além de terem uma renda fixa todo o mês, carteira assinada e alimentação          garantida pelas fazendas empregadoras. São alfabetizados, do sexo masculino,          com idade entre 18 e 40 anos. Schaefer afirma que estas pessoas são fundamentais          para ao desenvolvimento da carcinicultura marinha na região Sul, que quando          conduzida corretamente permite que ex-pescadores não se afastem de seus          locais de trabalho originais, e que continuem com forte vínculo com a          atividade pesqueira, muitas vezes herdada de seus antepassados.</font></p> </td>   </tr> </table>       ]]></body>
</article>
