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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1sebr.gif">  </P>     
<p>&nbsp;</P>     <p><FONT COLOR=black>T<small>RABALHO</small></font></P> <FONT SIZE=4>       <p> <font color="#000000"><b>Doenças ocupacionais afetam saúde dos músicos</b></font></P>      <p> <FONT COLOR=black>&nbsp;</font></P> </FONT>       <p><font color="black">O <I>Brasileirinho</I> de Waldir Azevedo é um bom exemplo.    Para chegar ao grau de preciosismo do chorinho, é preciso dedos rápidos e muitas    horas de exercícios que expõem músicos a problemas graves de saúde, afetando    seus músculos, articulações, ouvidos e cordas vocais. Tais males atingem esses    profissionais de maneiras diferentes, dependendo do instrumento utilizado, tamanho    e peso, horas de dedicação, exposição a ruídos e pressão sonora.</font></P>      <p><font color="black"> Um dos principais sintomas ocupacionais é o chamado DORT,    ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho, líder no <I>ranking</I>    de doenças notificadas à Previdência Social e que afeta, principalmente, músicos    de cordas em decorrência de microtraumas que vão se acumulando, movimentos manuais    repetitivos, contínuos, rápidos e vigorosos durante longas horas de prática.</font></P>      <p><font color="black"> A vulnerabilidade de músicos de cordas, especialmente    os violinistas, já foi objeto de estudo pela Universidade do Texas, nos Estados    Unidos: em 1989, a pesquisa realizada na instituição apontou, em um grupo de    2.122 membros da Conferência Internacional de Músicos da Sinfônica e Ópera,    75% afetados por algum tipo de problema ocupacional. No Brasil, 88% dos músicos    de cordas reclamam de desconforto físico relacionado a sua atividade, segundo    pesquisa de Edson Queiroz de Andrade e João Gabriel, fisioterapeutas da Universidade    Federal de Minas Gerais (UFMG). Os 419 instrumentalistas de 13 Estados brasileiros    entrevistados para o trabalho queixam-se principalmente de desconfortos nas    costas, pescoço e ombro esquerdo.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a09f1.jpg"></P>     
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<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>      <p><font color="black"> As cordas vocais são expostas a horas de ensaio em ambientes    barulhentos e poluídos, empregadas de forma inadequada, por tempo prolongado    e em ambientes ressecados. Pior: as cordas vocais são sensíveis às variações    bruscas de temperatura, o que pode afetar a voz, além de poderem sofrer inflamações    devido ao consumo de cigarro e álcool. Mara Behlau, fonoaudióloga da Escola    Paulista de Medicina (Unifesp), acrescenta que, entre os problemas mais comuns    de voz, estão os edemas (inchaços) e calos das pregas vocais. </font></P>      <p><font color="black"> Ouvidos apurados e sensíveis são exigências básicas para    afinadores, regentes e músicos em geral. Conseguir discernir os tons e semitons    de uma orquestra requer um apuro fundamental e a exposição aos decibéis gerados    em uníssono pelo conjunto de violinos, flautas, da percussão e dos metais pode    ser risco igual ao que sofrem trabalhadores de uma metalúrgica. Foi o que verificou    Iêda Russo, fonoaudióloga e docente titular da PUC-SP, em pesquisas que realiza    há 30 anos sobre a audição de músicos. Iêda Russo, que também é pianista, diz    que a maior causa desses problemas é a amplificação da música que nos anos 60    estava na ordem de 100 watts de potência, “o som dos Beatles”, e saltou para    cerca de 500 mil watts no início dos anos 90. O nível normal de audição é de    cerca de 20db (decibéis); atinge 116db em <I>shows</I> de <I>rock</I> ou trios-elétricos    durante o carnaval. </font></P>      <p> <font color="black">É o que mostra sua pesquisa realizada em 1995 quando mediu    os níveis de pressão sonora de dois trios-elétricos em Recife (PE) e seus efeitos    nos músicos antes e depois dos ensaios e <I>show</I>. Dados do Ato de Saúde    e Segurança de Ontário, no Canadá, indicam que a dose diária de ruído está em    torno de 90dB durante 8 horas diárias e caso a pressão sonora eleve para 100dB    a exposição deve ser reduzida para 2 horas diárias.</font></P>      <p><font color="black"> São pouco os profissionais que se dedicam a saúde do músico.    Carolina Valverde Alves, fisioterapeuta, percussionista e saxofonista amadora,    e João Gabriel Fonseca, médico clínico e pianista, fundaram em 1999 o Exerser,    Núcleo de Atenção Integral à Saúde do Músico com outros seis profissionais da    saúde. Entre outros estudos na área, destacam-se pesquisas desenvolvidas na    USP, Unifesp, PUC do Rio e São Paulo e a Universidade de Brasília.</font></P>      <p>&nbsp; </P>      <p ALIGN=RIGHT> <font color="black"><B><I>Germana Barata</I></B></font></P>      ]]></body>
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