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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1semd.jpg">  </P>     
<P>&nbsp;</P>     <P><FONT COLOR=black>M<small>ODELOS</small> M<small>ATEM&Aacute;TICOS</small></font></P> <FONT SIZE=4><FONT COLOR=black>       <P> <b>Poesia rima com Física?</b></P>      <P>&nbsp; </P> </FONT></FONT>       <P><FONT SIZE=4><FONT COLOR=black> </font></font><FONT COLOR=black>A polêmica    é certa. É possível usar técnicas baseadas em princípios físicos e matemáticos    para estudar poesia clássica? Um matemático e um especialista em poesia clássica,    ambos mexicanos, conseguiram “misturar” essas áreas de pesquisa que aparentemente    são completamente opostas: Física, Poesia e Matemática. Os pesquisadores desenvolveram    algoritmos matemáticos, usando técnicas comuns em Física estatística, para quantificar    a “complexidade” de poemas clássicos, gregos e latinos. Eles mapearam amostras    enormes de poemas clássicos, transformando as sílabas em séries temporais simbólicas,    para poder caracterizar as sucessões regulares de ritmos, ou seja, estruturas    de sílabas acentuadas e não acentuadas conjugadas a sucessões de vogais longas    e breves em um dado verso. </font></P> <FONT COLOR=black>       <P> Para começar, os pesquisadores selecionaram a sua amostra decidindo analisar    os cem primeiros versos de quatro poemas gregos (Ilíada e Odisséia, de Homero,    Trabalhos e Dias de Hesíodo e Idílios de Teócrito) e os cem primeiros versos    de quatro poemas latinos (Eneida e Geórgicas de Virgílio, Metamorfoses de Ovídio,    e Sobre a Natureza de Lucrécio).</P>      <P> Esses poemas utilizam versos conhecidos como hexâmetros, que são versos de    seis “pés” - unidade tradicional de medida do verso grego e latino -, dos quais    os quatro primeiros podem ser dáctilos ou espondeus, o quinto é dáctilo, e o    sexto é espondeu ou troqueu. Essa terminologia corresponde tradicionalmente    à duração da sílaba (breve ou longa), e se é acentuada ou não. A sílaba longa    está sempre no início do pé, e é sempre acentuada, enquanto as sílabas curtas    não são enfatizadas. </P>      <P> Esse tipo de construção possibilitou a “tradução” dos poemas em um alfabeto    específico, composto por apenas três algarismos, no qual zero representa uma    sílaba longa, um representa uma sílaba breve, e dois representa uma pausa métrica    que divide um verso (cesura). Apesar da existência de certas regras que determinavam    a colocação de cada elemento, a arte do poeta consistia, de certo modo, em misturar    e subverter as permutações permitidas em uma dada composição, que apesar de    manter um dado pulso continha variações agradáveis ao ouvido, por exemplo.</P>      <P> Uma vez feita a tradução, os pesquisadores utilizaram técnicas computacionais    usadas em teoria da informação, especialmente o conceito de entropia de Renyi,    que é uma medida da quantidade de desordem em longas seqüências de informação.    Esse tipo de análise surgiu na década de 1940, a partir de estudos em telecomunicações,    e revela quão organizadas ou complexas são as estruturas analisadas. Técnicas    similares para o estudo de seqüências simbólicas foram usadas recentemente por    físicos para analisar as informações contidas em DNA, por exemplo.</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P> Por essa análise, os autores constataram que os padrões rítmicos na poesia    grega evoluem para padrões mais complexos na poesia latina. Essa “complexidade”    maior indica que os autores latinos não seguem exatamente as regras dos versos    hexâmetros com tanta freqüência quanto os gregos. </P>      <P> Entretanto, ao utilizar conceitos de áreas tão diferentes, um cuidado especial    deve ser tomado. Talvez a palavra “complexidade” não seja a mais apropriada    para descrever essa análise. Alguns classicistas acreditam que os hexâmetros    latinos são menos complicados que os gregos, ao contrário da conclusão dos mexicanos.    Apesar das controvérsias, os autores querem aproveitar o desenvolvimento do    algoritmo para tentar estudar questões ainda em aberto no campo de poesia clássica.  </P>      <P> O professor Marcos Pereira, do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da    Unicamp, lembra que há estudiosos de poesia que quantificam as análises dos    versos para auxiliar em seu estudo. Pereira identifica diversos problemas nesse    tipo simplificado de análise, que não leva em conta todas as variáveis envolvidas    na leitura e entendimento de um poema. Ele afirma que “há mais de uma leitura    possível para um certo verso”, o que complica enormemente a sua “tradução” em    uma mera seqüência numérica. Além disso, em uma análise desse tipo é impossível    discutir a “complexidade” de um verso, pois não é considerada a importante questão    da relação entre a forma e o conteúdo do poema, por exemplo. Mas o professor    concorda que a análise é interessante, e pode ser um elemento novo no estudo    da poesia clássica.</P> </FONT>      <p>&nbsp;</p> <table width="200" border="0" cellspacing="4" cellpadding="4" align="center" bgcolor="#AEBDCA">   <tr>     <td>           <p><font color=black><b>Texto original:</b></font></p>           <p> <font color="black"><a href="http://arxiv.org/abs/cond-mat/0203135">http://arxiv.org/abs/cond-mat/0203135</a></font></p>           <p><font color="black"><b>Baseado em:</b></font></p>           <p> <font color="black"><b>The Physics of Classical Poetry</b>, Physics          Web, 25/03/02 por Peter Rodgers <a href="http://physicsweb.org/article/%20news/6/3/18">http://physicsweb.org/article/          news/6/3/18</a></font></p>           <p><font color="black"><b>Greeks Were Slaves to the Beat</b>, Nature Science          Update, 22/03/02 por Philip Ball - <a href="http://www.nature.com/nsu/020318/020318-9.html#1">http://www.nature.com/nsu/020318/020318-9.html#1</a></font></p>           <p><font color="black"><b>Did Homer Have Help?</b>, ScienceNOW, 25/03/2002          por Erica Klarreich <a href="http://sciencenow.sciencemag.org/cgi/content/full/2002/325/3">http://sciencenow.sciencemag.org/cgi/content/full/2002/325/3</a></font></p> </td>   </tr> </table>     ]]></body>
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