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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1semd.jpg">  </P>     
<P>&nbsp;</P>     <P><FONT COLOR=black>J<SMALL>OHANNESBURG</small></font></P> <FONT SIZE=4><FONT COLOR=black>     <P> <b>Agenda 21 tentará ir além de propostas genéricas</b></P> </FONT></FONT>    <P><FONT SIZE=4><FONT COLOR=black> </font></font><FONT COLOR=black>&nbsp;</font></P><FONT COLOR=black>     <P> Entre 24 de agosto e 4 de setembro, a conferência internacional em Johannesburg,    na África do Sul, conhecida como Rio+10, tentará estabelecer metas para o desenvolvimento    sustentável no planeta – um desenvolvimento que satisfaça as necessidades presentes    sem comprometer a capacidade de satisfazer também as das gerações futuras. A    idéia geral é promover uma conciliação maior entre eficiência econômica, justiça    social e proteção ambiental.</P>     <P> O projeto de implementar ações de âmbito nacional e internacional em prol    do desenvolvimento sustentável vem sendo debatido há algum tempo. Em 1972, foi    aprovada a Declaração de Estocolmo na Conferência das Nações Unidas sobre o    Meio Ambiente Humano na capital sueca. Essa declaração incluiu pela primeira    vez a dimensão ambiental como condicionante e limitadora do modelo tradicional    de crescimento econômico e de uso de recursos naturais. Anos depois, em dezembro    de 1989, a ONU aprovou uma resolução que solicitava a organização de um encontro    de líderes mundiais para elaborar estratégias de controle da degradação ambiental    e promover o desenvolvimento sustentável. </P>     <P> Esta reunião mundial veio a ser a Rio-92 (Conferência das Nações Unidas sobre    Meio Ambiente e Desenvolvimento), que conseguiu reunir na capital carioca, há    dez anos, o maior contingente de chefes de Estado (117) da história. No fim    da conferência, foram assinados cinco documentos, com o compromisso dos países    signatários de realizar diversas ações em prol de um desenvolvimento sustentável:    a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (um conjunto de 27    princípios gerais sobre interação entre desenvolvimento e meio ambiente), a    Agenda 21, a Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (Convenção    da Biodiversidade), a Declaração de Princípios sobre o Uso das Florestas e a    Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. </P>     <P> Destes, os mais importantes são a Agenda 21 e a Convenção-Quadro. Esta última    trata especificamente do efeito estufa e do aquecimento global. Suas negociações    desenvolveram-se separadamente, nas diversas “conferências das partes” (as COPs    – a última foi a COP-7, em novembro do ano passado, em Marrakesh, Marrocos)    e produziram, em 1997, o Protocolo de Kyoto, um documento no qual os países    signatários assumem uma série de ações para deter o aquecimento global através    da redução das emissões de carbono para a atmosfera.</P>     <P> Já a Agenda 21, na qual será centrada a reunião em Johannesburg, reúne propostas    bastante genéricas envolvendo as dimensões social, econômica e ambiental do    desenvolvimento sustentável, além da garantia da participação nos processos    decisórios de grupos sociais como os jovens, povos indígenas, ONGs ,trabalhadores    e sindicatos, representantes da comunidade científica e tecnológica, agricultores    e empresários do comércio e da indústria. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P> Há uma enorme discrepância entre as discussões sobre as mudanças ambientais    e sobre os outros aspectos do desenvolvimento sustentável presentes na Agenda    21. As soluções para o aquecimento global são reconhecidas como muito mais urgentes    e o debate produziu propostas bastante objetivas no Protocolo de Kyoto – tão    objetivas que países como os do Grupo do Guarda-Chuva (Estados Unidos, Japão,    Austrália, Canadá, entre outros) se opõem a ele, e o governo de George W. Bush    chegou a contestar categoricamente suas bases principais. Isso corrobora a impressão    de que o debate já passou da fase de “cartas de intenções”.</P>     <P> Temas como a biodiversidade tiveram um avanço menor, mas substancial o suficiente    para causar problemas com os países mais desenvolvidos. Desde 1992 os EUA se    recusam a assinar a Convenção da Biodiversidade. </P>     <P> Os outros aspectos do desenvolvimento sustentável, contidos na Agenda 21,    não passaram até agora de propostas muito genéricas, apesar de terem sido abordados    na mesma ocasião que a Convenção- Quadro e a Convenção da Biodiversidade. A    sua transformação em um conjunto de medidas objetivas, entretanto, não depende    apenas de reuniões internacionais: o documento original prevê, por exemplo,    a elaboração de "Agendas 21" nacionais e regionais, com liberdade de fazer avançar    as propostas em debates nas mesmas instâncias, independentemente das convenções    mundiais. </P>     <P> No entanto, os avanços são lentos. A elaboração da Agenda 21 brasileira foi    iniciada apenas em 1995. O documento final deverá ser entregue à Presidência    da República a tempo de ser levado a Johanesburg. Isso, porém, não significa    que nada foi feito nesse meio-tempo: entre 1996 e 1997, foram cadastrados 183    projetos sobre experiências de desenvolvimento sustentável em diversos setores,    provenientes de iniciativas de prefeituras, ONGs, associações e empresas. </P>     <P> O objetivo da conferência na África do Sul é analisar o que já foi feito em    relação às sugestões da Agenda 21 desde 1992, novas questões surgidas nesse    meio-tempo e os problemas surgidos para programar ações futuras mais objetivas.    “O que já foi feito” é justamente um dos maiores problemas. Segundo o ministro    do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, na ocasião da Rio-92 os países mais    desenvolvidos investiam 0,4% de seu PIB em projetos de desenvolvimento sustentável    em países pobres; na conferência ficou acertado que esse investimento seria    aumentado para 0,7%, mas, hoje, se aplica apenas 0,2%. </P> </FONT>     ]]></body>
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