<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252002000100018</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Violência e desigualdade social]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cardia]]></surname>
<given-names><![CDATA[Nancy]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Schiffer]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sueli]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A04"/>
<xref ref-type="aff" rid="A05"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,London School of Economics  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,USP NEV ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,Fapesp Cepid ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A04">
<institution><![CDATA[,USP FAU ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A05">
<institution><![CDATA[,Infurb  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2002</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2002</year>
</pub-date>
<volume>54</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>25</fpage>
<lpage>31</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252002000100018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252002000100018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252002000100018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1sear.gif">  </P>     
<p>&nbsp;</P>     <p><FONT SIZE=4><b>V<small>IOL&Ecirc;NCIA E</small> D<small>ESIGUALDADE</small>    S<small>OCIAL</small></b></FONT></P>      <p>Nancy Cardia    <br>   Sueli Schiffer</P> <FONT SIZE=4></FONT>       <p><FONT SIZE=4> </font>&nbsp;</P>      <p> <b><font size=5>E</font></b>m 1999 ocorreram 6.638 homicídios na cidade    de São Paulo, de acordo com dados da Fundação Seade, resultando em uma taxa    de 66,89 homicídios por 100.000 habitantes. A distribuição desses homicídios,    através dos distritos que compõem a cidade, não é homogênea, fato aliás que    se repete em várias cidades do Brasil e do mundo(1). Com    freqüência os homicídios se concentram em certas áreas da cidade e não seria    surpresa se dentro dessas áreas também ocorrerem concentrações. No caso de São    Paulo em apenas 4 distritos da Zona Sul(2)    onde em 1999, segundo a Fundação Seade, se encontravam 831.178 habitantes aconteceram    854 desses homicídios. Ou seja, em uma região onde habitavam 8,37% dos moradores    da cidade ocorreram 12,87% dos homicídios. </P>      <p> Esse fenômeno se repete pelo Brasil: Cano(3)    e posteriormente Szwarcwald et al(4) estudando    a distribuição dos homicídios no Rio de Janeiro, identificaram a concentração    de homicídios nas áreas de maior pobreza e de maior concentração de favelas.    Resultado semelhante foi obtido por Beato et al.(5), para    a cidade de Belo Horizonte e por Santos et al. (2001) para Porto Alegre. O que    surpreende no caso das cidades brasileiras é o grau de concentração. Em Washington    DC, uma das cidades norte-americanas com altas taxas de homicídios, 23% dos    homicídios ocorridos em 1999 se passaram em 19 das 83 áreas de distritos policiais.    Já aos quatro distritos censitários citados acima correspondem quatro delegacias    de polícia(6). </P>      <p> Apesar de amplamente divulgada a informação de que os homicídios se distribuem    de modo desigual e que o risco de ser vítima é maior em certas localidades que    sofrem várias carências, o fato parece não ter provocado forte reação das autoridade    competentes. Seis anos após os primeiros esforços de busca da relação entre    as carências sociais e econômicas e a presença da violência, pouco parece ter    mudado. O Mapa da Fundação Seade mostra a distribuição dos homicídios em São    Paulo em 1999. Nesse ano a Fundação Seade forneceu os dados segundo os distritos    censitários, o que permite uma série de comparações com dados de outras fontes    que usam, como base territorial, a divisão da cidade segundo os distritos censitários.    O mapa mostra que os homicídios continuam a ocorrer, como já ocorriam, nas    áreas mais extremas da cidade. Uma comparação com os mapas dos dados de 1998,    1997 e 1996 revela que nesses quatro anos houve uma consolidação da incidência    de homicídios e uma espécie de “contaminação” das áreas vizinhas àquelas mais    afetadas. </P>      <p> Como são essas áreas mais afetadas? O que pode nos ajudar a entender não só    a continuidade mas o crescimento dessa violência? Buscando responder essas perguntas    reunimos uma série de dados sobre a cidade relativos àquelas variáveis que são    apontadas na literatura(7) como associadas    à presença e à ausência de violência: os fatores que representam risco de vitimização    e os fatores de proteção contra violência. Entre os fatores de risco, destacam-se    a falta de capital social e a superposição de desvantagens; e, entre os fatores    de proteção, a presença de capital social, o acesso a direitos – em particular,    o direito à saúde, à educação, à cultura e ao lazer. Levantamos também os efetivos    policiais nessas áreas, pois a incidência de casos de homicídio com autoria    desconhecida é nelas muito alta, o que poderia alimentar a sensação de impunidade.    Entre 1992 e 1996, dos 3.048 homicídios nelas ocorridos, 2.787, ou seja 91,44%    eram de autoria desconhecida, percentual este que é muito superior ao da média    da cidade na época. -84,47% de autoria desconhecida. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A estabilidade da população em seu bairro é apontada como um fator que está    associado a uma maior coesão social e disposição dos moradores para agirem em    prol do bem comum e até para intervir de forma a evitar atos de violência e/ou    situações de risco que afetem grupos vulneráveis: crianças, jovens, mulheres    e idosos(8). A literatura também mostra    que a coesão social pode ser afetada pela exposição à violência, pois esta afetaria    a confiança interpessoal o que agravaria situações de carência coletivas, dificultando    o diálogo entre as pessoas e até a possibilidade de ações coletivas junto ao    poder público para se preencher as carências. Nesse sentido é importante identificar    qual o padrão de ocupação dos bairros da cidade. Trata-se de bairros consolidados    onde as pessoas vêm morando há gerações e se conhecem bem ou temos bairro mistos    onde uma parte é consolidada e outra se formou recentemente? A cidade está dividida    em bairros que formam uma rede de comunidades em que as trocas sociais são freqüentes    ou temos uma maioria de bairros quase-dormitórios onde as pessoas transitam,    mas nos quais não dispõem de uma rede de conhecidos, parentes, pontos de apoio    e de referência. Nesse texto, vamos nos concentrar em examinar o que se passa    nos quatro distritos: Campo Limpo, Capão Redondo, Jardim Ângela e Jardim São    Luís. São distritos fronteiriços, fazem parte da Administração Regional do Campo    Limpo e apresentam problemas semelhantes no acesso a direitos sociais e econômicos.</P>      <p> A estabilidade da população é medida, em geral, através da: presença de domicílios    ocupados por proprietários; da taxa de crescimento da população; da taxa de    envelhecimento da população – medida através da proporção de crianças e adolescentes    com menos de 14 anos e adultos com mais de 65. Áreas onde os domicílios são    ocupados por proprietários são consideradas com maior probabilidade de ter população    estável, além disso, em tese, seus moradores teriam mais interesse em proteger    seu investimento buscando melhorar a vizinhança; teriam também maior disposição    para a ação coletiva visando garantir a melhoria do bairro. </P>      <p> Os quatro distritos apresentam grande concentração de moradores; são mais    densamente ocupados – número de moradores por hectare (urbanizado) habitando    domicílios próprios. Os dados mostram ainda que, além da ocupação ser densa,    há indicadores de superlotação dos domicílios: o número médio de moradores por    domicílio é superior à média da cidade, e o número de habitantes por cômodo    chega próximo de 1. Isso sugere que os espaços domésticos podem ter usos múltiplos:    salas de estar podem ser usadas como dormitórios, cozinhas como áreas de estudo,    e assim por diante. Isso concorre para o <I>stress</I> familiar, quando atividades    nem sempre compatíveis têm que ser realizadas simultaneamente. Além do desconforto    psicológico há o risco de prejuízo para crianças que precisam se concentrar    para estudar, falta privacidade para os adultos e entre os adultos, o que também    pode facilitar o <I>stress</I> e o conflito interpessoal. As áreas com maior    ocorrência de homicídio são também aquelas que apresentam maior congestionamento    domiciliar. A média para a cidade de São Paulo é de 0,7 morador por cômodo,    computados todos os cômodos da casa (incluindo banheiro e cozinha). Esse é o    valor esperado. Nas áreas com maiores taxas de homicídio, esse número varia    de 0,76 a 1,07 (<a href="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t1.gif">Tabela 1</a>).    Além de superlotação há o dobro de domicílios subnormais em relação à cidade.  </P>     
<p> Quanto ao crescimento populacional, o Censo de 2000 mostra que esses quatro    distritos da Zona Sul paulistana, ao longo da década passada, continuaram a    ter taxas de crescimento da população bastante superiores àquelas da média da    cidade de São Paulo: em geral de 3 vezes acima da média geral da cidade de São    Paulo (0,88% ao ano), com destaque para os distritos do Jardim Ângela (3,63%    ao ano) e Capão Redondo (2,46% ao ano). Há mais crianças e pré-adolescentes    nos quatro distritos do que na média da cidade e um percentual inferior de idosos.    Se, no início dos anos 90, essa região já apresentava um grande número de crianças    e jovens, essa realidade não se alterou ao longo da década passada, significando    que a demanda dessa população por serviços públicos básicos não diminuiu. Mas    os dados sugerem que esse crescimento da população se deve mais à manutenção    de altas taxas de fertilidade do que pela chegada a esses distritos de pessoas    de fora. Ou seja, apesar de haver uma continuidade do crescimento, esse tipo    de crescimento populacional, por si só, não afetaria o potencial para coesão    interna (<a href="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t2.gif">Tabela 2</a>).</P>     
<p>&nbsp;</P>     <p> <b>C<small>ONCENTRA&Ccedil;&Atilde;O DE DESVANTAGENS VS. CONCENTRA&Ccedil;&Atilde;O    DE RECURSOS</small></b> A superposição de privações ou a presença de desvantagens    concentradas (econômicas, educacionais, na estrutura familiar) tem sido considerada    como fonte de risco para crianças e adolescentes. Espera-se que, nas comunidades    mais carentes, a existência de uma ampla agenda de necessidades a ser suprida,    tanto individual como coletivamente, tenha impacto sobre a capacidade da comunidade    mobilizar os recursos locais – o capital social local, em prol das crianças    e dos adolescentes da área, de modo a protegê-los das fontes de risco. A existência    de desvantagem econômica tem sido medida através dos seguintes indicadores(9):    percentual de famílias com renda abaixo da linha da pobreza, no caso selecionamos    abaixo de mensal de 3 salários mínimos de renda do chefe; acesso a emprego;    percentual de famílias monoparentais e taxa de mortalidade infantil. Já a concentração    de afluência é medida pelo percentual de famílias com renda mensal superior    a 20 salários mínimos; percentual de famílias com adultos com educação de nível    universitário; e percentual de chefes de família em cargos gerenciais.</P>     <p>&nbsp;</P>     <p> <b>R<SMALL>ENDA</small></b> Os indicadores de renda mostram que, nos quatro    distritos, há uma forte concentração de chefes de família de baixa renda: a    soma dos chefes de família que não têm renda ou que têm renda de até 3 salários    mínimos mensais ultrapassa 50%. Do total de chefes de domicílio que não têm    renda da cidade de São Paulo 12, 22% estão nesses quatro distritos assim como    10, 89% dos que recebem até 3 salários mínimos, apesar de os distritos abrigarem    apenas 8, 37% dos moradores da cidade. Esse percentual sugere que os distritos    são homogêneos na baixa renda e, em conseqüência, há muito menos chefes com    renda superior ou igual a 20 salários mínimos do que no restante da cidade.    Esse grau de concentração de pobreza é raro ocorrer em centros urbanos que também    apresentam áreas de pobreza, como em Washington DC. Nessa cidade há uma pulverização    da população mais pobre. Metade dessa população habita áreas onde menos de 10%    da população está abaixo da linha de pobreza (<a href="#tab3">Tabela 3</a>).</P>     <p><a name="tab3"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t3.gif"></P>     
<p>&nbsp;</P>      <p> O percentual de chefes sem renda mais do que dobrou (115%) entre 1996 e 2000    na cidade de São Paulo, e os quatro distritos não são exceção. Em dois distritos    o percentual de chefes sem renda cresceu mais do que a média da cidade – Jardim    Ângela e Jardim São Luís, são esses também os distritos que apresentam piores    taxas de homicídios (<a href="#tab3a">Tabela 3a</a>). </P>     <p><a name="tab3a"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t3a.gif"></P>     
<p>&nbsp;</P>     <p><b>E<small>SCOLARIDADE DO CHEFE</small></b> A distribuição de chefes de domicílios    com 15 anos ou mais de estudo segue o padrão de concentração de renda: nos quatro    distritos, há uma super-representação de chefes com baixa escolaridade e uma    sub-representação de chefes com alta escolaridade, o que talvez explique, em    parte, a concentração de população com menor renda. Sabemos ainda que o grau    de escolaridade dos pais é um dos fatores que explicam a escolaridade dos filhos    – maior o grau de escolaridade dos pais maior a probabilidade de que os filhos    consigam se manter na escola e completem o ciclo básico, o que aumentaria, em    tese, a probabilidade de que os filhos consigam obter melhores postos de trabalho    (<a href="#tab4">Tabela 4</a>).</P>     <p><a name="tab4"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t4.gif"></P>     
<p>&nbsp;</P>     <p><b>A<small>CESSO A TRABALHO</small></b> A <a href="#tab5">Tabela 5</a> apresenta    a distribuição de postos de trabalho nos quatro distritos comparados com a média    da cidade de São Paulo. A desigualdade na oferta de empregos é grande: há entre    duas e três vezes mais postos de trabalho em média nas áreas centrais do que    nas áreas mais periféricas observadas, onde está boa parte da população jovem    da cidade. </P>     <p><a name="tab5"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t5.gif"></P>     
<p>&nbsp;</P>     <p> A distribuição de famílias monoparentais não segue as tendências internacionais,    segundo as quais as áreas mais pobres são aquelas que concentram a maioria das    famílias nessas condições. Esse tipo de estrutura familiar tem sido apontada    como aumentando a vulnerabilidade de jovens à violência, pois tais famílias    sofreriam maior privação econômica, e maiores pressões psicológica e social;    haveria menor supervisão sobre os jovens e mais tensão nas relações entre pai/mãe    e filhos. A <a href="#tab5">Tabela V</a> mostra que há menos famílias chefiadas    por uma única pessoa nos quatro distritos do que na média da cidade. Isso não    significa que os casamentos/relacionamentos estáveis não são rompidos nas áreas    periféricas, ou que não haja famílias chefiadas por mulheres nessas localidades,    mas sim que, quando há rompimento, surgem novas uniões. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b>M<small>ORTALIDADE INFANTIL</small></b> Em termos de mortalidade    infantil, o município de São Paulo tem apresentado contínuo declínio nessas    taxas, nas últimas duas décadas. Apesar dessa tendência, o declínio não é uniforme    para toda a cidade. Algumas áreas apresentam taxas de declínio muito superiores    à média da cidade. A desigualdade na redução da mortalidade infantil não pode    deixar de ser salientada: a taxa média para São Paulo é de 15,8 óbitos até os    12 meses de idade por 1.000 nascidos vivos; porém, nos quatro distritos, varia    de 14,66 óbitos por 1.000 nascidos vivos (abaixo da média) no Capão Redondo    e até 19,10 óbitos por 1.000 nascidos vivos no Jardim São Luís, onde também    se concentra o maior percentual de moradia subnormal, e onde ocorreu um dos    maiores aumentos de chefes de domicílio sem renda (<a href="#tab6">Tabela 6</a>).  </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="tab6"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t6.gif"></P>     
<p>&nbsp; </P>        <p> A proporção de leitos hospitalares por 1.000 habitantes, nos distritos observados,    ajuda a entender essa desigualdade. O acesso a hospital é profundamente desigual.    Em alguns distritos censitários com quase 300 mil habitantes não há hospitais.    Esse é o caso do Capão Redondo e do Jardim São Luís. O distrito em melhor situação    entre os quatro é o do Campo Limpo, pois conta com a metade dos leitos por 1.000    habitantes do que a média da cidade de São Paulo.</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b>E<small>FETIVOS DE SEGURAN&Ccedil;A P&Uacute;BLICA</small></b> Outra    variável a considerar é a presença de policiais nos distritos. Dados fornecidos    pela Polícia Militar e pela Polícia Civil mostram que, nos distritos, existem    quatro companhias da Polícia Militar e uma base de policiamento comunitário,    totalizando 660 policiais e 67 viaturas. Isto representa uma média de um policial    para cada 1.501 habitantes e uma viatura para 14.790 pessoas. Estes números    fornecidos pela Polícia Militar não discriminam o número de oficiais, pessoal    administrativo e agentes designados para patrulhamento. A média de policiais    militares na cidade é de um policial para 550 moradores da cidade e de uma viatura    para cerca de 6.425 moradores. Ou seja, há nesses distritos cerca de três vezes    menos policiais do que na média da cidade e duas vezes menos veículos para patrulharem    essas áreas. O mesmo ocorre com a Polícia Civil: há nos distritos considerados    cerca de um policial civil para cada 4.237 moradores e uma viatura para 19.819    pessoas, enquanto a média da cidade é de um policial civil para cada grupo de    1.531 moradores. Essa escassez de policiais nesses distritos pode ser mais um    fator a alimentar a violência – crimes não esclarecidos são crimes impunes e    a impunidade pode motivar mais violência. Há mais homicídios de autoria desconhecida    nesses distritos do que na média da cidade: à medida em que os casos se acumulam,    com efetivos policiais tão reduzidos, aumenta a probabilidade de que os casos    de autoria desconhecida permaneçam como tal (<a href="#tab7">Tabela 7</a>).</P>     <p><a name="tab7"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t7.gif"></P>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>      <p> As crianças e os adolescentes em áreas com maior superposição de desvantagens    são os grupos mais vulneráveis. Muito importante para garantir o acesso desses    grupos à educação e para protegê-los da violência são os Conselhos Tutelares.    Para atender a região dos quatro distritos (pop. total de: 917.286 habitantes    – Censo 2000) existe um único Conselho Tutelar quando a legislação prevê ao    menos um Conselho para cada 250 mil habitantes.</P>      <p> Os dados apresentados retratam áreas que concentram várias desvantagens em    relação à média da cidade de São Paulo. Os dados mostram ainda que a situação    em dois dos distritos considerados – Jardim Ângela e Jardim São Luís – é ainda    pior do que nos outros dois. A literatura sugere uma forte relação entre a presença    de desvantagens, violência e a falta de capital social para impedir a violência    e reverter as carências. Pesquisa recente (setembro/outubro de 2001) do Núcleo    de Estudos da Violência da USP buscou identificar o impacto da superposição    da exposição à violência sobre o capital social comparando moradores da cidade    de São Paulo com três dos distritos em pauta (Jardim Ângela, Jardim São Luís    e Capão Redondo). Foram entrevistadas 700 pessoas na cidade de São Paulo e 341    moradores dos três distritos identificando-se os obstáculos e as oportunidades    para que o capital social se consolide; a integração dos habitantes ao local    de moradia; percepções de incivilidade e sua presença nos transportes locais,    nas áreas residenciais, espaços públicos, nas escolas, nas áreas de comércio;    o conhecimento mútuo e a disposição de agir pela comunidade. </P>     <p>&nbsp;</P>      <p> <b>C<small>APITAL SOCIAL POTENCIAL</small></b> O desemprego, o uso de drogas,    a falta de ter o que fazer, o alcoolismo e a gravidez de adolescentes são problemas    considerados <I>muito graves e importantes</I> na vida não só dos moradores    dos três distritos mas em toda a cidade de São Paulo; porém, há maior percepção    de gravidade desses problemas nos três distritos do que na cidade, cerca de    15% a mais de moradores avaliam esses problemas como muito graves do que no    restante da cidade (<a href="#tab8">Tabela 8</a>). </P>     <p><a name="tab8"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t8.gif"></P>     
<p>&nbsp;</P>      <p> Essa avaliação dos problemas listados como <I>muito graves</I> é coerente    com a avaliação que fazem da infra-estrutura nos distritos ante os dados do    Censo 2000 e ante o levantamento das condições/serviços existentes nos distritos.    O desemprego aparece muito forte na região, evidenciado pelo número de chefes    de família sem renda ou com renda muito baixa; a falta de equipamentos de lazer    e de acesso à cultura explicam a importância atribuída ao não ter o que fazer.    Esses dois aspectos estão associados ao uso de drogas e ao alcoolismo, à depressão    e à violência familiar. Ou seja, há consonância entre os problemas identificados    nos dados secundários e os problemas percebidos como <I>muito graves</I> pelos    moradores. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>      <p> <b>E<SMALL>XPOSI&Ccedil;&Atilde;O &Agrave; VIOL&Ecirc;NCIA</small></b> A exposição    à violência, definida como a vitimização indireta, isto é, ter assistido a eventos    violentos – com exceção a consumo de drogas nas ruas –, é maior, como esperado,    nos três distritos do que na cidade. Há mais menção a terem assistido até mesmo    à ação da polícia. Porém, surpreende que, nos três distritos, menos pessoas    tenham mencionado ouvir falar de casos policiais do que no resto da cidade,    exceção feita a brigas de gangues. A explicação pode estar no medo. Nessas comunidades,    com freqüência, há uma forte regulação por parte de pessoas envolvidas com o    mundo do crime. Discutir a violência ou eventos violentos pode ser perigoso    e talvez algo limitado à privacidade doméstica (<a href="#tab9">Tabela 9</a>).</P>     <p><a name="tab9"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t9.gif"></P>     
<p>&nbsp;</P>      <p> A maior exposição à violência ajuda a explicar o maior medo. Mais de 1/3 da    população nesses distritos têm medo de circular pelo bairro durante o dia; 69%    se sentem sem segurança ou pouco seguros para saírem à noite; e 10% não saem.    Esse percentuais são superiores aos da cidade (<a href="#tab10">Tabela 10</a>).</P>     <p><a name="tab10"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t10.gif"></P>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>      <p> Forte exposição a violência e medo podem resultar em menos comunicação entre    as pessoas, menor identificação de problemas comuns e em menos ação coletiva.    Com freqüência, o medo ou a experiência de vitimização – direta e indireta –    levam as pessoas a adotarem medidas de auto-proteção que as distanciam ainda    mais umas das outras. No limite, essas medidas podem ter o efeito de reduzir    a coesão social. A literatura(10) aponta que uma das conseqüências da maior    exposição à violência, além da restrição do uso dos espaços públicos, pode ser    um menor contato entre os vizinhos, afetando mais a coesão social, com impacto    sobre as expectativas de ação coletiva, sobre a eficácia coletiva e sobre o    capital social. Esses efeitos podem ser ainda mais intensos se prevalecer na    comunidade a sensação de que as relações são permeadas pela falta de consideração    com o outro, por uma sensação de que cada morador zela apenas pelo próprio bem-estar.    Medo combinado com a sensação de incivilidade e de desrespeito entre as pessoas    são obstáculos ao diálogo. A incivilidade parece estar presente nos três distritos:    quer no espaço público quer no privado: nos transportes locais, nas áreas residenciais,    nas escolas, nas áreas de comércio, dentro dos lares. Jogar lixo em córregos,    ouvir som alto até tarde incomodando os vizinhos, desrespeito com idosos etc.    são percebidas como mais freqüentes pelos moradores dos três distritos do que    pelo restante da cidade. Algumas dessas situações podem ser estopins para violência    ao menos entre pessoas: música alta até tarde, desrespeito por servidores públicos,    experiências de preconceito e exposição de crianças a agressão verbal e o consumo    de drogas lícitas ou ilícitas (<a href="#tab11">Tabela 11</a>).</P>     <p><a name="tab11"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t11.gif"></P>     
<p>&nbsp;</P>      <p> Essa percepção de que há incivilidade é coerente com uma certa percepção de    desordem social presente para cerca de ao menos 1/3 dos moradores dos três distritos,    e para outro 1/3 dos moradores da cidade. A pichação de muros e casas, o consumo    de drogas e de álcool em público bem como a venda de drogas em público são percebidos    como existindo muito em seus bairros por, ao menos, 1/3 dos moradores da cidade    e dos três distritos. Esses são problemas que revelam a ausência de fiscalização    ou de supervisão pelo poder público e o fracasso das autoridades (intencional    ou não) na aplicação das leis. A facilidade de acesso e a visibilidade do consumo    de álcool bem como os problemas que dele derivam – como o alcoolismo – são apontados    reiteradas vezes pelos moradores dos três distritos como problemas graves e    freqüentes; e estes, por sua vez, devem estar relacionados com a violência que    lá prospera, aparentemente sem o controle das autoridades. Outros indicadores    do abandono pelas autoridades é a presença de lixo nas calçadas, a falta de    controle sobre os transportes alternativos e a falta de iluminação pública,    todos elementos que podem encorajar violência interpessoal ou aquela decorrente    da prática de delitos criminais (<a href="#tab12">Tabela 12</a>).</P>     <p><a name="tab12"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t12.gif"></P>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>      <p> Essas avaliações ajudam a entender por que a maioria dos moradores,    nos três distritos, consideram esses bairros como “apenas um lugar para se morar”.    A ausência da sensação de comunidade pode estar enraizada na precariedade do    lugar e na falta de resposta do poder público às demandas da população (<a href="#tab13">Tabela    13</a>). </P>     <p><a name="tab13"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t13.gif"></P>     
<p>&nbsp;</P>      <p> Apesar da maior exposição à violência, da percepção negativa de que prevalecem    formas de incivilidade, ou seja, de indicadores de que as interações entre vizinhos    podem ser muito tensas, da avaliação negativa da infra-estrutura e da falta    da sensação de pertencerem ao local, como os moradores avaliam seus contatos    com os vizinhos? Qual o grau de conhecimento mútuo e de contato interpessoal    que existe nos três distritos? Como esse conhecimento se compara com o que acontece    no restante da cidade? </P>      <p> A maioria dos moradores da cidade e dos três distritos nunca pede favores    aos vizinhos ou compartilha ferramentas ou convida para festas. Porém, cerca    de 1/3 dos moradores, quer da cidade quer dos três distritos, têm contatos com    vizinhos, que tendem a ser de cooperação: pedir para vigiar a casa quando viajam    e empréstimo de ferramentas são os eventos mais comuns. Outros comportamentos    que exigem maior conhecimento e mais esforço dos vizinhos, como tomar conta    das crianças, são menos freqüentes. Ainda assim, é paradoxal que esses comportamentos    de cooperação sejam mais freqüentes nos três distritos do que no restante da    cidade. Ou seja, apesar de toda a tensão provocada pela violência, pelo forte    adensamento e pelas carências, não parece estar ocorrendo um processo de alienação/isolamento    generalizado (<a href="#tab14">Tabela 14</a>).</P>     <p><a name="tab14"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t14.gif"></P>     
<p>&nbsp;</P>      <p> Se há maior contato informal entre os vizinhos, pode-se esperar que haja maior    intercâmbio de informações e maior disposição em agir pelo bem comum, em particular    para exercer algum tipo de controle social a favor/em defesa das crianças. Se    há conhecimento entre os vizinhos, qual é o grau de conhecimento entre adultos    que têm filhos da mesma idade? Há muito mais conhecimento entre adultos que    têm filhos nos três distritos do que no resto da cidade. Em média, quase 20%    mais de moradores conhecem os pais dos amigos dos filhos ou de outras crianças    da vizinhança e/ou estariam dispostos a agir em benefício das crianças do que    em outras regiões da cidade (<a href="#tab14a">Tabela 14a</a>). </P>     <p><a name="tab14a"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t14a.gif"></P>     
<p>&nbsp;</P>      <p> Há mais otimismo entre os moradores dos três distritos quanto a disposição    de ação coletiva por parte de seus vizinhos do que entre os outros moradores    da cidade de São Paulo. A maioria espera que em caso de ameaça de fechamento    de escolas, creches ou hospitais na região (caso esses existissem) que com certeza    seus vizinhos tentariam evitar (<a href="#tab14b">Tabela 14b</a>).</P>     <p><a name="tab14b"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t14b.gif"></P>     
<p>&nbsp;</P>      <p> Em que medida essas expectativas de ação indicam disposição dos moradores    para intervir na defesa de adolescentes, de modo a proteger os jovens de envolvimento    em situações de risco? Apesar dessa expectativa, há muita dúvida sobre a eficácia    de adultos em coibirem quer o consumo de álcool, quer o uso de drogas em público,    ou ainda brigas envolvendo adolescentes. Apesar de uma minoria acreditar nessa    ação, há mais os moradores dos três distritos nessas condições que entre os    outros moradores da cidade. Em geral, os professores são percebidos como o grupo    que menos eficácia teria em coibir transgressões dos jovens, seguidos pelos    vizinhos, enquanto os pais e a polícia teriam um pouco mais de sucesso. O consumo    de drogas em público é o comportamento que mais teria chances de ser coibido,    em qualquer região da cidade. Sobrevive nos três distritos alguma expectativa    positiva de ação de proteção dos jovens a despeito da forte exposição à violência    e sobrevivem expectativas positivas de ação da polícia e da comunidade (<a href="#tab15">Tabela    15</a>).</P>     <p><a name="tab15"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t15.gif"></P>     
<p>&nbsp;</P>      <p> A superposição de carências combinada à forte exposição à violência não parecem    resultar em alienação e total ausência de capital social. Os moradores das três    áreas revelam-se bastante resistentes a essas vicissitudes. Porém, esse cenário    mais otimista muda quando se examina que expectativas têm de ação por parte    de seus vizinhos, caso estes testemunhem casos de violência. Poucos moradores    têm certeza de que seus vizinhos agiriam. Há maior certeza de ação no caso da    vítima da agressão ser uma criança ou uma pessoa idosa; espera-se que algum    vizinho faça algo para evitá-la. Há pouca expectativa, em geral, de que vizinhos    intervenham em brigas de casal; do mesmo modo, quanto à ação de policias ou    de agressões de gangues locais a pessoas desconhecidas – anônimas e cuja vulnerabilidade    não esteja visível. Há menos certeza de ação nos três distritos. Ou seja, a    exposição à violência e a superposição de carências podem ter efeitos não sobre    qualquer potencial de ação coletiva ou todo comportamento de cooperação, mas    sim sobre a disposição de agir para proteger grupos vulneráveis em situações    de risco, pois o risco não é só do grupo mas também para aquele que intervir    (<a href="#tab16">Tabela 16</a>).</P>     <p><a name="tab16"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n1/1a18t16.gif"></P>     
<p>&nbsp;</P>      <p> Os dados sugerem que a desigualdade no acesso a direitos alimenta a violência.    As comunidades mais afetadas pela violência têm em comum uma superposição de    carências. Os poucos elementos de proteção contra os efeitos da violência advêm    da própria coletividade que, a despeito das condições muito adversas, em que    a incivilidade e o desrespeito mútuo prosperam, resistem e mantém no dia-a-dia    relações mais próximas e de mais cooperação com seus vizinhos do que moradores    de outras regiões da cidade. O limite dessa resistência parece estar nos atos    de violência que possivelmente são percebidos como ameaçando a própria sobrevivência.    Nesses casos, eles se abstêm. Os moradores dos três distritos, de modo geral,    parecem resistir mais às iniqüidades que outros moradores da cidade. A continuidade    dessas carências, e desse parco acesso a direitos, parece decorrer muito mais    da baixa capacidade de resposta do poder público do que da capacidade ou disposição    desses moradores de agir coletivamente. </P>      <p> A discussão sobre a violência e sua relação com a manutenção (crescimento)    da desigualdade teria que incorporar o papel que a falta de resposta do poder    público desempenha na manutenção dos altos índices de violência. Não se trata    aqui de pensar apenas o papel dos agentes encarregados de aplicar as leis mas    de todos aqueles setores que deveriam garantir que a população tenha uma vida    digna. Os dados apresentados reforçam que violência e insegurança caminham junto    com pouca qualidade de vida, com ausência de política habitacional, com a implementação    deficitária de serviços que podem provocar mais competição entre a população    que se deseja, em tese, atender e proteger. </P>     <p>&nbsp;</P>      <p> <B><I>Nancy Cardia</I></B><I>, Ph.D in Psicologia Social pela London School    of Economics, é coordenadora de pesquisas do NEV/USP e diretora da área de inovação    e transferência de conhecimento, projeto Cepid-Fapesp. É autora de estudos sobre    violência urbana e representações sobre crime, justiça e direitos humanos, publicados    no Brasil e no exterior.</i></P> <I>     <p> <B>Suely Schiffer</B>, arquiteta e urbanista, é professora titular da Faculdade    de Arquitetura e Urbanismo da FAU/USP e diretora do Infurb. </P> </I>      <p>&nbsp; </P>      <p>&nbsp;</P>      <p><b>Notas e referências </b></P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>1 Nos Estados Unidos, entre 1985 e 1994,    50% dos homicídios ocorreram em 77 cidades que representavam 20% da população    do país. National Institute of Justice. “Homicide in eight U.S. cities: trends,    context and policy implications”. Research Report, 1997.<p> 2 Capão Redondo, Campo Limpo, Jardim Ângela, e Jardim São    Luís. </P>      <!-- ref --><p> 3 Cano, I. “Análise territorial da violência no Rio de    Janeiro”, ISER, 1997, p.43. CEDEC. Mapa de Risco da Violência: Cidade de São    Paulo, 1996.<!-- ref --><p> 4 Santos, S. M. et al. “Detecção de aglomerados espaciais    de óbitos por causas violentas em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, 1996”.    <i>Cadernos de Saúde Pública</i>. 17(5):1141-1151, set/out, 2001.<!-- ref --><p> 5 Beato, C. et al. “Conglomerados de homicídios e o tráfico    de drogas em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil de 1995 a 1999”. <i>Cadernos    de Saúde Pública</i> 17(5):1163-1171, set/out. 2001.<p> 6 No caso de São Paulo essas concentrações de homicídios    vêm sendo observadas há algum tempo. O Mapa da Exclusão Social e o Mapa de Risco    da Violência preparado pelo CEDEC em 1996 para o Ministério da Justiça já mostravam    a tendência de distribuição desigual do risco da violência. Esses mapas buscavam    ainda relacionar essa desigualdade a fatores socioeconômicos e demográficos.  </P>      <!-- ref --><p> 7 Sampson, R. J. “Violent victimization and offending:    individual, situational and community level risk factors”, 1994. In Reiss, A.;    Roth, J. (ed.) <i>Social Influences</i>, vol 3. Understanding and Preventing    Violence. Wash. DC: National Academy Press.    <!-- ref --> Sampson, R. J. e Raudenbush, S.    W. “Systematic social observation of public spaces: A new look at disorder in    urban neighborhoods.” <i>American Journal of Sociology</i>, 1999, 105(3):603-651.<!-- ref --><p> 8 Sampson, R. J. “Violent victimization and offending:    individual, situational and community level risk factors”, 1994. In Reiss, A.;    Roth, J. (ed.) <i>Social Influences</i>, vol 3. Understanding and Preventing    Violence. Wash. DC: National Academy Press.    <!-- ref --> Pedersen, W. “Adolescent Victims    of Violence in a Welfare State: sociodemography, ethnicity and risky behaviour.”    <i>British Journal of Criminology</i>, 2001, (41):1-21.<!-- ref --><p> 9 Sampson, R. J.; Morenoff, J. D.; Earls, F. “Beyond social    capital: spatial dynamics of collective efficacy for children.” <i>American    Sociological Review</i>. 64:633-660, October, 1999.<!-- ref --><p> 10 Pedersen, W. “Adolescent Victims of Violence in a Welfare    State: sociodemography, ethnicity and risky behaviour.” <i>British Journal of    Criminology</i>, 2001, (41):1-21. ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="">
<collab>National Institute of Justice</collab>
<source><![CDATA[Homicide in eight U.S. cities: trends, context and policy implications]]></source>
<year>1997</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cano]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Análise territorial da violência no Rio de Janeiro]]></source>
<year>1996</year>
<page-range>43</page-range><publisher-loc><![CDATA[Cidade de São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[CEDEC]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Santos]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Detecção de aglomerados espaciais de óbitos por causas violentas em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, 1996]]></article-title>
<source><![CDATA[Cadernos de Saúde Pública]]></source>
<year>set/</year>
<month>ou</month>
<day>t,</day>
<volume>17</volume>
<numero>5</numero>
<issue>5</issue>
<page-range>1141-1151</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Beato]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Conglomerados de homicídios e o tráfico de drogas em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil de 1995 a 1999]]></article-title>
<source><![CDATA[Cadernos de Saúde Pública]]></source>
<year>set/</year>
<month>ou</month>
<day>t.</day>
<volume>17</volume>
<numero>5</numero>
<issue>5</issue>
<page-range>1163-1171</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sampson]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Violent victimization and offending: individual, situational and community level risk factors]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Reiss]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Roth]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Social Influences]]></source>
<year></year>
<volume>3</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Wash^eDC DC]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[National Academy Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sampson]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Raudenbush]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Systematic social observation of public spaces: A new look at disorder in urban neighborhoods]]></article-title>
<source><![CDATA[American Journal of Sociology]]></source>
<year>1999</year>
<volume>105</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>603-651</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sampson]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Violent victimization and offending: individual, situational and community level risk factors]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Reiss]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Roth]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Social Influences]]></source>
<year></year>
<volume>3</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Wash^eDC DC]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[National Academy Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pedersen]]></surname>
<given-names><![CDATA[W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Adolescent Victims of Violence in a Welfare State: sociodemography, ethnicity and risky behaviour]]></article-title>
<source><![CDATA[British Journal of Criminology]]></source>
<year>2001</year>
<volume>41</volume>
<page-range>1-21</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sampson]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Morenoff]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Earls]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Beyond social capital: spatial dynamics of collective efficacy for children]]></article-title>
<source><![CDATA[American Sociological Review]]></source>
<year>Octo</year>
<month>be</month>
<day>r,</day>
<volume>64</volume>
<page-range>633-660</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pedersen]]></surname>
<given-names><![CDATA[W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Adolescent Victims of Violence in a Welfare State: sociodemography, ethnicity and risky behaviour]]></article-title>
<source><![CDATA[British Journal of Criminology]]></source>
<year>2001</year>
<volume>41</volume>
<page-range>1-21</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
