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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/tb2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14786f1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>C<small>AATINGA</small></p>     <p><b><font size="4">Preserva&ccedil;&atilde;o e uso racional do &uacute;nico    bioma exclusivamente nacional</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&Agrave; primeira vista, a Caatinga parece uma &aacute;rea seca e quente, com    uma vegeta&ccedil;&atilde;o formada por cactus e arbustos contorcidos, onde    apenas lagartos correm assustados de um lugar para outro. Essa imagem, marcada    pelo tra&ccedil;o original de Henfil, n&atilde;o faz justi&ccedil;a &agrave;    rica biodiversidade, fundamental para o equil&iacute;brio econ&ocirc;mico da    popula&ccedil;&atilde;o local com seu potencial forrageiro, frut&iacute;fero,    medicinal, madeireiro e faun&iacute;stico. A Caatinga &eacute; o &uacute;nico    bioma exclusivamente brasileiro, ocupa 11% do territ&oacute;rio nacional e abriga    uma fauna e flora &uacute;nicas, com muitas esp&eacute;cies n&atilde;o encontradas    em nenhum outro lugar do planeta.</p>     <p>"J&aacute; foram identificadas cerca de 1,5 mil esp&eacute;cies vegetais, mas    estima-se que possam chegar a at&eacute; 3 mil esp&eacute;cies na Caatinga.    Diversas j&aacute; se encontram amea&ccedil;adas de extin&ccedil;&atilde;o,    como a aroeira, jaborandi, jaborandi do cear&aacute; e bara&uacute;na, al&eacute;m    de mam&iacute;feros como o veado catingueiro, pre&aacute;s, macacos, porco do    mato, e aves como a ararinha azul, araponga do nordeste, jacutinga, al&eacute;m    de r&eacute;pteis, anf&iacute;bios, peixes e insetos", alerta Marcos Ant&ocirc;nio    Drumond, pesquisador da Embrapa Semi-&Aacute;rido.</p>     <p>O mau uso dos recursos da Caatinga, por&eacute;m, tem causado danos irrevers&iacute;veis    a este bioma, adverte. "O processo de desertifica&ccedil;&atilde;o j&aacute;    afeta cerca de 15% da Caatinga", informa o pesquisador. As conseq&uuml;&ecirc;ncias    de anos de extrativismo predat&oacute;rio s&atilde;o vis&iacute;veis: perdas    irrecuper&aacute;veis da diversidade da flora e da fauna, acelerada eros&atilde;o    e queda na fertilidade do solo e na quantidade de &aacute;gua.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Drumond acrescenta que a utiliza&ccedil;&atilde;o da Caatinga ainda &eacute;    meramente extrativista. "No caso da pecu&aacute;ria, o superpastoreio de ovinos,    caprinos, bovinos e outros herb&iacute;voros tem modificado a vegeta&ccedil;&atilde;o;    o uso agr&iacute;cola trouxe pr&aacute;ticas desordenadas como desmatamento    e queimada; mas a extra&ccedil;&atilde;o madeireira, para obten&ccedil;&atilde;o    de lenha e carv&atilde;o, &eacute; ainda mais danosa que a pr&oacute;pria agricultura",    explica.</p>     <p>"Em levantamentos no interior de Pernambuco e Bahia, constatou-se, que v&aacute;rias    ind&uacute;strias aliment&iacute;cias, calcinadoras, curtumes, cer&acirc;micas,    olarias, panificadoras, reformadoras de pneus e pizzarias utilizam esp&eacute;cies    nativas como jurema preta, catingueira, bara&uacute;na, umburana-de-camb&atilde;o,    angico, sete-cascas para produ&ccedil;&atilde;o de energia". Drumond acrescenta,    ainda, que existe uma grande concentra&ccedil;&atilde;o de ind&uacute;strias    de gesso nos munic&iacute;pios pernambucanos da Chapada do Araripe, que utilizam    os recursos florestais como suprimento energ&eacute;tico.</p>     <p>A riqueza e diversidade vegetal na Caatinga s&atilde;o muito maiores que a    faun&iacute;stica, cuja predomin&acirc;ncia &eacute; de roedores. As principais    esp&eacute;cies forrageiras encontradas s&atilde;o o angico, o pau-ferro, a    catingueira, a catingueira rasteira, a canafistula, o marizeiro, o juazeiro,    e outras esp&eacute;cies arb&oacute;reas, como a jurema preta e o engorda-magro,    al&eacute;m de frut&iacute;feras como o umbu e o licuri, que servem de alimento    &agrave; popula&ccedil;&atilde;o local.</p>     <p>Algumas a&ccedil;&otilde;es v&ecirc;m sendo tomadas, como &eacute; o caso do    projeto de avalia&ccedil;&atilde;o e identifica&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es    priorit&aacute;rias para a conserva&ccedil;&atilde;o, utiliza&ccedil;&atilde;o    sustent&aacute;vel e reparti&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios da biodiversidade    do Bioma Caatinga. Com rela&ccedil;&atilde;o ao projeto, Drumond diz que o seu    objetivo &eacute; estabelecer &aacute;reas e a&ccedil;&otilde;es priorit&aacute;rias    para a conserva&ccedil;&atilde;o da diversidade biol&oacute;gica na Caatinga,    discutindo-se estrat&eacute;gias para promover a sua prote&ccedil;&atilde;o    e o uso sustent&aacute;vel dos recursos naturais. A &iacute;ntegra dos documentos    j&aacute; produzidos ser&aacute; entregue ao Minist&eacute;rio do Meio Ambiente,    dos Recursos H&iacute;dricos e da Amaz&ocirc;nia Legal, e estar&aacute; dispon&iacute;vel    para consulta na Internet.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14786q1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><b><i>Juliana Schober</i></b></p>      ]]></body>
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