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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/tb2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A<small>RQUEOLOGIA</small></p>     <p><b><font size="4">Tradi&ccedil;&otilde;es ceramistas s&atilde;o foco de pesquisa    no litoral norte catarinense</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A cer&acirc;mica, um dos elementos materiais da cultura de um povo, torna-se    fundamental quando &eacute; um dos &uacute;nicos registros remanescentes. Esse    &eacute; o caso das tradi&ccedil;&otilde;es Guarani e Itarar&eacute;, povos    que habitaram o sul brasileiro. A partir de vest&iacute;gios encontrados, a    arque&oacute;loga Dione da Rocha Bandeira busca identificar novos s&iacute;tios    arqueol&oacute;gicos no litoral norte de Santa Catarina, para levantar informa&ccedil;&otilde;es    sobre o modo de vida e particularidades &eacute;tnicas dos grupos relacionados    a essas tradi&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>O trabalho de Dione tem o apoio do Museu Arqueol&oacute;gico de Sambaquis de    Joinville (SC) e da Fapesp, e faz parte de seu doutorado em Hist&oacute;ria    na Unicamp. Uma vez identificado o s&iacute;tio, os restos faun&iacute;sticos    s&atilde;o elementos importantes para obter indica&ccedil;&otilde;es sobre alimenta&ccedil;&atilde;o    e ambiente (arqueozoologia).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14788f1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A pesquisa, iniciada em 1999, dever&aacute; ser conclu&iacute;da no final de    2003, sob orienta&ccedil;&atilde;o do professor Pedro Paulo Funari, da Unicamp.</p>     <p>Hoje, existe confirma&ccedil;&atilde;o de apenas um s&iacute;tio arqueol&oacute;gico    Guarani e seis Itarar&eacute; na regi&atilde;o. As pesquisas e data&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o escassas, com pouca informa&ccedil;&atilde;o sobre seus h&aacute;bitos    e costumes. Muitas vezes s&oacute; restam cacos de cer&acirc;mica, numerados,    em acervos de museus. H&aacute; somente dois s&iacute;tios com cer&acirc;mica,    datados, na regi&atilde;o, ambos da tradi&ccedil;&atilde;o Itarar&eacute;. Um    deles, o Enseada I, foi ocupado nas camadas superiores por este povo por volta    de 550 dC.</p>     <p>Parte do trabalho vem sendo realizada no museu de Joinville, "&eacute; quase    uma arqueologia dentro do acervo", diz a pesquisadora. Ela analisou cer&acirc;micas    coletadas pelo arque&oacute;logo alem&atilde;o, Guilherme Tiburtius, que trabalhou    no s&iacute;tio de Itacoara, na d&eacute;cada de 40, onde identificou pe&ccedil;as    com caracter&iacute;sticas Guarani. Esse s&iacute;tio foi considerado fluvial    pelo pesquisador alem&atilde;o. Por&eacute;m, em suas primeiras escava&ccedil;&otilde;es    no local, Dione encontrou apenas vest&iacute;gios Itarar&eacute; relacionados    ao ambiente marinho e, por isso, dever&aacute; retornar ao local para novos    estudos.</p>     <p>"O que mais impressiona &eacute; a aus&ecirc;ncia de vest&iacute;gios de povos    Guarani nessa regi&atilde;o", embora seja a ocupa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-hist&oacute;rica    mais recente em todo o litoral daquele estado, segundo apontam estudos etno-hist&oacute;ricos.    Segundo a pesquisadora, sabe-se muito mais sobre eles em outras regi&otilde;es.    Uma das possibilidades &eacute; que os grupos Guarani tenham ocupado &aacute;reas    agricult&aacute;veis que, mais tarde, teriam atra&iacute;do o colonizador europeu,    destruindo os vest&iacute;gios da ocupa&ccedil;&atilde;o anterior.</p>     <p>J&aacute; os Itarar&eacute;, tamb&eacute;m focados no estudo da pesquisadora,    viviam da ca&ccedil;a e coleta de moluscos e vegetais e, principalmente, da    pesca. Sua cer&acirc;mica &eacute; normalmente lisa, as vezes extremamente polida    e brilhante, com fun&ccedil;&atilde;o mais utilit&aacute;ria, como para cozinhar    alimentos. Ao contr&aacute;rio das confeccionadas pelos Guarani, maiores, com    decora&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas, &agrave;s vezes associadas a urnas    funer&aacute;rias em contextos cerimoniais, caracter&iacute;stica t&iacute;pica    do grupo.</p>     <p>Esses grupos, eventualmente, assentaram-se sobre sambaquis &#150; areia misturada    com restos de animais (principalmente moluscos e crust&aacute;ceos) que chegam    a formar montes de at&eacute; a altura de 30 metros. Os sambaquis da regi&atilde;o    s&atilde;o os maiores de todo o mundo e s&atilde;o heran&ccedil;a dos sambaquianos,    que habitaram o litoral sul de Santa Catarina h&aacute; mais de mil anos. (Ver    box)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14788q1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><b><i>Germana Barata</i></b></p>     ]]></body>
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