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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/tp5.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14798f1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>B<small>IOMEC&Acirc;NICA</small></p>     <p><b><font size="4">O grande e lento <i>Tyranossaurus rex</i></font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A evolu&ccedil;&atilde;o da biomec&acirc;nica tem permitido enormes avan&ccedil;os    no entendimento de como ocorre a integra&ccedil;&atilde;o funcional de m&uacute;sculos    e ossos para a realiza&ccedil;&atilde;o de certos movimentos. Em particular,    esses estudos s&atilde;o extremamente &uacute;teis para profissionais de Educa&ccedil;&atilde;o    F&iacute;sica, m&eacute;dicos e fisioterapeutas, que podem investigar de modo    preciso causas e tratamentos para situa&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas.    Mas a aplica&ccedil;&atilde;o desses estudos biomec&acirc;nicos n&atilde;o se    restringe &agrave; medicina.</p>     <p>Em recente estudo publicado na revista <i>Nature</i>, os pesquisadores americanos    John Hutchinson e Mariano Garcia divulgam estimativas mais precisas sobre o    movimento de um ser que j&aacute; est&aacute; extinto h&aacute; milhares de    anos, o <i>Tyrannosaurus rex</i>. Mesmo pesando cerca de seis toneladas, e com    pernas de aproximadamente dois metros e meio, especulava-se que os <i>T. rex</i>    podiam se mover a velocidades elevadas, de at&eacute; 72 km/h. Essas estimativas    eram baseadas em compara&ccedil;&otilde;es anat&ocirc;micas com outros animais    de propor&ccedil;&otilde;es similares.</p>     <p>Os pesquisadores americanos consideraram que as estimativas existentes indicavam    que o <i>T. rex</i> era muito veloz para o seu tamanho, e usaram a biomec&acirc;nica    para criar um modelo no computador capaz de analisar a massa muscular necess&aacute;ria    para efetuar a corrida. Inicialmente, eles criam um modelo do animal e um diagrama    de for&ccedil;as para determinar a massa muscular m&iacute;nima por perna para    manter o equil&iacute;brio est&aacute;tico. Usando o modelo, foi conclu&iacute;do    que o <i>T. rex</i> precisaria quase 90 % de sua massa total nas pernas para    conseguir correr, o que &eacute; imposs&iacute;vel (o valor m&aacute;ximo j&aacute;    observado em vertebrados &eacute; da ordem de 50%).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esse resultado decorre do fato bem conhecido de que a massa de uma criatura    aumenta muito mais rapidamente com o tamanho do que a for&ccedil;a que os m&uacute;sculos    podem exercer. Ou seja, quando os animais v&atilde;o crescendo, os seus m&uacute;sculos    t&ecirc;m que ser cada vez maiores para suportar seu pr&oacute;prio peso. Mas,    com os m&uacute;sculos, aumenta-se o peso, o que certamente limita o tamanho    final e os movimentos poss&iacute;veis.</p>     <p>O modelo foi ainda testado em galinhas e jacar&eacute;s e, nesses animais,    os resultados concordam com as predi&ccedil;&otilde;es, indicando que uma galinha    j&aacute; poderia correr com aproximadamente 9% de sua massa nos m&uacute;sculos    das pernas. Sabe-se que uma galinha tem 17% da massa em suas pernas (mais do    que suficiente para correr), mas uma galinha de 6 toneladas teria que ter 99%    da massa total em cada perna para conseguir esse mesmo feito (o que comprovadamente    &eacute; imposs&iacute;vel).</p>     <p>Com certeza a resposta sobre a quest&atilde;o da velocidade dos dinossauros    n&atilde;o est&aacute; respondida, pois muitos dos par&acirc;metros necess&aacute;rios    nos c&aacute;lculos s&atilde;o, obviamente, estimados no caso de animais extintos.    Entretanto, postula-se agora que, no m&aacute;ximo, um <i>T. rex</i> poderia    correr a 20 km/h, velocidade suficiente para alcan&ccedil;ar outros dinossauros    mais lentos, suas presas naturais. De um modo geral, esse estudo em particular    mostra que a uni&atilde;o de ci&ecirc;ncias aparentemente t&atilde;o distantes,    como antropologia, biologia, anatomia e f&iacute;sica, pode trazer resultados    interessantes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><b><i>Marcelo Knobel</i></b></p>      ]]></body>
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