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</front><body><![CDATA[ <p><font size=5>A<small>PRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</small></font> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4"><b>P<small>ARECE CURIOSO QUE NOS DIAS ACELERADOS DE HOJE ALGU&Eacute;M    ENCONTRE TEMPO PARA PENSAR SOBRE O TEMPO, MAS DE FATO &Eacute; O QUE VEM OCORRENDO    CADA VEZ COM MAIS INSIST&Ecirc;NCIA. </small>P<small>ARADOXO?</small> N<small>EM    TANTO.</small></b></font></p>     <p>Luiz Menna-Barreto    <br>   Nelson Marques</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right">"El tiempo entra por los ojos. Eso lo sabe cualquiera".    <br>   <i>J. Cortazar, Los Premios, Buenos Aires, Ed. Sudamericana, 1960.</i></p>     <p><b><font size=5>A</font></b>s quest&otilde;es ligadas &agrave; dimens&atilde;o    temporal dos fen&ocirc;menos geof&iacute;sicos, culturais e biol&oacute;gicos    acabam se constituindo como que em um atrator universal que pode bem ser um    cen&aacute;rio poss&iacute;vel da t&atilde;o sonhada e nem sempre atingida multidisciplinaridade    do conhecimento. Foi com essa expectativa de multidisciplinaridade viva que    um grupo de pesquisadores da USP, Unicamp e Escola Paulista de Medicina, come&ccedil;ou    a se reunir no Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas da USP no primeiro    semestre de 1988.</p>     <p>O desafio na ocasi&atilde;o era formar um grupo de trabalho vinculado ao Instituto    de Estudos Avan&ccedil;ados da USP, que estava na &eacute;poca dando seus primeiros    passos. A anima&ccedil;&atilde;o e a riqueza desses encontros nos convenceu    que a proposta teria futuro e acabou resultando na formaliza&ccedil;&atilde;o    do Grupo de Estudos sobre o Tempo no &acirc;mbito do IEA em novembro do mesmo    ano. Quatro anos de trabalho envolveram debates, semin&aacute;rios e participa&ccedil;&atilde;o    em congressos que acabaram sendo editados em seis fasc&iacute;culos da s&eacute;rie    <i>Estudos sobre o tempo</i> da <i>Cole&ccedil;&atilde;o Documentos</i> do IEA    entre fevereiro de 1991 e maio de 1992.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 1993, fomos convidados a transformar o Grupo de Estudos em Grupo de Pesquisa    do IEA, de car&aacute;ter mais permanente, proposta que n&atilde;o foi aceita    pelos participantes que insistiram em manter o car&aacute;ter mais informal    at&eacute; ent&atilde;o vigente. Permanecemos em relativo "estado de dorm&ecirc;ncia"    desde essa &eacute;poca, cada um desenvolvendo suas atividades acad&ecirc;micas    e mantendo contatos espor&aacute;dicos, sendo que alguns participaram de congressos    da ISST - <i>International Society for the Study of Time</i>.</p>     <p>Quando recebemos o convite dos editores da revista <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>,    em sua nova fase tem&aacute;tica, vimos ali a oportunidade para recuperar o    esp&iacute;rito original do Grupo de Estudos sobre o Tempo. Foi com grande satisfa&ccedil;&atilde;o    que constatamos que ele n&atilde;o s&oacute; continua bem vivo como cresceu    em tamanho e qualidade (sinal dos tempos?).</p>     <p>Os artigos que comp&otilde;em este n&uacute;cleo tem&aacute;tico foram produzidos    em momentos distintos: um deles &eacute; uma homenagem p&oacute;stuma a um grande    intelectual brasileiro, Milton Santos, cujas reflex&otilde;es sobre o <i>Tempo    nas cidades</i> fizemos quest&atilde;o de incluir nesta publica&ccedil;&atilde;o    por conter os dois ingredientes de um texto relevante: originalidade e convite    para um salto em dire&ccedil;&atilde;o ao futuro. O outro artigo resgatado da    d&eacute;cada passada &eacute; de C&eacute;sar Ades, cuja reflex&atilde;o sobre    os modos atrav&eacute;s dos quais percebemos a passagem do tempo, nos pareceu    interessante incluir nesta edi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Todos os demais textos s&atilde;o artigos recentes, escritos a partir do convite    dos editores, por pesquisadores que t&ecirc;m se dedicado ao tempo, visto como    cen&aacute;rio ou personagem multifacetado.</p>     <p>O cen&aacute;rio pr&oacute;prio do tempo, a hist&oacute;ria, &eacute; o tema    do artigo de Raquel Glezer. A seguir Ronilda Ribeiro empenha-se na constru&ccedil;&atilde;o    de uma ponte entre a sociologia e a psicologia, ou mais propriamente o que ela    tem chamado de psicoantropologia.</p>     <p>Maria Helena Oliva Augusto e Jos&eacute; Carlos Bruni exp&otilde;em, em dois    artigos, o que poder&iacute;amos chamar de "tempo social", registrando a chegada    de novos tempos que definem sociedades e indiv&iacute;duos, no caso de Maria    Helena, e na forma de um convite para tirar o p&eacute; do acelerador, no caso    de Bruni.</p>     <p>Dois artigos v&ecirc;m do mundo das exatid&otilde;es, escritos por f&iacute;sicos.    Num deles Am&acirc;ncio Fria&ccedil;a apresenta o tempo enquanto dimens&atilde;o    cosmol&oacute;gica e no outro Jo&atilde;o Zanetic e Andr&eacute; Ferrer Martins    nos convidam a refletir sobre o significado das medidas do tempo.</p>     <p>O artigo de Maria Dora Mour&atilde;o oferece pistas para a leitura do tempo    tal como ele &eacute; manipulado pelo cinema, onde o ritmo das imagens se constitui    em parte da mensagem. Nelson Marques fez uma compila&ccedil;&atilde;o sobre    o tratamento dispensado ao tempo na literatura de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica,    provocando-nos com a ambig&uuml;idade dos limites entre o que se especula nas    academias e o que se sonha nos romances.</p>     <p>Inclu&iacute;mos, ainda, um texto curto de Therezinha Moreira Leite sobre esse    tempo t&atilde;o singular que &eacute; o tempo dos sonhos, ind&iacute;cio e    construtor do mundo subjetivo. Fecha o n&uacute;cleo tem&aacute;tico um artigo    dos editores sobre uma nova &aacute;rea do conhecimento na biologia, aquela    que se ocupa justamente da dimens&atilde;o temporal dos seres vivos.</p>     <p>Esperamos que nossa tentativa de resgatar o esp&iacute;rito multidisciplinar    seja &uacute;til de algum modo aos leitores de <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>    e que todos esses tempos sejam, al&eacute;m de novos, bons.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i><b>Luiz Menna-Barreto</b> &eacute; professor-doutor do Departamento de Fisiologia    e Biof&iacute;sica do Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas da USP.</i></p>     <p><i><b>Nelson Marques</b> &eacute; professor-doutor do Departamento de Cl&iacute;nica    M&eacute;dica da Faculdade de Medicina da USP e professor visitante da UFRN.</i></p>     <p><i>Ambos s&atilde;o co-fundadores e coordenadores do GMDRB, Grupo Multidisciplinar    de Desenvolvimento e Ritmos Biol&oacute;gicos (ICB/USP)</i></p>      ]]></body>
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