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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/tp8.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4"><a name="top1"></a>A <small>EXPERI&Ecirc;NCIA PSICOL&Oacute;GICA    DA DURA&Ccedil;&Atilde;O<a href="#back1">*</a></small></font></b></p>     <p>C&eacute;sar Ades</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><i>Ensa ezzam&acirc;n uezzam&acirc;n yens&acirc;k    <br>   </i>Esquece o tempo que ele te esquecer&aacute;</p>     <p><b><font size=5>E</font></b>m <i>O milagre secreto</i>, Jorge Luis Borges    (1) conta a hist&oacute;ria do escritor checo Jaromir Hlad&iacute;k que, trazido    diante do pelot&atilde;o que ir&aacute; execut&aacute;-lo, no &uacute;ltimo    instante v&ecirc; o tempo paralizar-se, por um ano ou assim lhe parece, o suficiente    para que possa compor a pe&ccedil;a de teatro que muito ambicionava escrever.    Na verdade, a execu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o demora mais do que alguns segundos.    A fic&ccedil;&atilde;o apresenta, em forma limite, um dos aspectos curiosos    da viv&ecirc;ncia psicol&oacute;gica do tempo, que &eacute; de esticar-se ou    comprimir-se de acordo com o contexto de afeto ou a&ccedil;&atilde;o, em desrespeito    aparente ao tempo do rel&oacute;gio.</p>     <p>O paradoxo do senso do tempo &eacute; que, constituindo uma caracter&iacute;stica    geral e permanente do comportamento, ele n&atilde;o decorra, diretamente, de    dados sensoriais. N&atilde;o existe um &oacute;rg&atilde;o dos sentidos especializado    em perceber o tempo. Temos experi&ecirc;ncia de coisas que permanecem e coisas    que mudam, de coisas que se sucedem, de coisas que ocorrem juntas, a dimens&atilde;o    temporal vem, por assim dizer, <b>incorporada</b> nos eventos que lhe constituem    o conte&uacute;do. "O tempo", dizia o fil&oacute;sofo Mach, "&eacute; uma abstra&ccedil;&atilde;o    &agrave; qual chegamos atrav&eacute;s da mudan&ccedil;a das coisas" (2).</p>     <p>N&atilde;o estranha, ent&atilde;o, que a avalia&ccedil;&atilde;o da <b>dura&ccedil;&atilde;o</b>,    dependa de dicas externas ao tempo enquanto tal, de eventos marcadores, e que    esta avalia&ccedil;&atilde;o possa sofrer o que, injustamente, porque nos colocando    apenas do ponto de vista do tempo f&iacute;sico, chamar&iacute;amos de distor&ccedil;&otilde;es.    Os psic&oacute;logos, de James em diante, t&ecirc;m se mostrado fascinados pela    <b>subjetividade</b> da estimativa da dura&ccedil;&atilde;o, pelas discrep&acirc;ncias    que o desejo e o desempenho criam, em rela&ccedil;&atilde;o a um tempo codificado    socialmente, e t&ecirc;m se esfor&ccedil;ado em determinar a causalidade envolvida.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste trabalho, proponho-me retomar a quest&atilde;o da viv&ecirc;ncia psicol&oacute;gica    da dura&ccedil;&atilde;o, indicando alguns dos modos mais relevantes atrav&eacute;s    dos quais inflaciona-se ou encolhe-se o tempo percebido. Como muitos autores,    considerarei a dura&ccedil;&atilde;o como uma constru&ccedil;&atilde;o, uma    infer&ecirc;ncia efetuada pelo indiv&iacute;duo a partir da informa&ccedil;&atilde;o    dispon&iacute;vel. Contudo, o fato de ser uma constru&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    a torna arbitr&aacute;ria ou aleat&oacute;ria, n&atilde;o a isola do complexo    jogo de intera&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s das quais o indiv&iacute;duo    conhece seu ambiente e age sobre ele. Ao contr&aacute;rio, vejo, na capacidade    de levar em conta o tempo, uma caracter&iacute;stica adaptativa essencial.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A <small>&Aacute;GUA DA PANELA PARECE QUE N&Atilde;O VAI FERVER, SE EU A    OBSERVAR</small>.</b> A densidade de eventos &eacute; um fator importante na    determina&ccedil;&atilde;o da viv&ecirc;ncia subjetiva. Um intervalo de tempo    homog&ecirc;neo, vazio de acontecimentos, um intervalo em que algo est&aacute;    para acontecer, mas n&atilde;o acontece parecem durar muito mais do que de fato    duram. A fila num guich&ecirc; de reparti&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, a    espera de uma carta, e outras situa&ccedil;&otilde;es tediosas ou de expectativa    ilustram a id&eacute;ia. Diz o prov&eacute;rbio ingl&ecirc;s <i>"a watched pot    never boils"</i>, uma panela vigiada nunca chega a ferver.</p>     <p>A estimativa de dura&ccedil;&atilde;o depende, contudo, da perspectiva em que    se coloca a pessoa, se atenta ao tempo, durante sua passagem, se simplesmente    vivenciando e julgando depois. Os psic&oacute;logos costumam distinguir uma    situa&ccedil;&atilde;o de julgamento <b>prospectivo</b>, em que a pessoa tem    consci&ecirc;ncia de que ter&aacute; de fornecer um ju&iacute;zo sobre a dura&ccedil;&atilde;o    de uma certa experi&ecirc;ncia, e uma situa&ccedil;&atilde;o de julgamento <b>retrospectivo</b>    em que emite sua opini&atilde;o a posteriori, sem ter sido avisada de que o    tempo era dimens&atilde;o relevante.</p>     <p>Block, George e Reed (3) usaram a pr&oacute;pria panela do prov&eacute;rbio    &#150; e &aacute;gua &#150; para testar a import&acirc;ncia da densidade de eventos    na percep&ccedil;&atilde;o da dura&ccedil;&atilde;o. Os seus sujeitos tinham    como tarefa, simplesmente esperar um pouco (270 segundos) olhando para um vidro    pyrex sobre um aquecedor el&eacute;trico. Alguns (condi&ccedil;&atilde;o prospectiva)    sabiam que teriam de julgar a dura&ccedil;&atilde;o do intervalo, outros n&atilde;o    (condi&ccedil;&atilde;o retrospectiva). O conte&uacute;do de eventos era manipulado    da seguinte maneira : a) a &aacute;gua do recipiente podia ferver ou n&atilde;o,    nos &uacute;ltimos segundos do intervalo ("ferver" representa maior riqueza    de eventos do que "n&atilde;o ferver"); b) algumas perguntas podiam ser formuladas    ou n&atilde;o durante a observa&ccedil;&atilde;o do recipiente.</p>     <p>O intervalo subjetivo era geralmente maior quando os sujeitos tinham conhecimento    pr&eacute;vio da tarefa (prestando, portanto, maior aten&ccedil;&atilde;o ao    tempo) do que na condi&ccedil;&atilde;o retrospectiva. Os 270 segundos do intervalo    tornavam-se, em m&eacute;dia, 289 segundos, no primeiro caso, 230 segundos no    segundo, num dos experimentos. Mais interessante foi o resultado relativo ao    <b>"conte&uacute;do"</b> do intervalo: em condi&ccedil;&atilde;o prospectiva    a estimativa era <b>maior</b> quando n&atilde;o ocorria nada durante o intervalo;    em condi&ccedil;&atilde;o retrospectiva, ao contr&aacute;rio, <b>menor</b>.</p>     <p>Como interpretar essa assimetria? Um evento, ocorrido num contexto vazio, parece    distrair da dura&ccedil;&atilde;o e encurtar o tempo. Em condi&ccedil;&atilde;o    retrospectiva, acrescenta material &agrave; mem&oacute;ria, fornece mais uma    dica para um julgamento do tipo "quanto mais eventos houver, maior o tempo passado".</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O <small>DUPLO PROCESSO DE JULGAMENTO:</small> P<small>ROSPECTIVO VS.</small>    R<small>ETROSPECTIVO</small></b> Dois seriam, portanto, os crit&eacute;rios    para a mensura&ccedil;&atilde;o subjetiva do tempo, crit&eacute;rios tomados    dicotomicamente pela maioria dos estudiosos. Os julgamentos prospectivos seriam    baseados no registro de unidades temporais, acumuladas e armazenadas na mem&oacute;ria,    em condi&ccedil;&otilde;es de competi&ccedil;&atilde;o de aten&ccedil;&atilde;o    com a aten&ccedil;&atilde;o dedicada a informa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o    temporais do mesmo intervalo. Quanto mais complexa, quanto mais absorvente,    quanto mais interessante a tarefa executada durante um intervalo, menor a aten&ccedil;&atilde;o    ao tempo, menor a dura&ccedil;&atilde;o subjetiva.</p>     <p>Modelos relativos &agrave; dura&ccedil;&atilde;o lembrada (retrospectiva),    n&atilde;o postulam a exist&ecirc;ncia de um mecanismo temporizador, porque    sup&otilde;em que, sem preaviso, os indiv&iacute;duos normalmente n&atilde;o    prestam aten&ccedil;&atilde;o &agrave; passagem do tempo. Para seus julgamentos,    levam em conta apenas o <b>conte&uacute;do</b> da informa&ccedil;&atilde;o lembrada.    Quando mais complexa a informa&ccedil;&atilde;o, maior a dura&ccedil;&atilde;o    subjetiva. De acordo com a hip&oacute;tese arrojada de Ornstein (4) a dura&ccedil;&atilde;o    estimada seria proporcional &agrave; quantidade de est&iacute;mulos armazenados    na mem&oacute;ria: equaciona-se, desta maneira, percep&ccedil;&atilde;o de tempo    e processamento mn&ecirc;mico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Wilsoncroft e colaboradores, entre muitos outros, forneceram argumentos experimentais    a favor da hip&oacute;tese de uma divis&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o. Mostram    que a execu&ccedil;&atilde;o de uma tarefa de c&aacute;lculo mental, durante    um intervalo entre 12 e 20 segundos, leva a uma subestima&ccedil;&atilde;o do    mesmo em rela&ccedil;&atilde;o a intervalos de controle (5); o mesmo acontece    quando os indiv&iacute;duos t&ecirc;m de executar uma tarefa de Stroop, ou seja,    nomear a cor em que est&aacute; escrita uma palavra referente a uma cor diferente    &#150; por exemplo, dizer <b>azul</b> diante da palavra <b>amarelo</b> impressa    em cor azul (6).</p>     <p>&Eacute; interessante notar, neste &uacute;ltimo experimento, que os indiv&iacute;duos    que usavam uma estrat&eacute;gia de contagem, para estimar os intervalos, tinham    julgamentos mais precisos do que os que n&atilde;o recebiam instru&ccedil;&atilde;o    para utiliz&aacute;-la: o contar n&atilde;o distrai, oferece um instrumento    para recortar, por assim dizer, o intervalo e favorece o armazenamento mn&ecirc;mico    do registro. O observador do tempo n&atilde;o &eacute; passivo recept&aacute;culo    de informa&ccedil;&atilde;o a respeito das const&acirc;ncias e mudan&ccedil;as    ambientais, deve ser visto como impondo, atrav&eacute;s de eventos marcadores    que ele pr&oacute;prio gera, uma estrutura temporal &agrave;s coisas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A <small>TEORIA DA MUDAN&Ccedil;A/SEGMENTA&Ccedil;&Atilde;O: A ESTIMA&Ccedil;&Atilde;O    DO TEMPO COMO PROCESSO ATIVO</small></b> O uso de estrat&eacute;gias ativas    de estima&ccedil;&atilde;o &eacute; ressaltado, como aspecto central, na teoria    da <b>mudan&ccedil;a</b>/<b>segmenta&ccedil;&atilde;o</b> (2). Segundo Poynter,    como tamb&eacute;m para Fraisse (7), "toda percep&ccedil;&atilde;o de tempo    &eacute; percep&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;a". Um tecido homog&ecirc;neo    de eventos carrega uma mensagem de parca dura&ccedil;&atilde;o; torna-se mais    e mais imbu&iacute;do de subst&acirc;ncia temporal &agrave; medida que se diferencia    internamente. O julgamento de dura&ccedil;&atilde;o baseia-se na capacidade    de o indiv&iacute;duo lembrar-se da seq&uuml;&ecirc;ncia de eventos experienciados    durante o intervalo e na capacidade de inferir a dura&ccedil;&atilde;o entre    eventos sucessivos.</p>     <p>A segmenta&ccedil;&atilde;o consiste nos recortes, na ritmicidade que o indiv&iacute;duo    cria para preencher e segmentar o tempo (mesmo um tempo <b>"vazio"</b>), nas    estrat&eacute;gias como bater o p&eacute;, tamborilar com o dedo, contar, cantar.    Essas estrat&eacute;gias talvez sejam um componente <b>natural</b> do mecanismo    de espera e de avalia&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea do tempo: crian&ccedil;as    de 7 anos de idade j&aacute; usam, de forma espont&acirc;nea, a contagem como    m&eacute;todo de avalia&ccedil;&atilde;o temporal (8).</p>     <p>Quando um indiv&iacute;duo sabe que ter&aacute; de estimar um certo intervalo,    j&aacute; vem pronto para segment&aacute;-lo a fim de melhorar a sua atua&ccedil;&atilde;o.    Para escolher a unidade apropriada de recorte, parte de sua expectativa a respeito    do intervalo global. Intervalos maiores justificar&atilde;o o uso de segmentos    maiores. "A estima&ccedil;&atilde;o do tempo com rel&oacute;gios feitos pelo    homem e os mecanismos perceptuais", nota Poynter (2), "seguem a mesma regra    simples: n&atilde;o se usa um cron&ocirc;metro de milisegundos para medir dura&ccedil;&otilde;es    de horas, nem um rel&oacute;gio solar para avaliar milisegundos" (pp. 311-12).    A analogia &eacute; instrutiva: o tempo social e o tempo da ci&ecirc;ncia constituem    modelos de segmenta&ccedil;&atilde;o &#150; eu diria de <b>ritmiza&ccedil;&atilde;o</b>,    uma vez que recortar significa introduzir unidades recorrentes &#150; atrav&eacute;s    dos quais o homem conceitualiza e domina a dura&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>U<small>MA PROPOSTA DE UNIFICA&Ccedil;&Atilde;O ENTRE OS PROCESSOS DE AVALIA&Ccedil;&Atilde;O,    PROSPECTIVO E RETROSPECTIVO</small>.</b> A distin&ccedil;&atilde;o entre julgamentos    prospectivos e retrospectivos, entre um tempo do qual o indiv&iacute;duo tem    plena consci&ecirc;ncia e que, por assim dizer, sente passar, e um tempo vivido    espontaneamente, avaliado <i>a posteriori</i>, &eacute; uma distin&ccedil;&atilde;o    v&aacute;lida, na medida em que ajuda a discernir os fatores envolvidos na tarefa    de captar a dura&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o me parece, contudo, que justifique    entender-se os processos envolvidos como isentos de intera&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em condi&ccedil;&otilde;es prospectivas, o indiv&iacute;duo obviamente tem    de esperar que passe o intervalo para emitir seu julgamento: n&atilde;o levar&aacute;    apenas em conta uma contagem temporal efetuada <b>durante</b> a viv&ecirc;ncia    do intervalo, como sugerem as teorias dicot&ocirc;micas; poder&aacute; valer-se    da estrutura de eventos que lhe comp&otilde;e o conte&uacute;do, uma vez que    esta estrutura est&aacute; em sua mem&oacute;ria. No caso retrospectivo, de    outro lado, ele n&atilde;o disp&otilde;e apenas da lembran&ccedil;a dos conte&uacute;dos,    para efetuar seu julgamento; tamb&eacute;m ter&aacute; acesso a um registro    temporal, an&aacute;logo, sen&atilde;o id&ecirc;ntico, ao efetuado, de acordo    com essas teorias, em condi&ccedil;&atilde;o prospectiva. Mudar&aacute;, entre    condi&ccedil;&otilde;es, a influ&ecirc;ncia relativa das dicas de conte&uacute;do    e das dicas de temporiza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Predebon (9) usou um delineamento engenhoso para verificar se, em situa&ccedil;&atilde;o    retrospectiva, somente s&atilde;o levadas em conta informa&ccedil;&otilde;es    quanto ao <b>conte&uacute;do</b> de eventos ocorridos durante o intervalo a    ser avaliado. Seus sujeitos eram expostos a dois intervalos de tempo (16 e 32    segundos), sendo cada um preenchido seja com a apresenta&ccedil;&atilde;o de    4 palavras, seja com a apresenta&ccedil;&atilde;o de 8 palavras, estas palavras    servindo como <b>eventos</b>. O julgamento de dura&ccedil;&atilde;o era efetuado    retrospectivamente. Os resultados confirmam a expectativa mostrando que a quantidade    de eventos era tomada como dica da passagem do tempo : intervalos de 32 segundos    eram avaliados como significativamente maiores quando continham 8 eventos do    que quando continham apenas 4. Mas acrescentam um resultado que hip&oacute;teses    correntes a respeito da dicotomia Prospectivo-Retrospectivo aparentemente n&atilde;o    permitiriam prever: intervalos contendo o mesmo n&uacute;mero de eventos eram    avaliados como menores ou maiores, dependendo de sua dura&ccedil;&atilde;o objetiva.    Um intervalo de 32 segundos era considerado mais demorado do que um de 16 segundos,    apesar de ser igual o n&uacute;mero de eventos (4 eventos) inserido em ambos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Poder-se-ia, para salvar a dicotomia Prospectivo-Retrospectivo, supor que os    indiv&iacute;duos n&atilde;o registram apenas os eventos apresentados pelo experimentador;    em 32 segundos, teriam tempo de registrar mais eventos "informais" (pensamentos    que passam pela cabe&ccedil;a, percep&ccedil;&otilde;es do local onde ocorre    o experimento, etc.) do que em 16 segundos e assim, teriam base para uma avalia&ccedil;&atilde;o    diferencial, mesmo que id&ecirc;ntica a quantidade "formal" de eventos.</p>     <p>Prefiro supor que as pessoas, mesmo quando (como no paradigma retrospectivo)    n&atilde;o foram levadas a prestar aten&ccedil;&atilde;o &agrave; passagem do    tempo, o avaliam assim mesmo atrav&eacute;s de um processador temporal autom&aacute;tico.    O que implica em considerar que os mesmos processos atuam em ambos os paradigmas,    Prospectivo e Retrospectivo, uma posi&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica capaz    de dar conta dos resultados conflitantes da pesquisa sobre percep&ccedil;&atilde;o    de dura&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>U<small>M REL&Oacute;GIO INTERNO</small></b> Dados cada vez mais numerosos    da pesquisa b&aacute;sica com modelos animais levam a conceber a exist&ecirc;ncia    de uma estrutura neural capaz de gerar sinais temporais que o organismo interpretaria    como ind&iacute;cios de dura&ccedil;&atilde;o. A id&eacute;ia de <b>rel&oacute;gio    biol&oacute;gico</b> ganhou destaque com as pesquisas cronobiol&oacute;gicas    (10) que demonstram a incr&iacute;vel generalidade dos fen&ocirc;menos r&iacute;tmicos    end&oacute;genos, no comportamento ou na fisiologia dos organismos. Refiro-me    aqui a outro tipo de rel&oacute;gio, um marca-passo que funcionaria em intervalos    relativamente curtos e que teria sua vig&ecirc;ncia determinada, n&atilde;o    atrav&eacute;s de fatores r&iacute;tmicos ou <i>zeitgebers</i>, mas via eventos    iniciadores e terminadores ambientais. Este rel&oacute;gio interno &eacute;    que estaria envolvido, juntamente com a informa&ccedil;&atilde;o sobre a const&acirc;ncia    e a mudan&ccedil;a das coisas, na avalia&ccedil;&atilde;o dos intervalos de    tempo. Sabemos muito pouco, ainda, sobre a fisiologia desse marca-passo hipot&eacute;tico    e sobre sua rela&ccedil;&atilde;o com o rel&oacute;gio dos ritmos biol&oacute;gicos    amplos. H&aacute; ind&iacute;cios de que a avalia&ccedil;&atilde;o de dura&ccedil;&atilde;o,    como outros fen&ocirc;menos comportamentais, est&aacute; sujeita a flutua&ccedil;&otilde;es    circadianas regulares, um ind&iacute;cio de que os dois rel&oacute;gios mant&ecirc;m-se    conectados.</p>     <p>Church (11), partindo de resultados do laborat&oacute;rio de psicologia experimental    animal, prop&otilde;e um modelo de rel&oacute;gio interno que inclui um <b>marca-passo</b>    cujos pulsos teriam a taxa influenciada por diversos fatores, externos e internos.    O haloperidol, por exemplo, diminuiria a freq&uuml;&ecirc;ncia dos pulsos por    intervalo de tempo, a metanfetamina, assim como o stress do choque el&eacute;trico,    ao contr&aacute;rio, a aumentariam. Comporta tamb&eacute;m um <b>interruptor</b>,    estrutura que determina quando ser&atilde;o registrados os pulsos, e que possui    uma lat&ecirc;ncia para ser acionado, ligando ou desligando o registro. Os pulsos    captados s&atilde;o somados num <b>acumulador</b> e t&ecirc;m seus valores retidos    na <b>mem&oacute;ria operacional</b> que funciona durante uma tarefa, n&atilde;o    conservando a informa&ccedil;&atilde;o armazenada de uma oportunidade para outra.    A <b>mem&oacute;ria de refer&ecirc;ncia</b> cont&eacute;m os par&acirc;metros    de experi&ecirc;ncia passada que s&atilde;o relevantes para uma determinada    tarefa, por exemplo "responder somente se o est&iacute;mulo tiver uma dura&ccedil;&atilde;o    <b>t</b>". Um <b>dispositivo de compara&ccedil;&atilde;o</b> permite o cotejo    entre a dura&ccedil;&atilde;o presente e a dura&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncia.</p>     <p>O estudo do modo de funcionamento do rel&oacute;gio interno, no ser humano,    e de sua integra&ccedil;&atilde;o aos outros mecanismos temporizadores constitui    uma via promissora e necess&aacute;ria para a pesquisa. N&atilde;o me parece    que uma teoriza&ccedil;&atilde;o centrada apenas na informa&ccedil;&atilde;o    externa como base para a avalia&ccedil;&atilde;o da dura&ccedil;&atilde;o (12)    possa ir muito longe ou, para usar uma met&aacute;fora temporal, possa sustentar-se    por muito tempo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14806q1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A<small>SPECTOS AFETIVOS DA AVALIA&Ccedil;&Atilde;O DA DURA&Ccedil;&Atilde;O</small></b>    O tempo n&atilde;o &eacute; uma dimens&atilde;o fria, de pura constata&ccedil;&atilde;o;    permeia-se de desejos e afetos. A dura&ccedil;&atilde;o cont&eacute;m os momentos    dispon&iacute;veis para o <b>fazer</b>, aponta para um futuro que se carrega    de medos e esperan&ccedil;as; recua ao passado, que a mem&oacute;ria veste das    cores da saudade ou da rejei&ccedil;&atilde;o. A dura&ccedil;&atilde;o &eacute;    expectativa e &eacute; t&eacute;dio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O fator emocional afeta os ponteiros subjetivos. Edmonds, Cahoon e Bridges    (13), por exemplo, persuadiram seus sujeitos que uma espera seria seguida de    um evento agrad&aacute;vel ou de um evento desagrad&aacute;vel ou, ainda, de    uma experi&ecirc;ncia neutra. O grupo com expectativa positiva - nossa introspec&ccedil;&atilde;o    faz prever o resultado! - viu o tempo passar muito mais devagarinho do que os    outros. Os grupos de expectativa neutra e negativa tenderam a sub-estimar o    intervalo.</p>     <p>Trechos de prosa, ouvidos por um minuto, eram considerados mais curtos quando    mais interessantes (14), um resultado que seria interessante replicar em condi&ccedil;&atilde;o    <b>natural&iacute;stica</b>, tomando-se como base a opini&atilde;o de nossos    alunos sobre as aulas a que assistem. Thayer e Schiff (15) criaram uma situa&ccedil;&atilde;o    em que pessoas deveriam ficar, frente a estranhos sorridentes ou carrancudos.    O sorriso do outro fez correr o tempo, sua carranca o brecou.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>S<small>ABER A RESPEITO DO TEMPO PSICOL&Oacute;GICO</small></b> Que a percep&ccedil;&atilde;o    da dura&ccedil;&atilde;o decorra de uma <b>constru&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica</b>,    acho que toda esta exposi&ccedil;&atilde;o permite crer. Mas constru&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o significa invento ou fantasia, a constru&ccedil;&atilde;o &eacute;    a pr&oacute;pria maneira de se chegar a uma realidade que n&atilde;o vem pronta    atrav&eacute;s dos &oacute;rg&atilde;os dos sentidos, que n&atilde;o jorra autom&aacute;tica    de fontes inatas. N&atilde;o dispondo de um acesso imediato ao <b>dado</b> temporal    (n&atilde;o cabe, por enquanto, pararmos sobre a quest&atilde;o de se h&aacute;    um <b>dado</b> temporal ou envolver-nos em discuss&atilde;o filos&oacute;fica    a respeito da exist&ecirc;ncia do tempo ou de sua <b>dire&ccedil;&atilde;o</b>)    o indiv&iacute;duo aproveita a informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel, seja    ela decorrente de processos internos ao seu organismo, seja ela proveniente    de dicas ambientais, interpretando e apostando. N&iacute;veis diferentes de    avalia&ccedil;&atilde;o, da fra&ccedil;&atilde;o de segundo, ao m&ecirc;s e    ao ano, exigir&atilde;o estrat&eacute;gias diferentes e a padroniza&ccedil;&atilde;o    social se exercer&aacute; com toda a pot&ecirc;ncia, estabelecendo quadros temporais    que, se arbitr&aacute;rios do ponto de vista do tempo abstrato, n&atilde;o deixam    de possuir a concreticidade exigida pela intera&ccedil;&atilde;o humana.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i><b>C&eacute;sar Ades</b> &eacute; professor do Departamento de Psicologia    Experimental do Instituto de Psicologia (USP)</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>1 Borges, J.L. <i>Fic&ccedil;&otilde;es</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o de Carlos    Nejar. Porto Alegre: Editora Globo, 1986. (Edi&ccedil;&atilde;o original, 1969).<!-- ref --><p>2 Poynter, D. "Judging the duration of time intervals: a process of remembering    segments of experience". In: Levin, I. e Zakay, D. (Org.) <i>Time and human    cognition: a life-span perspective</i>, Elsevier Science Publishers (North Holland).    1989.<!-- ref --><p>3 Block, R.A., George, E.J. &amp; Reed, M.A. "A watched pot sometimes boils:    a study of duration experience". <i>Acta Psychologica</i>, 46, 81-94, 1980<!-- ref --><p>4 Ornstein, R.E. <i>On the experience of time</i>, Harmondsworth, Inglaterra:    Penguin Books. 1969.<!-- ref --><p>5 Wilsoncroft, W.E. &amp; Stone, J.P. "Information processing and estimation    of short time intervals". <i>Perceptual and Motor Skills</i>, 41, 192-4, 1975.<!-- ref --><p>6 Marshall, M.J. &amp; Wilsoncroft, W.E. "Time perception and the Stroop task".    <i>Perceptual and Motor Skills</i>, 68, 1159-62, 1989.<!-- ref --><p>7 Fraisse, P. <i>Psychology of time</i>, New York: Harper &amp; Row, 1963.<!-- ref --><p>8 Wilkening, F., Levin, I. &amp; Druyan, S. (). "Counting strategies for time    quantification and integration: a developmental study". <i>Developmental Psychology</i>,    23, 823-31, 1987.<!-- ref --><p>9 Predebon, J. "Retrospective time judgments and clock duration". <i>Perceptual    and Motor Skills</i>, 66, 19-24, 1988.<!-- ref --><p>10 Cipolla-Neto, J., Marques, N. &amp; Menna-Barreto, L.S. (Org.). <i>Introdu&ccedil;&atilde;o    ao estudo da cronobiologia</i>. S&atilde;o Paulo: &Iacute;cone, 1988.<!-- ref --><p>11 Church, R.M. (). "Properties of the internal clock". <i>Annals of the New    York Academy of Sciences</i>, 423:566-82, 1984<!-- ref --><p>12 Fraisse, P. "Perception and estimation of time". <i>Annual Review of Psychology</i>,    35, 1-36, 1984.<!-- ref --><p>13 Edmonds, E.M., Cahhon D. &amp; Bridges, B.A. "The estimation of time as    a function of positive, neutral and negative expectancies". <i>Bulletin of the    Psychonomic Society</i>, 17, 259-60, 1981.<!-- ref --><p>14 Hawkins, M.F. &amp; Tedford, W.H. "Effects of interest and relatedness on    estimated duration of verbal material". <i>Bulletin of the Psychonomic Society</i>,    8, 301-302, 1976.<!-- ref --><p>15 Thayer, S. &amp; Schiff, W. "Eye contacts, facial expression and the experience    of time". <i>Journal of Social Psychology</i>, 95, 117-24, 1975.<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="back1"></a><a href="#top1">*</a> Texto originalmente publicado na    <i>Cole&ccedil;&atilde;o Documentos</i>, s&eacute;rie <i>Estudos sobre o tempo</i>,    fasc&iacute;culo 1, do Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados da USP, em fevereiro    de 1991.</p>      ]]></body><back>
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