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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/tp8.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4">A <small>PERSPECTIVA DE TEMPO NO SONHO</small></font></b></p>     <p>Therezinha Moreira Leite</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size=5>O</font></b> sonho, fen&ocirc;meno de ordem psicol&oacute;gica    e representa&ccedil;&atilde;o com foros de ilogicidade &agrave; l&oacute;gica    caracter&iacute;stica de vig&iacute;lia, se revela essencial &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o    integrada no ser humano. Seu espa&ccedil;o justamente refere a abertura poss&iacute;vel    a conte&uacute;dos de tipo on&iacute;rico que s&atilde;o relatados em vig&iacute;lia,    freq&uuml;entemente em momentos de relaxamento diante de estruturas do pensamento    e da l&oacute;gica v&iacute;gil. Especialmente em psicoterapia e psican&aacute;lise,    conclus&otilde;es, decis&otilde;es, continuidade no processo do desenvolvimento    pessoal ou grupal, s&atilde;o fartamente documentadas ap&oacute;s relatos de    sonhos e elabora&ccedil;&otilde;es de conte&uacute;dos de tipo on&iacute;rico.</p>     <p>Desse ponto de vista, um princ&iacute;pio b&aacute;sico de desvendamento de    conte&uacute;dos e sentidos de sonhos aponta a relev&acirc;ncia de se levar    em conta o tempo do sonho; isto &eacute;, a import&acirc;ncia de se respeitar    a continuidade do relato e a continuidade de associa&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias    ao sonhador, considerando-se especialmente o sentido que se revele nele pr&oacute;prio.    Interpreta&ccedil;&otilde;es apressadas de significado podem constituir impropriedade    em rela&ccedil;&atilde;o ao conte&uacute;do e, especialmente, ao sonhador e    sua exist&ecirc;ncia, bem como ao tempo do sonho, e ao tempo do sonhador.</p>     <p>No relato, &uacute;nico referencial com que contamos de experi&ecirc;ncia a    n&iacute;veis cognitivo e afetivo no sonhador, e vivida em representa&ccedil;&atilde;o    peculiar de tempo e espa&ccedil;o, estas s&atilde;o mediadas pela l&oacute;gica    de vig&iacute;lia. As rela&ccedil;&otilde;es expressas pela linguagem falada    n&atilde;o constituir&atilde;o reprodu&ccedil;&atilde;o exata do material de    sonhos. Estar&atilde;o impregnadas pela tentativa de articula&ccedil;&atilde;o    adequada de um conte&uacute;do com car&aacute;ter de realidade mas il&oacute;gico    e irracional (segundo linguagem corrente), para comunica&ccedil;&atilde;o intelig&iacute;vel    a um outro, e tamb&eacute;m para si mesmo.</p>     <p>O movimento para articula&ccedil;&otilde;es novas e para a mudan&ccedil;a que    decorre do trabalho com sonhos, possibilita a percep&ccedil;&atilde;o do tempo    no sonho como transposto a um plano de rela&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-factuais    em que o sujeito conta com graus de liberdade inerentes a processos criativos.    Dados determinantes da hist&oacute;ria pessoal, da simbologia e da linguagem    pr&oacute;prias &agrave; cultura, mas tamb&eacute;m &agrave; estrutura e din&acirc;mica    inerentes ao sonhador, condicionam essa articula&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a.    Como os <b>restos diurnos</b> se prestam &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de    sonhos, estes prov&ecirc;em <b>restos noturnos</b> para a continuidade da elabora&ccedil;&atilde;o    ps&iacute;quica e da realiza&ccedil;&atilde;o do dia a dia.</p>     <p>Somos ent&atilde;o confrontados com o tempo em extens&atilde;o ampla: passado,    presente e futuro se encontram nos v&aacute;rios pontos de intersec&ccedil;&atilde;o    em que as imagens apontam para o sentido que, fundamentalmente, se encontra    no sujeito. Numa rede de significantes que ficam explicados no tempo e espa&ccedil;o    pessoais, a rela&ccedil;&atilde;o entre os elementos da est&oacute;ria(do sonho)    se faz numa rede de sentidos; n&atilde;o em uma seq&uuml;&ecirc;ncia cronol&oacute;gica,    como se entende a sucess&atilde;o em anterioridade e posterioridade na Hist&oacute;ria.    O <b>caos</b>, como podemos conceituar o n&atilde;o-tempo e a modalidade de    seq&uuml;&ecirc;ncia em sonhos, permanece importante vetor para a constru&ccedil;&atilde;o    humana nesse contexto, relevante justamente pela ordena&ccedil;&atilde;o de    experi&ecirc;ncias vitais de car&aacute;ter afetivo e cognitivo que configura    e sugere como verdade &agrave; consci&ecirc;ncia v&iacute;gil.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Regras e ordena&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas em sonhos podem ser extra&iacute;das    dos aspectos formais em sua apresenta&ccedil;&atilde;o. &Eacute; o que acontece    quando a cena inicial indica a conclus&atilde;o do tema tratado, no entanto,    sucedendo-se a ela, os elementos que constituem a trama em outras condi&ccedil;&otilde;es,    &eacute; apresentada em momento anterior. Fases na progress&atilde;o do trabalho    em sonhos t&ecirc;m sido indicadas como progress&atilde;o a um ep&iacute;logo.    Diversamente, insiste-se aqui na elabora&ccedil;&atilde;o temporal como elemento    inerente ao sonhador e a seu sonho: esta perspectiva, e os dados colhidos segundo    a mesma poder&atilde;o, possivelmente, contribuir ao entendimento da estrutura    subjetiva e do processo ps&iacute;quico em particular.</p>     <p>A ocorr&ecirc;ncia de sonhos com temas t&iacute;picos e com temas de car&aacute;ter    universal exige que sejam consideradas quest&otilde;es a respeito da poss&iacute;vel    caracteriza&ccedil;&atilde;o dos sonhos em culturas diferentes, em grupos de    diversas atua&ccedil;&otilde;es profissionais, em v&aacute;rias idades "...s&atilde;o    dados que ressaltam o car&aacute;ter cultural e grupal n&atilde;o apenas do    ponto de vista pessoal, mas social" (1). No entanto, n&atilde;o se exclui a    necessidade de se considerarem as associa&ccedil;&otilde;es a esses conte&uacute;dos    nos sonhos individuais, para se compreender o sentido que tomam na elabora&ccedil;&atilde;o    pessoal de cada um.</p>     <p>Em vista desses dados, no entanto, pode-se atestar o sentido social do sonho,    bem como sua import&acirc;ncia para o grupo humano. Ali&aacute;s, seu uso para    entendimento do sujeito e para indica&ccedil;&otilde;es em sua realiza&ccedil;&atilde;o    vem de longa data, como indicam as inscri&ccedil;&otilde;es em textos gregos,    eg&iacute;pcios e, em especial, as refer&ecirc;ncias b&iacute;blicas. Freud,    em seu livro <i>A interpreta&ccedil;&atilde;o dos sonhos</i> cita, por exemplo,    como Alexandre parte para a batalha, depois de um sonho que o orientou para    essa realiza&ccedil;&atilde;o, da qual saiu vencedor (2). Estudos e pesquisas    atuais t&ecirc;m-se dirigido ao levantamento de caracter&iacute;sticas no n&iacute;vel    social e cultural como as citadas acima. Especialmente com isso poder&iacute;amos    reconhecer que a forma&ccedil;&atilde;o e a tem&aacute;tica on&iacute;rica se    originariam num am&aacute;lgama comum &agrave; exist&ecirc;ncia humana, ainda    que se diferencie em cada um. Em conclus&atilde;o, podemos referir o sonho como    inserido igualmente na hist&oacute;ria humana, como o referimos inserido na    hist&oacute;ria subjetiva. Uma grande contribui&ccedil;&atilde;o a seu valor    na vida humana ser&aacute; poder reconhecer o sentido de seu conte&uacute;do    inserido no valor simb&oacute;lico cultural de sua linguagem. Seu tempo estar&aacute;,    ent&atilde;o, marcado pela hist&oacute;ria em que se desloca o sujeito.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i><b>Therezinha Moreira Leite</b> &eacute; psic&oacute;loga e professora aposentada    do Departamento de Psicologia Cl&iacute;nica do Instituto de Psicologia-USP</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>1 Davignaud, J., Davignaud, F. e Corbeau, J-P. <i>La banque des r&ecirc;ves</i>,    Paris, Payot, 1979.<!-- ref --><p>2 Freud, S. <i>La interpretacion de los sue&ntilde;os</i>. Obras completas,    Madrid: Biblioteca Nueva, 1948, p. 231-581. ]]></body><back>
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