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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/tp8.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4">T<small>EMPO, INDIV&Iacute;DUO E VIDA SOCIAL*</small></font></b></p>     <p>Maria Helena Oliva-Augusto</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size=5>T</font></b>endo como fio condutor as an&aacute;lises que    procuram discutir como se d&atilde;o as rela&ccedil;&otilde;es que as pessoas    mant&ecirc;m com o seu tempo, este texto busca examinar os v&iacute;nculos entre    tempo, indiv&iacute;duo e vida social, acentuando, principalmente, as diferen&ccedil;as    existentes entre uma viv&ecirc;ncia orientada pela perspectiva do futuro, caracter&iacute;stica    da modernidade, e outra que, centrada no momento presente, para alguns analistas,    indicaria o nascimento de uma nova ordem social. Ser&aacute; tamb&eacute;m avaliada    a hip&oacute;tese que aponta para a emerg&ecirc;ncia de um novo tempo social    dominante e de novas formas de manifesta&ccedil;&atilde;o da individualidade,    elementos que caracterizariam o surgimento dessa nova ordem.</p>     <p align="center">***</p>     <p>O tempo social dominante de uma sociedade &eacute; aquele que lhe permite cumprir    os atos necess&aacute;rios para a produ&ccedil;&atilde;o dos meios que garantem    sua sobreviv&ecirc;ncia, possibilitando a cria&ccedil;&atilde;o, manifesta&ccedil;&atilde;o,    realiza&ccedil;&atilde;o e atualiza&ccedil;&atilde;o de seus valores fundamentais.</p>     <p>Os procedimentos envolvidos nesse processo qualificam aqueles que os utilizam,    a sociedade em que vigoram e as rela&ccedil;&otilde;es sociais que desencadeiam.    Em cada tipo de coletividade, e em todos os n&iacute;veis, a satisfa&ccedil;&atilde;o    das existentes e a cria&ccedil;&atilde;o de novas necessidades, a transmiss&atilde;o    &agrave; descend&ecirc;ncia do modo adequado de ser e da maneira desej&aacute;vel    de agir, atribui significados, faz nascer valores que passam a ser compartilhados,    constituindo modos de vida e tipos de sociabilidade.</p>     <p>A forma pela qual uma dada sociedade garante a manuten&ccedil;&atilde;o da    vida, expressa no seu modo de produzir, nas regras que a organizam e nas principais    atividades exigidas por essa produ&ccedil;&atilde;o, interfere sobre o seu ritmo    temporal e indica qual &eacute; o tempo que nela predomina. Como as atividades    que s&atilde;o secund&aacute;rias para a defini&ccedil;&atilde;o desse processo    articulam-se em torno dele, os tempos sociais em que essas atividades se desenvolvem:    articulam-se em torno do tempo social dominante e submetem-se a seu ritmo. (1)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As mais diferentes teorias sociais qualificam a ordem social moderna como "sociedade    do trabalho", exatamente porque reconhecem na categoria trabalho sua din&acirc;mica    central. O tempo do trabalho &#150; regular, homog&ecirc;neo, cont&iacute;nuo,    exterior, coercitivo, linear e abstrato &#150; &eacute; o tempo social nela dominante.    Por conseguinte, qualquer dos outros tempos sociais existentes, referentes a    atividades que n&atilde;o s&atilde;o determinantes para sua caracteriza&ccedil;&atilde;o,    &eacute; penetrado por esses tra&ccedil;os, que adquirem a conota&ccedil;&atilde;o    de identificadores do tempo. Pessoas e institui&ccedil;&otilde;es lhe est&atilde;o    submetidos, fazendo com que a pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o de ser    social &#150; individual e coletivo &#150; sofra a media&ccedil;&atilde;o dos    conceitos de trabalho e tempo de trabalho.</p>     <p>Entretanto, atualmente, o trabalho vem sendo questionado como valor central    da vida social, tanto objetiva como subjetivamente. (2) &Eacute; identificada    uma crise, ligada ao fim da percep&ccedil;&atilde;o da categoria trabalho como    dimens&atilde;o qualificadora da sociedade, e do tempo a ele referente, como    tempo dominante (3), sugerida a transi&ccedil;&atilde;o para um novo conjunto    de significados, a emerg&ecirc;ncia de uma nova ordem e, em decorr&ecirc;ncia,    de um novo tempo social dominante, ainda que n&atilde;o plenamente configurados.</p>     <p>A perspectiva temporal, como a concebemos, s&oacute; se concretizou quando,    al&eacute;m da percep&ccedil;&atilde;o de um <b>ontem</b>, referente ao passado,    e de um <b>hoje</b>, relativo ao presente, tornou-se poss&iacute;vel pensar    a emerg&ecirc;ncia de um <b>amanh&atilde;</b> que pudesse, realmente, representar    uma alternativa futura ao que existia. A forma com que nos habituamos a perceber    o mundo e nele viver tornou-se vigente somente quando, n&atilde;o apenas individualmente    mas tamb&eacute;m em termos sociais, surgiu a possibilidade efetiva de apreens&atilde;o    dessa tripla dimens&atilde;o temporal.</p>     <p>Substituindo um andamento c&iacute;clico, o surgimento de um tempo tridimensional,    marcado pela distin&ccedil;&atilde;o entre passado, presente e futuro, &eacute;    um dos elementos qualificadores da vida moderna. O presente identifica o momento    no qual, amparada pela <b>experi&ecirc;ncia</b> do passado e lan&ccedil;ando    m&atilde;o da <b>raz&atilde;o</b>, a humanidade <b>projetaria o seu futuro</b>.    A pr&oacute;pria relev&acirc;ncia do tempo "depende[ria] da capacidade de interrelacionar    o passado e o futuro no presente" (4 apud 5). A emerg&ecirc;ncia da possibilidade    de uma vis&atilde;o hist&oacute;rica do (e no) mundo estaria, portanto, vinculada    ao surgimento dessa forma de percep&ccedil;&atilde;o temporal (6).</p>     <p>Ainda mais importante, a id&eacute;ia de progresso, a cren&ccedil;a no planejamento    como controle racional dos processos sociais e na possibilidade de constru&ccedil;&atilde;o    de um projeto, coletivo ou individual, s&oacute; passaram a atuar na orienta&ccedil;&atilde;o    das condutas humanas a partir do momento em que o futuro passou a ser prefigurado,    almejado, buscado. Dessa forma, a sociedade moderna e seus valores b&aacute;sicos    est&atilde;o referidos &agrave; cren&ccedil;a na possibilidade de um futuro    visualizado no presente e a partir deste constru&iacute;do, de um futuro pressentido    como abertura &#150; um poss&iacute;vel configurado pela a&ccedil;&atilde;o humana    (7).</p>     <p>Em contraste, atualmente, alguns autores afirmam que a mem&oacute;ria hist&oacute;rica    j&aacute; n&atilde;o est&aacute; viva (8). Para eles, a intensifica&ccedil;&atilde;o    crescente do ritmo temporal implica que j&aacute; n&atilde;o se tenha mem&oacute;ria    do passado e esteja cada vez mais distante a possibilidade de um futuro. O esfor&ccedil;o    para manter-se em dia com o seu pr&oacute;prio tempo provoca, nas pessoas, o    afastamento dos padr&otilde;es significativos do passado, sem que suas pr&oacute;prias    refer&ecirc;ncias de valor se enra&iacute;zem; com isso, as perspectivas de    um (poss&iacute;vel) futuro ficam tamb&eacute;m obscurecidas. Do mesmo modo,    a experi&ecirc;ncia do passado j&aacute; n&atilde;o garante a base para atua&ccedil;&atilde;o    no presente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14808q1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Beck afirma que, na sociedade contempor&acirc;nea, entendida por ele como sociedade    de risco, "o passado perde o poder de determinar o presente; seu lugar &eacute;    tomado pelo futuro". Dessa forma, algo inexistente, inventado, fict&iacute;cio    aparece como <b>causa</b> de uma experi&ecirc;ncia atual. "Tornamo-nos ativos,    hoje, para prevenir, aliviar ou tomar precau&ccedil;&otilde;es contra crises    e problemas de amanh&atilde; e de depois de amanh&atilde;" (9) e &eacute; not&aacute;vel    a rapidez com que ocorre a obsolesc&ecirc;ncia das formas de fazer, de agir    e/ou de pensar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sua an&aacute;lise ressalta a transforma&ccedil;&atilde;o crucial em curso    na pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o de tempo, acentuando que a consci&ecirc;ncia    do risco repousa n&atilde;o no presente, mas no futuro: em conseq&uuml;&ecirc;ncia,    &eacute; necess&aacute;rio projetar o que vir&aacute; depois a fim de determinar    e organizar (agora) as a&ccedil;&otilde;es. Esse segundo ponto deve ser enfatizado:    para prevenir riscos, o futuro deve ser antecipado, de forma a gerar a&ccedil;&otilde;es    preventivas no presente. Dessa forma, mesmo considerando que, como no passado,    o futuro ainda aparece como dimens&atilde;o importante, hoje, &eacute; o presente    o tempo acentuado, enquanto, anteriormente, o futuro a ser constru&iacute;do    aparecia como a dimens&atilde;o temporal forte.</p>     <p>Paralelamente, a destrui&ccedil;&atilde;o do passado surge como um dos fen&ocirc;menos    mais terr&iacute;veis do s&eacute;culo XX &#150; perdem-se os mecanismos sociais    capazes de vincular a experi&ecirc;ncia pessoal da atual gera&ccedil;&atilde;o    &agrave; das gera&ccedil;&otilde;es passadas (10). Ao mesmo tempo, os jovens    contempor&acirc;neos parecem habitar uma esp&eacute;cie de presente cont&iacute;nuo,    expresso na viv&ecirc;ncia repetida do <b>agora</b>, a busca desenfreada do    momento atual. Ali&aacute;s, essa &eacute; uma caracter&iacute;stica da vida    contempor&acirc;nea: a busca intensificada do prazer, a necessidade de viver    para o momento, "viver para si, n&atilde;o para os que vir&atilde;o a seguir,    ou para a posteridade".</p>     <p>A intensifica&ccedil;&atilde;o dessa percep&ccedil;&atilde;o do presente &eacute;    tamb&eacute;m expressa na id&eacute;ia de que "a categoria temporal do futuro    &eacute; suprimida e substitu&iacute;da pela do presente prolongado", um presente    ampliado, que passa a absorv&ecirc;-lo (11). Problemas que, antes, podiam ser    remetidos a um tempo futuro, penetram o presente, imp&otilde;em solu&ccedil;&otilde;es    que poderiam esperar o amanh&atilde;, mas exigem ser tratadas hoje mesmo. Dessa    forma, o futuro n&atilde;o mais oferece o campo livre para a proje&ccedil;&atilde;o    dos desejos, esperan&ccedil;as e cren&ccedil;as, cada vez mais obscurecido pelas    quest&otilde;es do momento, criando uma din&acirc;mica pr&oacute;pria do presente,    que se torna seu pr&oacute;prio centro (12).</p>     <p>Fala-se na <b>fal&ecirc;ncia</b> da perspectiva do futuro, sentimento disseminado    que estaria na raiz do desencantamento e da desesperan&ccedil;a que caracteriza(ria)m    n&atilde;o s&oacute; a viv&ecirc;ncia das novas gera&ccedil;&otilde;es mas contaminam    a totalidade da vida contempor&acirc;nea. Diferentemente das sociedades tradicionais,    centradas no passado, ou daquelas orientadas para o futuro, o presente &eacute;(seria),    atualmente, cada vez mais privilegiado.</p>     <p>Eis aqui, portanto, o problema: o nosso seria um tempo de dissolu&ccedil;&atilde;o    dos elementos que, h&aacute; pelo menos tr&ecirc;s s&eacute;culos, tem constitu&iacute;do    a base temporal em que ocorrem os processos sociais. Essa constata&ccedil;&atilde;o    sugere estar em curso uma assustadora re-significa&ccedil;&atilde;o do tempo,    caracterizada pela crescente desvaloriza&ccedil;&atilde;o cultural do passado,    a progressiva perda de perspectiva e de esperan&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o    ao futuro, e a acentua&ccedil;&atilde;o exasperada da viv&ecirc;ncia do presente,    preenchido exaustivamente.</p>     <p>Portanto, n&atilde;o haveria mais passado ou futuro, e, considerando que, sem    conex&atilde;o com o que foi e com o que est&aacute; por vir, rigorosamente,    o presente acaba por n&atilde;o ter exist&ecirc;ncia e que um tempo unidimensional    n&atilde;o pode, a rigor, receber essa qualifica&ccedil;&atilde;o, tampouco    se poderia falar em presente, pois "um presente eterno n&atilde;o pode ser um    presente" (13 <i>apud</i> 5). Essa assertiva aplicar-se-ia tanto aos conjuntos    quanto aos indiv&iacute;duos. Lasch (14), por exemplo, salienta que o <b>homem    psicol&oacute;gico</b> do s&eacute;culo XX nega o passado e tem dificuldade    de enfrentar o futuro, o que acarreta a perda de significado do pr&oacute;prio    presente.</p>     <p>Tem sido sugerido que atingimos um momento em que pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia    da sociedade, da forma que aprendemos a perceb&ecirc;-la, est&aacute; amea&ccedil;ada.    A desintegra&ccedil;&atilde;o dos velhos padr&otilde;es de relacionamento humano    e, com ela, a quebra dos elos entre gera&ccedil;&otilde;es, entre passado e    presente, foi a mudan&ccedil;a mais perturbadora ocorrida no s&eacute;culo XX    (15). Castoriadis (16), entre outros, j&aacute; havia tratado de quest&atilde;o    semelhante, lembrando a necessidade do restabelecimento desses v&iacute;nculos,    a fim de que n&atilde;o naufraguem os valores da civiliza&ccedil;&atilde;o,    n&atilde;o se instale a barb&aacute;rie nas rela&ccedil;&otilde;es humanas e    possa ser superada a crise no processo de identifica&ccedil;&atilde;o, que se    manifesta atualmente.</p>     <p>Sem d&uacute;vida, as altera&ccedil;&otilde;es que se processam nas formas    de produ&ccedil;&atilde;o da vida, por um lado, e na percep&ccedil;&atilde;o    e viv&ecirc;ncia da temporalidade, bem como na dimens&atilde;o temporal que    &eacute; valorizada, por outro, repercutem no processo de constitui&ccedil;&atilde;o    dos indiv&iacute;duos do nosso tempo, na pr&oacute;pria maneira como se v&ecirc;m    e &agrave;queles com os quais compartilham o mesmo sentido de tempo.</p>     <p>&Eacute; necess&aacute;rio lembrar que um dos tra&ccedil;os marcantes da rela&ccedil;&atilde;o    entre indiv&iacute;duo e tempo, caracter&iacute;stica da modernidade, era a    poss&iacute;vel constru&ccedil;&atilde;o do tra&ccedil;ado da pr&oacute;pria    vida pelos indiv&iacute;duos. Tratava-se, pois, da afirma&ccedil;&atilde;o bem    sucedida de suas pr&oacute;prias capacidades, implicando que seu futuro podia    ser, pelo menos em parte, escolhido livremente, com a &ecirc;nfase incidindo    sobre a escolha livre.</p>     <p>Essa forma de conceber a trajet&oacute;ria individual afastava a cren&ccedil;a    &#150; atuante desde a antig&uuml;idade at&eacute; o Renascimento &#150;, em um    destino inexor&aacute;vel, irrevog&aacute;vel e imut&aacute;vel que, mesmo conhecido    previamente, n&atilde;o podia ser evitado, o que exigia das pessoas, para serem    bem sucedidas, que atuassem de modo adequado, conformando-se a (e com) ele (17).    A id&eacute;ia da sociedade de/do risco, trabalhada por Beck, traz de volta    a id&eacute;ia do destino, ainda que de forma n&atilde;o id&ecirc;ntica. "Agora,    na civiliza&ccedil;&atilde;o desenvolvida, existe uma esp&eacute;cie de destino    de risco, no interior do qual se nasce, do qual n&atilde;o se pode escapar,    com a <b>pequena diferen&ccedil;a</b> (que tem um grande efeito) que estamos    todos igualmente confrontados com ele." (18).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Presentemente, tem sido com freq&uuml;&ecirc;ncia questionada a possibilidade    da exist&ecirc;ncia de pessoas com as qualidades e caracter&iacute;sticas louvadas    pelo discurso moderno, em seus prim&oacute;rdios: indiv&iacute;duos capazes    de serem livres para alcan&ccedil;arem um grau mais alto de verdade, condi&ccedil;&atilde;o    que traduzia o ideal ocidental do que significava ser humano. Em outras palavras,    cada vez mais, tem-se duvidado que, em nosso tempo, ainda seja fact&iacute;vel    a emerg&ecirc;ncia de seres humanos racionais, livres e iguais, nos quais se    tenham desenvolvido, de maneira equilibrada, os sentidos de alteridade e de    perten&ccedil;a. Pessoas que sejam orientadas para o futuro, capazes de, mediante    atos volunt&aacute;rios, sacrificarem a satisfa&ccedil;&atilde;o imediata de    seus desejos, em nome da seguran&ccedil;a e da preserva&ccedil;&atilde;o - material    e moral - da pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia (19).</p>     <p>Na emerg&ecirc;ncia da modernidade, a habilidade em utilizar a experi&ecirc;ncia    do passado para conhecer o presente e, dessa forma, poder antecipar racionalmente    uma sociedade alternativa futura, pela media&ccedil;&atilde;o de um projeto    transformador, distinguia o indiv&iacute;duo, era o cerne da manifesta&ccedil;&atilde;o    da individualidade. Esta se caracterizava pela capacidade de pensar e de agir    autonomamente, de dar in&iacute;cio ao novo, pela capacidade de previs&atilde;o    e provis&atilde;o do pr&oacute;prio futuro e daqueles que eram pr&oacute;ximos,    tendo um horizonte que ultrapassava, de longe, a expectativa de vida de algu&eacute;m,    tomado isoladamente.</p>     <p>Ainda durante o per&iacute;odo da II Grande Guerra, Horkheimer j&aacute; havia    sugerido serem cada vez mais dif&iacute;ceis as possibilidades de planejar o    futuro. Acreditava que o "indiv&iacute;duo contempor&acirc;neo pode[ria] ter    mais oportunidades do que seus ancestrais, mas suas perspectivas concretas t&ecirc;m    prazo cada vez mais curtos, [uma vez que o] futuro n&atilde;o entra rigorosamente    em suas transa&ccedil;&otilde;es." (20).</p>     <p>Esse impedimento, j&aacute; percebido em meados do s&eacute;culo XX, desdobrou-se    em uma situa&ccedil;&atilde;o incomparavelmente mais complexa, no in&iacute;cio    do s&eacute;culo XXI. Hoje, &eacute; dif&iacute;cil visualizar um futuro fact&iacute;vel,    as perspectivas parecem inexistentes, circunst&acirc;ncia vivenciada como amea&ccedil;a    de derrota, unida &agrave; sensa&ccedil;&atilde;o do retorno de um destino irrevog&aacute;vel,    contra o qual n&atilde;o h&aacute; oposi&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel.</p>     <p>Al&eacute;m dessa, uma outra quest&atilde;o est&aacute; presente, ligada &agrave;    crescente dificuldade que as pessoas t&ecirc;m de valorizar o tempo dispon&iacute;vel    como aquele em que se torna poss&iacute;vel a realiza&ccedil;&atilde;o de expectativas,    a frui&ccedil;&atilde;o do que se almeja, a express&atilde;o de si naquilo que    &eacute; feito. No mesmo momento em que o valor <b>realiza&ccedil;&atilde;o    de si</b> emerge como um dos pontos principais de manifesta&ccedil;&atilde;o    da individualidade, acentuam-se as contradi&ccedil;&otilde;es inerentes ao processo    de individualiza&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;neo, atuante num processo    societ&aacute;rio que torna a autonomiza&ccedil;&atilde;o individual crescentemente    imposs&iacute;vel.</p>     <p>Explico-me. O indiv&iacute;duo se efetiva, ao lado da identidade gen&eacute;rica    derivada do fato de ser membro da esp&eacute;cie humana, pelo talento e possibilidade    que demonstra de cultivar, em si, aquelas qualidades que o tornam &uacute;nico    e singular. No s&eacute;culo XIX, atingia o status de indiv&iacute;duo, na acep&ccedil;&atilde;o    forte do termo, aquela pessoa capaz de constituir a si mesma enquanto obra,    aplicando-se cotidiana e continuamente ao cultivo daqueles tra&ccedil;os que    a distinguissem das outras, sem qualquer equ&iacute;voco. Essa tarefa, simultaneamente    estressante e dignificadora, imprimia um sentido &agrave; vida de cada um, comportando    busca consciente, planejamento deliberado e liberdade de escolha.</p>     <p>Nesse registro, trabalhar era sin&ocirc;nimo de disciplina, dignidade, auto-estima,    bem-estar, progresso, conquista de autonomia. Sucesso ou fracasso dependia do    tipo de trabalho exercido e da atitude de cada um diante dele. A possibilidade    de trabalhar (acreditava-se) estava aberta para todos os que se dispunham a    conquistar seu lugar no mundo, (bem) utilizando suas capacidades e habilidades.</p>     <p>A situa&ccedil;&atilde;o atual mudou, em v&aacute;rios sentidos. De um lado,    ocorre que, hoje, cada vez mais intensamente, cresce o n&uacute;mero de pessoas    que, embora procurando trabalhar, n&atilde;o conseguem coloca&ccedil;&atilde;o    e n&atilde;o contam com qualquer outra forma de sobreviv&ecirc;ncia. Assim,    ainda que, objetivamente, haja condi&ccedil;&otilde;es para que disponham de    mais tempo livre e possam preench&ecirc;-lo de forma mais independente, aumenta    o n&uacute;mero daqueles que, ao inv&eacute;s de tempo livre, vivem um tempo    sem ocupa&ccedil;&atilde;o, sentem-se pressionados pela condi&ccedil;&atilde;o    de n&atilde;o-trabalho e, portanto, impedidos de crescerem enquanto indiv&iacute;duos.</p>     <p>Por outro lado, a utiliza&ccedil;&atilde;o do tempo livre com atividades prazerosas    e significativas &#150; vinculadas ao trabalho, ao estudo, &agrave; arte ou ao    artesanato &#150; n&atilde;o &eacute; mais capaz de preencher as expectativas    das pessoas. Aparentemente, a dimens&atilde;o do consumo ocupa todos os dom&iacute;nios,    inclusive o tempo livre.</p>     <p>Ainda no mesmo registro, &eacute; poss&iacute;vel constatar que o foco preferencial    no <b>agora</b> imp&otilde;e uma vida social em que, quanto mais amigos se t&ecirc;m,    menos tempo &eacute; poss&iacute;vel dedicar a cada um, os relacionamentos s&atilde;o    ef&ecirc;meros, mesmo sendo intensos, os la&ccedil;os sociais s&atilde;o, continuamente,    produzidos, reproduzidos e consumidos, e &eacute; muito dif&iacute;cil compartilhar    narrativas e experi&ecirc;ncias (21).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">***</p>     <p>Tempo, individualidade, vida social. Aparentemente, dizendo respeito a processos    ultrapassados, s&atilde;o no&ccedil;&otilde;es que supostamente j&aacute; n&atilde;o    possibilitam compreender o momento hist&oacute;rico em que vivemos e, em conseq&uuml;&ecirc;ncia,    interferir sobre as condi&ccedil;&otilde;es que o constituem. Entretanto, mesmo    reconhecendo que as mudan&ccedil;as em curso n&atilde;o permitem, como parecia    se dar anteriormente, que a apreens&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es se    processe em no&ccedil;&otilde;es mais ou menos cristalizadas, &eacute; imensa    a dificuldade de projetar uma nova percep&ccedil;&atilde;o do tempo, uma estrutura&ccedil;&atilde;o    diversa da vida social, uma no&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duo radicalmente    distinta.</p>     <p>Sem d&uacute;vida, o momento em curso &eacute; crucial. Entretanto, o que talvez    deva ser acentuado &eacute; que, hoje, est&aacute; havendo uma radicaliza&ccedil;&atilde;o    t&atilde;o intensa das caracter&iacute;sticas atribu&iacute;das ao tempo, ao    indiv&iacute;duo e &agrave; vida social, desde o in&iacute;cio dos tempos modernos,    que parece alterar sua qualidade. Em conseq&uuml;&ecirc;ncia, diferentemente    do que, no passado, era anunciado como condi&ccedil;&atilde;o generaliz&aacute;vel,    o processo de individualiza&ccedil;&atilde;o/individua&ccedil;&atilde;o est&aacute;    agora restrito &agrave;queles(as) poucos(as) capazes de sucesso na cria&ccedil;&atilde;o    de suas personalidades e de atribui&ccedil;&atilde;o de significado e dignidade    &agrave;s suas vidas.</p>     <p>Diante das quest&otilde;es suscitadas pelas considera&ccedil;&otilde;es acima,    &agrave; guisa de conclus&atilde;o, emprego palavras utilizadas num outro contexto:    "No centro (...) [da profunda transforma&ccedil;&atilde;o da vida social contempor&acirc;nea,    de seus valores e significados, e do tempo no qual operam] n&atilde;o est&aacute;    um novo tipo de sociedade, mas um novo tipo de indiv&iacute;duo, que n&atilde;o    cultiva nem a nostalgia de um passado dourado, nem a esperan&ccedil;a por um    futuro redentor, mas que, possuindo uma 'inflexibilidade treinada para enxergar    as realidades da vida', est&aacute; apto para responder '&agrave;s demandas    do dia." (22).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i><b>Maria Helena Oliva-Augusto</b> &eacute; docente e pesquisadora do Departamento    de Sociologia, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas (USP).</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas e refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>1 Sue, R. <i>Temps et Ordre Social</i>. Paris: P.U.F., 1994.<!-- ref --><p>2 Offe, C. "Trabalho, a categoria-chave da Sociologia?". <i>In: Revista Brasileira    de Ci&ecirc;ncias Sociais/RBCS</i>, n.&ordm; 10, vol. 4 (:5-20), Rio de Janeiro:    ANPOCS, junho de 1989.     Publicado, em ingl&ecirc;s, em <i>Disorganized Capitalism:    contemporary transformations of works and politics</i>. Oxford: Basil Blackwell,    1986.</p>     <p>3 Sue, R. <i>Temps et Ordre Social</i>. Paris: P.U.F., 1994, p. 298.</p>     <!-- ref --><p>4 Luhmann, N. <i>The Differentiation of Society</i>. New York: Columbia University    Press, 1982, p. 276.<!-- ref --><p>5 Adam, B. <i>Time &amp; Social Theory</i>. Cambridge: Polity Press, 1994,    p. 23.<!-- ref --><p>6 Heller, A. <i>O Homem do Renascimento</i>. Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a,    1982.<!-- ref --><p>7 Novotny, H. <i>Le temps &agrave; soi: gen&egrave;se et structuration d'un    sentiment du temps</i>. Paris: Ed. de la Maison des Sciences de L'homme, 1992,    p. 14.<p>8 Sue, R. <i>Temps et Ordre Social</i>. Paris: P.U.F., 1994.</p>     <!-- ref --><p>9 Beck, U. Risk Society. <i>Towards a New Modernity.</i> London: Sage, 1992,    p. 34.<!-- ref --><p>10 Hobsbawn, E. <i>Era dos Extremos: o breve s&eacute;culo XX: 1914-1991</i>.    S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 1995.     Traduzido do original <i>Age of    extremes: the short twentieth century: 1914/1991</i>, publicado pela Pantheon    Books, em 1994, p. 13.</p>     <p>11 Novotny, H. <i>Le temps &agrave; soi: gen&egrave;se et structuration d'un    sentiment du temps</i>. Paris: Ed. de la Maison des Sciences de L'homme, 1992,    p. 49.</p>     <p>12 Novotny, H. <i>Le temps &agrave; soi: gen&egrave;se et structuration d'un    sentiment du temps</i>. Paris: Ed. de la Maison des Sciences de L'homme, 1992,    p. 48.</p>     <p>13 Mead, G.H. <i>The Philosophy of Present</i>. La Salle, Ill.: Open Court,    1959[1932], p.11, <i>apud</i> 5, p. 39.</p>     <!-- ref --><p>14 Lasch, C. <i>A Cultura do Narcisismo</i>. Rio de Janeiro: Imago, 1983.     Traduzido    do original em ingl&ecirc;s <i>The Culture of Narcisism</i>, USA, 1979.</p>     <p>15 Hobsbawn, E. <i>Era dos Extremos: o breve s&eacute;culo XX: 1914-1991</i>.    S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 1995. Traduzido do original <i>Age of    extremes: the short twentieth century: 1914/1991</i>, publicado pela Pantheon    Books, em 1994, p. 24.</p>     <!-- ref --><p>16 Castoriadis, C. <i>La crise du processus identificatoire</i>. Connexions    55, La malaise dans l'identification. Toulouse: Ed. Er&egrave;s, 1990-1.<!-- ref --><p>17 Heller, A. <i>O Homem do Renascimento</i>. Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a,    1982, pp. 293-298.<p>18 Beck, U. <i>Risk Society. Towards a New Modernity</i>. London: Sage, 1992,    p. 41.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>19 Horkheimer, M. <i>Eclipse da raz&atilde;o</i>. Rio de Janeiro: Editorial    Labor do Brasil, 1976.     Traduzido do original em ingl&ecirc;s <i>Eclipse of Razon</i>.    New York: Oxford University Press, 1974.</p>     <p>20 Horkheimer, M. <i>Eclipse da raz&atilde;o</i>. Rio de Janeiro: Editorial    Labor do Brasil, 1976. Traduzido do original em ingl&ecirc;s <i>Eclipse of Razon</i>.    New York: Oxford University Press, 1974, p. 151.</p>     <!-- ref --><p>21 Wittel, A. "Toward a Network Sociality". <i>In: Theory, Culture &amp; Society</i>,    vol. 18(6): 51-76. London: Sage, 2001, pp. 51-76.<!-- ref --><p>22 Brubaker, R. <i>The Limits of Rationality</i>. An Essay on the Social and    Moral Thought of Max Weber. London: Routledge, 1991, p. 112. ]]></body><back>
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