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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/tp8.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4">C<small>RONOS</small> <small>E</small> C<small>OSMOS</small></font></b></p>     <p>Am&acirc;ncio Fria&ccedil;a</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size=5>N</font></b>o ensaio <i>A flor de Coleridge</i> (1), Jorge    Luis Borges faz a pr&eacute;-hist&oacute;ria do <i>The time machine</i>, conclu&iacute;do    por H.G. Wells em 1894. A primeira vers&atilde;o deste romance surgiu sete anos    antes, em 1887, com o t&iacute;tulo de <i>The chronic argonauts</i>, onde <i>chronic</i>,    assinala Borges, tem o valor de <b>temporal</b>. De fato, em cosmologia contempor&acirc;nea    temos uma sensa&ccedil;&atilde;o an&aacute;loga &agrave; dos argonautas ao sa&iacute;rem    do porto, desta vez como crono-argonautas, rumo &agrave; C&oacute;lquida das    origens do Universo.</p>     <p>J&aacute; &eacute; trivial afirmar-se que a estrela que vemos, bem pode n&atilde;o    estar mais l&aacute;. As dist&acirc;ncias sempre s&atilde;o t&atilde;o grandes    em astronomia, que a pr&oacute;pria luz, mesmo propagando-se a 300 mil km/s,    tarda anos ou s&eacute;culos para chegar de uma estrela at&eacute; n&oacute;s.    Da&iacute; falarmos em dist&acirc;ncias-tempo, como o ano-luz, a dist&acirc;ncia    percorrida pela luz em um ano, ou seja, 9,46 trilh&otilde;es de km. No caso    de uma estrela, ela provavelmente est&aacute; l&aacute;, pois o seu tempo de    vida &eacute;, no m&iacute;nimo, alguns milh&otilde;es de anos e as estrelas    mais distantes que observamos a olho nu est&atilde;o, no m&aacute;ximo, h&aacute;    algumas centenas de anos-luz de n&oacute;s, isto &eacute;, a luz viajou durante    algumas centenas de anos desde que partiu daquela estrela. Neste prazo, ridiculamente    curto segundo o cron&ocirc;metro da evolu&ccedil;&atilde;o estelar, seria uma    improbabilidade a morte gloriosa de uma estrela. (2)</p>     <p>Por&eacute;m, muito al&eacute;m do nosso quintal das estrelas vis&iacute;veis    a olho nu, no reino das gal&aacute;xias extremamente remotas, a situa&ccedil;&atilde;o    &eacute; radicalmente diferente. Para observa&ccedil;&otilde;es de gal&aacute;xias    mais distantes, t&atilde;o long&iacute;nquas que a luz viajou v&aacute;rios    bilh&otilde;es de anos at&eacute; nos alcan&ccedil;ar, estrelas j&aacute; teriam    morrido e gal&aacute;xias se transformado durante a jornada da luz at&eacute;    n&oacute;s. Por&eacute;m, mais fascinante do que isso, estar&iacute;amos vendo    um universo que n&atilde;o &eacute; o mesmo que aquele de hoje em dia. Isto    porque o Universo tem uma idade! Se o Universo tem uma idade entre 13 e 20 bilh&otilde;es    de anos, quando fazemos uma observa&ccedil;&atilde;o muito profunda mergulhamos    no passado e estaremos vendo o Universo quando era jovem. Tomando alguns n&uacute;meros    como exemplo: se o tempo de viagem da luz at&eacute; uma gal&aacute;xia muito    distante &eacute; de 10 bilh&otilde;es de anos e a idade do Universo &eacute;    de 13 bilh&otilde;es de anos, estaremos vendo aquela gal&aacute;xia imersa em    um Universo com 3 bilh&otilde;es de anos, cerca de um quarto da idade que tem    hoje. As gal&aacute;xias mais distantes permitem que sondemos o nosso passado    mais remoto. Elas permitem que fa&ccedil;amos um retrato do Universo quando    jovem.</p>     <p>Alexandre Koyr&eacute; identifica a revolu&ccedil;&atilde;o galileana, que    fundou a ci&ecirc;ncia cl&aacute;ssica, com a geometriza&ccedil;&atilde;o do    mundo e a destrui&ccedil;&atilde;o do cosmos. (3) De fato, nos quase tr&ecirc;s    s&eacute;culos desde Galileu at&eacute; o princ&iacute;pio do s&eacute;culo    XX, n&atilde;o se fez cosmologia plenamente dentro do programa de matematiza&ccedil;&atilde;o    do real. O Universo n&atilde;o &eacute; visto como um Cosmos com n&iacute;veis    de organiza&ccedil;&atilde;o, mas sim como uma repeti&ccedil;&atilde;o mon&oacute;tona    <i>ad infinitum</i> de uma por&ccedil;&atilde;o local. Paralelamente, a dimens&atilde;o    temporal foi retirada das considera&ccedil;&otilde;es sobre o Universo. O cotidiano    tamb&eacute;m &eacute; estendido indefinidamente, tanto em dire&ccedil;&atilde;o    ao passado, como em dire&ccedil;&atilde;o ao futuro. N&atilde;o faria sentido    falar em origens, em uma idade do Universo. O tempo s&oacute; foi re-introduzido    nas considera&ccedil;&otilde;es do Universo em 1917, quando Einstein aplicou    a Teoria da Relatividade Geral, rec&eacute;m-desenvolvida em 1915, na constru&ccedil;&atilde;o    das suas equa&ccedil;&otilde;es cosmol&oacute;gicas. (4)</p>     <p>Contudo, Einstein estava imerso numa ambi&ecirc;ncia cultural que ecoava Arist&oacute;teles    ao negar uma origem no tempo para o Universo. Assim, o primeiro Universo modelo    que Einstein prop&ocirc;s era est&aacute;tico e fechado. Esta n&atilde;o era    uma tarefa banal. A mat&eacute;ria exerce uma onipresente for&ccedil;a gravitacional    que arrasta o Universo para o colapso sob o seu pr&oacute;prio peso.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mesmo Newton j&aacute; havia percebido a possibilidade do colapso gravitacional    do Universo. Em 1717 escreveu no <i>Astronomical principles of religion</i>    que "a menos que um Poder Miraculoso se interponha para impedi-lo", as estrelas    "se aproximar&atilde;o cada vez mais do Centro comum de toda a sua Gravidade"    e "em um N&uacute;mero suficiente de Anos, encontrar-se-&atilde;o no mesmo Centro    comum, promovendo a inteira Destrui&ccedil;&atilde;o de todo o Universo". (5)    Talvez por horror, Newton evitou calcular o tempo para o colapso gravitacional.    Em 1902, William Thomson (Lord Kelvin) fez o primeiro c&aacute;lculo de colapso    gravitacional. Considerando um sistema esf&eacute;rico (por exemplo, uma nuvem    de estrelas) sob a a&ccedil;&atilde;o do seu pr&oacute;prio peso, o tempo de    colapso dependeria apenas da densidade n do sistema e da constante da gravita&ccedil;&atilde;o    G, atrav&eacute;s da express&atilde;o t<sub>col</sub> = (3<font face="Symbol">p</font>/32Gn)<sup>1/2</sup>.    Se cada estrela do tipo do Sol ocupar uma esfera com 10 anos-luz de raio, o    tempo de colapso ser&aacute; de 90 milh&otilde;es de anos.</p>     <p>Assim, em seu modelo cosmol&oacute;gico de 1917, para evitar o irresist&iacute;vel    colapso gravitacional e manter o seu Universo est&aacute;tico, Einstein introduziu    a sua famosa constante cosmol&oacute;gica <font face="Symbol">L</font>. O termo    <font face="Symbol">L</font> representaria uma for&ccedil;a repulsiva universal    em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; for&ccedil;a atrativa da gravita&ccedil;&atilde;o.    A grande dificuldade &eacute; que seu valor teria que ser sintonizado com precis&atilde;o    completa para que o Universo permanecesse est&aacute;tico, em perfeito balan&ccedil;o    entre a atra&ccedil;&atilde;o gravitacional e a repuls&atilde;o devida a <font face="Symbol">L</font>.</p>     <p>Contudo, as equa&ccedil;&otilde;es cosmol&oacute;gicas de Einstein admitiam    outras solu&ccedil;&otilde;es al&eacute;m do seu Universo est&aacute;tico e    que evitariam o colapso. Em 1922, o matem&aacute;tico russo Alexander Friedmann    desenvolveu modelos cosmol&oacute;gicos sem constante cosmol&oacute;gica. Nestes    modelos, o colapso seria evitado se o Universo estivesse em expans&atilde;o    no momento atual. Se a taxa de expans&atilde;o fosse superior a um valor determinado    pela densidade m&eacute;dia do Universo, ou, vice-versa, se a densidade fosse    inferior a uma densidade cr&iacute;tica calculada com base na taxa de expans&atilde;o,    o Universo seria desacelerado, por&eacute;m, jamais reverteria a sua expans&atilde;o    em colapso, mas continuaria a se expandir para sempre. No fim da d&eacute;cada,    o modelo de Friedmann encontra a sua confirma&ccedil;&atilde;o espetacular na    descoberta da expans&atilde;o do Universo.</p>     <p>Em 1929, Edwin Hubble descobre em Monte Wilson a expans&atilde;o do Universo,    o primeiro dos pilares da Cosmologia moderna. Hubble verificou que as gal&aacute;xias    distantes est&atilde;o todas se afastando da nossa gal&aacute;xia. E mais, a    velocidade de recess&atilde;o &eacute; proporcional &agrave; dist&acirc;ncia    da gal&aacute;xia at&eacute; a nossa gal&aacute;xia, o que &eacute; conhecido    como a <b>lei de Hubble</b>, v = H<sub>0</sub>d, onde v &eacute; a velocidade    de recess&atilde;o, d, a dist&acirc;ncia, e H<sub>0</sub> &eacute; a chamada    constante de Hubble. Esta descoberta p&ocirc;de ser compreendida dentro do modelo    cosmol&oacute;gico de Friedmann. Em cada ponto do Universo, o observador veria    o restante do Universo expandindo-se em torno dele, sendo que a velocidade de    expans&atilde;o seria, em primeira aproxima&ccedil;&atilde;o, proporcional &agrave;    dist&acirc;ncia entre o observador e o ponto sob a mira deste. E a densidade    cr&iacute;tica, acima da qual o Universo reverteria a sua expans&atilde;o em    colapso, &eacute; escrita em termos da constante de Hubble como n<sub>c</sub>    = 3H<sub>0</sub><sup>2</sup>/8<font face="Symbol">p</font>G. O valor bem-aceito    atualmente de H<sub>0</sub> = 70 km/s/Mpc (um Mpc, megaparsec, &eacute; igual    a 3,26 milh&otilde;es de anos-luz) implica um valor de n<sub>c</sub> = 2,3x10<sup>-30</sup>    g/cm<sup>3</sup>, equivalente a 1,4 &aacute;tomos de H por m<sup>3</sup>. Al&eacute;m    disso, a geometria do espa&ccedil;o &eacute; determinada pelo valor da densidade    do Universo, pois a Teoria da Relatividade Geral comporta geometrias n&atilde;o-euclidianas.    Nelas, por exemplo, os &acirc;ngulos de um tri&acirc;ngulo n&atilde;o somam    180<sup>o</sup>, como na familiar geometria plana de Euclides. Se a densidade    m&eacute;dia do Universo for inferior &agrave; densidade cr&iacute;tica, a geometria    ser&aacute; hiperb&oacute;lica (soma dos &acirc;ngulos de um tri&acirc;ngulo    inferior a 180<sup>o</sup>), caso seja maior, ser&aacute; esf&eacute;rica (soma    dos &acirc;ngulos de um tri&acirc;ngulo superior a 180<sup>o</sup>). Uma densidade    igual &agrave; densidade cr&iacute;tica implica uma geometria plana (euclidiana).    Al&eacute;m disso, dada a identidade massa-energia da Teoria da Relatividade,    a densidade cr&iacute;tica &eacute; tamb&eacute;m uma densidade de energia.</p>     <p>O modelo de Friedmann n&atilde;o necessitava termo cosmol&oacute;gico, pois    bastaria considerar-se a expans&atilde;o do Universo para evitar o seu colapso.    Al&eacute;m disso, nada impedia que o Universo apresentasse uma densidade m&eacute;dia    superior &agrave; densidade cr&iacute;tica, o que levaria ao seu futuro fim    em um colapso c&oacute;smico. Assim, em 1931, Einstein declarou que a constante    cosmol&oacute;gica foi a sua maior <b>besteira</b> (<i>gr&ouml;sste Eselei</i>).</p>     <p>Contudo, no drama c&oacute;smico, temos reviravoltas o tempo todo. Em 1998,    a constante cosmol&oacute;gica foi ressuscitada pelas observa&ccedil;&otilde;es    da expans&atilde;o do Universo, reveladas pelas observa&ccedil;&otilde;es de    supernovas distantes realizadas por duas equipes de astr&ocirc;nomos (6). N&atilde;o    s&oacute; o Universo estava em expans&atilde;o, o que se sabia desde o tempo    de Hubble, mas, surpresa! a expans&atilde;o &eacute; acelerada. Ora, a gravidade,    que &eacute; a &uacute;nica for&ccedil;a que comparece no modelo de Friedmann,    s&oacute; desacelera. Portanto, havia necessidade de um termo de acelera&ccedil;&atilde;o,    que &eacute; exatamente o que Einstein havia proposto em seu termo cosmol&oacute;gico.    E mais, enquanto que na proposta original de Einstein, a constante cosmol&oacute;gica    equilibrava a atra&ccedil;&atilde;o gravitacional, agora, a acelera&ccedil;&atilde;o    observada implica que o termo cosmol&oacute;gico domina sobre o termo gravitacional.    Para sermos mais precisos, temos a seguinte receita para o Universo: energia    escura (respons&aacute;vel pela repuls&atilde;o universal), cerca de 70 % da    densidade cr&iacute;tica; mat&eacute;ria (respons&aacute;vel pela atra&ccedil;&atilde;o    gravitacional), 30 % da densidade cr&iacute;tica.</p>     <p>A expans&atilde;o do Universo tem profundas conseq&uuml;&ecirc;ncias. Podemos    reverter a sua expans&atilde;o se olharmos em dire&ccedil;&atilde;o ao passado.    Haver&aacute; um momento no passado em que o Universo que conhecemos est&aacute;    concentrado em um ponto. Contra o pensamento cl&aacute;ssico, portanto, o Universo    tem uma origem, o Universo tem uma idade! A dimens&atilde;o temporal &eacute;    introduzida na descri&ccedil;&atilde;o do Cosmos como um todo. O Universo tem    uma hist&oacute;ria.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14811q1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dado um modelo cosmol&oacute;gico, podemos estimar a idade do Universo a partir    de H<sub>0</sub>, a constante de Hubble. H<sub>0</sub> &eacute; uma taxa de    expans&atilde;o (velocidade/dist&acirc;ncia) ent&atilde;o o seu inverso, H<sub>0</sub><sup>-1</sup>,    &eacute; um tempo, o chamado tempo de Hubble (para H<sub>0</sub> = 70 km/s/Mpc,    o tempo de Hubble &eacute; de 14 bilh&otilde;es de anos). Nos modelos de Friedmann,    a expans&atilde;o universal est&aacute; sempre em desacelera&ccedil;&atilde;o,    o que implica que a idade do Universo &eacute; sempre menor do que o tempo de    Hubble. Ora, as idades dos aglomerados globulares mais antigos da gal&aacute;xia    s&atilde;o da ordem de 13 bilh&otilde;es de anos, e, portanto, o Universo deve    ser mais antigo do que isso. Se considerarmos o modelo padr&atilde;o de Friedmann,    em que a densidade do Universo &eacute; exatamente igual &agrave; densidade    cr&iacute;tica, temos uma s&eacute;ria discrep&acirc;ncia, j&aacute; que a idade    do Universo &eacute; t = 2/3 H<sub>0</sub><sup>-1</sup>, ou seja, 9,3 bilh&otilde;es    de anos. Neste caso, tamb&eacute;m a <b>ressurrei&ccedil;&atilde;o</b> da constante    cosmol&oacute;gica vem a calhar, pois ela tende a tornar o Universo mais antigo.    Assim, com a nossa <b>receita</b> para o Universo, energia escura = 70% da densidade    cr&iacute;tica + mat&eacute;ria = 30% da densidade cr&iacute;tica, a idade do    Universo &eacute; 13,5 bilh&otilde;es de anos (7).</p>     <p>Falamos de dist&acirc;ncias (10 bilh&otilde;es de anos-luz) e de idade do Universo    (13 bilh&otilde;es de anos), mas, na realidade, n&atilde;o conhecemos diretamente    nem uma coisa nem outra. Por um lado, a idade do Universo &eacute; uma das quantidades    fundamentais que procuramos saber dentro dos estudos de cosmologia. Por outro    lado, as dist&acirc;ncias perdem o significado habitual quando fazemos observa&ccedil;&otilde;es    profundas. Em virtude da descri&ccedil;&atilde;o do Universo, como um todo,    exigir a Teoria da Relatividade Geral, que comporta geometrias n&atilde;o-euclidianas    e um espa&ccedil;o n&atilde;o-est&aacute;tico, as diversas defini&ccedil;&otilde;es    de dist&acirc;ncia, coincidentes em um cosmos est&aacute;tico e euclidiano,    divergem entre si. A dist&acirc;ncia, qualquer que seja a sua defini&ccedil;&atilde;o,    depende de um laborioso construir que envolve graus diversos de incerteza, e,    no caso da astronomia extragal&aacute;ctica, um grande n&uacute;mero de passos    intermedi&aacute;rios. Envolve, tamb&eacute;m, eleger algum padr&atilde;o intr&iacute;nseco    para o objeto observado, quer seja fotom&eacute;trico, como a luminosidade de    supernovas de tipo Ia, para determinar a dist&acirc;ncia luminosidade, quer    seja m&eacute;trico-linear, como a separa&ccedil;&atilde;o de radiofontes, para    determinar a dist&acirc;ncia di&acirc;metro angular (8).</p>     <p>No caso da express&atilde;o original da lei de Hubble, trata-se da dist&acirc;ncia-luminosidade,    isto &eacute;, a que relaciona a luminosidade do objeto (energia emitida por    unidade de tempo) e o fluxo medido pelo observador (energia por unidade de tempo    e por unidade de &aacute;rea). Como seria de se esperar, a dist&acirc;ncia-luminosidade    (dada pela raz&atilde;o entre a luminosidade e o fluxo) aumenta para objetos    cada vez mais distantes, ou seja, o fluxo emitido por uma gal&aacute;xia diminui    para objetos mais distantes. Um outro tipo de dist&acirc;ncia &eacute; medida    pela raz&atilde;o entre o di&acirc;metro linear do objeto observado e seu di&acirc;metro    angular, isto &eacute;, o &acirc;ngulo cujo v&eacute;rtice &eacute; o observador    e os lados que atingem as extremidades opostas do objeto observado. Em um Universo    plano e est&aacute;tico, quanto mais distante a gal&aacute;xia, menor seu di&acirc;metro    angular. Entretanto, no Universo em expans&atilde;o, em um total desafio ao    bom senso euclidiano, o di&acirc;metro angular aparente primeiro diminui com    a dist&acirc;ncia e depois volta a crescer! No caso do nosso Universo predileto    (energia escura = 70% da densidade cr&iacute;tica + mat&eacute;ria = 30% da    densidade cr&iacute;tica), o di&acirc;metro angular m&iacute;nimo ocorre para    o <i>redshift</i> z=1,59.</p>     <p>Retornando &agrave; lei de Hubble, o que &eacute; a velocidade que l&aacute;    comparece? Na realidade, o que observamos n&atilde;o &eacute; a velocidade,    mas o chamado <i>redshift</i>, normalmente denotado por z. <i>Redshift</i>,    ou desvio para o vermelho, &eacute; uma medida do aumento do comprimento de    onda da emiss&atilde;o eletromagn&eacute;tica quando a fonte se afasta do observador.    Sua defini&ccedil;&atilde;o &eacute; z = (L - L<sub>0</sub>)/L<sub>0</sub>,    onde L &eacute; o comprimento de onda observado e L<sub>0</sub> &eacute; o comprimento    de onda em repouso (tamb&eacute;m chamado de comprimento de onda de laborat&oacute;rio)    da emiss&atilde;o considerada. O comprimento de onda de laborat&oacute;rio &eacute;    obtido ao identificarmos no espectro do objeto observado, linhas espectrais    conhecidas, como por exemplo, as linhas da s&eacute;rie de Balmer ou da s&eacute;rie    de Lyman do hidrog&ecirc;nio. Assim, obtemos o <i>redshift</i>, que este sim,    tem o <b>status</b> de quantidade diretamente observ&aacute;vel. A velocidade    &eacute; obtida a partir do efeito Doppler, relacionando o componente radial    da velocidade ao <i>redshift</i>. Por&eacute;m, no limite n&atilde;o-relativ&iacute;stico,    apenas a partir do espectro de um objeto (estrela, gal&aacute;xia ou quasar)    podemos obter a sua velocidade radial (o componente da sua velocidade ao longo    da linha de visada), embora n&atilde;o tenhamos nenhuma informa&ccedil;&atilde;o    a respeito da velocidade tangencial (&agrave; linha de visada). Neste caso,    v<sub>r</sub> = cz, (v<sub>r</sub> &eacute; a velocidade radial) e esta &eacute;    a velocidade que comparece na forma original da lei de Hubble, que &eacute;    v&aacute;lida apenas para baixos <i>redshifts</i>. Se o objeto est&aacute; se    afastando de n&oacute;s, o comprimento de onda de sua emiss&atilde;o aumenta,    e dizemos que ele apresenta um <i>redshift</i>. Por outro lado, no caso de aproxima&ccedil;&atilde;o,    o comprimento de onda diminui, ou seja, ele apresenta um blueshift, ou desvio    para o azul. <i>Redshift</i> e <i>blueshift</i> s&atilde;o refer&ecirc;ncias    a denomina&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ricas de deslocamentos para as partes    vermelhas (de comprimentos de onda mais longos) e azul (de comprimentos de onda    mais curtos) do espectro. Como todas as gal&aacute;xias, com exce&ccedil;&atilde;o    das gal&aacute;xias mais pr&oacute;ximas (aquelas, digamos, com dist&acirc;ncias    inferiores a 10 Mpc), est&atilde;o se afastando de n&oacute;s, empregamos <i>redshift</i>    para caracterizar as dist&acirc;ncias &agrave;s gal&aacute;xias. Desse modo    os astr&ocirc;nomos podem dizer que uma gal&aacute;xia relativamente pr&oacute;xima,    por exemplo, M87, encontra-se a uma dist&acirc;ncia de 15 Mpc, por&eacute;m    dizem que o quasar 3C 273 encontra-se a um <i>redshift</i> z = 0,158.</p>     <p>O <i>redshift</i> cosmol&oacute;gico, aquele resultante da expans&atilde;o    do Universo, admite outra interpreta&ccedil;&atilde;o al&eacute;m da cinem&aacute;tica,    em termos de velocidades. O <i>redshift</i> &eacute; uma medida direta do fator    de expans&atilde;o do Universo desde a &eacute;poca em que o f&oacute;ton foi    emitido pelo objeto at&eacute; o instante em que ele foi captado pelo telesc&oacute;pio    do astr&ocirc;nomo. Entre os seus afazeres, a cosmologia busca associar uma    idade a cada fator de expans&atilde;o diretamente observado, ou seja a cada    <i>redshift.</i> A rela&ccedil;&atilde;o entre <i>redshift</i> e idade depende    principalmente de tr&ecirc;s quantidades: o valor da taxa de expans&atilde;o    do Universo nos dias de hoje, ou seja, a constante de Hubble, H0; a quantidade    de energia presente em mat&eacute;ria (atrativa); e a quantidade de energia    sob forma repulsiva (v&aacute;cuo). Uma das tarefas da cosmologia observacional    &eacute; conhecer estas tr&ecirc;s quantidades. Uma tarefa que ser&aacute; muito    facilitada se tivermos ao nosso dispor objetos os mais distantes poss&iacute;veis    (maiores <i>redshifts</i>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14811q2.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A partir de uma determinada profundidade de observa&ccedil;&atilde;o, ou seja,    a partir de uma determinada faixa de <i>redshifts</i>, a natureza da nossa medida    de <b>remoto</b>, vira do avesso, passando de uma escala espacial, de coisas    cada vez mais distantes, para uma escala temporal, ou seja, de uma contagem    regressiva rumo &agrave;s origens. Assim, para o nossa padr&atilde;o de Universo    (energia escura = 70% da densidade cr&iacute;tica + mat&eacute;ria = 30% da    densidade cr&iacute;tica), nos encontramos em um Universo com metade da idade    atual em um <i>redshift</i> z = 0,78.</p>     <p>Como o Universo tem uma hist&oacute;ria, ele pode passar por fases distintas    umas das outras. Esta &eacute; a id&eacute;ia por traz do <b>Big Bang</b>, formulado    por George Gamow. Gamow percebeu que um Universo muito jovem seria muito denso    e quente. Ele todo seria semelhante ao interior de uma bomba de hidrog&ecirc;nio,    onde hidrog&ecirc;nio &eacute; fundido em h&eacute;lio. Portanto, neste Universo    primitivo, estaria ocorrendo a n&uacute;cleo-s&iacute;ntese primordial, onde    estariam sendo formados os elementos que vemos hoje em dia, a partir de uma    massa de pr&oacute;tons e neutrons. C&aacute;lculos posteriores demonstraram    que o Universo se expandia muito r&aacute;pido, e que n&atilde;o era denso o    suficiente para formar todos os elementos. Durante o <b>Big Bang</b> seriam    formados is&oacute;topos de hidrog&ecirc;nio, h&eacute;lio e l&iacute;tio. Os    demais elementos seriam formados durante a n&uacute;cleo-s&iacute;ntese estelar:    no interior de estrelas os elementos seriam fundidos al&eacute;m do H&eacute;lio,    em Carbono e elementos mais pesados. Desse modo, os elementos qu&iacute;micos    v&atilde;o sendo formados. Foi desta maneira que o conceito de evolu&ccedil;&atilde;o    tamb&eacute;m faz sua entrada no campo do Cosmos. Gamow faz uma intencional,    e bem-humorada cita&ccedil;&atilde;o de <i>A origem das esp&eacute;cies</i>,    de Darwin, ao intitular o seu artigo, onde define a n&uacute;cleo-s&iacute;ntese    primordial de <i>A origem dos elementos qu&iacute;micos</i> (9).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Refazer a hist&oacute;ria do Universo &eacute; nos perguntarmos se aquilo que    existe agora sempre existiu, &eacute; nos perguntarmos pela origem daquilo que    normalmente damos por certo. Os n&uacute;cleos at&ocirc;micos, os elementos    qu&iacute;micos, n&atilde;o existiram sempre. Os primeiros n&uacute;cleos nascem    durante a era da n&uacute;cleo-s&iacute;ntese primordial, quando o Universo    tem entre 1 e 100s de idade. Antes de 1s, a temperatura era superior a 10<sup>10</sup>    K e qualquer n&uacute;cleo presente seria imediatamente destru&iacute;do. Ap&oacute;s    100s, a temperatura cai abaixo de 10<sup>9</sup> K e a densidade torna-se muito    baixa para que a n&uacute;cleo-s&iacute;ntese prossiga.</p>     <p>Os &aacute;tomos tamb&eacute;m n&atilde;o existiram sempre. Durante um determinado    per&iacute;odo, de 100s at&eacute; 300 000 anos, o Universo n&atilde;o produziu    nenhum novo elemento e ele era t&atilde;o quente que era preenchido por um plasma    constitu&iacute;do por el&eacute;trons livres e n&uacute;cleos. Em 300 000 anos,    a temperatura se reduz a 3000 K, frio o suficiente para que os el&eacute;trons    se recombinem com os pr&oacute;tons e se formem os primeiros &aacute;tomos de    hidrog&ecirc;nio. Esta &eacute; a &eacute;poca da recombina&ccedil;&atilde;o,    durante a qual nascem os &aacute;tomos. Ela marca o limite do Universo observ&aacute;vel    com radia&ccedil;&atilde;o, pois antes dessa era, o Universo &eacute; opaco    &agrave; radia&ccedil;&atilde;o porque os el&eacute;trons livres s&atilde;o    bons absorvedores. Tamb&eacute;m &eacute; ap&oacute;s essa &eacute;poca que    podem se desenvolver as inomogeneidades da mat&eacute;ria, que antes seriam    varridas pelo campo de radia&ccedil;&atilde;o. Inomogeneidades que se desenvolver&atilde;o    em estrelas, gal&aacute;xias, aglomerados de gal&aacute;xias e planetas.</p>     <p>Quando o Universo tem cerca de 100 milh&otilde;es de anos aparecem as primeiras    estrelas, e, com a morte das primeiras estrelas, nascem os primeiros elementos    pesados, do carbono em diante. E podemos construir um rel&oacute;gio baseado    na sua evolu&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica para dizer a idade do Universo.    Em uma dezena de milh&atilde;o de anos, as primeiras estrelas explodem magnificamente    como supernovas de tipo II, que liberam grandes quantidades de oxig&ecirc;nio    e um pouco de ferro. Elementos que nunca existiram antes, passam a existir.    Grandes quantidades de ferro t&ecirc;m que esperar v&aacute;rias centenas de    milh&otilde;es de anos para serem produzidas pelas supernovas de tipo Ia, de    vida bem mais longa. A raz&atilde;o oxig&ecirc;nio sobre ferro pode ser usada    para determinar a idade das gal&aacute;xias que alojam essas estrelas. Objetos    bem jovens s&oacute; podem apresentar essa raz&atilde;o elevada. J&aacute; uma    raz&atilde;o mais baixa, devido &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de ferro por    supernovas de tipo Ia, denota objetos mais maduros, j&aacute; beirando um bilh&atilde;o    de anos de idade, ou mais velhos. As raz&otilde;es de abund&acirc;ncias dos    elementos em gal&aacute;xias nos fornecem, deste modo, rel&oacute;gios qu&iacute;micos    para mensurar a idade do Universo (10).</p>     <p>A hist&oacute;ria do Universo &eacute; a hist&oacute;ria dos passos em dire&ccedil;&atilde;o    &agrave; complexidade crescente. &Agrave; medida que o Universo passa por diversas    eras e &eacute;pocas, v&atilde;o se constituindo as novidades, cujo ac&uacute;mulo    faz com que o Universo seja habit&aacute;vel. Antes, muito antes dos n&uacute;cleons    e dos &aacute;tomos serem produzidos, uma ligeira assimetria entre mat&eacute;ria    e antimat&eacute;ria fez com que a cada bilh&atilde;o de aniquila&ccedil;&otilde;es    mat&eacute;ria-antimat&eacute;ria, uma part&iacute;cula de mat&eacute;ria sobrevivesse.    E a&iacute; temos o nascimento da mat&eacute;ria. Do outro lado do tempo, depois    das primeiras estrelas terem nascido, os elementos abundantes, carbono, oxig&ecirc;nio    e nitrog&ecirc;nio, se reuniram com o hidrog&ecirc;nio e outros elementos e    nasceram as primeiras mol&eacute;culas complexas. E depois, n&atilde;o se sabe    se muito depois, nasce a vida.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i><b>Am&acirc;ncio Fria&ccedil;a</b> &eacute; astr&ocirc;nomo e professor    associado do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geof&iacute;sica    e Ci&ecirc;ncias Atmosf&eacute;ricas da USP.</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas e refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>1 Borges, J. L. <i>Nova antologia pessoal</i>. Rio de Janeiro, Ed. Sabi&aacute;,    1969.<!-- ref --><p>2 Damineli Neto, Augusto. <i>In:</i> Fria&ccedil;a, A. C. S., Dal Pino, B.,    Sodr&eacute; Jr., L. e Jatenco-Pereira, V. (orgs.) <i>Astronomia: uma vis&atilde;o    geral do universo</i>. S&atilde;o Paulo, Edusp, 2000, pp. 137-164.     O tempo de    vida das estrelas &eacute; inversamente proporcional a sua massa. As estrelas    mais maci&ccedil;as, com 100 massas solares, terminam a sua evolu&ccedil;&atilde;o    em 3 milh&otilde;es de anos. J&aacute; o tempo de vida do Sol &eacute; de 10    bilh&otilde;es de anos.</p>     <!-- ref --><p>3 Koyr&eacute;, A. <i>&Eacute;tudes galil&eacute;ennes</i>. Paris, Hermann,    1966.<!-- ref --><p>4 Harrison, E. R. <i>Cosmology: the science of the universe</i>. New York,    Cambridge University Press, 1981.     Nesta obra encontramos um panorama do desenvolvimento    da cosmologia durante a primeira metade do s&eacute;culo XX.</p>     <!-- ref --><p>5 Harrison, E. R. <i>Physics Today</i>, fevereiro de 1986 , pp. 24-31.<!-- ref --><p>6 Perlmutter, S. <i>et al. Astrophysical Journal</i>, 1999, 517: 565.    <!-- ref --> Riess,    A.G. <i>et al. Astronomical Journal</i>, 1998, 116: 1009.     A descoberta de que    o Universo est&aacute; em expans&atilde;o acelerada foi considerada o <i>breakthrough    of the year</i> de 1998 pela revista <i>Science</i> (<i>Science</i>, 282: 2156-2157,    18 de dezembro de 1998). Note que o <i>breakthrough of the year</i> de 1997    havia sido a clonagem da ovelha Dolly.</p>     <p>7 Esta propor&ccedil;&atilde;o foi encontrada n&atilde;o s&oacute; pelos grupos    que estudavam a expans&atilde;o do Universo atrav&eacute;s de supernovas, mas    tamb&eacute;m a partir de medidas de flutua&ccedil;&otilde;es do fundo de microondas    c&oacute;smico, como as realizadas pelo <i>BOOMERang</i> (De Bernardis P. <i>et    al</i>., <i>Nature</i>, 2000, 404: 955).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>8 Hogg, David W. <a href="http://xxx.lanl.gov/archvivr/astro-ph">http://xxx.lanl.gov/archvivr/astro-ph</a>    artigo 9905116</p>     <!-- ref --><p>9 Alpher H., Bethe H., Gamow. Physical Review, 73: 803. 1948<!-- ref --><p>10 Fria&ccedil;a, A.C.S. e Terlevich. <i>Monthly Notices of Royal Astronomical    Society</i>, 1998, 298: 399.    <!-- ref --> Fria&ccedil;a, A.C.S. e Terlevich. <i>Monthly Notices    of Royal Astronomical Society</i>, 1998, 305: 90.    <!-- ref --> Fria&ccedil;a, A.C.S. e Terlevich.    <i>Monthly Notices of Royal Astronomical Society</i>, 2001, 325: 335. ]]></body><back>
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