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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/tp8.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4">T<small>EMPO: ESSE VELHO ESTRANHO CONHECIDO</small></font></b></p>     <p>Andr&eacute; Ferrer P. Martins e Jo&atilde;o Zanetic</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right">O tempo veste um traje diferente para cada papel que desempenha    em nosso pensamento.    <br>   <i>John Wheeler</i></p>     <p><font size=5><b>E</b></font>xiste um tempo &uacute;nico <b>real</b>, que    <b>flui</b> do passado em dire&ccedil;&atilde;o ao futuro, e que rege de algum    modo os fen&ocirc;menos do Universo? Seria o tempo, por outro lado, apenas uma    cria&ccedil;&atilde;o da nossa consci&ecirc;ncia, uma estrutura que projetamos    sobre os fen&ocirc;menos a fim de interpret&aacute;-los? Ou seria ele uma rela&ccedil;&atilde;o    entre coisas, concebido, medido e determinado a partir dos pr&oacute;prios fen&ocirc;menos    f&iacute;sicos? E mais: o que &eacute; o <i>agora</i>? Havia tempo antes do    <i>Big Bang</i>? Etc etc etc.</p>     <p>Qualquer pessoa n&atilde;o familiarizada com a hist&oacute;ria da F&iacute;sica    muitas vezes imagina que essa ci&ecirc;ncia tem nas suas bases conceitos definitivamente    elucidados. O tempo certamente seria um deles. Mas, como perceberemos pela leitura    deste breve artigo, o conceito de tempo tem uma longa hist&oacute;ria que parece    muito longe de seu final.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>C<small>OMO O TEMPO ENTRA NA HIST&Oacute;RIA?</small></b> Embora a id&eacute;ia    do fluir do tempo esteja conosco desde o come&ccedil;o dos tempos &#150; seja    l&aacute; o que isso significa &#150; aqui nos interessa o in&iacute;cio da sua    conceitua&ccedil;&atilde;o e medida. E isso deve ter ocorrido no per&iacute;odo    neol&iacute;tico quando, devido &agrave; necessidade de produzir mais alimentos,    provocada pela concentra&ccedil;&atilde;o de grupos humanos, surgem nas terras    f&eacute;rteis encontradas &agrave;s margens dos grandes rios as civiliza&ccedil;&otilde;es    da Mesopot&acirc;mia, Egito, Sum&eacute;ria, entre outras.</p>     <p>Ao lado das benesses oferecidas pelos rios, essas popula&ccedil;&otilde;es    sofriam quando ocorriam grandes inunda&ccedil;&otilde;es que tinham terr&iacute;veis    conseq&uuml;&ecirc;ncias. Os eg&iacute;pcios chegaram a construir os <b>nil&ocirc;metros</b>,    que marcavam a altura do rio, para poder prever a ocorr&ecirc;ncia de inunda&ccedil;&otilde;es    perigosas. Aos poucos essas popula&ccedil;&otilde;es foram aprendendo a associar    o ciclo de fertilidade do solo, fundamental para a nascente agricultura, ao    movimento c&iacute;clico dos corpos celestes. Dessa forma tornou-se poss&iacute;vel    medir os grandes intervalos de tempo a partir da constru&ccedil;&atilde;o de    calend&aacute;rios, o que possibilitava prever as &eacute;pocas da enchente,    da semeadura e da colheita, nomes das primeiras esta&ccedil;&otilde;es do ano.</p>     <p>Assim, a repeti&ccedil;&atilde;o do dia e da noite, as fases da lua, o movimento    do sol, das estrelas, e das estrelas errantes ou planetas, forneceram para essas    diferentes civiliza&ccedil;&otilde;es diversos modos de efetuar a medida do    passar do tempo. Plat&atilde;o fez o seguinte coment&aacute;rio sobre esse desenvolvimento:</p>     <p>"Se nunca tiv&eacute;ssemos visto as estrelas, o sol e o c&eacute;u, nenhuma    das palavras que pronunciamos sobre o Universo teria sido dita. Mas a vis&atilde;o    do dia e da noite, e dos meses, e as revolu&ccedil;&otilde;es dos anos, criaram    um n&uacute;mero e nos deram uma concep&ccedil;&atilde;o do tempo, e o poder    de indagar sobre a natureza do Universo." (1).</p>     <p>Na antiguidade o tempo vai ser estudado, entre outros, pelos gregos do s&eacute;culo    IV aC: Plat&atilde;o, que concebe o tempo cont&iacute;nuo <b>produzido</b> pela    rota&ccedil;&atilde;o dos corpos celestes, e Arist&oacute;teles, que pensa o    tempo como um coadjuvante no estudo do movimento. E, na Idade M&eacute;dia,    podemos destacar Santo Agostinho (354-430) e S&atilde;o Tom&aacute;s de Aquino    (1225-1274), que concebem que o tempo foi criado <b>junto</b> com o Universo.    J&aacute; no in&iacute;cio do s&eacute;culo XVII, no alvorecer da f&iacute;sica    cl&aacute;ssica, encontramos Galileu (1564-1642) que, rompendo com a f&iacute;sica    aristot&eacute;lica, incorpora definitivamente o tempo como protagonista no    estudo &#150; agora matematizado &#150; do movimento, abrindo o caminho para o    espa&ccedil;o e o tempo newtonianos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>T<small>EMPO ABSOLUTO X TEMPO RELATIVO: ORIGENS MAIS RECENTES</small></b>    A bem conhecida met&aacute;fora do espa&ccedil;o e do tempo compondo o <b>palco</b>    onde se desenrolam os fen&ocirc;menos f&iacute;sicos sintetiza com fidelidade    o papel por eles desempenhado no teatro newtoniano do mundo. Para Isaac Newton    (1642-1727), espa&ccedil;o e tempo t&ecirc;m exist&ecirc;ncia independente dos    objetos e dos fen&ocirc;menos f&iacute;sicos. Al&eacute;m disso, ele diferencia    nos <i>Principia</i> <b>tempo absoluto</b> de <b>tempo relativo</b>, sendo o    &uacute;ltimo uma medida do primeiro:</p>     <p>"I - O tempo absoluto, verdadeiro e matem&aacute;tico, por si mesmo e da sua    pr&oacute;pria natureza, flui uniformemente sem rela&ccedil;&atilde;o com qualquer    coisa externa e &eacute; tamb&eacute;m chamado de dura&ccedil;&atilde;o; o tempo    relativo, aparente e comum &eacute; alguma medida de dura&ccedil;&atilde;o percept&iacute;vel    e externa (seja ela exata ou n&atilde;o uniforme) que &eacute; obtida atrav&eacute;s    do movimento e que &eacute; normalmente usada no lugar do tempo verdadeiro,    tal como uma hora, um dia, um m&ecirc;s, um ano." (2).</p>     <p>Assim, o tempo absoluto de Newton, que n&atilde;o tem <b>rela&ccedil;&atilde;o    com qualquer coisa externa</b>, &eacute; uma pura abstra&ccedil;&atilde;o. &Eacute;    interessante, tamb&eacute;m, notar como a no&ccedil;&atilde;o de um <b>fluir    uniforme</b> permanece, at&eacute; os nossos dias, bastante presente na vis&atilde;o    <b>comum</b> sobre o tempo. Contempor&acirc;neo de Newton, Gottfried W. Leibniz    (1646-1716) contrap&ocirc;s-se a essa vis&atilde;o, defendendo que o tempo n&atilde;o    poderia ter exist&ecirc;ncia independente das coisas materiais. O tempo deveria    ser algo relativo, e n&atilde;o absoluto, pois o concebemos a partir da <b>ordem    sucessiva das coisas</b>. Em uma longa correspond&ecirc;ncia mantida durante    os anos de 1715 e 1716 com Samuel Clarke, disc&iacute;pulo de Newton, Leibniz    trata dessa e de outras quest&otilde;es referentes ao seu pensamento filos&oacute;fico    e religioso:</p>     <p>"Quanto a mim, deixei assentado mais de uma vez que, a meu ver, o espa&ccedil;o    &eacute; algo puramente relativo, como o tempo; a saber, na ordem das coexist&ecirc;ncias,    como o tempo na ordem das sucess&otilde;es. De fato, o espa&ccedil;o assinala    em termos de possibilidade uma ordem das coisas que existem ao mesmo tempo,    enquanto existem junto, sem entrar em seu modo de existir. E quando se v&ecirc;em    muitas coisas junto, percebe-se essa ordem das coisas entre si." (3).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Leibniz &eacute; considerado um precursor das cr&iacute;ticas ao tempo absoluto    da mec&acirc;nica, retomadas no s&eacute;culo XIX por Ernst Mach (1838-1916),    cuja obra influenciou fortemente o pensamento de Einstein.</p>     <p>Mach publicou em 1883 um importante tratado sobre o desenvolvimento hist&oacute;rico    da mec&acirc;nica, no qual a possibilidade de um tempo absoluto &eacute; negada.    Para o cientista alem&atilde;o, a pr&oacute;pria id&eacute;ia de tempo &eacute;    uma abstra&ccedil;&atilde;o, &agrave; qual chegamos pela varia&ccedil;&atilde;o    das coisas. N&atilde;o podemos afirmar, por exemplo, que o movimento de um p&ecirc;ndulo    ocorre no tempo. Percebemos esse movimento quando comparamos as sucessivas posi&ccedil;&otilde;es    do p&ecirc;ndulo com outros pontos (na Terra, por exemplo). Ainda que esses    pontos n&atilde;o existissem, a compara&ccedil;&atilde;o seria poss&iacute;vel    por meio de nossos pensamentos e sensa&ccedil;&otilde;es, que seriam diferentes    em cada momento. Para Mach, a nossa representa&ccedil;&atilde;o do tempo surge    a partir de uma correspond&ecirc;ncia entre o conte&uacute;do de nossa mem&oacute;ria    e o conte&uacute;do de nossa percep&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em sintonia com isso, um movimento s&oacute; seria interpretado como uniforme    quando comparado a outro movimento, tamb&eacute;m uniforme:</p>     <p>"A quest&atilde;o de que um movimento seja uniforme em si n&atilde;o tem nenhum    sentido. Muito menos podemos falar de um "tempo absoluto" (independente de toda    varia&ccedil;&atilde;o). Este tempo absoluto n&atilde;o pode ser medido por    nenhum movimento, n&atilde;o tem pois nenhum valor pr&aacute;tico nem cient&iacute;fico;    ningu&eacute;m est&aacute; autorizado a dizer que sabe algo dele; n&atilde;o    &eacute; sen&atilde;o um ocioso conceito <b>metaf&iacute;sico</b>." (4).</p>     <p>Mach n&atilde;o endere&ccedil;ava suas cr&iacute;ticas somente aos conceitos    de espa&ccedil;o e tempo da mec&acirc;nica de Newton, mas pretendia reformular    toda a ci&ecirc;ncia da mec&acirc;nica a partir apenas de conceitos <b>relacionais</b>,    ou seja, que n&atilde;o envolvessem quantidades <b>absolutas</b>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O <small>TEMPO NA TEORIA DA RELATIVIDADE</small></b> N&atilde;o foi no contexto    de uma cr&iacute;tica a esses conceitos que surgiu o conceito de <b>tempo relativo</b>    em 1905, com a Teoria da Relatividade Especial (TRE) de Albert Einstein (1879-1955).    O problema original de Einstein era compatibilizar o eletromagnetismo cl&aacute;ssico,    na formula&ccedil;&atilde;o de Maxwell-Lorentz, com o <b>princ&iacute;pio da    relatividade</b> da mec&acirc;nica, segundo o qual as leis da F&iacute;sica    devem ser invariantes segundo uma transforma&ccedil;&atilde;o de coordenadas    entre sistemas inerciais de refer&ecirc;ncia. Ao buscar uma solu&ccedil;&atilde;o    para esse problema, Einstein estabeleceu como postulado b&aacute;sico a <b>const&acirc;ncia    da velocidade da luz no v&aacute;cuo</b> <i>(c)</i>, conforme medida por qualquer    sistema de refer&ecirc;ncia inercial. Isso o levou a redefinir espa&ccedil;o    e tempo para tornar essa premissa &#150; e as equa&ccedil;&otilde;es de Maxwell    &#150; compat&iacute;veis com o <b>princ&iacute;pio da relatividade</b>. Surge    a partir da&iacute; uma nova entidade: o <b>espa&ccedil;o-tempo</b>. Nele, medidas    de tempo ou espa&ccedil;o n&atilde;o podem mais ser consideradas independentemente.</p>     <p>Consideremos, por exemplo, um determinado <b>evento</b> com coordenadas espa&ccedil;o-temporais    (x,y,z,t) relativas a um referencial inercial K. As coordenadas (x',y',z',t')    desse mesmo evento, relativas a outro sistema de refer&ecirc;ncia inercial K',    que se desloca com velocidade constante V em rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro    sistema, n&atilde;o obedecer&atilde;o mais as Transforma&ccedil;&otilde;es de    Galileu da mec&acirc;nica cl&aacute;ssica, mas sim as <i>Transforma&ccedil;&otilde;es    de Lorentz</i> (ver box <i>Mec&acirc;nica cl&aacute;ssica x relatividade</i>).    O <b>intervalo de tempo</b> entre dois eventos, medido num dos sistemas de refer&ecirc;ncia,    deixa de ser absoluto. Isso leva a uma relativiza&ccedil;&atilde;o do conceito    de <i>s</i><b>imultaneidade</b>, que passa a depender do sistema de refer&ecirc;ncia    do observador. Com essas novas id&eacute;ias, Einstein introduz a <b>dilata&ccedil;&atilde;o    do tempo</b>:</p>     <p>"Consideremos agora um rel&oacute;gio que marque segundos e que se encontra    em repouso no ponto inicial (x' = 0) de K'. Consideremos t' = 0 e t' = 1 duas    batidas consecutivas deste rel&oacute;gio. Para estas duas batidas, a [quarta    equa&ccedil;&atilde;o] das transforma&ccedil;&otilde;es de Lorentz [fornece]:    <img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14812x0.gif" align="absmiddle"></p>     <p>Observado a partir de K, o rel&oacute;gio est&aacute; em movimento com a velocidade    V; em rela&ccedil;&atilde;o a este corpo de refer&ecirc;ncia, entre duas de    suas batidas transcorre n&atilde;o um segundo, mas sim <img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14812x1.gif" align="top">    segundos, portanto um intervalo de tempo um pouco maior.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como conseq&uuml;&ecirc;ncia do seu movimento, o rel&oacute;gio anda um pouco    mais lento do que no estado de repouso." (5).</p>     <p>Dessa forma, a TRE problematizou nossa no&ccedil;&atilde;o <b>senso comum</b>    de <b>presente</b>. O que &eacute; o <b>agora</b> se o tempo &eacute; relativo?    O que &eacute; passado e futuro se eventos que j&aacute; ocorreram num referencial    ainda n&atilde;o foram detectados em outro?</p>     <p>Por outro lado, o espa&ccedil;o-tempo &eacute; afetado pela presen&ccedil;a    da <b>mat&eacute;ria</b>. Para incorporar a gravita&ccedil;&atilde;o no contexto    da Relatividade, Einstein apresenta em 1916 sua Teoria da Relatividade Geral    (TRG) que, entre outras coisas, estabelece a equival&ecirc;ncia entre movimentos    acelerados e a presen&ccedil;a de campos gravitacionais. Nesse novo contexto,    a estrutura do espa&ccedil;o-tempo &eacute; dada por sua <b>m&eacute;trica</b>,    sendo esta afetada pelo conte&uacute;do material do Universo, ou seja, j&aacute;    n&atilde;o se pode fazer uma distin&ccedil;&atilde;o entre <b>conte&uacute;do</b>    e <b>continente</b> (o que era v&aacute;lido tanto na mec&acirc;nica cl&aacute;ssica    quanto na TRE).</p>     <p>A TRG prev&ecirc; uma outra <b>dilata&ccedil;&atilde;o do tempo</b> na presen&ccedil;a    de um campo gravitacional. Rel&oacute;gios (ou processos at&ocirc;micos) pr&oacute;ximos    &agrave; superf&iacute;cie da Terra, por exemplo, andam mais lentamente do que    outros situados a grandes altitudes. Embora neste caso a diferen&ccedil;a seja    bastante pequena, experimentos para detectar tal varia&ccedil;&atilde;o j&aacute;    foram realizados com sucesso. No entanto, as principais conseq&uuml;&ecirc;ncias    e aplica&ccedil;&otilde;es da TRG encontram-se no &acirc;mbito da cosmologia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14812q1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Os diversos modelos cosmol&oacute;gicos surgidos com a TRG levam a teorias    e especula&ccedil;&otilde;es sobre a <b>origem do tempo</b> e a idade do Universo.    Dentro do chamado <b>modelo padr&atilde;o</b>, que estabelece a exist&ecirc;ncia    de um <i>Big Bang</i> h&aacute; cerca de 15 (20? 10?) bilh&otilde;es de anos,    a partir do qual o Universo conhecido iniciou uma expans&atilde;o que perdura    at&eacute; hoje, questiona-se se o pr&oacute;prio tempo nasceu na grande explos&atilde;o.</p>     <p>Outro aspecto bastante explorado, principalmente em artigos e livros de divulga&ccedil;&atilde;o,    &eacute; o fato da TRG n&atilde;o proibir as chamadas <b>viagens no tempo</b>,    ou seja, deforma&ccedil;&otilde;es espa&ccedil;o-temporais que permitam a um    <b>viajante</b> (uma part&iacute;cula subat&ocirc;mica, por exemplo) percorrer    uma trajet&oacute;ria (do <b>tipo-tempo</b>) fechada. Essa possibilidade te&oacute;rica    remete-nos imediatamente a paradoxos que desafiam nossa interpreta&ccedil;&atilde;o,    como a possibilidade de altera&ccedil;&atilde;o do passado.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>U<small>M POUCO SOBRE IRREVERSIBILIDADE</small></b> Se em nosso dia-a-dia    sabemos que <b>o tempo n&atilde;o volta atr&aacute;s</b>, as teorias f&iacute;sicas    parecem relutar a dar uma explica&ccedil;&atilde;o consensual a esse respeito.    A Mec&acirc;nica Cl&aacute;ssica, a Teoria da Relatividade e a Mec&acirc;nica    Qu&acirc;ntica s&atilde;o teorias <b>revers&iacute;veis temporalmente</b>, ou    seja, teorias cujas estruturas matem&aacute;ticas n&atilde;o fazem distin&ccedil;&atilde;o    entre t e &#150;t. Dito de outro modo, isso significa que se film&aacute;ssemos    um sistema puramente mec&acirc;nico, por exemplo, como um p&ecirc;ndulo que    oscila sem atrito, e exib&iacute;ssemos o filme <b>de tr&aacute;s para frente</b>,    ser&iacute;amos incapazes de diferenciar as duas situa&ccedil;&otilde;es (ambas    obedeceriam &agrave;s mesmas leis f&iacute;sicas). De modo semelhante, as equa&ccedil;&otilde;es    de Maxwell tamb&eacute;m n&atilde;o distinguem o passado do futuro, permitindo    que ondas eletromagn&eacute;ticas avancem ou retrocedam no tempo sem distin&ccedil;&atilde;o.    Um &aacute;tomo que absorve um f&oacute;ton pode ser visto como o inverso temporal    de um &aacute;tomo que emite um f&oacute;ton. Etc.</p>     <p>Tamb&eacute;m um dos princ&iacute;pios mais fundamentais da F&iacute;sica &#150;    o da conserva&ccedil;&atilde;o da energia &#150; n&atilde;o diferencia um sentido    preferencial para o tempo. Se v&iacute;ssemos os peda&ccedil;os de uma x&iacute;cara,    que se quebrou ao cair da mesa, juntarem-se espontaneamente e reconstitu&iacute;rem-na,    isso n&atilde;o violaria em nada o princ&iacute;pio de conserva&ccedil;&atilde;o    da energia. O que nos faz, ent&atilde;o, diferenciar o passado do futuro, e    atribuir uma <b>irreversibilidade</b> aos fen&ocirc;menos f&iacute;sicos?</p>     <p>Historicamente, a irreversibilidade sempre esteve associada &agrave; 2&ordf;    Lei da Termodin&acirc;mica e &agrave; id&eacute;ia de <b>entropia</b> (grandeza    vinculada ao n&uacute;mero de microestados de um sistema compat&iacute;veis    com um determinado macroestado, e cujo valor sempre cresce na dire&ccedil;&atilde;o    do equil&iacute;brio termodin&acirc;mico). Segundo uma tradi&ccedil;&atilde;o    que se iniciou no s&eacute;culo XIX com Ludwig Boltzmann (1844-1906), considerado    o fundador da mec&acirc;nica estat&iacute;stica, e continuou ao longo do s&eacute;culo    XX, principalmente nos trabalhos de Hans Reichenbach e Adolf Gr&uuml;nbaum,    o aumento da entropia nos sistemas chamados <b>quase-isolados</b>, e a conseq&uuml;ente    irreversibilidade f&iacute;sica, podem ser explicados por considera&ccedil;&otilde;es    de natureza probabil&iacute;stica: haveria uma maior probabilidade de ocorr&ecirc;ncia    de determinados estados microsc&oacute;picos compat&iacute;veis com a evolu&ccedil;&atilde;o    futura do sistema no sentido da entropia crescente, em contraposi&ccedil;&atilde;o    a uma probabilidade quase nula de ocorr&ecirc;ncia de outros estados, correspondentes    a um conjunto de condi&ccedil;&otilde;es iniciais preciso, que levasse &agrave;    <b>reversibilidade</b>.</p>     <p>Mais modernamente, o estudo dos sistemas dissipativos e da termodin&acirc;mica,    longe do equil&iacute;brio, trouxe novas id&eacute;ias para o centro desse debate.    Os <b>defensores da irreversibilidade</b> afirmam que as equa&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o-lineares que regem tais sistemas introduzem uma <b>flecha do tempo</b>,    e que h&aacute; correla&ccedil;&otilde;es (no n&iacute;vel microsc&oacute;pico)    que permitiriam descrever de forma assim&eacute;trica (em rela&ccedil;&atilde;o    ao tempo) os sistemas mais elementares tratados pela mec&acirc;nica estat&iacute;stica.</p>     <p>Seria a <b>flecha do tempo</b> resultado de algum processo mais elementar na    natureza? A F&iacute;sica de Part&iacute;culas Elementares parece responder    <b>sim</b> a essa indaga&ccedil;&atilde;o. Ao menos &eacute; o que indica o    estudo de um tipo de <i>m&eacute;son</i> criado em colis&otilde;es nucleares,    chamado <i>k&aacute;on</i>. O <i>k&aacute;on</i> neutro (ou K<sup>0</sup>) transforma-se    espontaneamente na sua antipart&iacute;cula (<i>antik&aacute;on</i> ou K-0),    e vice-versa. Embora a transforma&ccedil;&atilde;o <i>k&aacute;on-antik&aacute;on</i>    seja sim&eacute;trica &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o <i>antik&aacute;on-k&aacute;on</i>,    o <i>k&aacute;on</i> permanece mais tempo como antik&aacute;on do que como <i>k&aacute;on</i>.    Essa <b>assimetria</b> sugere a exist&ecirc;ncia de uma <b>flecha do tempo</b>    no mundo das part&iacute;culas elementares, privilegiando um dos processos de    decaimento ao inv&eacute;s do outro. Os f&iacute;sicos nucleares afirmam que    isso poderia, inclusive, explicar o predom&iacute;nio no Universo da mat&eacute;ria    sobre a antimat&eacute;ria.</p>     <p>Vejam a que ponto chegamos em nossa discuss&atilde;o! A quest&atilde;o do tempo    na f&iacute;sica &eacute; t&atilde;o fundamental e vasta que abrange praticamente    todas as suas sub&aacute;reas, da F&iacute;sica de part&iacute;culas &agrave;    cosmologia. E, &eacute; claro, transcende a pr&oacute;pria F&iacute;sica, instigando    fil&oacute;sofos, e alimentando o imagin&aacute;rio de poetas, escritores e    artistas em geral. &Eacute; o sempre eterno mist&eacute;rio do tempo...</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>E <small>O MUNDO QU&Acirc;NTICO?</small></b></p>     <p>Tempo e energia comp&otilde;em uma das rela&ccedil;&otilde;es de incerteza    de Heisenberg (<font face="Symbol">D</font>E<font face="Symbol">D</font>t <font face="Symbol">&sup3;</font>    h/2), desigualdade para a qual h&aacute; diversas interpreta&ccedil;&otilde;es,    todas de acordo com a id&eacute;ia mais geral de que estas grandezas n&atilde;o    podem ser, simultaneamente, conhecidas com precis&atilde;o arbitr&aacute;ria.</p>     <p>O indeterminismo qu&acirc;ntico, expresso nessa rela&ccedil;&atilde;o, deixa    sem resposta quest&otilde;es do tipo: quanto <b>tempo</b> leva um el&eacute;tron    para ir de um n&iacute;vel de energia a outro? <b>Quando</b> ele <b>salta</b>?    O princ&iacute;pio da incerteza n&atilde;o nos permite observar o &aacute;tomo    no <b>momento exato</b> de um decaimento, nem determinar sua <b>dura&ccedil;&atilde;o</b>.    A teoria fornece a dura&ccedil;&atilde;o <b>m&eacute;dia</b> de um estado excitado,    mas n&atilde;o diz <b>quando</b> um &aacute;tomo espec&iacute;fico ir&aacute;    decair. E n&atilde;o podemos esquecer que tudo o que pode ser <b>dito</b> no    mundo qu&acirc;ntico refere-se ao que pode ser <b>medido</b>, segundo <b>arranjos    experimentais</b> determinados. Quando falamos do tempo, por exemplo, devemos    ter em mente rel&oacute;gios <b>reais</b>, tamb&eacute;m sujeitos &agrave; imprecis&atilde;o    qu&acirc;ntica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Embora o indeterminismo tamb&eacute;m se aplique ao tempo, cabe apontar que    ele &eacute; um <b>par&acirc;metro num&eacute;rico</b> no formalismo qu&acirc;ntico,    diferentemente de outros <b>observ&aacute;veis</b> (como posi&ccedil;&atilde;o,    momento e energia), representados na teoria por <b>operadores</b>.</p>     <p>Uma outra quest&atilde;o que envolve a no&ccedil;&atilde;o temporal na mec&acirc;nica    qu&acirc;ntica diz respeito aos chamados "efeitos n&atilde;o-locais", cuja origem    hist&oacute;rica pode ser considerada a apresenta&ccedil;&atilde;o do paradoxo    de Einstein, Podolsky e Rosen (EPR) em 1935, cl&iacute;max do famoso debate    Einstein-Bohr sobre os fundamentos da teoria qu&acirc;ntica. No argumento te&oacute;rico    de EPR, dois sistemas qu&acirc;nticos que interagiram no passado encontram-se    agora separados por uma grande dist&acirc;ncia. O paradoxo consistiria no fato    de que a modifica&ccedil;&atilde;o de um dos sistemas implica uma mudan&ccedil;a    <b>instant&acirc;nea</b> (<font face="Symbol">D</font>t = 0) do outro, o que    significaria uma transmiss&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o a uma velocidade    maior do que c, contradizendo a Teoria da Relatividade.</p>     <p>Entretanto, resultados experimentais recentes evidenciaram que o tipo de correla&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o-local parece ocorrer de fato. Arranjos experimentais denominados    "apagadores qu&acirc;nticos" lidam com efeitos n&atilde;o-locais absolutamente    estranhos a nossa intui&ccedil;&atilde;o comum, onde parece ser poss&iacute;vel    <b>alterar o passado</b>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A <small>MEDIDA DO TEMPO</small></b></p>     <p>O nosso padr&atilde;o de medida do tempo, que desde a antiguidade tinha como    refer&ecirc;ncia o movimento de rota&ccedil;&atilde;o da Terra (1 segundo =    1/86.400 de um dia), passou, com o advento dos rel&oacute;gios at&ocirc;micos    em meados do s&eacute;culo passado, a ser referenciado no mundo sub-microsc&oacute;pico    regido pelas leis qu&acirc;nticas. Em 1967 o <b>segundo</b> foi redefinido como    sendo igual a 9.192.631.770 per&iacute;odos da radia&ccedil;&atilde;o emitida    ou absorvida na transi&ccedil;&atilde;o entre dois n&iacute;veis hiperfinos    do &aacute;tomo de C&eacute;sio-133.</p>     <p>Num rel&oacute;gio at&ocirc;mico t&iacute;pico, utiliza-se um campo magn&eacute;tico    apropriado para selecionar, de um feixe de vapor de C&eacute;sio, aqueles &aacute;tomos    capazes de absorver microondas de uma dada freq&uuml;&ecirc;ncia fundamental    <i>v</i><sub>0</sub>. Ap&oacute;s atravessar o campo de microondas, os &aacute;tomos    que sofreram a transi&ccedil;&atilde;o desejada s&atilde;o desviados por outro    campo magn&eacute;tico em dire&ccedil;&atilde;o a um detector. Um circuito de    retro-alimenta&ccedil;&atilde;o &eacute; usado para maximizar o n&uacute;mero    de &aacute;tomos que chegam ao detector, regulando a freq&uuml;&ecirc;ncia de    microondas cada vez que esse n&uacute;mero diminui. Dessa forma, essa freq&uuml;&ecirc;ncia    &eacute; mantida ajustada, dentro da maior precis&atilde;o poss&iacute;vel,    &agrave;quela freq&uuml;&ecirc;ncia <i>v</i><sub>0</sub>. Acopla-se a esse campo    de microondas um dispositivo eletr&ocirc;nico (<b>divisor de freq&uuml;&ecirc;ncias</b>)    que, essencialmente, faz a <b>contagem</b> dos pulsos, gerando <b>pulsos temporais</b>.    Dessa forma, por mais distante que isso possa parecer de uma compreens&atilde;o    <b>senso comum</b> do que &eacute; <b>um segundo</b>, estabelece-se a rela&ccedil;&atilde;o    9.192.631.770 per&iacute;odos da radia&ccedil;&atilde;o = 1 segundo (uma s&eacute;rie    de experimentos realizados entre 1955 e 1958 relacionou a freq&uuml;&ecirc;ncia    <i>v</i><sub>0</sub> com o segundo, conforme definido astronomicamente &agrave;    &eacute;poca).</p>     <p>Em diversos laborat&oacute;rios espalhados ao redor do mundo, rel&oacute;gios    at&ocirc;micos formam (e controlam) uma escala de tempo chamada Tempo At&ocirc;mico    Internacional (TAI). A coordena&ccedil;&atilde;o de um tempo internacional,    baseado nessa escala, &eacute; de responsabilidade do Bureau Internacional de    Pesos e Medidas, sediado na Fran&ccedil;a. H&aacute; ainda outras escalas de    tempo, baseadas no movimento de rota&ccedil;&atilde;o da Terra, e que s&atilde;o    mantidas coordenadas com o TAI por meio de uma outra escala, denominada Tempo    Universal Coordenado (UTC).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14812q1.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i><b>Andr&eacute; Ferrer P. Martins</b> &eacute; mestre em Ensino de F&iacute;sica,    da FEUSP/IFUSP</i></p>     <p><i><b>Jo&atilde;o Zanetic</b> &eacute; professor do IFUSP e doutor em Educa&ccedil;&atilde;o    pela FEUSP</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas e refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>1 Ferris, T. <i>O despertar da via l&aacute;ctea</i>. Campus: Rio de Janeiro,1990,    , p. 3.<!-- ref --><p>2 Newton, I. <i>Principia: princ&iacute;pios matem&aacute;ticos de filosofia    natural</i> - Vol.I (Trad. Trieste Ricci et al.), S&atilde;o Paulo: Nova Stella    / EDUSP, 1990, pp. 6-7.<!-- ref --><p>3 Leibniz, G.W. <i>Correspond&ecirc;ncia com Clarke</i> - cole&ccedil;&atilde;o    <i>"Os pensadores"</i> (Trad. Carlos Lopes de Mattos), S&atilde;o Paulo: Abril    Cultural, 2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, 1983, p. 177.<!-- ref --><p>4 Mach, E. <i>Desarrollo historico-critico de la mecanica</i> (Trad. Jose Babini),    Buenos Aires: Espasa - Calpe, 1949, p.190 &#150; tradu&ccedil;&atilde;o nossa.<!-- ref --><p>5 Einstein, A. <i>A teoria da relatividade especial e geral</i> (Trad. Carlos    Almeida Pereira), Rio de Janeiro: Contraponto, 1999, pp. 36-7.<p>&nbsp;</p>     <p><b>Bibliografia consultada</b></p>     <p>Martins, A.F.P. <i>O ensino do conceito de tempo: contribui&ccedil;&otilde;es    hist&oacute;ricas e epistemol&oacute;gicas</i> (Disserta&ccedil;&atilde;o de    Mestrado, Universidade de S&atilde;o Paulo, IFUSP/FEUSP, S&atilde;o Paulo, 1998).</p>     <p>Davies, P. <i>O enigma do tempo</i> (Trad. Ivo Korytowski), Rio de Janeiro:    Ediouro, 1999.</p>     <p>Itano, W. M. E Ramsey, N. F. <i>Scientific American</i> 269, 46, 1993.</p>     <p>Na internet: <i><a href="http://www.nist.gov">www.nist.gov</a> ; <a href="http://www.bipm.org">www.bipm.org</a>    ; <a href="http://www.inmetro.gov.br">www.inmetro.gov.br</a></i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Outros livros de interesse:</b></p>     <p>Coveney, P. E Highfield, R. <i>A flecha do tempo</i> (Trad. J. E. Smith Caldas),    S&atilde;o Paulo: Siciliano, 1993.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Hawking, S.W. <i>Breve hist&oacute;ria do tempo</i> (Trad. Ribeiro da Fonseca),    Lisboa: Gradiva, 4&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, 1996.</p>     <p>Prigogine, I. E Stengers, I. <i>Entre o tempo e a eternidade</i> (Trad. Roberto    L. Ferreira), S&atilde;o Paulo: Cia das Letras, 1992.</p>     <p>Whitrow, G.J. <i>O tempo na hist&oacute;ria: concep&ccedil;&otilde;es do tempo    da pr&eacute;-hist&oacute;ria aos nossos dias</i> (Trad. Maria Luiza X. de A.    Borges), Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.</p>      ]]></body><back>
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