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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/tp8.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4">O <small>TEMPO DENTRO DA VIDA, AL&Eacute;M DA VIDA DENTRO    DO TEMPO</small></font></b></p>     <p>Luiz Menna-Barreto e Nelson Marques</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size=5>C</font></b>ostumamos entender os processos vitais como eventos    que se desenrolam ao longo de um tempo, geralmente externo aos organismos, algo    intang&iacute;vel mas cuja exist&ecirc;ncia se faz evidente nas transforma&ccedil;&otilde;es    exibidas pelos seres vivos. Esse <b>tempo exterior</b> pode ser percebido em    diversas escalas de grandeza: desde um tempo filogen&eacute;tico, cujas marcas    s&atilde;o evidenciadas pela hist&oacute;ria das esp&eacute;cies e medido em    milhares ou mesmo milh&otilde;es de anos, at&eacute; um tempo microsc&oacute;pico,    da ordem de mil&eacute;simos de segundo, no qual um &aacute;tomo penetra em    um c&eacute;lula atrav&eacute;s de um canal i&ocirc;nico. N&atilde;o ser&aacute;    esse <b>tempo exterior</b> o tema desse ensaio, mas sim o que podemos chamar    de <b>tempo interior</b>, conceito em constru&ccedil;&atilde;o a partir de meados    do s&eacute;culo XX, quando se reconhece a exist&ecirc;ncia de estruturas geradoras    de tempo no interior dos organismos, os chamados "rel&oacute;gios biol&oacute;gicos".    O conceito de tempo interior ou end&oacute;geno est&aacute; ancorado no corpo    de conhecimentos que &eacute; identificado hoje como Cronobiologia, o estudo    da dimens&atilde;o temporal da mat&eacute;ria viva (1).</p>     <p>Apresentaremos inicialmente um breve retrospecto hist&oacute;rico da Cronobiologia    para, em seguida, abordarmos seus principais marcos conceituais e concluiremos    com indica&ccedil;&otilde;es sobre o que muda no cen&aacute;rio do conhecimento    biol&oacute;gico quando assumimos o tempo interior como personagem relevante    dos processos vitais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>H<small>IST&Oacute;RIA</small></b> As primeiras tentativas de <b>ler</b>    os tempos pr&oacute;prios dos organismos vivos datam do in&iacute;cio do s&eacute;culo    XVIII, quando um membro da Academia de Ci&ecirc;ncias da Fran&ccedil;a, o astr&ocirc;nomo    Jean-Jacques Dortous de Mairan (1678-1771) sugeriu e publicou um artigo sobre    a poss&iacute;vel exist&ecirc;ncia de um mecanismo marcador de tempo em uma    planta. Essa sugest&atilde;o foi a tentativa de explicar porque os movimentos    espont&acirc;neos de abertura e fechamento das folhas de uma planta persistiam    quando ela era isolada do ambiente e mantida por alguns dias dentro de um ba&uacute;    em obscuridade constante. A persist&ecirc;ncia dessas oscila&ccedil;&otilde;es,    vista at&eacute; essa &eacute;poca como rea&ccedil;&otilde;es reflexas dos organismos    &agrave; presen&ccedil;a ou aus&ecirc;ncia de luz solar, vem sendo a partir    de ent&atilde;o testada em uma infinidade de organismos. Esses experimentos,    mais freq&uuml;entes a partir de meados do s&eacute;culo passado, seguem genericamente    o mesmo protocolo: promove-se o isolamento temporal dos organismos em estudo    eliminando-se os ciclos normalmente presentes em seus ambientes. Essa elimina&ccedil;&atilde;o    consiste, por exemplo, em manter organismos sob claridade constante (alternativamente,    escurid&atilde;o constante), geralmente em laborat&oacute;rios que permitam    o controle adequado do conjunto das condi&ccedil;&otilde;es ambientais, como    temperatura, umidade, som, etc. O resultado &eacute; claro: praticamente em    todos os organismos testados as oscila&ccedil;&otilde;es persistem durante o    isolamento temporal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A curiosidade despertada por essas demonstra&ccedil;&otilde;es motivou o surgimento    dos primeiros grupos de pesquisa e sociedades dedicadas a esse tema, sobretudo    na Europa, mais tarde nos Estados Unidos e bem mais tarde em outros pa&iacute;ses    (2), que acabaram se expressando atrav&eacute;s de congressos internacionais    e tr&ecirc;s peri&oacute;dicos especializados atualmente em circula&ccedil;&atilde;o    (3). Nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas assistimos a uma explos&atilde;o    do conhecimento nessa &aacute;rea, quando, aliados &agrave;s demonstra&ccedil;&otilde;es    de <b>doen&ccedil;as temporais</b>, passaram a ser conhecidos alguns processos    nos n&iacute;veis celular e molecular dos rel&oacute;gios biol&oacute;gicos    (4)</p>     <p>Contempla-se atualmente a cria&ccedil;&atilde;o de uma Federa&ccedil;&atilde;o    Mundial de Sociedades de Cronobiologia, a ser concretizada em 2003 no Jap&atilde;o,    que reunir&aacute; as diversas sociedades existentes e na qual os pesquisadores    brasileiros e de outros pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina ter&atilde;o    participa&ccedil;&atilde;o relevante.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M<small>ARCOS CONCEITUAIS</small></b> Sabemos hoje que praticamente todas    as fun&ccedil;&otilde;es org&acirc;nicas apresentam oscila&ccedil;&otilde;es    e que essas oscila&ccedil;&otilde;es podem ser regulares ou irregulares. As    primeiras constituem os chamados <b>ritmos biol&oacute;gicos</b> e as outras    constituem respostas reflexas a varia&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-peri&oacute;dicas    do ambiente (tempestades, por exemplo).</p>     <p>Sabemos tamb&eacute;m que os ritmos biol&oacute;gicos s&atilde;o a express&atilde;o    observ&aacute;vel da atua&ccedil;&atilde;o de mecanismos end&oacute;genos, os    chamados <b>rel&oacute;gios biol&oacute;gicos</b> cuja exist&ecirc;ncia, inicialmente    inferida a partir de observa&ccedil;&otilde;es como aquela do astr&ocirc;nomo    franc&ecirc;s, &eacute; hoje comprovada atrav&eacute;s da identifica&ccedil;&atilde;o    f&iacute;sica de seus componentes (5). Esses componentes podem ser desde aglomerados    de neur&ocirc;nios no Sistema Nervoso Central de mam&iacute;feros at&eacute;    cadeias de rea&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas em unicelulares (6). H&aacute;    duas correntes de interpreta&ccedil;&atilde;o que alimentam os dois modelos    de funcionamento dos rel&oacute;gios biol&oacute;gicos mais freq&uuml;entemente    encontrados na literatura contempor&acirc;nea: o modelo do &uacute;nico oscilador    mestre e o modelo dos m&uacute;ltiplos osciladores. Correndo o risco de contradizer    alguns colegas, podemos dizer que o primado do primeiro modelo vem sendo cada    vez mais substitu&iacute;do pelo entendimento da natureza complexa (e da&iacute;,    m&uacute;ltipla) dos sistemas de organiza&ccedil;&atilde;o temporal dos seres    vivos.</p>     <p>Oscila&ccedil;&otilde;es regulares s&atilde;o encontradas no funcionamento    dos organismos em todos os n&iacute;veis de an&aacute;lise, desde o plano populacional    at&eacute; o plano das rea&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas que ocorrem no    interior das c&eacute;lulas. Al&eacute;m disso, esses ritmos biol&oacute;gicos    est&atilde;o presentes em praticamente todas as esp&eacute;cies estudadas at&eacute;    agora. A <b>ubiq&uuml;idade</b> do fen&ocirc;meno da ritmicidade biol&oacute;gica    aponta assim para uma prov&aacute;vel import&acirc;ncia decisiva dessas oscila&ccedil;&otilde;es    como fator de sele&ccedil;&atilde;o ao longo da evolu&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies.    As esp&eacute;cies desenvolveram-se em ambientes c&iacute;clicos, direta ou    indiretamente produzidos pela rota&ccedil;&atilde;o e transla&ccedil;&atilde;o    da Terra, portanto, parece bem razo&aacute;vel supor que a adapta&ccedil;&atilde;o    a essa realidade c&iacute;clica tenha desempenhado e continue a desempenhar    papel relevante na sobreviv&ecirc;ncia dessas esp&eacute;cies. S&atilde;o recentes    as investiga&ccedil;&otilde;es sobre a presen&ccedil;a de ritmos biol&oacute;gicos    em esp&eacute;cies que vivem em ambientes extremos, como cavernas ou abismos    marinhos, nos quais as oscila&ccedil;&otilde;es encontram-se atenuadas ou mesmo    ausentes. Alguns resultados sugerem que mesmo nesses ambientes a ritmicidade    &eacute; mantida enquanto outros apontam para uma poss&iacute;vel perda dessa    express&atilde;o (7).</p>     <p>Entende-se hoje que os ritmos biol&oacute;gicos, tais como os observamos na    natureza, s&atilde;o o resultado da intera&ccedil;&atilde;o entre os rel&oacute;gios    biol&oacute;gicos e alguns dos ciclos naturais aos quais est&atilde;o submetidos.    O processo atrav&eacute;s do qual se processa essa intera&ccedil;&atilde;o &eacute;    conhecido como <b>sincroniza&ccedil;&atilde;o</b>, e os ciclos ambientais capazes    de promov&ecirc;-la em uma determinada esp&eacute;cie s&atilde;o identificados    como <b>agentes sincronizadores</b> (alternativamente, "zeitgeber", termo alem&atilde;o    para "fornecedor de tempo", temporizador). Diz-se que um agente sincronizador    <b>arrasta</b> um ritmo biol&oacute;gico, promovendo assim a sua sincroniza&ccedil;&atilde;o    com o ciclo ambiental. Nesse sentido, a situa&ccedil;&atilde;o normal de um    organismo &eacute; aquela na qual ele &eacute; <b>arrastado permanentemente</b>.    Esse conceito &eacute; demonstrado quando organismos em isolamento temporal    exibem ciclos ligeiramente distintos daquele ao qual est&atilde;o normalmente    sincronizados. Por exemplo, homens mantidos em cavernas exibem ritmos com per&iacute;odos    superiores a 24h (8) e que ao serem re-introduzidos em seu ambiente natural    voltam a exibir ritmos biol&oacute;gicos cujo per&iacute;odo &eacute; de exatas    24h, sincronizados ao ambiente, ou seja, eles s&atilde;o <b>arrastados</b> pelo    ciclo ambiental de 24h, que mant&eacute;m essa a&ccedil;&atilde;o a cada dia    que passa. N&atilde;o &eacute; outra, ali&aacute;s, a explica&ccedil;&atilde;o    do porqu&ecirc; de expressarmos freq&uuml;entemente a tend&ecirc;ncia a atrasar    nossos hor&aacute;rios nos finais de semana, quando as imposi&ccedil;&otilde;es    de hor&aacute;rios de trabalho (sincronizadores sociais) est&atilde;o ausentes.</p>     <p>Nem todo ciclo ambiental &eacute; capaz de sincronizar os ritmos biol&oacute;gicos    de um organismo e muitas vezes mais de um ciclo ambiental atua sobre o mesmo    indiv&iacute;duo; a nossa esp&eacute;cie humana, por exemplo, tem seus rel&oacute;gios    biol&oacute;gicos sincronizados tanto pelo ciclo dia/noite como por est&iacute;mulos    sociais c&iacute;clicos (hor&aacute;rios de trabalho, por exemplo) (9).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14813q1.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>O estado de sa&uacute;de de um organismo pode (e deve) ser hoje descrito incluindo-se    a manuten&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es temporais est&aacute;veis    tanto interna como externamente. Por rela&ccedil;&otilde;es temporais internas    entenda-se por exemplo a coincid&ecirc;ncia no tempo dos valores m&iacute;nimos    da temperatura do nosso sangue arterial (a chamada temperatura central) com    uma das fases mais profundas do nosso sono (a fase de sono paradoxal), ou ainda    a ocorr&ecirc;ncia de surto secret&oacute;rio do horm&ocirc;nio do crescimento    no ter&ccedil;o inicial da noite de sono. A express&atilde;o "Organiza&ccedil;&atilde;o    temporal interna" foi cunhada para sintetizar essas rela&ccedil;&otilde;es internas    (10), conceito esse de extrema import&acirc;ncia para a compreens&atilde;o do    que ocorre com um sujeito que viaja para o Jap&atilde;o (12h de diferen&ccedil;a    de fuso hor&aacute;rio) e apresenta essa organiza&ccedil;&atilde;o comprometida    (11) por algum tempo at&eacute; ressincronizar-se. Completando esse quadro conceitual,    estamos propondo (12) a ado&ccedil;&atilde;o da express&atilde;o "Organiza&ccedil;&atilde;o    temporal externa" que resume o conjunto das rela&ccedil;&otilde;es entre os    ritmos biol&oacute;gicos de um organismo e seu ambiente.</p>     <p>H&aacute; ritmos biol&oacute;gicos obviamente vinculados com os ciclos ambientais    pelos quais s&atilde;o <b>arrastados</b>, como &eacute; o caso dos <b>ritmos    circadianos</b> (arrastados pelo ciclo dia/noite) e <b>ritmos circanuais</b>    ou <b>sazonais</b> (arrastados pelas esta&ccedil;&otilde;es do ano). Existem    entretanto muitos ritmos biol&oacute;gicos cujo per&iacute;odo n&atilde;o se    aproxima de nenhum ciclo ambiental conhecido: &eacute; o caso dos batimentos    card&iacute;acos (~1ciclo/segundo), dos movimentos respirat&oacute;rios (~1ciclo/4    segundos) ou ainda de alguns horm&ocirc;nios cuja produ&ccedil;&atilde;o &eacute;    chamada de puls&aacute;til (surto de horm&ocirc;nio luteinizante no sangue a    cada 2,5h aproximadamente). Apesar do ciclo menstrual feminino ter dura&ccedil;&atilde;o    de aproximadamente 28 dias, n&atilde;o h&aacute; rela&ccedil;&atilde;o de sincroniza&ccedil;&atilde;o    com o ciclo lunar, que tem os mesmos 28 dias de per&iacute;odo (13). Essas duas    fam&iacute;lias de ritmos v&ecirc;m sendo identificadas por n&oacute;s como    <b>ritmos de economia externa</b> (aqueles arrastados por ciclos ambientais)    e <b>ritmos de economia interna</b> (aqueles sem rela&ccedil;&atilde;o demonstr&aacute;vel    com os ciclos ambientais).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>I<small>MPLICA&Ccedil;&Otilde;ES E APLICA&Ccedil;&Otilde;ES</small></b>    E o que muda com todos esses conceitos novos? Muda a concep&ccedil;&atilde;o    de normalidade na an&aacute;lise do funcionamento dos sistemas biol&oacute;gicos,    onde oscila&ccedil;&otilde;es que vinham sendo interpretadas como "ru&iacute;dos"    no sistema de controle fisiol&oacute;gico (14), passam agora a ser entendidas    como express&atilde;o da pr&oacute;pria normalidade. Muitas vezes a infer&ecirc;ncia    acaba sendo totalmente invertida: um sujeito que acaba de atravessar 12 fusos    hor&aacute;rios e que se encontra acometido da s&iacute;ndrome conhecida pela    express&atilde;o inglesa <i>jet lag</i> tem seus ritmos biol&oacute;gicos "achatados",    ou seja, as oscila&ccedil;&otilde;es normalmente presentes tendem a desaparecer    enquanto persiste o desconforto. Findo o desconforto, observa-se que os ritmos    voltam a expressar-se em sua plenitude. Que fique claro: a ritmicidade &eacute;    par&acirc;metro da normalidade, sua aus&ecirc;ncia reflete problemas. Leituras    desatualizadas dos conceitos fundamentais, a respeito da estabilidade do meio    interno propostos originalmente por Claude Bernard em meados do s&eacute;culo    XIX e revisados por Walter Cannon no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, est&atilde;o    na raiz de certas resist&ecirc;ncias ao novo cen&aacute;rio conceitual representado    pela Cronobiologia.</p>     <p>A releitura da normalidade que se imp&otilde;e, hoje, implica considerar a    dimens&atilde;o temporal nos protocolos de experimenta&ccedil;&atilde;o e observa&ccedil;&atilde;o    do comportamento dos organismos em todas as suas express&otilde;es, desde a    celular at&eacute; a populacional. Dito de modo mais simples, trata-se de planejar    pesquisas (e interpretar resultados) levando em considera&ccedil;&atilde;o a    hora do dia e a esta&ccedil;&atilde;o do ano, sabendo que os resultados podem    ser muito distintos em fun&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a generalizada    dos ritmos biol&oacute;gicos.</p>     <p>A releitura da normalidade implica tamb&eacute;m uma reconsidera&ccedil;&atilde;o    dos processos das doen&ccedil;as, seja em sua g&ecirc;nese e diagn&oacute;stico,    seja no planejamento da interven&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica ou cir&uacute;rgica.    Identificamos hoje o que se poderia chamar de <b>cronopatologias</b>, doen&ccedil;as    provavelmente derivadas de desacertos temporais &#150; a depress&atilde;o humana    tem sido relacionada por diversos autores a disfun&ccedil;&otilde;es nos rel&oacute;gios    biol&oacute;gicos (15), para citar um quadro bastante discutido atualmente.    A maior vulnerabilidade a doen&ccedil;as em indiv&iacute;duos que s&atilde;o    submetidos a esquemas de trabalho em hor&aacute;rios irregulares &#150; turnos    alternantes, turnos noturnos, especialmente estes &uacute;ltimos (16) &#150;    , parece-nos um bom exemplo da import&acirc;ncia dessa nova forma de entender    os processos patol&oacute;gicos. Da mesma forma, a abordagem terap&ecirc;utica    vem sendo enriquecida recentemente com as contribui&ccedil;&otilde;es da <b>cronofarmacologia</b>.    A a&ccedil;&atilde;o de drogas &eacute; diferenciada no tempo e est&aacute;    sendo avaliada atualmente a possibilidade de diminuir efeitos colaterais, preservando    o efeito desejado, ao serem escolhidos hor&aacute;rios de administra&ccedil;&atilde;o    de acordo com protocolos cronobiol&oacute;gicos (17). Exposi&ccedil;&atilde;o    de indiv&iacute;duos &agrave; luz intensa e administra&ccedil;&atilde;o do horm&ocirc;nio    melatonina s&atilde;o estrat&eacute;gias terap&ecirc;uticas cujo uso eventualmente    pode vir a complementar ou mesmo substituir o uso de drogas (18).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>C<small>ONCLUS&Atilde;O</small></b> A dimens&atilde;o temporal dos seres    vivos, tanto por sua implica&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas como pelas possibilidades    de aplica&ccedil;&atilde;o, assume import&acirc;ncia fundamental no campo da    biologia contempor&acirc;nea. Talvez possamos dizer que estamos testemunhando,    nessa virada de s&eacute;culo, a evolu&ccedil;&atilde;o de uma vis&atilde;o    est&aacute;tica dos organismos para uma vis&atilde;o mais din&acirc;mica do    funcionamento dos seres vivos.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i><b>Luiz Menna-Barreto</b> &eacute; professor doutor do Departamento de Fisiologia    e Biof&iacute;sica do Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas da USP.</i></p>     <p><i><b>Nelson Marques</b> &eacute; professor doutor do Departamento de Cl&iacute;nica    M&eacute;dica da Faculdade de Medicina da USP e professor visitante da UFRN.</i></p>     <p><i>Ambos s&atilde;o co-fundadores e coordenadores do GMDRB, Grupo Multidisciplinar    de Desenvolvimento e Ritmos Biol&oacute;gicos (ICB/USP)</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas e refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>1 Halberg, F. <i>Chronobiology. Annu. Rev. Physiol.</i>, 31: 675-725, 1969;    <!-- ref -->    Marques, N. e Menna-Barreto, L. (orgs.) <i>Cronobiologia: princ&iacute;pios    e aplica&ccedil;&otilde;es</i>. S&atilde;o Paulo: Edusp-Editora Fiocruz., 1997,    321 p.<p>2 No Brasil o grupo pioneiro no estudo da Cronobiologia foi criado em 1981    na USP (ver diret&oacute;rio de grupos de pesquisa).</p>     <p>3 Rotenberg, L., Marques, N. e Menna-Barreto, L. "Desenvolvimento da Cronobiologia".    <i>In:</i> Marques, N. e Menna-Barreto, L. (orgs.) <i>Cronobiologia: princ&iacute;pios    e aplica&ccedil;&otilde;es</i>. S&atilde;o Paulo: EDUSP-Editora Fiocruz, pp.    23-44, 1997.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>4 Garfield, E. Chronobiology: na internal clock for all seasons. Part I. The    development of the sciences of biological rhythms; Part II: Current research    on Seasonal-Afective Disorder and phototherapy. <i>Current Contents</i>, 31(1):    3-8, 1988 e 31(2): 3-9, 1988;     veja a seguir a not&iacute;cia publicada pela    revista <i>Science</i> comentando a escolha das descobertas mais relevantes    do ano de 1998. A dissec&ccedil;&atilde;o molecular dos rel&oacute;gios biol&oacute;gicos    ocupou o segundo lugar na lista das "10 mais".</p>     <blockquote>        <p><i>Science</i> December 18; 282, 1998, pp. 2157-61. (in News)</p>       <p>FIRST RUNNER-UP:</p>       <p>A Remarkable Year for Clocks</p>       <p>Nineteenth-century philosophers proposed that God was a clockmaker who created      the world and then let it run. Modern biologists might in part agree, for      it's clear that evolution has carefully crafted clocks that allow almost all      organisms to follow the rhythm of the sun. In 1998, a volley of rapid-fire      discoveries revealed the stunning universality of the clock workings: Across      the tree of life, from bacteria to humans, clocks use oscillating levels of      proteins in feedback loops to keep time. Perhaps more amazing, fruit flies      and mice&#150;separated by nearly 700 million years of evolution&#150;share the very      same timekeeping proteins. Now that they better understand the cellular clock,      scientists can begin to manipulate it, with applications from curing jet lag      to brightening winter depression.</p> </blockquote>     <p>5 Marques, M.D. "Mecanismos de Temporiza&ccedil;&atilde;o em Unicelulares,    Plantas e Invertebrados". <i>In:</i> Marques, N. e Menna-Barreto, L. (orgs.)    <i>Cronobiologia: princ&iacute;pios e aplica&ccedil;&otilde;es</i>. S&atilde;o    Paulo: Edusp-Editora Fiocruz, 1997, pp. 111-135. Golombeck, D., Cardinalli,    D. e Aguilar-Roblero, R. "Mecanismos de Temporiza&ccedil;&atilde;o em Vertebrados".    <i>In:</i> Marques, N. e Menna-Barreto, L. (orgs.) <i>Cronobiologia: princ&iacute;pios    e aplica&ccedil;&otilde;es</i>. S&atilde;o Paulo: Edusp-Editora Fiocruz, 1997,    pp. 137-61.</p>     <p>6 Marques, N., Stringher, C.G., Asano, C.A. e Colepicolo, P. "Aspectos celulares    e moleculares dos ritmos biol&oacute;gicos". <i>In:</i> Marques, N. e Menna-Barreto,    L. (orgs.) <i>Cronobiologia: princ&iacute;pios e aplica&ccedil;&otilde;es</i>.    S&atilde;o Paulo: Edusp-Editora Fiocruz, 1997, pp. 163-82.</p>     <!-- ref --><p>7 Trajano, E. e Menna-Barreto, L. Locomotor activity patterns of Brazilian    cave catfishes under Constant darkness (<i>Siluriformes, Pimelodidae</i>). <i>Biol.    Rhythm Res.</i>, 26, 1995, pp. 341-353<!-- ref --><p>8 Aschoff, J. Circadian rhythms in man. <i>Science</i>, 148, 1965, pp. 1427-32.<!-- ref --><p>9 Aschoff, J. Features of circadian rhythm relevant for the design of shift    schedules. <i>Ergonomics</i>, 21, 1978, pp. 739-54.<!-- ref --><p>10 Moore-Ede, M. C., Schmelzer, W.S., Kass, D. S. e Herd, J. A. Internal organization    of the multicellular animals. Physiological and Biochemical Aspects of Circadian    Rhythms. <i>Fed. Proc.</i> 35., 1976, pp. 2333-38.<p>11 S&iacute;ndrome mais conhecida pela express&atilde;o inglesa <i>jet lag</i>,    traduz&iacute;vel por "s&iacute;ndrome da adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; mudan&ccedil;a    brusca de fusos hor&aacute;rios".</p>     <p>12 Menna-Barreto, L. e Diez-Noguera, A. Artigo em prepara&ccedil;&atilde;o    no qual os autores prop&otilde;em o conceito de "Organiza&ccedil;&atilde;o Temporal    Externa" para identificar conjunto de rela&ccedil;&otilde;es que os organismos    vivos estabelecem com marca&ccedil;&otilde;es temporais de seus ambientes. Essa    organiza&ccedil;&atilde;o que estamos propondo pode ser utilizada para caracterizar    temporalmente uma esp&eacute;cie e mesmo um indiv&iacute;duo.</p>     <p>13 Ara&uacute;jo, J. F. e Marques, N. "Intermodula&ccedil;&atilde;o de freq&uuml;&ecirc;ncias    dos ritmos biol&oacute;gicos". <i>In:</i> Marques, N. e Menna-Barreto, L. (orgs.)    <i>Cronobiologia: princ&iacute;pios e aplica&ccedil;&otilde;es</i>. S&atilde;o    Paulo: Edusp-Editora Fiocruz, 1997, pp. 85-96.</p>     <!-- ref --><p>14 Ver, por exemplo, Mountcastle, V.B. <i>Fisiologia M&eacute;dica</i>, tradu&ccedil;&atilde;o    da 13a. edi&ccedil;&atilde;o (1974), Rio de Janeiro, Editora Guanabara Koogan,    1978.<!-- ref --><p>15 Wehr, T. A. "Chronobiology of affective illness". <i>In:</i> Hekkens, W.    Th. J. M., Kerkhof, G. A. e Rietveld, W. J. (orgs.). <i>Trends in Chronobiology</i>.    Oxford: Pergamon Press. <i>Adv. Biosciences</i>, 1988, 73: 367-379.<!-- ref --><p>16 Moore-Ede, M. C. The twenty-four hour society. Reading: Addison-Wesley Publ.    Co., 1993.<!-- ref --><p>17 O peri&oacute;dico <i>Chronobiology International</i> dedicou recentemente    um n&uacute;mero especial totalmente dedicado &agrave; cronoterap&ecirc;utica    do c&acirc;ncer. Chronobiology International, 2002, 19(1): 1-323.<p>18 Moreno, C, Fischer, F. M. e Menna-Barreto, L.. "Aplica&ccedil;&otilde;es    da Cronobiologia". <i>In:</i> Marques, N. e Menna-Barreto, L. (orgs.) <i>Cronobiologia:    princ&iacute;pios e aplica&ccedil;&otilde;es</i>. S&atilde;o Paulo: Edusp-Editora    Fiocruz, 1997, pp. 239-254,</p>      ]]></body><back>
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