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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A(s) máquina(s) do tempo: a ficção científica tem futuro?]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/tp8.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4">A<small>(S) M&Aacute;QUINA(S) DO TEMPO</small>    <br>   </font></b><font size="4"><b>A<small> FIC&Ccedil;&Atilde;O CIENT&Iacute;FICA    TEM FUTURO?</small></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right">"Viajar no tempo, todos n&oacute;s viajamos. Para o futuro, e    na    <br>   velocidade de vinte e quatro horas por dia."    <br>   <i>(</i>Arthur C. Clarke<i>, Perfil do futuro)</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Nelson Marques</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b><font size=5>N</font></b>o dia 19 de abril de 2002 entrou em cartaz nos    cinemas brasileiros o filme <i>A m&aacute;quina do tempo</i> (<i>The time machine</i>).    O filme &eacute; baseado no livro hom&ocirc;nimo de Herbert George Wells, seu    primeiro romance, escrito em 1894 e publicado em 1895. Wells, escreve em 1896    a <i>Ilha do Dr. Moreau</i> e ao lado de outro grande contador de hist&oacute;rias    &#150; J&uacute;lio Verne &#150; autor de, entre outros, <i>Viagem ao centro da    Terra</i> (1864), <i>Da Terra &agrave; Lua</i> (1865) e <i>Vinte mil l&eacute;guas    submarinas</i> (1870), &eacute; considerado um dos precursores da transforma&ccedil;&atilde;o    do "romance cient&iacute;fico" no que hoje se considera "fic&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica". O livro <i>A m&aacute;quina do tempo</i> foi seguido por    <i>A guerra dos mundos</i> (1898), <i>Os primeiros homens na Lua</i> (1901)    e <i>Alimento dos deuses</i>, de 1904 (1).</p>     <p>A presente vers&atilde;o cinematogr&aacute;fica foi realizada exatamente 42    anos ap&oacute;s o original de 1960, dirigida por George Pal e estrelada por    Rod Taylor e Yvette Mimieux. Curiosamente esta nova vers&atilde;o &eacute; dirigida    por Simon Wells, neto do Wells autor da hist&oacute;ria original, e tem como    protagonistas principais os conhecidos Guy Pierce (do filme <i>Amn&eacute;sia</i>)    e Jeremy Irons, al&eacute;m dos novatos Samantha Mumba e Orlando Jones.</p>     <p>O novo filme <i>A m&aacute;quina do tempo</i> tem algumas diferen&ccedil;as    em rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro de 1960 e ao pr&oacute;prio livro de H.    G. Wells, o que n&atilde;o &eacute; novidade, pois as refilmagens sempre acrescentam    novas id&eacute;ias e/ou prop&otilde;em mudan&ccedil;as nos roteiros originais.    De qualquer modo, as altera&ccedil;&otilde;es n&atilde;o prejudicam nem a obra    original, nem o filme hoje cl&aacute;ssico de George Pal. Al&eacute;m da ambienta&ccedil;&atilde;o    inicial, alterada de Londres para New York, h&aacute; um inexistente drama familiar    da morte da noiva do cientista num assalto. Esse &eacute; o incidente motivador    para a constru&ccedil;&atilde;o de uma m&aacute;quina capaz de viajar no tempo.    Com ela e viajando no tempo haveria a possibilidade de tentar evitar o crime    que acabou vitimando sua noiva. A volta ao passado, no entanto, convence o construtor    da m&aacute;quina dos riscos imprevis&iacute;veis de alterar o passado! Com    essa tomada de consci&ecirc;ncia &#150; caracter&iacute;stica fundamental dos    v&aacute;rios outros autores de hist&oacute;rias e filmes com o mesmo tema (veja,    por exemplo, <i>Os bandidos do tempo</i> (<i>Time bandits)</i>, de Terry Gilliam,    1981, <i>Em algum lugar do passado</i> (<i>Somewhere in time</i>), de Jeannot    Szwarc, 1980, <i>De volta para o futuro</i> (<i>Back to the future</i>), de    Robert Zemeckis, 1985 e 1989, <i>Peggy Sue, seu passado a espera</i> (<i>Peggy    Sue got married</i>), de Francis Ford Coppola, 1986) &#150; resta o esp&iacute;rito    da aventura e as viagens para o "outro lado" da flecha do tempo, ou seja, viagens    para o futuro.</p>     <p>Se levarmos em considera&ccedil;&atilde;o que a fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica,    ou mesmo a fic&ccedil;&atilde;o especulativa, trabalha com qualquer hist&oacute;ria    que coloca como argumento central um mundo em transforma&ccedil;&atilde;o (obviamente    envolvendo ci&ecirc;ncia e tecnologia), podemos perceber a import&acirc;ncia    e atualidade de temas que sempre atra&iacute;ram diferentes autores das mais    diversas &eacute;pocas. Trabalhando com mundos imagin&aacute;rios, transformados    ou em transforma&ccedil;&atilde;o (mais ainda com a linguagem, as proposi&ccedil;&otilde;es    e os argumentos da ci&ecirc;ncia contempor&acirc;nea ou particularmente de cada    uma das &eacute;pocas) h&aacute; um profundo senso de que a hist&oacute;ria    humana &eacute; uma realidade cont&iacute;nua e as mudan&ccedil;as fluem do    que n&oacute;s conhecemos dessa realidade.</p>     <p>N&atilde;o &eacute; gratuito, portanto, que Brian Ash, um autor bem considerado    no mundo da fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, coloque como temas importantes    e recorrentes nas hist&oacute;rias de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    as <b>viagens no tempo</b> e o encontro de <b>mundos perdidos</b> (passado),    <b>mundos paralelos</b> (presente) ou <b>novos mundos</b> (futuro). Opini&atilde;o    semelhante tem Andr&eacute; Carneiro, que destaca tamb&eacute;m as viagens espaciais    e as viagens no tempo como temas importantes das hist&oacute;rias de fic&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica (2). Esta recorr&ecirc;ncia inclui necessariamente, ent&atilde;o,    um outro tema, tamb&eacute;m muito freq&uuml;ente, ou seja, a explora&ccedil;&atilde;o,    coloniza&ccedil;&atilde;o ou destrui&ccedil;&atilde;o de outros mundos.</p>     <p>&Eacute; evidente que a rela&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel com o tema das    <b>utopias</b> (como o lugar ideal) e suas varia&ccedil;&otilde;es &#150; <b>distopias</b>    (como o lugar pior) e <b>eutopias</b> (como o lugar melhor) &#150; sempre poder&aacute;    estar presente. Em raz&atilde;o desse exerc&iacute;cio intelectual poss&iacute;vel,    a fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica poderia ser escrita (como o foi) em    qualquer &eacute;poca de nossa hist&oacute;ria (s&oacute; n&atilde;o adquirindo    o nome, que foi uma aquisi&ccedil;&atilde;o muito mais recente). Isso tem ocorrido    desde os prim&oacute;rdios, ou da proto-hist&oacute;ria da fic&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica, onde s&atilde;o feitos relatos de viagens a mundos distantes    e apresentadas propostas de sociedades alternativas. Neste caso a descri&ccedil;&atilde;o    fant&aacute;stica de certas sociedades &eacute; feita em analogia ao mundo (real)    existente. Por exemplo, Luciano, ou L&uacute;cio de Samos, no s&eacute;culo    2 depois de Cristo, descreve uma viagem &agrave; Lua na sua obra <i>Icaromenipus</i>,    sociedades e terras imagin&aacute;rias s&atilde;o descritas por Fern&atilde;o    Mendes Pinto (na obra <i>Peregrina&ccedil;&atilde;o</i>), Thomas More (<i>Utopia</i>,    1516), Tomaso Campanella (<i>A cidade do Sol</i>, s&eacute;culo XVII), Francis    Bacon (<i>Nova Atl&acirc;ntida</i>, 1627), Jonathan Swift (<i>As viagens de    Gulliver</i>, 1726), Aldous Huxley (<i>Admir&aacute;vel mundo novo</i>, 1932)    e George Orwell, na sua tenebrosa e t&atilde;o atual obra <i>1984</i> (escrito,    no entanto, em 1948) (3).</p>     <p>As viagens no tempo, como vimos, s&atilde;o consideradas como um dos temas    centrais da fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Embora v&aacute;rias outras    hist&oacute;rias tenham sido escritas antes da <i>M&aacute;quina do tempo</i>,    e que tratavam tamb&eacute;m de homens viajando no tempo, a originalidade desta    reside na id&eacute;ia de um dispositivo mec&acirc;nico, constru&iacute;do pelo    homem, e baseada numa teoria cient&iacute;fica. Nas outras obras, os meios para    tal viagem eram sonos semelhantes a &ecirc;xtases e outros artif&iacute;cios    semelhantes. Ou ent&atilde;o simplesmente se descreve uma nova realidade e/ou    sociedade, sem haver preocupa&ccedil;&atilde;o de como se chegou l&aacute;.    O romance tamb&eacute;m apresenta uma segunda inova&ccedil;&atilde;o importante:    mesmo Wells, sabendo que as viagens no tempo n&atilde;o eram pratic&aacute;veis,    assim mesmo houve um embasamento cient&iacute;fico do processo, mediante a elabora&ccedil;&atilde;o    de uma teoria que parecia consistente, l&oacute;gica e plaus&iacute;vel, de    modo que ele pudesse averiguar as conseq&uuml;&ecirc;ncias futuras de tend&ecirc;ncias    que ele viu sendo manifestadas em sua pr&oacute;pria &eacute;poca.</p>     <p>Depois de Wells, os escritores come&ccedil;aram a explorar as possibilidades    das viagens no tempo e os paradoxos que da&iacute; se originam. S&atilde;o estes    que t&ecirc;m trazido quest&otilde;es importantes e desafiadoras para as hist&oacute;rias.    A come&ccedil;ar pelo pr&oacute;prio funcionamento da m&aacute;quina, um objeto    mec&acirc;nico. Pode-se perguntar o que acontecer&aacute; quando nos movermos    no tempo: se a m&aacute;quina permanecer&aacute; no mesmo local onde estava    inicialmente, a Terra, com o seu movimento de rota&ccedil;&atilde;o e transla&ccedil;&atilde;o    j&aacute; n&atilde;o estar&aacute; na mesma posi&ccedil;&atilde;o. Sendo assim,    a m&aacute;quina tanto pode aparecer em outro tempo, como em outro espa&ccedil;o,    por exemplo, dentro da pr&oacute;pria Terra e n&atilde;o na sua superf&iacute;cie.    Na maior parte das hist&oacute;rias isso n&atilde;o representa problema algum,    pois a "m&aacute;quina" simplesmente acompanha o planeta, quer essa caracter&iacute;stica    seja explicada, ou n&atilde;o. Essa "fixa&ccedil;&atilde;o" na Terra, por mais    absurda que possa parecer, deu conta de in&uacute;meras hist&oacute;rias, como    na s&eacute;rie de filmes para televis&atilde;o, hoje considerada um cl&aacute;ssico,    o <i>T&uacute;nel do tempo</i>, de 1966 (produ&ccedil;&atilde;o de Irwin Allen    e realizado com diretores convidados. A id&eacute;ia foi baseada no livro <i>T&uacute;nel    do tempo</i>, de Murray Leinster) (4). Mesmo a "m&aacute;quina" estando presa    &agrave; Terra, isto n&atilde;o impedia que os viajantes aparecessem no passado,    ou no futuro, em qualquer lugar do planeta. Esse problema &eacute; resolvido    de forma um pouco mais plaus&iacute;vel nas hist&oacute;rias mais modernas,    juntando-se na m&aacute;quina do tempo, o deslocamento espacial ao temporal.    Nesse caso, a id&eacute;ia de uma nave espacial permitir&aacute; os deslocamentos    para onde se desejar e onde for necess&aacute;rio, de acordo com os c&aacute;lculos    estabelecidos previamente.</p>     <p>Nas viagens no tempo &eacute; quase inevit&aacute;vel o surgimento dos paradoxos    temporais. &Eacute; poss&iacute;vel, por exemplo, voltar ao passado e impedir    o nascimento ou o desenvolvimento de algum personagem importante e que tenha    um papel fundamental no desenrolar da pr&oacute;pria hist&oacute;ria. Algumas    vezes o pr&oacute;prio viajante ir&aacute; impedir o seu pr&oacute;prio nascimento    e dessa forma coloca-se a quest&atilde;o de quem teria ido ao passado para realizar    tal ato. Estas quest&otilde;es, incluindo a entrada em universos paralelos,    s&atilde;o trabalhadas de forma curiosa e competente, por exemplo, nos tr&ecirc;s    filmes <i>De volta para o futuro</i> (<i>Back to the future, I, II</i> e <i>III</i>),    dirigidos por Robert Zemeckis (em 1985, 1989 e 1990), ou nos dois <i>Exterminador    do futuro</i> (<i>The terminator</i> e <i>Terminator 2 &#150; judgment day</i>),    dirigidos por James Cameron (em 1984 e 1991). Uma id&eacute;ia defendida por    alguns escritores &eacute; a de que, sendo os paradoxos imposs&iacute;veis de    ocorrerem, qualquer pessoa que voltasse no tempo seria, de alguma maneira, impedida    de realizar qualquer ato importante no sentido de alterar a hist&oacute;ria.    De uma certa maneira isso &eacute; realizado de forma consciente nos epis&oacute;dios    da s&eacute;rie de televis&atilde;o <i>Jornada nas estrelas</i>, de 1966. H&aacute;    uma recomenda&ccedil;&atilde;o expressa para n&atilde;o interferir com os acontecimentos    do passado, para que o futuro n&atilde;o seja alterado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>H&aacute; diversos outros paradoxos temporais que sempre trazem quest&otilde;es    interessantes para as hist&oacute;rias. Um deles &eacute; o do "arco fechado    no tempo", com os eventos causando o desenrolar da pr&oacute;pria hist&oacute;ria.    N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, de in&iacute;cio, dizer ou definir o que    &eacute; come&ccedil;o, o que &eacute; fim, o que &eacute; causa, o que &eacute;    efeito. Um exemplo deste tipo de situa&ccedil;&atilde;o foi abordado no cinema    nos 5 filmes da s&eacute;rie <i>Planeta dos macacos</i>, s&eacute;rie esta iniciada    em 1967 e terminada em 1973. A hist&oacute;ria parte do presente e atrav&eacute;s    de um tipo de "irregularidade" no espa&ccedil;o-tempo, astronautas caem no que    se imagina, de in&iacute;cio, ser um outro planeta, mas que na realidade &eacute;    a Terra no futuro. Outra quest&atilde;o interessante, tamb&eacute;m no campo    dos paradoxos temporais, &eacute; a quest&atilde;o do conhecimento daquilo que    acontece no tempo e a possibilidade de se encontrar com outros "eus", mais velhos    ou mais jovens, dependendo para onde a flecha do tempo &eacute; seguida. Em    geral, a explora&ccedil;&atilde;o mais freq&uuml;entemente realizada pelas hist&oacute;rias    de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica &eacute; em dire&ccedil;&atilde;o    ao futuro, mais em raz&atilde;o da fundamenta&ccedil;&atilde;o plaus&iacute;vel    pelas leis da Relatividade Geral, depois de Einstein, do que de prefer&ecirc;ncia    tem&aacute;tica. A no&ccedil;&atilde;o que est&aacute; por tr&aacute;s das hist&oacute;rias    &eacute; a de que o tempo passa naturalmente "para a frente", n&atilde;o necessariamente    de maneira constante, pois a velocidade da passagem do tempo ir&aacute; depender    da velocidade de deslocamento no espa&ccedil;o. Quanto mais depressa for o deslocamento,    mais devagar ir&aacute; passar o tempo. &Eacute; uma viagem de ida para o futuro,    como a que fazemos naturalmente desde que nascemos, mas apresentando nas hist&oacute;rias,    uma varia&ccedil;&atilde;o da velocidade (5).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14814q1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Al&eacute;m do Wells, com o seu livro <i>A m&aacute;quina do tempo</i> , outros    autores t&ecirc;m trabalhado tamb&eacute;m com o mesmo tema. Por exemplo, Murray    Leinster, com o livro j&aacute; citado <i>O t&uacute;nel do tempo</i>. Mais    recentemente, J.G. Ballard com <i>Passaporte para o eterno</i>, de 1963, Ren&eacute;    Barjavel, com o livro <i>A noite dos tempos</i>, de 1968 e a s&eacute;rie dos    drag&otilde;es de Anne McCaffrey, a partir de 1968. Neste caso, a fantasia <b>corre</b>    solta e a <b>m&aacute;quina do tempo</b>, que propicia as viagens no tempo,    s&atilde;o os drag&otilde;es (6).</p>     <p>Indo para o lado das pr&oacute;prias viagens e a explora&ccedil;&atilde;o e    a coloniza&ccedil;&atilde;o de outros mundos, autores como Paul Anderson (<i>A    grande cruzada</i>), C. S. Lewis (<i>Al&eacute;m do planeta silencioso</i>),    Howard Fast (<i>A vis&atilde;o do &Eacute;den</i>), Chad Oliver (<i>Os senhores    do sonho</i>), Robert Heinlein (<i>A Estrela dupla</i>), Stefan Wul (<i>A miss&atilde;o    em Sidar</i>), Isaac Asimov (com a s&eacute;rie <i>Funda&ccedil;&atilde;o</i>)    e Ray Bradbury (<i>As cr&ocirc;nicas marcianas</i>), entre outros, tratam de    forma brilhante o tema (7).</p>     <p>Pensando-se no tema das viagens e o encontro de mundos perdidos, mundos paralelos,    com cidades e culturas as mais diversas, nestes casos, aproximando-se mais uma    vez das utopias e suas varia&ccedil;&otilde;es, podemos citar, de novo, Isaac    Asimov, com o seu belo livro <i>Despertar dos deuses</i>, de 1972, Anne McCaffrey,    com o <i>Planeta dos drag&otilde;es</i>, de 1968, Frank Herbert, com <i>Duna</i>,    de 1965, Robert A. Heinlein, com o <i>Um estranho numa terra estranha</i>, de    1961, Stanislaw Lem, com <i>Solaris</i>, de 1961, entre outros (8).</p>     <p>Depois da inven&ccedil;&atilde;o da(s) m&aacute;quina(s) do tempo, das hist&oacute;rias    de viagens temporais para o passado e para o futuro, do encontro e da viv&ecirc;ncia    de mundos perdidos e de mundos paralelos tudo pareceria ter se esgotado em termos    das possibilidades do uso da imagina&ccedil;&atilde;o. Surpreendentemente, no    entanto, a realidade se mostra mais imaginativa do que a pr&oacute;pria fic&ccedil;&atilde;o,    se atentarmos para os rumos atuais de uma parte das pesquisas na &aacute;rea    da f&iacute;sica. Um pesquisador brasileiro, o f&iacute;sico Luiz Davidovich,    recebeu o Pr&ecirc;mio de F&iacute;sica de 2001, da Academia de Ci&ecirc;ncias    do Terceiro Mundo em raz&atilde;o do conjunto dos trabalhos desenvolvidos em    &oacute;ptica qu&acirc;ntica, particularmente por suas proposi&ccedil;&otilde;es    te&oacute;ricas sobre transi&ccedil;&atilde;o de fen&ocirc;menos do mundo qu&acirc;ntico    para o mundo cl&aacute;ssico. Estas proposi&ccedil;&otilde;es envolvem conceitos    como o da superposi&ccedil;&atilde;o de dois estados de uma part&iacute;cula,    o da interfer&ecirc;ncia e at&eacute; o do <b>tele-transporte</b>. O que beira    as melhores fantasias de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, como vimos    at&eacute; agora. As proposi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e experimentais    feitas pelo pesquisador e seus alunos, junto com outros grupos de trabalho da    &Eacute;cole Normale, de Paris, envolvem o tele-transporte do estado de um &aacute;tomo    para outro &aacute;tomo (numa esp&eacute;cie de fax qu&acirc;ntico) transferindo    informa&ccedil;&atilde;o de um sistema para outro. Tudo isso que parece a mais    pura fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica poder&aacute; ser testado operacionalmente    num futuro muito pr&oacute;ximo (9).</p>     <p>Como fecho para um ensaio como este, onde partimos da mais pura fantasia, representada    por uma determinada viagem no tempo realizada com uma m&aacute;quina espec&iacute;fica,    resta uma quest&atilde;o provocativa: quando essas conquistas cient&iacute;ficas    forem de fato incorporadas ao nosso cotidiano, de que cen&aacute;rio se ocupar&atilde;o    os futuros autores de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica?</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i><b>Nelson Marques</b> &eacute; bi&oacute;logo, professor na Faculdade de    Medicina da USP e professor-visitante da Universidade Federal do Rio Grande    do Norte. Foi um dos fundadores e coordenadores do Grupo Multidisciplinar de    Desenvolvimento e Ritmos Biol&oacute;gicos (GMDRB) da USP, que introduziu a    Cronobiologia no Brasil, em 1981.</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas e refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>1 <i>A m&aacute;quina do tempo</i>, Cole&ccedil;&atilde;o Mundos da Fic&ccedil;&atilde;o    Cient&iacute;fica, no. 23, Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1991, 109 p.; <i>    <!-- ref -->A    ilha do Dr. Moreau</i>, Livros de Bolso de Fic&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica,    no. 155, Europa-Am&eacute;rica, Mem Martins, Portugal, 1989, 120 p.; <i>    <!-- ref -->A guerra    dos mundos</i>, Editora Uliss&eacute;ia, Lisboa, 206 p.; <i>    <!-- ref -->Os primeiros homens    na lua</i>, Cole&ccedil;&atilde;o Mundos da Fic&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica,    no. 37, Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1985, 177 p. ; <i>    <!-- ref -->Alimento dos deuses</i>,    Cole&ccedil;&atilde;o Mestres do Horror e da Fantasia, Francisco Alves, Rio    de Janeiro, 1984, 241 p.; <i>    <!-- ref -->Viagem ao centro da Terra</i>, Cole&ccedil;&atilde;o    Hemus de Fic&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica, Hemus; <i>    <!-- ref -->Da Terra &agrave;    Lua</i>, Saraiva, S&atilde;o Paulo, 1968; <i>    Vinte mil l&eacute;guas submarinas</i>,    Cole&ccedil;&atilde;o Hemus de Fic&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica, Hemus.</p>     <!-- ref --><p>2 Allen, L. David. <i>No mundo da fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica</i>,    Summus, S&atilde;o Paulo, 1976, 311 p.; Ash, Brian. <i>Face of the future: the    lessons of science fiction</i>, Taplinger, New York, 1975; Carneiro, A. <i>Introdu&ccedil;&atilde;o    ao estudo da fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica</i>, Conselho Estadual de    Cultura, SP, 1967; Fiker, Rl. <i>Fic&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica - fic&ccedil;&atilde;o,    ci&ecirc;ncia ou uma &eacute;pica da &eacute;poca</i>, L&amp;PM, Porto Alegre,    1985, 112 p.; Schoereder, G. <i>Fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica</i>.    Cole&ccedil;&atilde;o Mundos da Fic&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica, no.    39, Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1986, 343 p.; Tavares, B. <i>O que &eacute;    fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica</i>, Brasiliense, S&atilde;o Paulo, 1992,    2a. edi&ccedil;&atilde;o, 87 p.<!-- ref --><p>3 Luciano, ou L&uacute;cio de Samos, no s&eacute;culo 2 depois de Cristo, descreve    uma viagem &agrave; Lua na sua obra <i>Icaromenipus</i>, sociedades e terras    imagin&aacute;rias s&atilde;o descritas por Fern&atilde;o Mendes Pinto (na obra    <i>Peregrina&ccedil;&atilde;o</i>), More, T. <i>A utopia</i>, Martin Claret,    S&atilde;o Paulo, 127 p.; Tomaso Campanella (<i>A cidade do Sol</i>, s&eacute;culo    XVII); Bacon, F. Nova Atl&acirc;ntida, In: Cole&ccedil;&atilde;o <i>Os Pensadores</i>,    Abril Cultural, 3a. edi&ccedil;&atilde;o, 1984, pp. 232-272;    <!-- ref --> Swift, J. <i>Viagens    de Gulliver</i>, C&iacute;rculo do Livro, S&atilde;o Paulo, 1973, 344 p.;    <!-- ref --> Huxley,    A. <i>Admir&aacute;vel mundo novo</i>, Bradil, Rio de Janeiro, 11a. edi&ccedil;&atilde;o,    1969, 316 p.     e Orwell, G. 1984, Companhia Editora Nacional, S&atilde;o Paulo,    4a. edi&ccedil;&atilde;o, 1970, 277 p.</p>     <!-- ref --><p>4 Leinster, M. <i>O t&uacute;nel do tempo</i>, Cole&ccedil;&atilde;o Argonauta,    no. 128, Livros do Brasil, Lisboa, 183 p.<p>5 Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s viagens no tempo h&aacute; alguns outros    paradoxos temporais interessantes: paradoxo do deslocamento em tr&acirc;nsito:    os viajantes do tempo, quando em tr&acirc;nsito, levam consigo o seu pr&oacute;prio    tempo, ou seja o presente do momento da pr&oacute;pria viagem. N&atilde;o ser&atilde;o    afetados por altera&ccedil;&otilde;es eventuais da hist&oacute;ria, ocorridas    depois de sua partida. Isso s&oacute; ocorrer&aacute; quando voltarem &agrave;    sua matriz temporal original, que ser&aacute;, ent&atilde;o modificada; paradoxo    dos "<i>loops</i>" de objetos e de pessoas: objetos e/ou pessoas s&atilde;o    "aprisionados" em um "<i>loop</i>" temporal, como o rel&oacute;gio no filme    <i>Em algum lugar do passado</i>, j&aacute; referido; paradoxo da substitui&ccedil;&atilde;o    temporal: os viajantes do tempo perdem a sua integridade temporal quando transportado    para o passado, futuro, ou quando voltam ao presente mediante uma troca de &aacute;tomos,    mol&eacute;culas e formas. O filme <i>A mosca</i> (<i>The fly</i>), de 1986,    dirigido por David Cronenberg (uma nova vers&atilde;o do cl&aacute;ssico de    1958, <i>A mosca da cabe&ccedil;a branca</i>, de Kurt Neumann) mostra de forma    assustadora a transforma&ccedil;&atilde;o de um cientista, numa experi&ecirc;ncia    cient&iacute;fica mal sucedida; um outro paradoxo temporal interessante &eacute;    o dos "loops" de repeti&ccedil;&atilde;o: a viv&ecirc;ncia cont&iacute;nua no    mesmo intervalo de tempo, n&atilde;o representando uma viagem no sentido tradicional    de transporte f&iacute;sico, seja para o passado ou para o futuro, mas, sim,    uma viv&ecirc;ncia cont&iacute;nua no mesmo presente. Este tema &eacute; abordado    de forma muito criativa no filme <i>Feiti&ccedil;o do tempo</i> (<i>Groundhog    day</i>) de Harold Ramis, realizado em 1993.</p>     <!-- ref --><p>6 Ballard, J. G. <i>Passaporte para o eterno</i>, Cole&ccedil;&atilde;o Argonauta,    no. 230, Livros do Brasil, Lisboa, 218 p.;    <!-- ref --> Barjavel, R. <i>A noite dos tempos</i>,    Artenova, Rio de Janeiro, 3a. edi&ccedil;&atilde;o, 1975, 186 p.;    <!-- ref --> McCaffrey,    A. <i>O planeta dos drag&otilde;es</i>, Cole&ccedil;&atilde;o Argonauta, nos.    297, 298 e 299, Livros do Brasil, Lisboa, 209, 235, 242 p.<!-- ref --><p>7 Anderson, P. <i>A grande cruzada</i>, Cole&ccedil;&atilde;o 3C, no. 12, Uliss&eacute;ia,    Lisboa;    <!-- ref --> Lewis, C. S. <i>Para al&eacute;m do planeta silencioso</i>, Livros de    Bolso de Fic&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica, no. 80, Europa-Am&eacute;rica,    Mem Martins, Portugal, 151 p.;    <!-- ref --> Howard Fast (<i>A vis&atilde;o do &Eacute;den</i>);    <!-- ref -->    Oliver, C. <i>Senhores do sonho</i>, Fic&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica    GRD, no. 17, Edi&ccedil;&otilde;es GRD, Rio de Janeiro, 1964, 150 p.;    <!-- ref --> Heinlein,    R. <i>Estrela dupla</i>, Cole&ccedil;&atilde;o Argonauta, no. 39, Livros do    Brasil, Lisboa, 227 p.;    <!-- ref --> Wul, S. <i>Miss&atilde;o em Sidar</i>, Cole&ccedil;&atilde;o    Argonauta, no. 72, Livros do Brasil, Lisboa, 151 p.;    <!-- ref --> Asimov, I. <i>Funda&ccedil;&atilde;o</i>,    Hemus, S&atilde;o Paulo, 1978, 503 p.;    <!-- ref --> Bradbury, R. <i>Cr&ocirc;nicas marcianas</i>,    Caminho Fic&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica, no. 15, Caminho, Lisboa, 1985,    189 p.<!-- ref --><p>8 Asimov, I. <i>Despertar dos deuses</i>, Cole&ccedil;&atilde;o Hemus de Fic&ccedil;&atilde;o    Cient&iacute;fica, Hemus, S&atilde;o Paulo, 272 p.;    <!-- ref --> Herbert, F. Duna, Nova Fronteira,    Rio de Janeiro, 1987, 672 p.;    <!-- ref --> Heinlein, R. <i>Um estranho numa terra estranha</i>,    Artenova, Rio de Janeiro, 1973, 412 p.;    <!-- ref --> Lem, S. <i>Solaris</i>, Cole&ccedil;&atilde;o    Aster&oacute;ide, no. 6, S&aacute;bia, Rio de Janeiro, 1971, 197 p.<p>9 Trechos de uma longa entrevista com o f&iacute;sico Luiz Davidovich, realizada    por Mariluce Moura, foram publicados na revista <i>Pesquisa Fapesp</i> de Maio    de 2002 (no. 75), pp. 56-59. A vers&atilde;o completa encontra-se no site <i><a href="http://www.revistapesquisa.fapesp.br">www.revistapesquisa.fapesp.br</a></i>.</p>      ]]></body><back>
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