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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4">Antropologia</font></p>     <p><font size=5>O <small>SABER DA FLORESTA</small></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Produzido entre as pr&eacute;vias da Eco-92 e da Rio + 10, <i>Enciclop&eacute;dia    da floresta &#150; o Alto Juru&aacute;, pr&aacute;ticas e conhecimentos das popula&ccedil;&otilde;es</i>    aborda algo intensamente discutido quando o tema &eacute; a quest&atilde;o ambiental    nos pa&iacute;ses em desenvolvimento e ricos em biodiversidade: o conhecimento    tradicional.</p>     <p>O livro &eacute; uma edi&ccedil;&atilde;o primorosa, lan&ccedil;ada em junho    deste ano pela Companhia das Letras, que re&uacute;ne em suas 735 p&aacute;ginas    textos de 38 pesquisadores de diferentes &aacute;reas do saber, como biologia,    geologia, bot&acirc;nica e antropologia. Fartamente ilustrado com imagens in&eacute;ditas    da regi&atilde;o, tem como destaque os desenhos do &iacute;ndio Moys&eacute;s    Piy&atilde;ko, que reproduz mitos sobre os elementos da natureza como as esta&ccedil;&otilde;es    do ano, al&eacute;m do calend&aacute;rio ashaninka, presente na parte 3 do livro,    que trata do "Tempo, ciclos e calend&aacute;rios".</p>     <p>Do levantamento do conhecimento, da biodiversidade e das pr&aacute;ticas tradicionais    da regi&atilde;o do Alto Juru&aacute;, no sudoeste do Acre, participaram seringueiros    e os grupos ind&iacute;genas Kaxinaw&aacute;, Ashaninka e Katukina. A enciclop&eacute;dia    &eacute; fruto do projeto piloto na Reserva Extrativista do Alto Juru&aacute;,    financiado pela Funda&ccedil;&atilde;o MacArthur e coordenado pelos antrop&oacute;logos    Manuela Carneiro da Cunha e Mauro Almeida e pelo bi&oacute;logo Keith Brown.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14825f1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>As pesquisas realizadas no projeto demonstram que &eacute; poss&iacute;vel    gerenciar &aacute;reas de conserva&ccedil;&atilde;o ambiental por nativos e,    quando isso ocorre, o resultado &eacute; que biodiversidade &eacute; mantida    e pode at&eacute; crescer. Al&eacute;m de registrar a riqueza do conhecimento    das popula&ccedil;&otilde;es nativas e import&acirc;ncia da biodiversidade e    da sociodiversidade, a <i>Enciclop&eacute;dia da floresta</i> refor&ccedil;a    o reconhecimento do saber tradicional como forma de ci&ecirc;ncia v&aacute;lida.    Ainda n&atilde;o existe uma legisla&ccedil;&atilde;o que proteja os conhecimentos    tradicionais e persistem impasses acerca do tema, j&aacute; tratado na Conven&ccedil;&atilde;o    da Biodiversidade de 1992. Por isso, e para proteger as comunidades locais,    os organizadores do livro optaram por autocensurar na publica&ccedil;&atilde;o    v&aacute;rias informa&ccedil;&otilde;es que poderiam ter usos comerciais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De acordo com um dos coordenadores, Mauro Almeida,como a legisla&ccedil;&atilde;o    no Brasil ainda &eacute; incipiente nessa &aacute;rea e n&atilde;o proteje adequadamente    os direitos intelectuais das popula&ccedil;&otilde;es sobre seus conhecimentos,    a publica&ccedil;&atilde;o de certas informa&ccedil;&otilde;es as levaria para    dom&iacute;nio p&uacute;blico. "Uma vez no dom&iacute;nio p&uacute;blico, a    possibilidade das popula&ccedil;&otilde;es participarem dos benef&iacute;cios    de uma eventual utiliza&ccedil;&atilde;o comercial destes conhecimentos fica    amea&ccedil;ada, dado o estado atual da legisla&ccedil;&atilde;o", afirma o    antrop&oacute;logo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/fbpe/cic/v54n2/14825f2.jpg">Representa&ccedil;&atilde;o da    natureza, com esp&eacute;cies florestais desenhadas por Moys&eacute;s Piy&atilde;ko</a></p>      ]]></body>
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