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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4">Victor Hugo</font></p>     <p><font size=5>A<small>UTOR POPULAR E INT&Eacute;RPRETE DO </small>R<small>OMANTISMO    FRANC&Ecirc;S</small></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A vida de Victor Hugo percorreu quase todo s&eacute;culo XIX plena de produ&ccedil;&atilde;o    e presen&ccedil;a pol&iacute;tica na sociedade francesa da &eacute;poca. Precoce    e superdotado,ainda menino comp&ocirc;s seus primeiros poemas, que lhe valeram    recompensas da Academia Francesa (1817) e da Academia dos Jogos Florais de Tolouse    (1819). Al&eacute;m de poeta, romancista, dramaturgo e teorizador do Romantismo,    participou dos grandes debates pol&iacute;ticos de seu s&eacute;culo, tornando-se    no final da vida o poeta oficial da Rep&uacute;blica. &Eacute; um autor popular,    n&atilde;o s&oacute; por suas id&eacute;ias sociais, mas tamb&eacute;m pelos    grandes sentimentos humanos que exprimiu ao longo de sua obra. Para C&eacute;lia    Berrettini, professora em&eacute;rita da ECA-USP e especialista em Literatura    Francesa, pode-se perceber, pelas comemora&ccedil;&otilde;es que ocorrem por    toda parte pelos 200 anos de seu nascimento, que Victor Hugo alcan&ccedil;ou    sua aspira&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima: a de ser um poeta popular.</p>     <p>Em 1812, aos dez anos, Victor Hugo comp&otilde;e o drama <i>Le Chateau du Diable,</i>    obra que mais tarde ofereceu a seu grande amor, Juliette Drouet. Dois anos depois,    escreve a primeira trag&eacute;dia &#150; <i>Irtam&egrave;ne</i> &#150; segundo    o modelo de Voltaire; aos 20 anos tem sua primeira pe&ccedil;a aceita &#150;    <i>In&ecirc;s de Castro &#150;</i> que acabou censurada, pois a personalidade    do rei Alfonso, manobrado por sua mulher, evocava a de Luis XVIII, nas m&atilde;os    de seus favoritos, rememora a pesquisadora.</p>     <p>As v&iacute;timas sociais, t&atilde;o bem retratadas em sua produ&ccedil;&atilde;o    &#150; como em <i>Notre Dame</i> (1831) e <i>Os miser&aacute;veis</i> (1862)    &#150; foram express&otilde;es de um observador privilegiado, cuja vida ocupou    quase todo s&eacute;culo. Para Berrettini, sua obra caracteriza-se pela fecundidade    e diversidade. A produ&ccedil;&atilde;o de Victor Hugo expressa sua grande vitalidade,    mantida at&eacute; a morte, mas h&aacute; uma linha divis&oacute;ria em sua    obra, ap&oacute;s perder tragicamente sua filha num naufr&aacute;gio, em 1844.    "Essa dor passa a estar presente nos seus poemas e desenhos &#150; elegias &agrave;    sua filha Leopoldine", segundo a pesquisadora.</p>     <p><b><font size="4">"Teatro &eacute; um p&uacute;lpito"</font></b></p>     <p>De partid&aacute;rio do pr&iacute;ncipe Lu&iacute;s Napole&atilde;o III, a    quem ap&oacute;ia para Presidente da Rep&uacute;blica, passa depois a atac&aacute;-lo,    denunciando ambi&ccedil;&otilde;es totalit&aacute;rias e combatendo o cesarismo,    o que o leva ao ex&iacute;lio (1851 a 1870) em Bruxelas, Jersey e Guernesey.    Nessa &eacute;poca, funda o <i>Journal L'&Eacute;v&eacute;nement</i>. Disposto    a ser o "vingador da consci&ecirc;ncia francesa ultrajada" &#150; produziu um    panfleto em prosa sobre o monarca, a quem chamava de "O Pequeno". Chegou a cogitar    de exilar-se no Brasil, segundo historiografia lembrada por Berrettini. Fez    alus&otilde;es ao pa&iacute;s em diversos momentos de sua obra. Como ao elogiar    as senhoras do Rio de Janeiro &#150; "que &agrave; noite p&otilde;em nos cabelos    pequenas bolas de gaze, contendo cada qual um vaga-lume, bela marca luminosa    que as adorna de estrelas" &#150; em <i>Os trabalhadores do mar</i>, obra traduzida    por Machado de Assis. Em 1871, elogiou a lei do Ventre Livre em um jornal belga.    Em 1883, ao saber da funda&ccedil;&atilde;o de um clube republicano na Para&iacute;ba    do Sul, dedicou alguns versos onde vaticinava um grande futuro para o Brasil:    "Sereis a Europa amanh&atilde;". Para a professora, o poeta com as maiores marcas    de influ&ecirc;ncia de Victor Hugo em sua obra foi Castro Alves, "embora outros    tamb&eacute;m tenham absorvido caracter&iacute;sticas suas".</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/14827f1.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Victor Hugo realizou a unidade da arte dram&aacute;tica, analisa C&eacute;lia.    Como definiu no pref&aacute;cio de sua pe&ccedil;a <i>Cromwell</i>: "o drama    &eacute; a poesia completa ou a s&iacute;ntese do grotesco e do sublime. O drama    se assemelha &agrave; trag&eacute;dia pela pintura das paix&otilde;es, e &agrave;    com&eacute;dia pela pintura dos caracteres. O drama &eacute; a terceira forma    de arte, compreendendo, envolvendo e fecundando as duas primeiras"</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><b><i>Wanda Jorge</i></b></p>      ]]></body>
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