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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v54n2/tp9.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><b><font size="4">E<small>SBARRONDADO</small></font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right">E<small>VANDRO</small> A<small>FFONSO</small> F<small>ERREIRA    <br>   </small><small>PARA</small> A<small>NT&Ocirc;NIO</small> C<small>ELSO</small>    <small>DE</small> Q<small>UEIR&Oacute;S E</small> S<small>OUSA</small></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>(Catrap&oacute;s catrap&oacute;s catrap&oacute;s cavaleiro anhanga in propria    persona se aprochega de s&uacute;bito intimando ei fulaninho-n&atilde;o-sei-dos-quantos    desterrado em si mesmo vem garupa todinha sua a&uacute;pa catrap&oacute;s catrap&oacute;s    catrap&oacute;s).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Olhos dela mulher tenebrosa parece caixa de Pandora aquela donde sa&iacute;ram    todos os males que povoam a Terra; veja, fulminante; dizem que matou quatro    filhos pequenos todos envenenados; pris&atilde;o perp&eacute;tua; olhar da estupentada    de vez em quando fica alheio de tudo se perde por entre os vazios inexplic&aacute;veis    do nada; se recusa a sair da cela, seis meses daquele jeito amassando uvas imagin&aacute;rias    com os p&eacute;s alternando olhares ora faiscantes ora alheados; digo sempre    repito que nem o mais s&aacute;bio dos mortais jamais conhecer&aacute; todos    os recantos e escaninhos da alma humana; cora&ccedil;&atilde;o angustioso dela    vi&uacute;va pobre-diaba est&aacute; quem sabe tachonado de pregos enferrujados;    veja, rosto revelhusco aquele &eacute; desarm&ocirc;nico com a idade verdadeira,    42 anos; enfermeira vez em quando vem fazer curativo, esfoladura, vaiv&eacute;m    cont&iacute;nuo, unhas da m&atilde;o direita arranhando bra&ccedil;o esquerdo;    ataduras que tais tanto faz sempre arranca, camisa-de-for&ccedil;a talvez estamos    pensando seriamente sobre; oportuno lembrar agora p&aacute;ssaro pelicano cujo    amor aos filhos transcende o racionalismo pois quando os encontra mortos pelas    serpentes dilacera o pr&oacute;prio peito banhando com seu prodigioso sangue    rebentos extintos que incontinenti voltam &agrave; vida; agora cabisbaixa, veja,    cabe&ccedil;a pra l&aacute; pra c&aacute; feito p&ecirc;ndulo de rel&oacute;gio    remoto; desesperan&ccedil;a eterna como os &aacute;tomos; vizinhos parentela    toda todos dizem que infeliz a&iacute; matou por amor, mis&eacute;ria demais    fome demais tormento demais, sabe-se l&aacute;, precipitante concordar brevi    manu argumento-padr&atilde;o quem ama n&atilde;o mata; trag&eacute;dias deste    naipe terminam sempre com o suic&iacute;dio daquele que produz o assass&iacute;nio;    pobre-diaba aquela digamos transgrediu uma regra; cabe&ccedil;a agora pendendo    pro lado esquerdo pof pof pof batendo na fronte como quem tenta escoar quem    sabe pensamentos funestos pelos ouvidos; veja, mudou de posi&ccedil;&atilde;o,    mesma coisa lado direito; dantesco; pobre-diaba parece possu&iacute;da por Adrast&eacute;ia    deusa da vingan&ccedil;a aquela a que n&atilde;o se pode escapulir; logo-logo    enfermeira chega trazendo inje&ccedil;&atilde;o para aquietar tr&ecirc;s horas    pelo menos c&eacute;rebro ali desassistido de esperan&ccedil;a; veja, se procumbindo    agora sabe Deus diante de um anhanga poderoso qualquer do fosso de Malabolge    talvez; gesto reverente este ainda n&atilde;o tinha visto, novidade, campo vasto    infinito de experi&ecirc;ncia, veja, soltando perdigoto como quem tem fiapo    de cabelo na l&iacute;ngua, ou&ccedil;a, estava demorando, urros pungentes,    desventurosa reduzida a um ser in perpetuum doloroso, morte chegasse ali de    repente zape seria um b&acirc;lsamo; vamos minha jovem doutoranda, continue    empunhando minic&acirc;mera, perca nada detalhe nenhum, pronto, enfermeira chegou,    hora de aquietar tr&ecirc;s horas pelo menos alma desatinada aquela cuja dor...    ora, minha jovem, fique constrangida n&atilde;o, primeiro dia assim mesmo, len&ccedil;o    limpo, pegue.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Evandro Affonso Ferreir&aacute; &eacute; autor de</i> Grogot&oacute;<i>,    Top Books, Rio de Janeiro, 2000. "Esbarrondado" &eacute; um dos contos do livro    in&eacute;dito</i> Quetiliqu&ecirc;<i>.</i></p>      ]]></body>
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