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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/tb2.gif"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14833f1.jpg"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p>P<small>OL&Iacute;TICAS P&Uacute;BLICAS</small></p>      <p><b><font size="4">Poucos centros de pesquisa se dedicam ao estudo da fome</font></b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>No Brasil, 44 milh&otilde;es de pessoas passam fome, mas o pa&iacute;s n&atilde;o conhece a fome. Josu&eacute; de Castro que o diga. Ele foi o primeiro a realizar reflex&otilde;es sistem&aacute;ticas sobre o problema: em <i>Geografia da fome</i> (1946) e <i>Geopol&iacute;tica da fome</i> (1951), ao abordar a quest&atilde;o num contexto pol&iacute;tico-social in&eacute;dito, revelou uma realidade assustadora, e seu trabalho alcan&ccedil;ou repercuss&atilde;o internacional.</p>      <p>Para Walter Belik, professor do Instituto de Economia da Unicamp e especialista em seguran&ccedil;a alimentar, s&oacute; recentemente os pesquisadores retomaram os estudos da fome no Brasil, de forma multidisciplinar e abrangente. "O tema est&aacute; voltando a ter import&acirc;ncia: ainda n&atilde;o existem congressos brasileiros e a literatura sobre o assunto &eacute; pouca, mas &eacute; uma &aacute;rea de pesquisa que est&aacute; crescendo", diz Belik.</p>      <p>A falta de verba n&atilde;o &eacute; um argumento para o desinteresse em estudar o problema. Belik lembra que existe uma linha de financiamento na Fapesp, em S&atilde;o Paulo, espec&iacute;fica para pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. "Mas os pesquisadores n&atilde;o se interessam por elaborar projetos sobre a fome". Falta articula&ccedil;&atilde;o entre os pesquisadores de diferentes &aacute;reas, e existem poucos nutricionistas e profissionais da &aacute;rea de sa&uacute;de p&uacute;blica estudando a fome. "S&oacute; a geografia humana tem hoje uma discuss&atilde;o mais abrangente sobre o tema". Al&eacute;m da falta de integra&ccedil;&atilde;o entre os pesquisadores, a falta de m&eacute;todos de pesquisa adequados tamb&eacute;m &eacute; um entrave, acrescenta.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No Brasil, os esfor&ccedil;os da comunidade cient&iacute;fica concentram-se nas universidades federais do Rio de Janeiro e Pernambuco, na PUC de Minas Gerais e na Unicamp. Belik enfatiza o trabalho da Embrapa, em busca de alternativas para melhorar a produtividade dos pequenos produtores e das produ&ccedil;&otilde;es familiares de regi&otilde;es cr&iacute;ticas como o semi-&aacute;rido nordestino. Ele assinala, ainda, alguns estudos brasileiros para nortear o investimento social de combate &agrave; fome. Um deles &eacute; do Ipea (Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada), que usa a metodologia da FAO para comparar as necessidades cal&oacute;ricas m&iacute;nimas e custo de uma cesta b&aacute;sica por regi&atilde;o metropolitana brasileira. Mostra que distribui&ccedil;&atilde;o de renda n&atilde;o &eacute; suficiente para tornar acess&iacute;vel os alimentos &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es mais pobres: "&eacute; preciso fazer chegar os alimentos &agrave;s pessoas e ensin&aacute;-las a se alimentarem corretamente", alerta.</p>      <p><b>N<small>O EXTERIOR</small></b> Diferentemente do Brasil, as pol&iacute;ticas    de combate &agrave; fome adotadas em pa&iacute;ses, como EUA e Canad&aacute;,    s&atilde;o cada vez mais baseadas em resultados de pesquisas cient&iacute;ficas.    Um exemplo americano de programa bem sucedido, que tem servido de exemplo ao    Brasil, &eacute; o Programa de Cupom Alimenta&ccedil;&atilde;o, que tornou-se    permanente desde a d&eacute;cada de 70 nos EUA.</p>      <p>"De acordo com os dados oficiais, a FAO considera que o Brasil est&aacute; dentro do grupo de pa&iacute;ses que melhoraram a situa&ccedil;&atilde;o da fome e desnutri&ccedil;&atilde;o cr&ocirc;nica a partir da C&uacute;pula Mundial da Alimenta&ccedil;&atilde;o em 1996", disse Jos&eacute; Tubino, representante da FAO no Brasil. O que n&atilde;o significa, por&eacute;m, que o Brasil cumpriu os compromissos assumidos na C&uacute;pula: para reduzir o n&uacute;mero de famintos pela metade, at&eacute; 2015, o Brasil ter&aacute; que intensificar seus esfor&ccedil;os, acrescenta Tubino.</p>      <p>A elabora&ccedil;&atilde;o do Projeto Fome Zero &eacute; uma prova do interesse brasileiro em cumprir o seu compromisso. "Fome Zero &eacute; uma proposta importante que integra a luta contra a fome e a mis&eacute;ria. A FAO compartilha dessas id&eacute;ias, e dar&aacute; grande aten&ccedil;&atilde;o ao desenvolvimento desse projeto", assegura.</p>      <p>Em seu primeiro pronunciamento oficial como presidente da Rep&uacute;blica    eleito, Luiz In&aacute;cio Lula da Silva anunciou a cria&ccedil;&atilde;o da    Secretaria de Emerg&ecirc;ncia Social, voltada prioritariamente para a quest&atilde;o    da fome. O Projeto Fome Zero, elaborado pelo Instituto Cidadania e sob coordena&ccedil;&atilde;o    do economista Jos&eacute; Graziano da Silva, da equipe do presidente eleito,    tem a tarefa de erradicar a fome e assegurar o direito &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o    de qualidade no Brasil. O projeto dever&aacute; ser a base para a elabora&ccedil;&atilde;o    de uma pol&iacute;tica de seguran&ccedil;a alimentar e nutricional para o Brasil    nos pr&oacute;ximos anos.</p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="right"><i><b>Juliana Schober</b></i></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14833q1.jpg"></p>      ]]></body>
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