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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/tb2.gif"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p><b>G<small>EN&Eacute;TICA</small></b></p>     <p><font size="4"><b>Variabilidade do tambaqui deve ser preservada</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O tambaqui (<i>Colossoma macropomum</i>) &eacute; um peixe amaz&ocirc;nico    muito importante para a pesca regional e uma das principais esp&eacute;cies    da piscicultura brasileira. Uma caracter&iacute;stica marcante &eacute; a grande    plasticidade genot&iacute;pica e fenot&iacute;pica, que permite &agrave; esp&eacute;cie    sobreviver no heterog&ecirc;neo ambiente amaz&ocirc;nico. Por&eacute;m, essa    caracter&iacute;stica vital, obtida em anos de evolu&ccedil;&atilde;o, est&aacute;    sendo perdida em popula&ccedil;&otilde;es de tambaquis cultivados, como mostra    uma pesquisa do Laborat&oacute;rio de Ecofisiologia e Evolu&ccedil;&atilde;o    Molecular, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia (Inpa).</p>     <p>Os pesquisadores compararam popula&ccedil;&otilde;es de tambaquis provenientes    da natureza, nas proximidades de Manaus, e popula&ccedil;&otilde;es confinadas    da Esta&ccedil;&atilde;o de Piscicultura do Departamento Nacional de Obras Contra    a Seca localizada em Pentecoste (Cear&aacute;), do Centro de Aquicultura da    Universidade Estadual de S&atilde;o Paulo em Jaboticabal (SP) e de uma fazenda    localizada em Itacoatiara (AM). Os locais foram escolhidos por apresentarem    popula&ccedil;&otilde;es de tambaquis com grande possibilidade de diferencia&ccedil;&atilde;o    gen&eacute;tica.</p>     <p>O estudo, realizado por Marco Aur&eacute;lio Brito Leit&atilde;o e orientado    pela pesquisadora Vera Val (Inpa), &eacute; o &uacute;nico a calcular precisamente    os &iacute;ndices de heterozigocidade e polimorfismo em tambaquis. Vera explica    que esses &iacute;ndices fornecem o grau de varia&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica    dos tambaquis estudados. "A diminui&ccedil;&atilde;o da diversidade gen&eacute;tica    pode causar perda de adaptabilidade ao ambiente, pondo em risco a sobreviv&ecirc;ncia    ao longo das gera&ccedil;&otilde;es". Segundo Vera, os organismos se adaptam    &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es adversas do ambiente por meio de mecanismos    de regula&ccedil;&atilde;o g&ecirc;nica, mas, quanto menor a variabilidade,    menores as chances dos animais se adaptarem ao ambiente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14836f1.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Na opini&atilde;o dos pesquisadores, o confinamento de popula&ccedil;&otilde;es    de peixes aumenta as chances de endocruzamento. "Quanto menor a popula&ccedil;&atilde;o,    menores s&atilde;o os &iacute;ndices de heterozigocidade e polimorfismo. A perda    dessas taxas tem conseq&uuml;&ecirc;ncias t&atilde;o dr&aacute;sticas que, se    a esp&eacute;cie atingir um tamanho abaixo do m&iacute;nimo suport&aacute;vel    na natureza, ela pode ser extinta", afirma Vera Val.</p>     <p>O estudo do Inpa mostrou que os tambaquis confinados est&atilde;o perdendo    sua variabilidade gen&eacute;tica, o que n&atilde;o foi observado em peixes    coletados na natureza. As popula&ccedil;&otilde;es de tambaquis do Cear&aacute;    e de Jaboticabal, confinadas h&aacute; mais tempo, apresentaram menor variabilidade    gen&eacute;tica. Os fatores ambientais tamb&eacute;m interferem na variabilidade    gen&eacute;tica. Nos animais de Jaboticabal, os pesquisadores apuraram ind&iacute;cios    de que as condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas no inverno &shy; muito diferentes    da Amaz&ocirc;nia &shy; influenciam os confinados por meio de diferen&ccedil;as    nas regula&ccedil;&otilde;es g&ecirc;nicas de algumas enzimas; o que n&atilde;o    ocorre nos tambaquis confinados de Itacoatiara (AM). Outro fator, no caso amazonense,    foi o curto per&iacute;odo de confinamento dessa popula&ccedil;&atilde;o, que    foi separada da natureza h&aacute; menos tempo que as outras.</p>     <p>Muitas vezes, a diminui&ccedil;&atilde;o da variabilidade gen&eacute;tica &eacute;    induzida pelos produtores para melhorar algumas qualidades produtivas espec&iacute;ficas:    qualidade da carne, taxas de crescimento, entre outras. A pesquisadora n&atilde;o    se op&otilde;e a esse tipo de melhoria, mas adverte que &eacute; preciso manter    um m&iacute;nimo necess&aacute;rio de variabilidade gen&eacute;tica para que    as popula&ccedil;&otilde;es possam se sustentar.</p>     <p>A diminui&ccedil;&atilde;o da variabilidade gen&eacute;tica gera tambaquis    com dificuldades de sobreviver dentro do pr&oacute;prio ambiente de cultivo,    peixes mais vulner&aacute;veis a parasitoses, menos tolerantes a mudan&ccedil;as    de temperaturas, entre outros. "Caso os produtores n&atilde;o fa&ccedil;am o    acompanhamento gen&eacute;tico dos plant&eacute;is e das matrizes, as popula&ccedil;&otilde;es    confinadas ter&atilde;o problemas para sobreviver". Ela recomenda inserir novas    matrizes reprodutoras, vindas de ambiente selvagem, para restaurar a heterogozicidade    desses plant&eacute;is.</p>       ]]></body>
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