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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/tp14.gif"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p><b><font size="4">M<small>AL&Aacute;RIA, MALEITA, PALUDISMO</small></font></b></p>      <p>Erney Plessmann Camargo</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b><font size=5>A</font></b> mal&aacute;ria sempre foi, desde a Antig&uuml;idade,    um dos principais flagelos da humanidade. Atualmente, pelo menos 300 milh&otilde;es    de pessoas contraem mal&aacute;ria por ano em todo o mundo. Destas, cerca de    1,5 a 2 milh&otilde;es morrem. Quase 3 mil crian&ccedil;as morrem por dia de    mal&aacute;ria na &Aacute;frica. Os custos diretos e indiretos da mal&aacute;ria    para a &Aacute;frica s&atilde;o da ordem de US$2 bilh&otilde;es por ano. A doen&ccedil;a    mata, anualmente, duas vezes mais que a AIDS e muito mais que qualquer outra    doen&ccedil;a infecciosa.</p>      <p>A mal&aacute;ria est&aacute; presente, tamb&eacute;m, em mais de 90 pa&iacute;ses, embora com preval&ecirc;ncia diferente. Os mais comprometidos s&atilde;o &Iacute;ndia, Brasil (cerca de 300 mil casos/ano), Afeganist&atilde;o e pa&iacute;ses asi&aacute;ticos, incluindo a China.</p>      <p>A mal&aacute;ria &eacute; tipicamente uma doen&ccedil;a do mundo subdesenvolvido. J&aacute; desapareceu da Europa e da Am&eacute;rica do Norte, onde vicejou at&eacute; a metade do s&eacute;culo XX. Na &uacute;ltima d&eacute;cada, apenas cerca de 400 casos anuais de mal&aacute;ria foram registrados no Canad&aacute;, e 900 nos Estados Unidos. Por&eacute;m, a grande maioria destes casos eram importados; apenas uma dezena se originando no pr&oacute;prio pa&iacute;s, a maioria resultante de transfus&otilde;es de sangue.</p>      <p>Todo esse sofrimento a humanidade deve a dois inimigos que se aliaram h&aacute; mil&ecirc;nios para seviciar a esp&eacute;cie humana: um protozo&aacute;rio e um mosquito.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A <small>DOEN&Ccedil;A E SUA TRANSMISS&Atilde;O</small></b> Tamb&eacute;m    chamada de maleita, impaludismo, paludismo e febre ter&ccedil;&atilde; ou quart&atilde;,    a mal&aacute;ria apresenta sintomatologia t&iacute;pica, quase inconfund&iacute;vel    (1). Manifesta-se por epis&oacute;dios de calafrios seguidos de febre alta que    duram de 3 a 4 horas. Esses epis&oacute;dios s&atilde;o, em geral, acompanhados    de profundo mal-estar, n&aacute;useas, cefal&eacute;ias e dores articulares.    Passada a crise, o paciente pode retomar sua vida habitual. Mas, depois de um    ou dois dias, o quadro calafrio/febre retorna e se repete por semanas at&eacute;    que o paciente, n&atilde;o tratado, sare espontaneamente ou morra em meio a    complica&ccedil;&otilde;es renais, pulmonares e coma cerebral. Tratado a tempo,    s&oacute; excepcionalmente morre-se de mal&aacute;ria.</p>      <p>O intervalo entre os epis&oacute;dios, a gravidade da doen&ccedil;a e seu grau de mortalidade, dependem de muitos fatores, mas, principalmente, da esp&eacute;cie de parasita causador da mal&aacute;ria. Existe um espectro enorme de formas cl&iacute;nicas de mal&aacute;ria, umas mais graves, outras mais brandas e outras at&eacute; sem sintomas. Quando sintom&aacute;tica, a caracter&iacute;stica principal da maleita &eacute; a sua not&oacute;ria intermit&ecirc;ncia.</p>      <p>A mal&aacute;ria &eacute; causada por protozo&aacute;rios, que se multiplicam nos gl&oacute;bulos vermelhos do sangue do homem. As esp&eacute;cies causadoras da mal&aacute;ria humana s&atilde;o quatro: <i>Plasmodium vivax</i>, <i>P. falciparum</i>, <i>P. malariae</i> e <i>P. ovale</i>. O <i>falciparum</i> &eacute; respons&aacute;vel por uma forma muito grave de mal&aacute;ria, outrora chamada de ter&ccedil;&atilde; maligna. Das mortes anuais devidas &agrave; mal&aacute;ria, mais de 95% s&atilde;o causadas pelo <i>falciparum</i>. O <i>vivax</i> causa uma doen&ccedil;a mais branda, a ter&ccedil;&atilde; benigna, que, no entanto, tem o inconveniente de retornar ap&oacute;s ter sido aparentemente curada. Isso, porque nas c&eacute;lulas do f&iacute;gado do homem infectado podem permanecer algumas formas em hiberna&ccedil;&atilde;o (1).</p>      <p>Po&ccedil;&otilde;es contra a mal&aacute;ria s&atilde;o conhecidas na China h&aacute; 30 s&eacute;culos. O princ&iacute;pio ativo dessas po&ccedil;&otilde;es, a artemisinina, &eacute; hoje usada como droga importante no tratamento da mal&aacute;ria. Os incas, no s&eacute;culo XVI, e depois deles o mundo todo, j&aacute; usavam o extrato da casca da quina para o tratamento da mal&aacute;ria. O quinino &eacute; o princ&iacute;pio ativo da quina de uso contempor&acirc;neo. V&aacute;rios medicamentos foram sintetizados, ao longo dos anos, pela ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica. Cada um tem uma indica&ccedil;&atilde;o preferencial segundo o tipo de plasm&oacute;dio, idade do paciente, gravidade da doen&ccedil;a, gesta&ccedil;&atilde;o, entre outros fatores. Mas todos contribuem para que o tratamento atual da mal&aacute;ria seja f&aacute;cil e eficaz. Com tratamento adequado e em tempo h&aacute;bil, ningu&eacute;m deveria morrer hoje de mal&aacute;ria.</p>      <p>O homem &eacute; o &uacute;nico hospedeiro em natureza das esp&eacute;cies de plasm&oacute;dio, que s&atilde;o transmitidas de homem a homem pela picada de mosquitos hemat&oacute;fagos (pernilongos, carapan&atilde;s) que albergam as formas infectantes do plasm&oacute;dio em suas gl&acirc;ndulas salivares.</p>      <p>A ocorr&ecirc;ncia de mal&aacute;ria est&aacute; intimamente associada &agrave; presen&ccedil;a e prolifera&ccedil;&atilde;o de mosquitos do g&ecirc;nero <i>Anopheles</i>. S&atilde;o muit&iacute;ssimas as esp&eacute;cies de <i>Anopheles</i>, cada uma com suas prefer&ecirc;ncias evolutivas e alimentares. Todas elas p&otilde;em seus ovos em cole&ccedil;&otilde;es d'&aacute;gua, mas algumas preferem &aacute;guas paradas, outras preferem &aacute;guas limpas de fluxo lento, ou sujas, ou de fluxo r&aacute;pido. Algumas exigem muito calor, muitas gostam de temperaturas amenas. As f&ecirc;meas alimentam-se sempre de sangue e podem ser permissivas ou exigentes quanto ao fornecedor desse sangue, picando todo tipo de animal ou um tipo de animal apenas. Os machos alimentam-se de flu&iacute;dos de plantas e flores e, portanto, n&atilde;o transmitem a mal&aacute;ria.</p>      <p>Cada regi&atilde;o do mundo tem sua fauna espec&iacute;fica de <i>Anopheles</i> e a epidemiologia da mal&aacute;ria depende da composi&ccedil;&atilde;o dessa fauna. Existem mais de 350 esp&eacute;cies de <i>Anopheles</i> em todo o mundo, a maioria permitindo a prolifera&ccedil;&atilde;o de plasm&oacute;dios em seu organismo, em laborat&oacute;rio, mas apenas cerca de 30 a 50 s&atilde;o capazes de transmitir, em natureza, os plasm&oacute;dios humanos. No Brasil, os mosquitos transmissores da mal&aacute;ria nas regi&otilde;es costeiras, e particularmente na Mata Atl&acirc;ntica, eram o <i>A. cruzi</i>, o <i>A. bellator</i> e o <i>A. aquasalis</i>. Hoje, estes mosquitos t&ecirc;m import&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica apenas potencial. Mas, por todo o interior do pa&iacute;s, inclu&iacute;das as capitais, a principal esp&eacute;cie transmissora sempre foi o <i>Anopheles darlingi</i>, que hoje, ausente das &aacute;reas urbanizadas brasileiras, est&aacute; restrito &agrave; Amaz&ocirc;nia.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A <small>MAL&Aacute;RIA NA HIST&Oacute;RIA E NO MUNDO CONTEMPOR&Acirc;NEO</small></b>    A caracter&iacute;stica intermitente da febre mal&aacute;rica permitiu identificar    sua presen&ccedil;a em escritos chineses e eg&iacute;pcios de 3 mil anos a.C.    Nos escritos m&eacute;dicos do Brasil &eacute; poss&iacute;vel identific&aacute;-la    j&aacute; no s&eacute;culo XVI e, da&iacute; por diante, em toda a hist&oacute;ria    m&eacute;dica brasileira (2,3,4), embora n&atilde;o existam, at&eacute; o s&eacute;culo    XIX, registros quantitativos sobre sua preval&ecirc;ncia.</p>      <p>Estima-se que no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, em todo o mundo, a incid&ecirc;ncia e a mortalidade por mal&aacute;ria fossem, em percentagem, cerca de 10 vezes maior que a atual. Mesmo quando n&atilde;o fosse letal, a mal&aacute;ria, como dizia Sir Patrick Manson em 1900 (5), tornava o homem "inapto para o trabalho e para os prazeres da vida" .</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 1900, a maior parte (&gt;80%) da superf&iacute;cie terrestre era afligida pela mal&aacute;ria, que s&oacute; poupava as regi&otilde;es polares e sub-polares. Nem os pa&iacute;ses mais avan&ccedil;ados da Europa estavam a salvo. Os pa&iacute;ses mediterr&acirc;neos, mormente a It&aacute;lia, eram os principais centros malar&iacute;genos do continente europeu. Nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo. XX, em parte como conseq&uuml;&ecirc;ncia da 1&ordf; Grande Guerra, que privou de recursos as col&ocirc;nias inglesas e francesas, a situa&ccedil;&atilde;o da mal&aacute;ria no mundo deteriorou. Basta ver o n&uacute;mero de mortes por mal&aacute;ria na pr&oacute;pria Inglaterra entre os anos 1887 e 1922. A partir de 1917, &eacute; n&iacute;tida a revers&atilde;o da tend&ecirc;ncia de queda gradual que vinha sendo uma constante na Inglaterra: 1887, 193 casos; 1905, 79 casos; 1915, 65 casos; 1917, 126 casos; 1919, 268 casos. Sem chegar &agrave;s dimens&otilde;es da mal&aacute;ria na &Iacute;ndia, China, e Oriente M&eacute;dia, a situa&ccedil;&atilde;o foi de calamidade tamb&eacute;m no resto da Europa, sendo particularmente grave na Gr&eacute;cia, It&aacute;lia, Iugosl&aacute;via, Bulg&aacute;ria, Rom&acirc;nia, Pol&ocirc;nia e R&uacute;ssia. A situa&ccedil;&atilde;o da Gr&eacute;cia serve de exemplo: em 1923, a mal&aacute;ria foi a terceira <i>causa mortis</i> de toda a Gr&eacute;cia, perdendo apenas para as diarr&eacute;ias infantis e a tuberculose. At&eacute; os Estados Unidos reportavam altos &iacute;ndices de mal&aacute;ria, em torno de 600 mil casos por ano entre 1930 e 1940.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A <small>MAL&Aacute;RIA NO</small> B<small>RASIL</small></b> No Brasil,    no fim do s&eacute;culo XIX, a mal&aacute;ria estava presente em todo o territ&oacute;rio    nacional, particularmente na costa litor&acirc;nea, poupando apenas alguns segmentos    dos estados sulinos. A Amaz&ocirc;nia e todo o planalto central viviam imersos    na maleita, como mostra Martins Costa (2) em mapa datado de 1885. No entanto,    apesar das estimativas indicarem 6 milh&otilde;es de casos de mal&aacute;ria    por ano no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX no Brasil, a situa&ccedil;&atilde;o    da mal&aacute;ria era est&aacute;vel, sem not&oacute;rios surtos epid&ecirc;micos.</p>      <p>Por&eacute;m, no fim do s&eacute;culo XIX, explodiu uma grande epidemia na Amaz&ocirc;nia. A borracha tornara-se mat&eacute;ria-prima preciosa e as perspectivas de extra&ccedil;&atilde;o do l&aacute;tex e de riqueza imediata, embora n&atilde;o f&aacute;ceis, levaram para a Amaz&ocirc;nia legi&otilde;es de nordestinos flagelados por terr&iacute;vel seca em suas terras. Dessa migra&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a nasceram a cultura do extrativismo seringalista, a miscigena&ccedil;&atilde;o de ind&iacute;genas e nordestinos, dando origem aos amaz&ocirc;nidas do s&eacute;culo XX, e a primeira grande epidemia amaz&ocirc;nica de mal&aacute;ria.</p>      <p>Ainda em fun&ccedil;&atilde;o da borracha, o Brasil se comprometeu a construir uma estrada de ferro que desse vaz&atilde;o ao l&aacute;tex boliviano: a Estrada de Ferro Madeira-Mamor&eacute;. Para evitar o trecho encachoeirado do rio Madeira, a estrada ligaria Santo Antonio (hoje parte de Porto Velho) a Guajar&aacute;-Mirim no rio Mamor&eacute;. Mais de uma empresa e v&aacute;rias levas de trabalhadores, muitos do Caribe, tentaram, do fim do s&eacute;culo XIX ao in&iacute;cio do XX, construir a ferrovia do diabo (6,7). Acabaram vencendo, mas milhares sucumbiram &agrave; mal&aacute;ria. Foi a segunda grande epidemia amaz&ocirc;nica de mal&aacute;ria, de horr&iacute;vel mem&oacute;ria, testemunhada por Oswaldo Cruz e Carlos Chagas (8,9).</p>      <p>Fora dessas explos&otilde;es epid&ecirc;micas, a mal&aacute;ria no Brasil seguia    um curso sem intemp&eacute;ries no s&eacute;culo XX. Ela ainda estava presente    nas grandes capitais, mas sem grandes surtos epid&ecirc;micos. Fajardo em 1904    (10) proclamava que "na cidade do Rio de Janeiro n&atilde;o h&aacute; impaludismo...".    No entanto, suas pr&oacute;prias observa&ccedil;&otilde;es contradiziam essa    assertiva ao confirmar microscopicamente casos de mal&aacute;ria oriundos de    v&aacute;rias partes do Rio de Janeiro como Ilha do Governador e at&eacute;    da Pra&ccedil;a da Rep&uacute;blica, no centro carioca. Apesar de seu esfor&ccedil;o    sem&acirc;ntico para distinguir "casos de paludismo" de "endemia palustre",    a realidade &eacute; que os casos de mal&aacute;ria do Rio eram aut&oacute;ctones    e, portanto, a doen&ccedil;a estava presente sim na capital da Rep&uacute;blica    no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. Como estava tamb&eacute;m presente na    capital e na prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo, particularmente em Santos,    Campinas e nos vales dos rios Piracicaba e Tiet&ecirc;. Em verdade, a mal&aacute;ria    estava presente em todas as capitais brasileiras, sendo end&ecirc;mica em todo    o pa&iacute;s. S&oacute; ap&oacute;s a 2&ordf; Grande Guerra a mal&aacute;ria    abandonar&aacute; as capitais brasileiras e se refugiar&aacute; na Amaz&ocirc;nia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14850q1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <p>Por&eacute;m, antes que isso acontecesse, duas grandes epidemias explodiram no Brasil.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma foi uma r&eacute;plica das epidemias amaz&ocirc;nicas anteriores. Com a ocupa&ccedil;&atilde;o dos seringais da &Aacute;sia tropical pelos japoneses, a borracha amea&ccedil;ava faltar para os aliados em guerra. Os seringais da Amaz&ocirc;nia renasceram e, com eles, a mal&aacute;ria. Nova leva de migrantes nordestinos constituiu o "Ex&eacute;rcito da Borracha". Morreram mais combatentes nesse front, v&iacute;timas da mal&aacute;ria, que no front da guerra contra o nazi-fascismo.</p>      <p>A outra foi uma epidemia absolutamente inesperada e, at&eacute; ent&atilde;o, &uacute;nica no mundo, que teve o adicional papel de influenciar todo o programa da OMS para o controle da mal&aacute;ria. Vale a pena recontar essa hist&oacute;ria que traz consigo alguns ensinamentos fundamentais sobre o controle da mal&aacute;ria.</p>      <p>Tudo come&ccedil;a no fim da d&eacute;cada de 30, em Natal (11,12). <i>Destroyers</i> franceses que faziam, a cada 4 dias, a rota postal Fran&ccedil;a-Natal, via Dakar, provavelmente trouxeram para c&aacute; o terr&iacute;vel transmissor da mal&aacute;ria na &Aacute;frica, at&eacute; ent&atilde;o ausente do pa&iacute;s: o <i>Anopheles gambiae</i>. Esse mosquito tem h&aacute;bitos muito parecidos com o atual vetor da dengue no Brasil. Ambos criam-se em pequenas cole&ccedil;&otilde;es de &aacute;gua, como po&ccedil;as e vasos, pneus e cacimbas etc. S&atilde;o dom&eacute;sticos e antropof&iacute;licos. Vorazes, picam a qualquer hora do dia. Prol&iacute;ficos, invadem e colonizam qualquer ambiente. O <i>Anopheles gambiae</i> ocupou imediatamente as imedia&ccedil;&otilde;es da estrada de ferro e os canais pr&oacute;ximos &agrave; foz do Potengi e, da&iacute;, foi subindo Natal adentro para, em poucos meses, ocupar um territ&oacute;rio de 6 mil km<sup>2</sup>. Em 1928, antes da invas&atilde;o, haviam ocorrido 28 mortes por mal&aacute;ria em Natal. Esse n&uacute;mero aumentou 12 vezes em 1932. Em um &uacute;nico bairro (Alecrim), 10 mil pessoas adquiriram mal&aacute;ria dentre uma popula&ccedil;&atilde;o de 12 mil indiv&iacute;duos. A&ccedil;&atilde;o vigorosa dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de do Estado eliminaram o <i>gambiae</i> de Natal e controlaram a mal&aacute;ria.</p>      <p>S&oacute; que o <i>gambiae</i> n&atilde;o desapareceu, apenas retirou-se, subiu os rios Apod&iacute; e Ass&uacute;, atravessou a chapada do Apod&iacute; e infiltrou-se tamb&eacute;m pelas margens do Jaguaribe no Cear&aacute;. Nessas regi&otilde;es foi ganhando terreno, proliferando e se expandindo em sil&ecirc;ncio. At&eacute; que, em 1938, come&ccedil;am a surgir alguns casos de mal&aacute;ria. Progressivamente, a mal&aacute;ria foi ganhando car&aacute;ter explosivo. A popula&ccedil;&atilde;o do Cear&aacute; era praticamente virgem com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mal&aacute;ria, isto &eacute;, tinha imunidade nula contra a doen&ccedil;a. Foi uma calamidade p&uacute;blica. Alguns n&uacute;meros esclarecem mais que descri&ccedil;&otilde;es. Para uma popula&ccedil;&atilde;o de 250 mil habitantes, o Rio Grande do Norte registrou, em apenas seis meses de 1938, cerca de 50 mil casos de mal&aacute;ria. Em v&aacute;rios povoados rurais e ribeirinhos, o n&uacute;mero de casos rondou a casa dos 80 a 90% da popula&ccedil;&atilde;o. A mortalidade foi alt&iacute;ssima, mais de 10% dos pacientes, sem imunidade e j&aacute; debilitados pela fome, morreram por falta de tratamento. Dizem as cr&ocirc;nicas e jornais da &eacute;poca que todas as fam&iacute;lias do vale do Jaguaribe vestiram luto em 1939.</p>      <p>Get&uacute;lio Vargas, com a ajuda da Funda&ccedil;&atilde;o Rockfeller, resolveu enfrentar a epidemia. Juntos, investiram US$ 350 mil em um ex&eacute;rcito de m&eacute;dicos e t&eacute;cnicos, muitos deles j&aacute; experimentados no combate ao mosquito transmissor da febre amarela. A luta contra o <i>gambiae</i> foi formid&aacute;vel. N&atilde;o sobrou um &uacute;nico criadouro na regi&atilde;o que n&atilde;o fosse revirado e aspergido com larvicida. At&eacute; vasos de cemit&eacute;rio e potes com &aacute;gua benta receberam sua dose de larvicida. Infelizmente, n&atilde;o havia ainda o DDT, mas todas as casas foram fumigadas com piretro. De qualquer forma, a vit&oacute;ria foi esmagadora e, em 1940, o <i>Anopheles gambiae</i> viria a ser completamente erradicado do Brasil. Esse foi o maior sucesso, em n&iacute;vel mundial, de erradica&ccedil;&atilde;o de uma esp&eacute;cie nociva de uma dada regi&atilde;o.</p>      <p>Logo ap&oacute;s a guerra, os rec&eacute;m-produzidos e poderos&iacute;ssimos inseticidas de a&ccedil;&atilde;o residual (DDT), juntamente com medidas de saneamento ambiental, levaram &agrave; dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o da mal&aacute;ria da maior parte da Europa e de muitos pa&iacute;ses menos desenvolvidos, o Brasil a&iacute; inclu&iacute;do. A euforia foi enorme. Foi t&atilde;o grande que levou a OMS a criar o programa de erradica&ccedil;&atilde;o da mal&aacute;ria, sustentado em 3 pilares: combate ao mosquito por meio do DDT, melhoria das condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias gerais e tratamento dos pacientes. O projeto era bom, mas na pr&aacute;tica n&atilde;o funcionou como se esperava.</p>      <p>A id&eacute;ia da erradica&ccedil;&atilde;o encontrou suporte no sucesso nordestino, mas ignorou alguns fatos b&aacute;sicos desse sucesso. Primeiro, o mosquito transmissor no Brasil era alien&iacute;gena, n&atilde;o tinha ra&iacute;zes no pa&iacute;s e mal conseguira se estabelecer em um segmento limitado e agreste do territ&oacute;rio, e n&atilde;o o melhor poss&iacute;vel para sua prolifera&ccedil;&atilde;o. Portanto, estava extremamente vulner&aacute;vel. Segundo, seu controle exigiu disp&ecirc;ndios acima das disponibilidades de muitos pa&iacute;ses do mundo ( US$ 350 mil era muito dinheiro em 1938). Finalmente, a campanha antimal&aacute;ria exigiu determina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica incomum e a mobiliza&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos e m&eacute;dicos at&eacute; hoje sem similar no pa&iacute;s.</p>      <p>Como conseq&uuml;&ecirc;ncia, a mal&aacute;ria n&atilde;o foi erradicada da Terra e, em algumas regi&otilde;es (como na &Aacute;frica), nem foi tocada. Em outras, regrediu por algum tempo, mas voltou com o vigor de antes. Por&eacute;m, naquelas regi&otilde;es j&aacute; dotadas de facilidades sanit&aacute;rias, com disponibilidade de medicamentos e servi&ccedil;os m&eacute;dicos, e onde os servi&ccedil;os especiais de combate &agrave; mal&aacute;ria se mostraram eficientes, a mal&aacute;ria foi consideravelmente reduzida. Dessa forma, praticamente desapareceu do mundo desenvolvido nos anos 50.</p>      <p>No Brasil, sob o comando inicial de M&aacute;rio Pinotti e conduzida pelo rec&eacute;m-criado Servi&ccedil;o de Combate &agrave; Mal&aacute;ria, sucessor do Servi&ccedil;o de Combate &agrave; Febre Amarela, a campanha contra a doen&ccedil;a atingiu o objetivo de controlar, mas n&atilde;o de erradic&aacute;-la. A mal&aacute;ria sumiu das cidades e se refugiou em um paiol de p&oacute;lvora na Amaz&ocirc;nia, onde permanece intocada. Os 6 milh&otilde;es de casos do in&iacute;cio do s&eacute;culo, viraram apenas 50 mil em 1970.</p>      <p>Not&aacute;vel sucesso para o pa&iacute;s, mas por que o sucesso n&atilde;o    se estendeu &agrave; Amaz&ocirc;nia? Pela conspira&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios    fatores em conjunto. Em primeiro lugar, o combate ao <i>Anopheles darlingi</i>    &eacute; impratic&aacute;vel. Seria preciso borrifar com DDT toda a floresta,    uma vez que esse mosquito &eacute; silvestre, prom&iacute;scuo, picando o homem    e outros animais tanto fora como dentro do domic&iacute;lio. Pelas mesmas raz&otilde;es,    dedetizar apenas as casas &eacute; in&uacute;til. Telar as casas nem pensar,    porque mosquitos entram pelos v&atilde;os das t&aacute;buas deixadas intencionalmente    distantes umas das outras para fins de ventila&ccedil;&atilde;o. O uso de mosquiteiros    n&atilde;o faz sentido porque implica em que o homem permane&ccedil;a sob ele    do p&ocirc;r-do-sol ao amanhecer. Repelentes podem ser bom para turistas, n&atilde;o    para quem tivesse que us&aacute;-los dia e noite. Em medidas de saneamento b&aacute;sico,    destinadas a eliminar criadouros de mosquitos, nem pensar. Florestas tropicais    s&atilde;o por constitui&ccedil;&atilde;o e natureza criadouros de mosquitos.    Destru&iacute;-los seria destruir a floresta.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14850q2.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <p>Resta o tratamento de pacientes, que, apesar de todas as dificuldades log&iacute;sticas decorrentes da imensid&atilde;o amaz&ocirc;nica, &eacute; a &uacute;nica capaz de controlar a progress&atilde;o da mal&aacute;ria. O tratamento da mal&aacute;ria &eacute; eficaz. As drogas s&atilde;o fornecidas e administradas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o por agentes dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de.O tratamento dos pacientes, al&eacute;m de cur&aacute;-los, serve para limitar o alastramento da mal&aacute;ria. Logicamente, o tratamento se destina a indiv&iacute;duos com sintomas de mal&aacute;ria. Todavia, recentemente descobriu-se que, em regi&otilde;es remotas da Amaz&ocirc;nia, existe um n&uacute;mero muito grande de indiv&iacute;duos, talvez a maioria, que s&atilde;o assintom&aacute;ticos, isto &eacute;, s&atilde;o portadores do parasita mas n&atilde;o desenvolvem a doen&ccedil;a (13,14). Esses indiv&iacute;duos s&atilde;o nativos da Amaz&ocirc;nia e certamente contraem infec&ccedil;&otilde;es mal&aacute;ricas desde a inf&acirc;ncia. Com o tempo, e ap&oacute;s repetidas infec&ccedil;&otilde;es, desenvolvem um certo grau de imunidade. Quando reinfectados, t&ecirc;m uma forma branda da doen&ccedil;a, sem sintomas. Por serem assintom&aacute;ticos, n&atilde;o s&atilde;o detectados pelo servi&ccedil;os de sa&uacute;de e, portanto, n&atilde;o s&atilde;o tratados. Por&eacute;m, embora sem sintomas, carregam o parasita em seu sangue e s&atilde;o capazes de infectar mosquitos. Dessa forma, servem de fonte de infec&ccedil;&atilde;o para novos indiv&iacute;duos, funcionando como reservat&oacute;rios da doen&ccedil;a.</p>      <p>A exist&ecirc;ncia de reservat&oacute;rios assintom&aacute;ticos esclarece muitos aspectos da epidemiologia da mal&aacute;ria amaz&ocirc;nica. Em condi&ccedil;&otilde;es normais, a mal&aacute;ria &eacute; end&ecirc;mica na Amaz&ocirc;nia. Com rela&ccedil;&atilde;o ao resto do pa&iacute;s, a sua preval&ecirc;ncia &eacute; alta (entre 15 a 20 casos por mil habitantes). Apesar da preval&ecirc;ncia alta, a mal&aacute;ria &eacute;, de certa forma, est&aacute;vel na Amaz&ocirc;nia, embora apresente varia&ccedil;&otilde;es regionais, sendo baixa sua preval&ecirc;ncia nas capitais e alt&iacute;ssima nas zonas de coloniza&ccedil;&atilde;o recente.</p>      <p>Indiv&iacute;duos n&atilde;o imunes correm alto risco de contrair mal&aacute;ria ao adentrarem a Amaz&ocirc;nia. Se esses indiv&iacute;duos forem em grande n&uacute;mero, podem explodir epidemias. Foi assim nos epis&oacute;dios da borracha e na constru&ccedil;&atilde;o da Madeira-Mamor&eacute;. Foi assim recentemente, a partir dos anos 70, com a descontrolada migra&ccedil;&atilde;o de paranaenses e ga&uacute;chos em busca de terras doadas pelo INCRA em Rond&ocirc;nia.</p>      <p>Sem imunidade e sem a "cultura da mal&aacute;ria", esses bravos imigrantes foram v&iacute;timas da maior epidemia de mal&aacute;ria da hist&oacute;ria da Amaz&ocirc;nia. Em duas d&eacute;cadas, a preval&ecirc;ncia da mal&aacute;ria em Rond&ocirc;nia passou de cerca de 20 casos por mil habitantes para 100 casos por mil habitantes. No pico da epidemia, Rond&ocirc;nia chegou a ter 300 mil casos de mal&aacute;ria por ano para uma popula&ccedil;&atilde;o de apenas um milh&atilde;o de habitantes(15-19). A mortalidade foi tamb&eacute;m alta. Com o tempo, os migrantes foram ficando parcialmente imunes, enquanto seus n&uacute;cleos de assentamento ganhavam melhorias sanit&aacute;rias e progressiva urbaniza&ccedil;&atilde;o. A mal&aacute;ria estabilizou-se de novo em Rond&ocirc;nia, o front migrando agora para Roraima, onde a hist&oacute;ria mais ou menos se repete.</p>      <p>E se repetir&aacute; sempre que grandes levas de migrantes se dirigirem &agrave; Amaz&ocirc;nia, at&eacute; que criemos mecanismos de controle que contemplem as peculiaridades da epidemiologia da mal&aacute;ria amaz&ocirc;nica.N&atilde;o ser&aacute; tarefa f&aacute;cil.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i><b>Erney Plessmann Camargo</b> &eacute; m&eacute;dico, membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, professor titular de parasitologia do Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas da USP e diretor do Instituto Butantan.</i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></p>      <!-- ref --><p>1. Bruce-Chwatt, L.J. <i>Malaria: principles and practice of malariology</i>.    Edinburgh: Wernsdorfer &amp; McGregor. 1988.<!-- ref --><p>2. Martins Costa, D.A. <i>A mal&aacute;ria e suas diversas modalidades cl&iacute;nicas</i>.Rio de Janeiro. 1885.<!-- ref --><p>3. Peixoto, A."O problema sanit&aacute;rio da Amaz&ocirc;nia".; I:179-203. 1917.<!-- ref --><p>4. Bacellar, R.C. <i>Brazil&acute;s contribution to Tropical Medicine and Malaria</i>.Rio de Janeiro. 1963.<!-- ref --><p>5. Manson, P. <i>Tropical diseases. A mannual of the diseases of warm countries</i>. London: Cassel. 1898.<!-- ref --><p>6. Pinto, E.P. <i>Rond&ocirc;nia, evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica: cria&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio federal do Guapor&eacute;, fator de integra&ccedil;&atilde;o nacional</i>. Rio de Janeiro: Express&atilde;o e Cultura. 1993.<!-- ref --><p>7. Ferreira, M.R. <i>A Ferrovia do diabo:hist&oacute;ria de uma estrada de ferro na Amaz&ocirc;nia</i>.S&atilde;o Paulo: Melhoramentos. 1981.<!-- ref --><p>8. Cruz, O. G. <i>Madeira-Mamor&eacute; Railway Company. Considera&ccedil;&otilde;es gerais sobre as condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias do rio Madeira</i>. Rio de Janeiro: Papelaria Americana. 1910.<!-- ref --><p>9. Chagas, C. "Notas sobre a epidemiologia do Amazonas". <i>Brasil M&eacute;dico</i>;42. 1913.<!-- ref --><p>10. Fajardo, F. O. <i>Impaludismo</i>. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional. 1904.<!-- ref --><p>11. Deane, L. M. "Malaria studies and control in Brazil". <i>American Journal of Tropical Medicine and Hygiene</i>; 38: 223-30. 1.1988.<!-- ref --><p>12. Soper, F.L. e Wilson, D.B. <i>Anopheles gambiae in Brazil</i>, 1930-1940. New York: Rockfeller. 1943.<!-- ref --><p>13. Camargo, E.P.; Alves, F.; Pereira da Silva, L.H. "Symptomless <i>Plasmodium vivax</i> infections in native Amazonians". <i>Lancet</i>; 353: 1415-6. 1999.<!-- ref --><p>14. Alves, F.F.; Durlacher, R.R.; Menezes, M.J.; Krieger, H.; Pereira da Silva, L.H.; Camargo, E.P. "High prevalence of asymptomatic <i>Plasmodium vivax</i> and <i>Plasmodium falciparum</i> infections in native amazonian populations". <i>American Journal of Tropical Medicine and Hygiene</i>; 66:641-648. 2002.<!-- ref --><p>15. Marques, A.C. "Human migration and the spread of malaria in Brazil". <i>Parasitology Today</i>; 3: 166-170. 1987.<!-- ref --><p>16. Sawyer, D. "Economic and social consequences of malaria in new colonization projects in Brazil". <i>Social Sciences and Medicine</i>; 37: 1131-6. 1993.<!-- ref --><p>17. Camargo, L.M.; Ferreira, M.U.; Krieger, H.; Camargo, E.P.; Da Silva, L.H.P. "Unstable hypoendemic malaria in Rondonia (western Amazon region, Brazil): epidemic outbreaks and work-associated incidence in an agro-industrial rural settlement". <i>American Journal of Tropical Medicine and Hygiene</i>; 51: 16-25. 1994.<!-- ref --><p>18. Camargo, L.M.; dal Colletto, G.M.; Ferreira, M.U.; Gurgel, S.; Escobar, A.L.; Marques, A.; Krieger, H.; Camargo, E.P.; da Silva, L.H.P. "Hypoendemic malaria in Rondonia (Brazil, western Amazon region): seasonal variation and risk groups in an urban locality". <i>American Journal of Tropical Medicine and Hygiene</i>; 55: 32-8. 1996.<!-- ref --><p>19. Camargo, L.M.; Noronha, E.; Salcedo, J.M.; Dutra, A.P.; Krieger, H.; Pereira da Silva, L.H.; Camargo, E.P. "The epidemiology of malaria in Rondonia (Western Amazon region, Brazil): study of a riverine population". <i>Acta Tropica</i>; 72: 1-11. 1999.<p>&nbsp;</p>      <p><b>S&iacute;tios na Internet:</b></p>      <p>Mal&aacute;ria, doen&ccedil;a:</p>      <p><i><a href="http://www.sbpc.org.br">http://www.sbpc.org.br</a></i></p>      <p>Estat&iacute;sticas:</p>      <p><i><a href="http://www.who.int/ith/countrylist02.html">http://www.who.int/ith/countrylist02.html</a>;</i></p>      <p><i><a href="http://www.who.int/wer/archives.html">http://www.who.int/wer/archives.html</a>;</i></p>      <p><i><a href="http://www.funasa.gov.br">http://www.funasa.gov.br</a>;</i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i><a href="http://www.funasa.gov.br/sis/sis00.htm">http://www.funasa.gov.br/sis/sis00.htm</a>;</i></p>      <p>Plasm&oacute;dios:</p>      <p><i><a href="http://www.cdfound.to.it/-atlas.htm">http://www.cdfound.to.it/-atlas.htm</a></i></p>      <p><i><a href="http://www-micro.msb.le.ac.uk/224/Malaria.html">http://www-micro.msb.le.ac.uk/224/Malaria.html</a></i></p>      <p><i><a href="http://rph.wa.gov.au/labs/haem/malaria/history.htm">http://rph.wa.gov.au/labs/haem/malaria/history.htm</a></i></p>      <p>Anopheles:</p>      <p><i><a href="http://icb.usp.br/%7Emarcelcp/Default.htm">http://icb.usp.br/~marcelcp/Default.htm</a></i></p>      <p>Madeira-Mamor&eacute;:</p>      <p><i><a href="http://www.ronet.com.br">http://www.ronet.com.br</a></i></p>      <p>Terap&ecirc;utica:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i><a href="http://www.funasa.gov.br/pub/pub00.htm#">http://www.funasa.gov.br/pub/pub00.htm#</a></i></p>       ]]></body><back>
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