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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tripanosomose, doença de Chagas]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/tp14.gif"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p><b><font size="4">T<small>RIPANOSOMOSE, DOEN&Ccedil;A DE</small> C<small>HAGAS</small></font></b></p>      <p>Jos&eacute; Rodrigues Coura</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b><font size=5>A</font></b> doen&ccedil;a de Chagas ou tripanosom&iacute;ase    americana, descoberta por Carlos Chagas em Lassance, Minas Gerais, em 1909,    &eacute; uma zoonose que afeta de 16 a 18 milh&otilde;es de pessoas na Am&eacute;rica    Latina, onde mais de 100 milh&otilde;es est&atilde;o expostos ao risco da infec&ccedil;&atilde;o.    O agente etiol&oacute;gico da doen&ccedil;a de Chagas, o <i>Trypanosoma cruzi</i>,    &eacute; um protozo&aacute;rio flagelado. Seu ciclo evolutivo inclui a passagem    obrigat&oacute;ria por hospedeiros de v&aacute;rias classes de mam&iacute;feros,    inclusive o homem, e insetos hem&iacute;pteros, hemat&oacute;fagos, comumente    chamados barbeiros, dos g&ecirc;neros <i>Panstrongylus</i>, <i>Rhodnius</i>    e <i>Triatoma</i> pertencentes &agrave; fam&iacute;lia Triatomidae. Nos vertebrados,    o <i>T. cruzi</i> circula no sangue e multiplica-se nos tecidos. Nos barbeiros,    multiplica-se no tubo digestivo, as formas infectantes sendo eliminadas com    suas fezes e urina. A transmiss&atilde;o da infec&ccedil;&atilde;o ocorre, principalmente,    pela deposi&ccedil;&atilde;o de fezes do vetor sobre os tecidos cut&acirc;neos    e mucosas do homem.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>O<small>RIGEM E DISTRIBUI&Ccedil;&Atilde;O DA DOEN&Ccedil;A DE</small> C<small>HAGAS</small></b>    Originalmente, a doen&ccedil;a de Chagas era uma enzootia de animais silvestres,    onde mais de 100 esp&eacute;cies entre marsupiais, quir&oacute;pteros, roedores,    edentados, carn&iacute;voros, logomorfos e primatas albergavam o <i>T. cruzi</i>.    Por outro lado, numerosas esp&eacute;cies de triatom&iacute;neos silvestres    se encarregavam de transmitir o <i>T. cruzi</i> entre eles, criando um ciclo    silvestre de infec&ccedil;&atilde;o Coube a Carlos Chagas, no processo da descoberta    da doen&ccedil;a de Chagas, demonstrar a infec&ccedil;&atilde;o dos triatom&iacute;neos    e do homem pelo <i>T. cruzi</i>. (1)</p>      <p>O processo de adapta&ccedil;&atilde;o dos triatom&iacute;neos ao domic&iacute;lio humano dependeu de dois fatores que se complementaram: a necessidade alimentar do barbeiro e suas muta&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas ao longo do tempo. Com o desmatamento e rareamento dos animais silvestres, suas fontes naturais de alimenta&ccedil;&atilde;o, os triatom&iacute;neos passaram a alimentar-se dos animais dom&eacute;sticos e do homem, adaptando-se ao peridomic&iacute;lio e ao domic&iacute;lio (2,3).</p>      <p>Tudo indica que a presen&ccedil;a do <i>T. cruzi</i> e de seus vetores nesse continente ocorre desde longa data. Entretanto, a doen&ccedil;a humana, pelo menos em sua forma end&ecirc;mica, parece relativamente recente. Casos acidentais da infec&ccedil;&atilde;o humana devem ter ocorrido quando o homem habitava cavernas e entrou no ciclo enzo&oacute;tico. J&aacute; foram encontradas m&uacute;mias no Chile com data&ccedil;&atilde;o de 4.000 anos infectadas com <i>T. cruzi</i> (4). No ciclo da minera&ccedil;&atilde;o no Brasil, quando praticamente n&atilde;o se desmatava, n&atilde;o h&aacute; evid&ecirc;ncias de adapta&ccedil;&atilde;o de triatom&iacute;neos ao domic&iacute;lio. Ela passou a ocorrer nos ciclos da agricultura e no da pecu&aacute;ria, per&iacute;odos de desmatamento intenso. Somente encontramos triatom&iacute;neos adaptados ao domic&iacute;lio em &aacute;reas desmatadas e em cerrados. N&atilde;o h&aacute; adapta&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas de mata fechada, como na Amaz&ocirc;nia, embora ali existam dezenas de esp&eacute;cies de triatom&iacute;neos.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A dispers&atilde;o do <i>T. cruzi</i> &eacute; bastante ampla no continente americano, particularmente a enzootia silvestre, que se estende desde a latitude de 42&ordm; N, nos Estados Unidos, at&eacute; o paralelo 49&ordm; S nas regi&otilde;es meridionais do Chile e da Argentina, incluindo as Guianas e o Caribe.</p>      <p>A distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica da doen&ccedil;a de Chagas end&ecirc;mica (5), como j&aacute; previsto por Carlos Chagas, em 1909, ocorre em todas as &aacute;reas onde h&aacute; triatom&iacute;neos antropof&iacute;licos adaptados ao domic&iacute;lio humano, do M&eacute;xico ao sul da Argentina.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>T<small>RIATOM&Iacute;NEOS BRASILEIROS</small></b> No Brasil existem pelo    menos 44 esp&eacute;cies de triatom&iacute;neos identificados, a maioria delas    silvestres. Destas, cinco esp&eacute;cies s&atilde;o consideradas dom&eacute;sticas    e, portanto, de import&acirc;ncia epidemiol&oacute;gica: o <i>Triatoma infestans</i>,    que se espalhava do Rio Grande do Sul at&eacute; Pernambuco, Para&iacute;ba    e Piau&iacute;; o <i>Panstrongylus megistus</i>, distribuindo-se irregularmente    por Santa Catarina, Rio de Janeiro, onde &eacute; silvestre, e Minas Gerais    e Bahia, onde &eacute; domiciliado ou silvestre; o <i>T. brasiliensis</i> e    o <i>T. pseudomaculata</i>, tamb&eacute;m ubiquit&aacute;rios, vivendo dentro    e fora do domic&iacute;lio, predominantemente no Nordeste; e o <i>T. sordida</i>,    de ampla distribui&ccedil;&atilde;o do Rio Grande do Sul ao Piau&iacute;, ocupando    muitas vezes nichos de onde o <i>T. infestans</i> foi eliminado. O <i>T. sordida</i>,    embora de ampla distribui&ccedil;&atilde;o, &eacute; considerado um vetor de    import&acirc;ncia secund&aacute;ria.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>D<small>ETERMINANTES DA INFEC&Ccedil;&Atilde;O CHAG&Aacute;SICA</small></b>    Para que a infec&ccedil;&atilde;o chag&aacute;sica ocorra em condi&ccedil;&otilde;es    naturais &eacute; necess&aacute;rio, em primeiro lugar, que haja o contato das    pessoas suscept&iacute;veis com triatom&iacute;neos infectados com o <i>T. cruzi</i>.    Participam do processo de infec&ccedil;&atilde;o diversas outras vari&aacute;veis    dependentes do vetor, como seu grau de antropofilia, tempo entre a picada e    a defeca&ccedil;&atilde;o, n&uacute;mero e quantidade de evacua&ccedil;&otilde;es    na unidade de tempo e o n&uacute;mero de parasitos eliminados com as fezes ou    urina. Al&eacute;m disso, a infec&ccedil;&atilde;o depende do percentual de    formas infectantes nas fezes do barbeiro e sua capacidade de penetra&ccedil;&atilde;o    bem como da intensidade do prurido causado pela picada levando o paciente a    co&ccedil;ar-se e levar o parasito ao local da picada ou &agrave;s mucosas.    Considerando que a transmiss&atilde;o da infec&ccedil;&atilde;o &eacute; feita    pelas fezes e pela urina dos triatom&iacute;neos, &eacute; de grande import&acirc;ncia    o tempo de defeca&ccedil;&atilde;o; aqueles triatom&iacute;neos que defecam    imediatamente ap&oacute;s o repasto ou durante a picada, como o <i>T. infestans</i>    e o <i>P. magistus</i>, depositando as fezes no local da picada, t&ecirc;m grande    import&acirc;ncia na transmiss&atilde;o. Por outro lado, triatom&iacute;neos    que defecam minutos depois do repasto, quando j&aacute; est&atilde;o fora do    paciente, como o <i>T. vitticeps</i>, t&ecirc;m pouca ou nenhuma import&acirc;ncia    na transmiss&atilde;o.</p>      <p>A transmiss&atilde;o por transfus&atilde;o de sangue foi amplamente estudada    no Brasil. Outros mecanismos de transmiss&atilde;o, por via oral, via transplacent&aacute;ria,    acidentes de laborat&oacute;rio, manipula&ccedil;&atilde;o de animais infectados    e transplante de &oacute;rg&atilde;os s&atilde;o ocasionais, no Brasil. No Chile,    a forma cong&ecirc;nita de infec&ccedil;&atilde;o ocorre em at&eacute; 10% dos    conceptos de m&atilde;es chag&aacute;sicas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14851q1.jpg"></p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>D<small>ETERMINANTES DA DOEN&Ccedil;A</small></b> Entre os determinantes    da doen&ccedil;a de Chagas devemos considerar a dimens&atilde;o do in&oacute;culo    do <i>T. cruzi</i> na infec&ccedil;&atilde;o inicial e nas reinfec&ccedil;&otilde;es,    as caracter&iacute;sticas das cepas infectantes e a resposta imunol&oacute;gica    do hospedeiro.</p>      <p>O in&oacute;culo, isto &eacute;, o n&uacute;mero de tripanosomas inoculados na infec&ccedil;&atilde;o inicial &eacute; um fator de grande import&acirc;ncia no desenvolvimento da doen&ccedil;a. Em condi&ccedil;&otilde;es naturais, esse in&oacute;culo &eacute; pequeno e possivelmente explica as discretas manifesta&ccedil;&otilde;es da fase inicial da infec&ccedil;&atilde;o com poucos ou nenhum sintoma. Outro determinante importante da gravidade da doen&ccedil;a &eacute; a reinfec&ccedil;&atilde;o. Pacientes de &aacute;rea n&atilde;o-end&ecirc;mica, n&atilde;o expostos a reinfec&ccedil;&otilde;es, praticamente n&atilde;o apresentam evolu&ccedil;&atilde;o da forma indeterminada para formas cl&iacute;nicas mais graves (cardiopatia e megas), ao contr&aacute;rio de &aacute;reas end&ecirc;micas, em que aproximadamente 2% dessas formas inaparentes evoluem, por ano, para cardiopatia.</p>      <p>Existem diferentes cepas ou linhagens de <i>T.cruzi</i> quanto &agrave; morfologia (predomin&acirc;ncia de formas largas ou delgadas) antigenicidade, patogenicidade, composi&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica evidenciada por isoenzimas e ainda mais recentemente, por marcadores moleculares que distinguiram duas linhagens principais, I e II, de <i>T.cruzi</i> (6-12).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>P<small>ATOGENIA DA DOEN&Ccedil;A DE</small> C<small>HAGAS</small></b> A    infec&ccedil;&atilde;o chag&aacute;sica apresenta duas fases bem distintas:    a fase aguda ou inicial, assintom&aacute;tica ou oligossintom&aacute;tica (maioria)    ou sintom&aacute;tica, com febre, adenomegalia, hepaesplenomegalia, conjuntive    unilateral (sinal de Roma&ntilde;a), miocardite e meningoencefalite. Ela pode    ser fatal em at&eacute; 10% dos casos graves, a grande maioria com meningoencefalite,    quase sempre fatal nos menores de dois anos de idade, segundo observa&ccedil;&otilde;es    de pr&oacute;prio Carlos Chagas e contempor&acirc;neos (13).</p>      <p>Essa fase caracteriza-se pela presen&ccedil;a do <i>T. cruzi</i> no exame direto do sangue. Aproximadamente dois meses ap&oacute;s o in&iacute;cio da fase aguda, o <i>T. cruzi</i> desaparece da corrente sangu&iacute;nea, podendo ser detectado somente por exames especiais (xenodiagn&oacute;stico, hemocultura ou PCR). Ap&oacute;s um per&iacute;odo de lat&ecirc;ncia de 10 a 15 anos, chamado de forma indeterminada, os pacientes podem evoluir para 3 tipos principais de doen&ccedil;a: a) forma card&iacute;aca, com miocardite cr&ocirc;nica, insufici&ecirc;ncia card&iacute;aca e eventualmente morte s&uacute;bita, por arritmia card&iacute;aca; b) forma digestiva, com megaes&ocirc;fago e megac&oacute;lon (aumento exagerado do es&ocirc;fago ou c&oacute;lon por contra&ccedil;&atilde;o dos esf&iacute;ncteres correspondentes); c) forma mista com cardiopatia e "megas" simultaneamente. Cerca de 50% dos casos, dependendo da &aacute;rea end&ecirc;mica, permanecem na forma indeterminada, sem manifesta&ccedil;&otilde;es card&iacute;acas ou digestivas.</p>      <p>Na fase aguda ou inicial da infec&ccedil;&atilde;o, tripomastigotas aparecem no sangue e se espalham pelo organismo do hospedeiro, multiplicando-se no interior dos macr&oacute;fagos e em uma variedade de outras c&eacute;lulas, com predomin&acirc;ncia do ba&ccedil;o, f&iacute;gado, linfonodos, tecido conjuntivo interstical, mioc&aacute;rdio ou m&uacute;sculos esquel&eacute;ticos. Nos tecidos, o parasito se multiplica formando pseudocistos que se rompem levando a rea&ccedil;&atilde;o inflamat&oacute;ria e necrose. Os ant&iacute;genos liberados pelo parasito ligam-se &agrave; superf&iacute;cie das c&eacute;lulas vizinhas, que se tornam alvos de resposta imune celular e humoral. Alguns parasitos, sob a forma de tripomastigota, recirculam e voltam a se localizar em outras c&eacute;lulas, reiniciando o ciclo (14,15).</p>      <p>Durante a fase aguda, que &eacute; um fen&ocirc;meno transit&oacute;rio, ocorrem rea&ccedil;&atilde;o inflamat&oacute;ria, necrose, destrui&ccedil;&atilde;o neuronal e fibrose, perpetuando-se o processo, provavelmente, por um mecanismo autoimune com a participa&ccedil;&atilde;o do parasita ou seus ant&iacute;genos. Na fase cr&ocirc;nica, a patogenia da doen&ccedil;a de Chagas parece bem mais complexa. A despropor&ccedil;&atilde;o entre a fibrose mioc&aacute;rdica e a presen&ccedil;a de parasitos nas les&otilde;es levou &agrave; teoria da autoimunidade, que dominou o cen&aacute;rio do conhecimento desde a d&eacute;cada de 1970 at&eacute; o presente. Mais recentemente se vem atribuindo a miocardiopatia chag&aacute;sica cr&ocirc;nica a m&uacute;ltiplos fatores como imunodepress&atilde;o, fibrose e dilata&ccedil;&atilde;o da microvasculatura associadas a uma resposta inadequada do hospedeiro. Alternativamente, o modelo histotr&oacute;pico-clonal, procura relacionar a variabilidade gen&eacute;tica do <i>T.cruzi</i> com a patogenia da doen&ccedil;a (16,17).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>T<small>RATAMENTO ETIOL&Oacute;GICO</small></b> Quase uma centena de drogas    j&aacute; foram testadas contra o <i>Tripanosoma cruzi</i> em infec&ccedil;&otilde;es    experimentais de animais de laborat&oacute;rio. Poucas foram testadas no homem,    at&eacute; o momento, e com resultados de baixa efic&aacute;cia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14851q2.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <p>No final da d&eacute;cada de 1960, surgiram, respectivamente, o nifurtimox e o benznidazol, as primeiras drogas efetivas para o tratamento da fase aguda e recente da infec&ccedil;&atilde;o chag&aacute;sica humana, mas com &iacute;ndices de cura muito baixos na fase cr&ocirc;nica da doen&ccedil;a. O seu emprego, em esquemas de dura&ccedil;&atilde;o prolongada (30 a 60 dias), causa importantes efeitos colaterais indesej&aacute;veis. Essas drogas, entretanto, s&atilde;o as &uacute;nicas existentes para uso cl&iacute;nico no presente (18).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>C<small>ONTROLE E PERSPECTIVAS DE REEMERG&Ecirc;NCIA DA DOEN&Ccedil;A DE</small>    C<small>HAGAS</small></b> Nos &uacute;ltimos 20 anos, desenvolveu-se um importante    trabalho de controle do <i>T. infestans</i>, o principal vetor da doen&ccedil;a    de Chagas no Brasil e nos pa&iacute;ses do Cone Sul, Argentina, Chile, Uruguai    e Paraguai. A partir de 1991, com a chamada "Iniciativa do Cone Sul", obteve-se    um significativo impacto no controle da doen&ccedil;a (19). Uruguai e Chile    foram, formalmente, certificados como livres da transmiss&atilde;o da doen&ccedil;a    de Chagas humana, respectivamente em 1997 e 1999. No Brasil, em 1983, 711 munic&iacute;pios    de 11 estados estavam infestados pelo <i>T. infestans</i>. O n&uacute;mero de    munic&iacute;pios reduziu-se para pouco mais de 100 em 1997, limitando-se a    presen&ccedil;a do vetor a alguns estados. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul,    Para&iacute;ba, Rio de Janeiro, S&atilde;o Paulo e mais recentemente Minas Gerais    foram certificados como livres do <i>T. infestans</i>.</p>      <p>Nos &uacute;ltimos anos, o programa de erradica&ccedil;&atilde;o do <i>T. infestans</i> tem sido negligenciado, particularmente com a descentraliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de (Funasa) para estados e munic&iacute;pios que n&atilde;o t&ecirc;m a capacidade t&eacute;cnica e a motiva&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica para o controle da doen&ccedil;a. Teme-se, portanto, a reemerg&ecirc;ncia do <i>T. infestans</i> e da doen&ccedil;a de Chagas como um todo, a partir dos focos residuais do inseto em cinco estados brasileiros. Por outro lado, devemos considerar a vasta distribui&ccedil;&atilde;o do <i>P. megistus</i> e do <i>T. brasiliensis</i> que n&atilde;o s&atilde;o pass&iacute;veis de erradica&ccedil;&atilde;o por serem ubiquit&aacute;rios, vivendo dentro ou fora das casas. Outros vetores considerados domiciliados, embora de import&acirc;ncia secund&aacute;ria como o <i>T. pseudomaculata</i>, no Nordeste do Brasil e o <i>T. sordida</i>, de larga distribui&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o igualmente causa de preocupa&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>A emerg&ecirc;ncia da doen&ccedil;a de Chagas na Amaz&ocirc;nia brasileira e os riscos de sua endemiza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o a grande preocupa&ccedil;&atilde;o dos epidemiologistas dedicados ao estudo da doen&ccedil;a (20-23). Pelo menos 16 esp&eacute;cies de triatom&iacute;neos silvestres, dez das quais infectadas com o <i>T. cruzi</i>, e numerosos reservat&oacute;rios da infec&ccedil;&atilde;o j&aacute; foram descritos naquela regi&atilde;o. O crescente n&uacute;mero de casos agudos da doen&ccedil;a relatados naquela vasta &aacute;rea, que representa mais de dois ter&ccedil;os do territ&oacute;rio nacional, &eacute; motivo de alerta.</p>      <p>Nos pr&oacute;ximos anos devemos nos preocupar n&atilde;o somente com os vetores prim&aacute;rios (<i>T. infestans</i>, <i>Pantrongylus megistus</i> e <i>T. brasiliensis</i>), secund&aacute;rios (<i>T. pseudomaculata</i> e <i>T. sordida</i>), terci&aacute;rios (vetores silvestres) e o risco de adapta&ccedil;&atilde;o ao domic&iacute;lio, como com o controle dos bancos de sangue e com a possibilidade de transmiss&atilde;o direta do <i>T. cruzi</i> de marsupiais para o homem, por via direta (urina), sem media&ccedil;&atilde;o do vetor. Por outro lado, este e outros mecanismos alternativos de transmiss&atilde;o, particularmente a via oral, ser&atilde;o objeto de vigil&acirc;ncia permanente. Finalmente, do ponto de vista m&eacute;dico, devemos considerar que nos pr&oacute;ximos 30 anos teremos ainda uma grande massa de pacientes j&aacute; infectados para tratar etiologicamente e/ou com suporte cl&iacute;nico, aplica&ccedil;&atilde;o de marca-passo e interna&ccedil;&otilde;es de elevado custo financeiro e social.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i><b>Jos&eacute; Rodrigues Coura</b> &eacute; pesquisador titular, chefe do Departamento de Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) e membro titular das Academias Nacional de Medicina e Brasileira de Ci&ecirc;ncias.</i></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>    <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>      <!-- ref --><p>1. Chagas, C. Nova tripanozomiaze humana. "Estudos sobre a morfolojia e o ciclo    evolutivo do <i>Schizotrypanum cruzi</i> n. gen. n. sp, ajente etiol&oacute;jico    de nova entidade m&oacute;rbida do homem". Mem Inst Oswaldo Cruz; 1: 159-218.    1909.<!-- ref --><p>2. Arag&atilde;o, M.B. "Domicilia&ccedil;&atilde;o de triatom&iacute;neos ou pr&eacute;-adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; antropofilia e &agrave; ornitofilia". <i>Rev Sa&uacute;de P&uacute;bl</i> (S Paulo); 22: 401-410. 1983.<!-- ref --><p>3. Forattini, O.P. "Biogeografia, origem e distribui&ccedil;&atilde;o de triatom&iacute;neos no Brasil". <i>Rev Sa&uacute;de P&uacute;bl</i> (S Paulo); 14: 265-299. 1980.<!-- ref --><p>4. Ferreira, L.F.; Brito, C.; Cardoso, M.A.; Fernandes, O.; Richard, K.; Ara&uacute;jo "Paleoparasitology of Chagas disease Revaled by infected tissues from Chilean mummies". <i>Acta Tropica</i>; 75: 79-84. 2000.<!-- ref --><p>5. Dias, J.C.P.; Coura, J.R. Epidemiologia. <i>In Cl&iacute;nica e Terap&ecirc;utica da doen&ccedil;a de Chagas</i>. Dias, J.C.P.; Coura J.R. Ed Fiocruz p. 33-65. 1997.<!-- ref --><p>6. Brener, Z.; Chiari, E. "Varia&ccedil;&otilde;es morfol&oacute;gicas em diferentes amostras de <i>Trypanosoma cruzi</i>". <i>Rev Inst Med Trop</i> S&atilde;o Paulo; 5: 220-224. 1963.<!-- ref --><p>7. Nussenzweig, V.; Deane, L.M.; Kloetzel, J. "Differences in antigenic constitution of Strains of <i>Trypanosoma cruzi</i>". Expertl. Parasitol; 14: 221-232. 1963.<!-- ref --><p>8. Deane, M.P.; Brito, T.; Deane, L.M. 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