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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/tp14.gif"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p><b><font size="4">L<small>EISHMANIOSES, FERIDAS BRAVAS E KALAZAR</small></font></b></p>      <p>Luis Marcelo Aranha Camargo    <br>   Marcello Andr&eacute; Barcinski</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b><font size=5>A</font></b>s leishmanioses (1) acometem cerca de 1,5 milh&atilde;o    de pessoas por ano. Atualmente, 12 milh&otilde;es de pessoas apresentam alguma    forma da doen&ccedil;a e 350 milh&otilde;es est&atilde;o expostas a ela em todo    o mundo. As previs&otilde;es para seu controle, mesmo a longo prazo, s&atilde;o    pessimistas.</p>      <p>Existe uma forma potencialmente mortal de leishmaniose, a leishmaniose visceral (LV), cuja incid&ecirc;ncia tem aumentado consideravelmente no Brasil nos &uacute;ltimos anos. Existem tamb&eacute;m formas cut&acirc;neas chamadas de leishmanioses tegumentares (LT). Dentre essas, algumas n&atilde;o t&ecirc;m gravidade, enquanto outras, embora n&atilde;o letais, podem causar extensas mutila&ccedil;&otilde;es de l&aacute;bios, palato, nariz e orelhas.</p>      <p>As v&aacute;rias formas da doen&ccedil;a s&atilde;o transmitidas de animais silvestres ou dom&eacute;sticos para o homem por interm&eacute;dio da picada de mosquitos hemat&oacute;fagos do g&ecirc;nero <i>Lutzomyia</i>.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O<small>S AGENTES DA DOEN&Ccedil;A.</small></b> As leishmanioses s&atilde;o    causadas por esp&eacute;cies diferentes de um mesmo g&ecirc;nero, o g&ecirc;nero    <i>Leishmania</i>. Esse g&ecirc;nero de protozo&aacute;rios pertence &agrave;    fam&iacute;lia Trypanosomatidae, a mesma do <i>Trypanosoma cruzi</i>, causador    da Doen&ccedil;a de Chagas.</p>      <p>Especialistas distinguem cerca de 18 esp&eacute;cies de leishmania em fun&ccedil;&atilde;o do tipo de les&atilde;o que causam e de algumas caracter&iacute;sticas imunol&oacute;gicas e moleculares.</p>      <p>Todas as esp&eacute;cies de leishmanias s&atilde;o parasitas de vertebrados, mas apresentam consider&aacute;veis diferen&ccedil;as entre si sob v&aacute;rios aspectos. Algumas s&atilde;o parasitas exclusivas de animais de sangue frio. Outras, de homeotermos. Algumas leishmanias n&atilde;o se adaptam ao homem. Muitas o incluem entre seus hospedeiros (2).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A <small>DOEN&Ccedil;A</small></b> Tanto no homem como em animais silvestres    ou dom&eacute;sticos, e seja qual for a esp&eacute;cie de leishmania, elas vivem    e proliferam em macr&oacute;fagos e mon&oacute;citos de v&aacute;rios tecidos,    no chamado SFM, sistema fagoc&iacute;tico mononuclear. No interior de vac&uacute;olos    (fagosomas) dessas c&eacute;lulas, multiplicam-se sob formas esf&eacute;ricas    chamadas amastigotas. Abarrotados de amastigotas, os macr&oacute;fagos se rompem    e as leishmanias liberadas s&atilde;o fagocitadas por novos macr&oacute;fagos,    dando progresso &agrave; infec&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>A capacidade dos macr&oacute;fagos de controlarem a prolifera&ccedil;&atilde;o das leishmanias ou de sucumbirem a sua prolifera&ccedil;&atilde;o depende de v&aacute;rios fatores. Alguns desses fatores dizem respeito &agrave; virul&ecirc;ncia da esp&eacute;cie infectante. Outros, da capacidade do paciente em montar uma resposta imunol&oacute;gica eficiente que, por meio dos linf&oacute;citos T e B, estimule a destrui&ccedil;&atilde;o das leishmanias pelos macr&oacute;fagos.</p>      <p>Apesar de serem todas inoculadas na pele, esp&eacute;cies distintas de leishmania t&ecirc;m prefer&ecirc;ncias por &oacute;rg&atilde;os diferentes e causam les&otilde;es maiores ou menores, produzem ou n&atilde;o met&aacute;stases e podem ser ou n&atilde;o auto-cur&aacute;veis. Induzem imunidade permanente ou tempor&aacute;ria e &agrave;s vezes nenhuma. Esse conjunto de fatores, e suas poss&iacute;veis combina&ccedil;&otilde;es com a capacidade de resposta do paciente, &eacute; o respons&aacute;vel pelas diversas formas cl&iacute;nicas das leishmanioses.</p>      <p>Nos casos mais simples como do "bot&atilde;o do oriente", causado pela <i>L.    tropica</i>, a ulcera&ccedil;&atilde;o da pele &eacute; pequena, cura espontaneamente    e confere imunidade permanente. A doen&ccedil;a ocorria no oeste da &Iacute;ndia,    em todo o Oriente M&eacute;dio e no norte da &Aacute;frica. Era altamente end&ecirc;mica    na Alg&eacute;ria, Tun&iacute;sia, Marrocos e Egito. Ocorria tamb&eacute;m em    Creta, na Sic&iacute;lia e em todo o sul da It&aacute;lia. A les&atilde;o prim&aacute;ria    quase sempre se localizava na face e era t&atilde;o comum que um ditado persa    dizia que as filhas do Isl&atilde; deviam ser olhadas de apenas um lado. Consta    que os judeus de Bagd&aacute;, percebendo que a doen&ccedil;a s&oacute; dava    uma vez, inoculavam suas crian&ccedil;as com extratos de les&otilde;es em lugares    escondidos do corpo para evitar a &uacute;lcera da face. Se verdadeira, seria    a primeira vacina&ccedil;&atilde;o bem sucedida da hist&oacute;ria. A mesma    doen&ccedil;a recebia diferentes nomes conforme sua localiza&ccedil;&atilde;o    geogr&aacute;fica. "Bot&atilde;o de Alep" na S&iacute;ria, "bot&atilde;o de    Biskra" na Alg&eacute;ria, "&uacute;lcera de Bagd&aacute;" e "&uacute;lcera    de Ashkabad" na &Iacute;ndia. Com a urbaniza&ccedil;&atilde;o progressiva dessas    regi&otilde;es, os vetores (<i>Lu. papatasi e Lu. sergenti</i>) desapareceram    da maior parte das cidades e vilas, recolhendo-se a &aacute;reas realmente subdesenvolvidas.    Existem duas outras formas de les&otilde;es cut&acirc;neas mais agressivas e    mutilantes que o "bot&atilde;o do oriente", causadas pela <i>Leishmania major</i>,    no Oriente M&eacute;dio, e <i>L. aethiopica</i>, na Eti&oacute;pia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14852q1.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Nas Am&eacute;ricas j&aacute; foram descritas v&aacute;rios tipos de ulcera&ccedil;&otilde;es cut&acirc;neas causadas por leishmanias que, como no Velho Mundo, recebiam designa&ccedil;&otilde;es regionais: uta, esp&uacute;ndia, pian bois, &uacute;lcera de Bauru.</p>      <p>A leishmaniose tegumentar americana (LTA) &eacute; caracterizada pelo surgimento de les&otilde;es na pele (geralmente &uacute;lceras profundas) &uacute;nicas ou m&uacute;ltiplas, principalmente nas &aacute;reas expostas do corpo. Esta forma &eacute; causada por v&aacute;rias esp&eacute;cies de leishmania, sendo transmitida por uma grande variedade de esp&eacute;cies de flebotom&iacute;neos. Algumas formas de LTA s&atilde;o bastante graves. &Eacute; o caso da esp&uacute;ndia ou &uacute;lcera de Bauru, causada pela <i>L. braziliensis</i>. A les&atilde;o inicial &eacute; discreta, uma pequena p&aacute;pula apenas, em geral em um dos membros. Nelas, os macr&oacute;fagos est&atilde;o apinhados de leishmanias. Com o tempo, linf&oacute;citos e plasm&oacute;citos v&ecirc;m cercar a les&atilde;o tentando control&aacute;-la. Se n&atilde;o conseguirem, a les&atilde;o se expande e a epiderme espessada necrosa, abrindo uma &uacute;lcera em que as leishmanias come&ccedil;am a escassear. A &uacute;lcera n&atilde;o cura e pode produzir met&aacute;stases na mucosa nasal e oral, com eventual destrui&ccedil;&atilde;o da arquitetura do nariz e do palato. N&atilde;o-tratadas ou tratadas e n&atilde;o-curadas, as les&otilde;es da face podem ser absolutamente mutilantes e f&eacute;tidas. O sofrimento dos pacientes &eacute; indescrit&iacute;vel.</p>      <p>Outra forma grave da infec&ccedil;&atilde;o &eacute; a forma visceral (LV), tamb&eacute;m presente no Velho Mundo, particularmente na &Iacute;ndia sob o nome de Kala-Azar. N&atilde;o s&oacute; na &Iacute;ndia, mas em toda a &Aacute;sia, incluindo a China. Existia tamb&eacute;m na Europa, em todo o mediterr&acirc;neo. No Brasil, a LV deve existir h&aacute; s&eacute;culos, mas somente no s&eacute;culo XX foi identificada entre n&oacute;s. As leishmanias, inoculadas na pele, acabam chegando aos fag&oacute;citos mononucleares do ba&ccedil;o, f&iacute;gado, n&oacute;dulos linf&aacute;ticos e medula &oacute;ssea e eventualmente tamb&eacute;m de outros &oacute;rg&atilde;os. A LV &eacute; uma doen&ccedil;a consumptiva e imunossupressora. Manifesta-se por febre pouco elevada, mas di&aacute;ria e constante, marcado emagrecimento e grande aumento do ba&ccedil;o e f&iacute;gado. No passado, ela deve ter sido confundida com a mal&aacute;ria que tamb&eacute;m provoca pronunciado aumento do ba&ccedil;o. Por&eacute;m, as caracter&iacute;sticas da febre nas duas doen&ccedil;as s&atilde;o muito diferentes. A LV &eacute; particularmente grave em crian&ccedil;as, onde quase sempre evolui para a morte. No Brasil, a LV &eacute; causada pela <i>Leishmania chagasi</i>; no Velho Mundo, pela <i>Leishmania donovani</i>.</p>      <p>Existe, ainda, na Amaz&ocirc;nia uma forma extremamente grave de leishmaniose, felizmente rar&iacute;ssima. &Eacute; a leishmaniose an&eacute;rgica difusa (LAD) que se manifesta em indiv&iacute;duos com marcada defici&ecirc;ncia imunol&oacute;gica. A LAD caracteriza-se pela generalizada dissemina&ccedil;&atilde;o do parasita pela pele, evoluindo para a forma&ccedil;&atilde;o de n&oacute;dulos e placas com car&aacute;ter altamente deformante. Esta forma est&aacute; associada &agrave; infec&ccedil;&atilde;o por <i>Leishmania amazonensis</i>. Seu &ecirc;xito &eacute; invariavelmente letal.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A <small>TRANSMISS&Atilde;O</small></b> As leishmanias s&atilde;o transmitidas    entre animais silvestres ou de animais silvestres para o homem por meio de mosquitos    hemat&oacute;fagos <i>Phlebotominae</i> do g&ecirc;nero <i>Lutzomyia</i> (3,4).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14852q2.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esses insetos, ao picarem seja o homem sejam animais silvestres infectados, ingerem macr&oacute;fagos contendo leishmanias. No tubo digestivo dos insetos, as leishmanias se transformam em formas alongadas, dotadas de um flagelo e chamadas de promastigotas. Essas formas se multiplicam intensamente no tubo digestivo do insetos, chegando a entupir seus &oacute;rg&atilde;os picadores. Ao picarem novos hospedeiros, os promastigotas s&atilde;o regurgitados e, por esse mecanismo, infectam novos vertebrados.</p>      <p>Algumas leishmanias proliferam apenas em uma determinada esp&eacute;cie de fleb&oacute;tomo. Outras, s&atilde;o prom&iacute;scuas, adotando um largo espectro de vetores.</p>      <p>Os fleb&oacute;tomos s&atilde;o pequenos mosquitos de aproximadamente 0,5 cm de comprimento, com pernas longas e delgadas, e o corpo densamente piloso. Voam aos saltos e mant&eacute;m as asas eretas mesmo em repouso, ao contr&aacute;rio de outros d&iacute;pteros, o que facilita sua identifica&ccedil;&atilde;o. Apenas as f&ecirc;meas s&atilde;o hemat&oacute;fagas. Machos se alimentam dos sucos de flores e plantas. Em cada regi&atilde;o do Brasil, os fleb&oacute;tomos recebem um apelido: mosquito palha, asa dura, asa branca, tatuquira, birigui, cangalha, cangalhinha, ligeirinho, p&eacute;la-&eacute;gua, arrupiado, arrepiado, etc. Em ingl&ecirc;s, s&atilde;o sandflies.</p>      <p>No Novo Mundo, o g&ecirc;nero <i>Lutzomyia</i> engloba cerca de 350 esp&eacute;cies distribu&iacute;das desde o sul do Canad&aacute; at&eacute; o norte da Argentina (3,4). Destas, pelo menos 200 ocorrem na bacia amaz&ocirc;nica. Seus ovos e larvas desenvolvem-se em &aacute;reas &uacute;midas ricas em mat&eacute;ria org&acirc;nica em decomposi&ccedil;&atilde;o, da&iacute; a sua prefer&ecirc;ncia por florestas e sombra. Produzem, em m&eacute;dia, 3 a 4 gera&ccedil;&otilde;es por ano.</p>      <p>Algumas esp&eacute;cies de fleb&oacute;tomos picam exclusivamente animais silvestres, muitas vezes uma &uacute;nica esp&eacute;cie. Outras, mais vers&aacute;teis, se alimentam sobre v&aacute;rias esp&eacute;cies de vertebrados, inclusive o homem. N&atilde;o existe nenhuma que seja exclusivamente antropof&iacute;lica, isto &eacute;, que se alimente apenas sobre o homem.</p>      <p>As esp&eacute;cies mais importantes de <i>Lutzomyia</i> no Brasil s&atilde;o: a <i>Lu. flaviscutellata</i>, pouco antropof&iacute;lica e de h&aacute;bitos noturnos, transmissora da <i>Leishmania amazonensis</i>; a <i>Lu.welcomei</i>, <i>Lu.pessoai</i> e <i>Lu. migonei</i>, bastante antropof&iacute;licas, de h&aacute;bitos diuturnos e transmissoras da tem&iacute;vel <i>Leishmania braziliensis</i>; <i>Lu. umbratilis</i> transmissora da <i>Leishmania guyanensis</i> e a terr&iacute;vel <i>Lu. longipalpis</i>, antropof&iacute;lica, de h&aacute;bitos peri-domiciliares e transmissora da forma visceral de leishmaniose, muitas vezes letal, causada pela <i>Leishmania chagasi</i>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A <small>DOEN&Ccedil;A NA</small> H<small>IST&Oacute;RIA E NO MUNDO CONTEMPOR&Acirc;NEO</small></b>    Existem relatos e descri&ccedil;&otilde;es na literatura do primeiro s&eacute;culo    da era corrente, sobre a presen&ccedil;a da mol&eacute;stia na &Aacute;sia Central    sob o nome de "&uacute;lcera de Balkh" referente a uma cidade ao norte do Afeganist&atilde;o,    e tamb&eacute;m como "&uacute;lcera de Delhi" (1).</p>      <p>Nas Am&eacute;ricas foram encontradas cer&acirc;micas incas, datadas de 400 a 900 anos da era corrente, apresentando imagens humanas com mutila&ccedil;&otilde;es de l&aacute;bios e nariz, caracter&iacute;sticas da esp&uacute;ndia, hoje conhecida como leishmaniose cut&acirc;neo-mucosa. Existem, tamb&eacute;m, relatos de les&otilde;es similares &agrave; leishmaniose cut&acirc;nea por historiadores da &eacute;poca da Descoberta. A primeira refer&ecirc;ncia &agrave; leishmaniose no Brasil encontra-se no documento da Pastoral Religiosa Pol&iacute;tico-Geogr&aacute;fica de 1827, citado no livro de Tello intitulado <i>Antiguidad de la syfilis em el Per&uacute;</i>.</p>      <p>Provavelmente por ser uma doen&ccedil;a sist&ecirc;mica, de diagn&oacute;stico ainda hoje dif&iacute;cil, a leishmaniose visceral n&atilde;o tem caracteriza&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica marcante.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cunningham (1885) e Leishman e Donovan (1903) descreveram as formas intracelulares do parasita da leishmaniose visceral. Borovsky (1898) e Wright (1903) descreveram o parasita em c&eacute;lulas de les&otilde;es cut&acirc;neas do chamado "bot&atilde;o do oriente". Observando o crescimento do parasita sob a forma flagelada, Rogers, em 1904, o classificou entre os trypanosomas (1).</p>      <p>A partir de sua identifica&ccedil;&atilde;o, leishmanias e leishmanioses foram reconhecidas em v&aacute;rias regi&otilde;es do mundo.</p>      <p>Atualmente a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de registra a presen&ccedil;a de leishmaniose (qualquer forma) em 88 pa&iacute;ses, 72 dos quais subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. A saber, 90% de todos os casos de leishmaniose visceral ocorrem em Bangladesh, &Iacute;ndia, Brasil e Sud&atilde;o. Noventa por cento dos casos de leishmaniose cut&acirc;neo-mucosa ocorrem no Brasil, Bol&iacute;via e Peru. Noventa por cento dos casos de leishmaniose cut&acirc;nea ocorrem no Afeganist&atilde;o, Ir&atilde;, Peru, Brasil, Ar&aacute;bia Saudita e S&iacute;ria.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A<small>S LEISHMANIOSES NO</small> B<small>RASIl</small></b> A ocorr&ecirc;ncia    de casos de leishmaniose cut&acirc;nea e cut&acirc;neo-mucosa est&aacute; relacionada    &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas florestais onde proliferam os    vetores e reservat&oacute;rios da doen&ccedil;a. Neste contexto, &eacute; conhecido    o grande impacto desta parasitose nos trabalhadores da Estrada de Ferro Noroeste,    que desbravavam o interior de S&atilde;o Paulo, no in&iacute;cio do s&eacute;culo    XX, em dire&ccedil;&atilde;o a Mato Grosso. A ocorr&ecirc;ncia da endemia limitava-se    &agrave;s &aacute;reas de expans&atilde;o dos colonizadores. As les&otilde;es    da face eram particularmente freq&uuml;entes dando origem a apelidos da doen&ccedil;a    como "&uacute;lcera de Bauru", "nariz de tapir", "ferida brava".</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14852q3.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <p>Cerqueira, em 1855, j&aacute; observara a exist&ecirc;ncia da forma cut&acirc;nea,clinicamente compar&aacute;vel ao "bot&atilde;o de Biskra". Por&eacute;m, a natureza leishmani&oacute;tica das les&otilde;es cut&acirc;neas e nasofar&iacute;ngeas veio a ser confirmada, no Brasil, apenas em 1909, quando Lindenberg encontrou formas similares &agrave;s leishmanias do Velho Mundo, em les&otilde;es cut&acirc;neas de indiv&iacute;duos que trabalhavam nas matas do interior do estado de S&atilde;o Paulo.</p>      <p>A situa&ccedil;&atilde;o geral no Brasil &eacute; s&eacute;ria. Embora as estat&iacute;sticas n&atilde;o sejam precisas, calcula-se que nos &uacute;ltimos 15 anos o n&uacute;mero de casos de LTA tenha dobrado. Note-se que, em parte, o n&uacute;mero de casos pode ter aumentado gra&ccedil;as &agrave; melhora dos m&eacute;todos de diagn&oacute;stico e da capacidade dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de de detec&ccedil;&atilde;o de casos da doen&ccedil;a. De qualquer forma, existem cerca de 350 mil casos atualmente no pa&iacute;s. A tend&ecirc;ncia &eacute; claramente no sentido de aumento desse n&uacute;mero. Isso, por duas raz&otilde;es: o controle da leishmaniose tegumentar &eacute; particamente imposs&iacute;vel, e seu tratamento complicad&iacute;ssimo e pouco eficaz.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A rigor, as leishmanioses s&atilde;o zoonoses, isto &eacute;, doen&ccedil;as infecciosas propagadas entre animais das quais o homem n&atilde;o &eacute; um elo obrigat&oacute;rio, mas eventual. Dessa forma, as leishmanioses tem um ciclo natural que n&atilde;o depende do homem. Por&eacute;m, ao se intrometer nesse ciclo, o homem pode adquirir a mol&eacute;stia. Por isto, a doen&ccedil;a &eacute; particularmente freq&uuml;ente entre trabalhadores e habitantes das florestas e mesmo entre invasores espor&aacute;dicos das florestas como pescadores, turistas, soldados (5). &Eacute; muito freq&uuml;ente, ainda, em agentes de desmatamento e madeireiros visto que, derrubada a floresta, os fleb&oacute;tomos privados de seu repasto habitual (animais silvestres que fugiram), v&ecirc;m alimentar-se no homem. As formas cut&acirc;neas da doen&ccedil;a prevalecem na Amaz&ocirc;nia (6), mas qualquer reserva florestal de qualquer parte do pa&iacute;s pode servir como foco de infec&ccedil;&atilde;o, como tem ocorrido inclusive em capitais do sudeste do pa&iacute;s (7-10). Combater os flebotom&iacute;neos &eacute; imposs&iacute;vel. Eles s&atilde;o ub&iacute;quos e se alimentam sobre animais silvestres, n&atilde;o precisando do homem para se perpetuarem. Combater seus reservat&oacute;rios &eacute;, igualmente, imposs&iacute;vel porque s&atilde;o v&aacute;rias e abundantes as esp&eacute;cies animais (particularmente roedores) que servem de reservat&oacute;rios de leishmanias. O tratamento prec&aacute;rio da leishmaniose tegumentar tamb&eacute;m conspira contra o controle da endemia. Um pesquisador brasileiro, Gaspar Viana, descobriu, em 1912, a utilidade de antimoniais no tratamento da LTA. Desde ent&atilde;o, o tratamento continua baseado em antimoniais e diamidinas arom&aacute;ticas e, nos casos mais graves, na anfotericina. Todavia, essas drogas s&atilde;o extremamente t&oacute;xicas e mal toleradas e o tratamento &eacute; prolongado. As drogas, em princ&iacute;pio, deveriam ser fornecidas pelos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, mas est&atilde;o, freq&uuml;entemente, em falta. Por essas raz&otilde;es, a LTA deve ser considerada uma das doen&ccedil;as &oacute;rf&atilde;s da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica.</p>      <p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; leishmaniose visceral (LV), h&aacute; 44 anos Alencar reuniu a primeira casu&iacute;stica oficial sobre a parasitose no Brasil, registrando a ocorr&ecirc;ncia de 5.989 casos, 67% no Cear&aacute;. Isto poderia causar a falsa impress&atilde;o de que o Cear&aacute; era o principal e maior foco de LV no pa&iacute;s. Na realidade, essa alta percentagem refletia o esfor&ccedil;o de Alencar em diagnosticar todos os casos de seu estado. Mostrou-se, mais tarde, que ocorriam 6 mil novos casos por ano de LV em todas as macrorregi&otilde;es do pa&iacute;s, com exce&ccedil;&atilde;o do Sul. A LV &eacute; causada pela <i>Leishmania chagasi</i> e transmitida ao homem por um mosquito de h&aacute;bitos dom&eacute;sticos, a <i>Lu. longipalpis</i>. Este se cria no peri-domic&iacute;lio do homem entre arbustos e plantas dom&eacute;sticas. O mosquito se alimenta t&atilde;o bem sobre o homem como sobre o c&atilde;o dom&eacute;stico. Raposas s&atilde;o o reservat&oacute;rio silvestre da <i>L. chagasi</i>, c&atilde;es s&atilde;o seu reservat&oacute;rio pr&oacute;ximo do homem. Do c&atilde;o, a leishmania pode passar facilmente ao homem. Assim, a doen&ccedil;a se tem expandido pelo pa&iacute;s, visto que os elos de seu ciclo est&atilde;o por toda a parte: c&atilde;o-mosquito-homem. A LV &eacute; considerada uma parasitose reemergente, cujos exemplos cl&aacute;ssicos s&atilde;o a ocorr&ecirc;ncia da doen&ccedil;a na &aacute;rea urbana de Ara&ccedil;atuba(SP) e S&atilde;o Luiz (MA) (11-13).</p>      <p>Um outro grande problema com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s leishmanioses, tanto tegumentar como visceral, &eacute; seu diagn&oacute;stico.O encontro de parasitas em raspados das les&otilde;es de pele ou em pun&ccedil;&otilde;es da medula &oacute;ssea confere diagn&oacute;stico de certeza, mas nem sempre esses exames s&atilde;o conclusivos. M&eacute;todos complementares imunol&oacute;gicos e moleculares, particularmente os m&eacute;todos de amplifica&ccedil;&atilde;o g&ecirc;nica por PCR, v&ecirc;m mostrando-se cada vez mais &uacute;teis tanto no diagn&oacute;stico como na identifica&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies de leishmanias. Todavia, o sistema p&uacute;blico de sa&uacute;de n&atilde;o est&aacute; capacitado para a utiliza&ccedil;&atilde;o desses m&eacute;todos, seja pela falta de treino dos profissionais da sa&uacute;de, seja pela falta de reagentes e equipamentos.</p>      <p>Infelizmente, no caso da endemia leishmani&oacute;tica, ainda teremos que assistir a um crescimento do n&uacute;mero de casos e do sofrimento incompar&aacute;vel dos pacientes. A esperan&ccedil;a &eacute; que uma vacina eficaz venha a ser produzida. As dispon&iacute;veis e em experimenta&ccedil;&atilde;o ainda carecem de efici&ecirc;ncia comprovada.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i><b>Luis Marcelo Aranha Camargo</b> &eacute; m&eacute;dico, professor assistente de parasitologia do Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas da USP. &Eacute; respons&aacute;vel pelo laborat&oacute;rio avan&ccedil;ado do Departamento em Monte Negro, Rond&ocirc;nia.</i></p>      <p><i><b>Marcello Andr&eacute; Barcinski</b> &eacute; m&eacute;dico, professor titular de parasitologia da USP e membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias e da Academia Brasileira de Medicina.</i></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>      ]]></body>
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