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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/tp14.gif"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p><b><font size="4">E<small>SQUISTOSSOMOSE, XISTOSA, BARRIGA D'&Aacute;GUA</small></font></b></p>      <p>Naftale Katz    <br>   Karina Almeida</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b><font size=5>A </font></b>esquistossomose &eacute; uma endemia parasit&aacute;ria    t&iacute;pica das Am&eacute;ricas, &Aacute;sia e &Aacute;frica. Chegou ao Brasil    com os escravos africanos trazidos pela Col&ocirc;nia Portuguesa, mas h&aacute;    refer&ecirc;ncias da doen&ccedil;a muito antes dessa &eacute;poca. Ovos do esquistossomo    &#150; helminto do g&ecirc;nero <i>Schistosoma</i> que causa essa endemia &#150;    foram encontrados em m&uacute;mias chinesas de mais de dois mil anos. No s&eacute;culo    XXI, a doen&ccedil;a ainda &eacute; um problema grave de sa&uacute;de p&uacute;blica.    A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) estima que a esquistossomose    acometa 200 milh&otilde;es de pessoas em 74 pa&iacute;ses. No Brasil, acredita-se    que s&atilde;o cerca de seis milh&otilde;es de infectados, encontrados, principalmente,    nos estados do Nordeste e em Minas Gerais.</p>      <p>Conhecida pelos brasileiros como barriga d'&aacute;gua, xistosa ou doen&ccedil;a do caramujo, a esquistossomose mansoni ou mans&ocirc;nica &eacute; caracterizada, na forma mais grave, a hepato-espl&ecirc;nica, pelo aumento do f&iacute;gado e do ba&ccedil;o. O diagn&oacute;stico e o tratamento s&atilde;o relativamente simples, mas a erradica&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel com medidas que interrompam o ciclo evolutivo do parasito, como a realiza&ccedil;&atilde;o de obras de saneamento b&aacute;sico e a mudan&ccedil;a comportamental das pessoas que vivem em &aacute;reas end&ecirc;micas.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>H<small>IST&Oacute;RICO</small></b> Aspectos cl&iacute;nicos da doen&ccedil;a    foram descritos pela primeira vez, em 1847, pelo japon&ecirc;s Fuji. No Egito,    o parasito tornou-se conhecido em 1852, com a descri&ccedil;&atilde;o de Theodor    Bilharz, da&iacute; a denomina&ccedil;&atilde;o bilharziose usada em alguns    pa&iacute;ses. Quarenta anos mais tarde, o renomado m&eacute;dico ingl&ecirc;s    Patrick Manson levantou a hip&oacute;tese da exist&ecirc;ncia de duas esp&eacute;cies    de <i>Schistosoma</i> parasitas do homem. Hoje, sabe-se que s&atilde;o muitas:    <i>S. japonicum</i> (esquistossomose japonesa), <i>S. haematobium</i>, (esquistossomose    hemat&oacute;bia, vesical ou urin&aacute;ria), <i>S. interacalatum</i> (esquistossomose    intestinal, t&iacute;pica de pa&iacute;ses da &Aacute;frica Central), <i>S.    mekongi</i> (esquistossomose intestinal, comum no vale do rio Mekongi, no Laos    e Camboja), <i>S. bovis</i>, <i>S. mattheei</i> e <i>S. rodhaini</i> (esquistossomoses    de animais que, eventualmente, parasitam o homem na &Aacute;frica) e <i>S. mansoni</i>    (esquistossomose mansoni, &uacute;nica esp&eacute;cie de interesse m&eacute;dico    para a sa&uacute;de p&uacute;blica brasileira).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A esp&eacute;cie existente no Brasil foi descrita, em 1907, pelo ingl&ecirc;s    Sambon, que a nomeou <i>Schistosoma mansoni</i> em homenagem a Manson. No mesmo    ano, o brasileiro Piraj&aacute; da Silva estudou uma esp&eacute;cie encontrada    na Bahia dizendo que, provavelmente, seria uma nova esp&eacute;cie e a chamou    de <i>Schistosoma americanum</i>. Sambon j&aacute; havia feito a sua descri&ccedil;&atilde;o,    mas a pequena quantidade de vermes estudados suscitou d&uacute;vidas em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; validade do trabalho. Somente com as cuidadosas observa&ccedil;&otilde;es    de Piraj&aacute; da Silva as incertezas taxon&ocirc;micas foram suprimidas.    Ele realizou uma s&eacute;rie de aut&oacute;psias de casos humanos de onde foram    retirados vermes, al&eacute;m de numerosos exames de fezes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14853q1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <p>Em 1913, foi a vez de descrever o hospedeiro intermedi&aacute;rio da doen&ccedil;a: moluscos do g&ecirc;nero <i>Biomphalaria</i> (caramujos) com concha espiral plana, que podem medir de 10 a 40 mm. Miyaki e Suzuki, autores do feito in&eacute;dito, demonstraram tamb&eacute;m que a cerc&aacute;ria (larva do <i>Schistosoma</i>) transmite a doen&ccedil;a ao homem quando penetra em sua pele. A descri&ccedil;&atilde;o do ciclo evolutivo das esp&eacute;cies <i>S. mansoni</i> e <i>S. haematobium</i> foi realizada, pela primeira vez, em 1915, pelo eg&iacute;pcio Leiper. Um ano depois, Adolfo Lutz estudou, no Brasil, a evolu&ccedil;&atilde;o do <i>S. mansoni</i> em caramujos da esp&eacute;cie <i>Biomphalaria olivacea</i>, atualmente denominada <i>B. glabrata</i>. Esses estudos o levaram &agrave; descoberta de um novo hospedeiro intermedi&aacute;rio, o <i>Biomphalaria straminea</i>, outro caramujo.</p>      <p>Embora os escravos africanos estivessem infectados por duas esp&eacute;cies do esquistossomo, <i>S. mansoni</i> e <i>S. haematobium</i>, somente a primeira se desenvolveu no Brasil. O ciclo evolutivo do <i>S. haematobium</i> n&atilde;o prosseguiu nas Am&eacute;ricas, devido &agrave; falta do hospedeiro intermedi&aacute;rio pr&oacute;prio dessa esp&eacute;cie.</p>      <p>A regi&atilde;o Nordeste e o estado de Minas Gerais foram as primeiras &aacute;reas end&ecirc;micas da esquistossomose <i>mansoni</i>, no Brasil. A partir da&iacute;, a doen&ccedil;a se espalhou pelo pa&iacute;s. No Sudeste, surgiram focos isolados no Rio de Janeiro, Esp&iacute;rito Santo e em S&atilde;o Paulo. O norte do Paran&aacute;, no Sul do pa&iacute;s, tamb&eacute;m se tornou uma &aacute;rea end&ecirc;mica. Outros tr&ecirc;s focos da doen&ccedil;a foram descritos, recentemente, em mais dois estados sulinos: dois em Santa Catarina e um no Rio Grande do Sul.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>C<small>ICLO EVOLUTIVO DO PARASITO</small></b> O ciclo biol&oacute;gico    do <i>S. mansoni</i> &eacute; complexo, pois &eacute; formado por duas fases    parasit&aacute;rias: uma no hospedeiro definitivo (vertebrado/homem) e outra    no hospedeiro intermedi&aacute;rio (invertebrado/caramujo). H&aacute;, ainda,    duas passagens de larvas de vida livre no meio aqu&aacute;tico, que se alternam    com as fases parasit&aacute;rias. As etapas evolutivas consistem no verme adulto    (macho e f&ecirc;mea), ovo, mirac&iacute;dio, esporocisto, cerc&aacute;ria e    esquistoss&ocirc;mulo. O ciclo evolutivo do parasito se completa, em condi&ccedil;&otilde;es    favor&aacute;veis, em torno de 80 dias. No homem, o ciclo &eacute; sexuado e    o per&iacute;odo decorrido entre a penetra&ccedil;&atilde;o das cerc&aacute;rias    e o encontro de ovos nas fezes &eacute; de cerca de 40 dias. No molusco, o ciclo    &eacute; assexuado e tamb&eacute;m dura, aproximadamente, 40 dias.</p>      <p>Os vermes adultos vivem nos vasos sang&uuml;&iacute;neos que ligam o intestino ao f&iacute;gado (sistema porta-hep&aacute;tico) do hospedeiro vertebrado. O macho &eacute; de cor esbranqui&ccedil;ada e mede de 6 a 13 mm de comprimento por 1,1 mm de largura. A f&ecirc;mea &eacute; cil&iacute;ndrica e mais fina e longa que o macho. Mede de 10 a 20 mm de comprimento por 0,16 mm de largura. Como n&atilde;o apresentam &oacute;rg&atilde;o copulador, a c&oacute;pula ocorre pela justaposi&ccedil;&atilde;o dos orif&iacute;cios genitais feminino e masculino, quando a f&ecirc;mea est&aacute; alojada no canal ginec&oacute;foro (fenda longitudinal, no macho, para albergar a f&ecirc;mea e fecund&aacute;-la).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma f&ecirc;mea coloca 300 ovos por dia, que s&oacute; amadurecem uma semana depois. A postura ocorre nos vasos capilares do intestino do hospedeiro, quando ent&atilde;o passam para a luz intestinal e s&atilde;o eliminados juntos com as fezes. Quando maduros, os ovos do <i>S. mansoni</i> medem 150 mm (um micron equivale a um mil&eacute;simo de mil&iacute;metro) de comprimento por 65 mm de largura, tamanho considerado grande. Um espinho lateral facilita a sua identifica&ccedil;&atilde;o. Ao entrar em contato com a &aacute;gua, os ovos maduros incham, eclodem e libertam larvas ciliadas, denominadas mirac&iacute;dios.</p>      <p>O mirac&iacute;dio &eacute; o primeiro est&aacute;gio de vida livre do <i>Schistosoma</i>. De formato oval e revestido por numerosos c&iacute;lios, mede em torno de 150 a 170 mm de comprimento e de 60 a 70 mm de largura. Onde n&atilde;o h&aacute; rede de esgotos e as fezes infectadas s&atilde;o lan&ccedil;adas indevidamente em rios e lagos, os mirac&iacute;dios t&ecirc;m a chance de nadar ao encontro do hospedeiro intermedi&aacute;rio, o caramujo, dando continuidade ao ciclo evolutivo do parasito e, conseq&uuml;entemente, possibilitando a transmiss&atilde;o da parasitose ao homem.</p>      <p>Ao penetrar nas partes moles do molusco, o mirac&iacute;dio perde parte de suas estruturas. As c&eacute;lulas remanescentes se reorganizam e, em 48 horas, transformam-se em um saco alongado repleto de c&eacute;lulas germinativas. Esse saco &eacute; o esporocisto. Os esporocistos prim&aacute;rios geram os secund&aacute;rios ou esporocistos filhos e as c&eacute;lulas germinativas, desse &uacute;ltimo, s&atilde;o transformadas em cerc&aacute;rias.</p>      <p>A cerc&aacute;ria representa a segunda fase de vida livre do parasito. Ela passa pela parede do esporocisto e migra para as partes moles externas do caramujo. &Eacute; uma larva com corpo e cauda, adaptada &agrave; vida aqu&aacute;tica. O corpo mede 0,2 mm de comprimento por 0,07 mm de largura e a cauda, aproximadamente 300 mm. Na pele do homem, a penetra&ccedil;&atilde;o &eacute; consumada pela a&ccedil;&atilde;o l&iacute;tica e pela a&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica devido aos movimentos intensos da larva. Nesse processo, que pode durar at&eacute; 15 minutos, a cerc&aacute;ria perde sua cauda. Depois de atravessar a pele, ela passa a ser chamada de esquistoss&ocirc;mulo.</p>      <p>Os esquistoss&ocirc;mulos s&atilde;o adaptados ao meio interno isot&ocirc;nico do hospedeiro definitivo e penetram em seus vasos sang&uuml;&iacute;neos ou nos vasos linf&aacute;ticos. Muitos deles s&atilde;o vencidos pelo sistema de defesa humano e os demais conseguem chegar at&eacute; o cora&ccedil;&atilde;o e os pulm&otilde;es e, posteriormente, migram para o f&iacute;gado, onde esses pequenos vermes se alimentam e tornam-se adultos. O ciclo evolutivo se completa quando os vermes adultos migram para os vasos mesent&eacute;ricos do hospedeiro e iniciam a oviposi&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>D<small>IAGN&Oacute;STICO E TRATAMENTO</small></b> O homem adquire a infec&ccedil;&atilde;o    quando a cerc&aacute;ria penetra em sua pele. Mas a patogenia da esquistossomose    mansoni depende de uma s&eacute;rie de fatores: a linhagem do parasito, a idade,    o estado nutricional e a imunidade do hospedeiro e, principalmente, a carga    parasit&aacute;ria, ou seja, a quantidade de parasitos que infectou o paciente.    Na fase inicial da doen&ccedil;a, o homem pode apresentar dermatite cercariana,    provocada pela penetra&ccedil;&atilde;o das cerc&aacute;rias. Na forma aguda    da parasitose, os sintomas podem ser caracterizados por urtic&aacute;ria e edema    localizados, diarr&eacute;ia mucosa ou muco- sanguinolenta, febre elevada, anorexia,    n&aacute;usea, v&ocirc;mito, hepatoesplenogalia dolorosa, manifesta&ccedil;&otilde;es    pulmonares e astenia. Os sintomas podem se confundir com os de outras doen&ccedil;as    como febre tif&oacute;ide, calazar, salmoneloses, infec&ccedil;&otilde;es agudas,    mal&aacute;ria e hepatites vir&oacute;ticas, por isso, &eacute; necess&aacute;rio    realizar o diagn&oacute;stico diferencial.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14853q2.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A fase aguda dura em torno de um a dois meses e desaparece atrav&eacute;s de tratamento espec&iacute;fico ou evolui (se n&atilde;o tratada) para a fase cr&ocirc;nica, que tem dois est&aacute;gios principais: forma intestinal ou h&eacute;pato-intestinal e, a mais grave, forma hepato-espl&ecirc;nica, representada pelo crescimento e endurecimento do f&iacute;gado e do ba&ccedil;o. Todavia, ovos e vermes adultos do parasito podem ser encontrados em qualquer &oacute;rg&atilde;o ou tecido do corpo humano como pulm&otilde;es, c&eacute;rebro, test&iacute;culos, ov&aacute;rios, entre outros.</p>      <p>O diagn&oacute;stico laboratorial da esquistossomose <i>mansoni</i> &eacute; relativamente f&aacute;cil e r&aacute;pido. &Eacute; feito atrav&eacute;s da constata&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a de ovos do <i>S. mansoni</i> nas fezes do paciente. O m&eacute;todo mais utilizado &eacute; o exame parasitol&oacute;gico das fezes. A eclos&atilde;o de mirac&iacute;dios, as rea&ccedil;&otilde;es sorol&oacute;gicas, a bi&oacute;psia retal e a bi&oacute;psia hep&aacute;tica s&atilde;o m&eacute;todos auxiliares. No entanto, os dois &uacute;ltimos s&atilde;o cada vez menos usados, sendo reservados para diagn&oacute;sticos em condi&ccedil;&otilde;es muito especiais. A bi&oacute;psia retal caiu no desuso por causar traumas f&iacute;sicos e tamb&eacute;m psicol&oacute;gicos e a bi&oacute;psia hep&aacute;tica &eacute; utilizada apenas quando &eacute; necess&aacute;rio conhecer o quadro histol&oacute;gico do f&iacute;gado ou em casos de diagn&oacute;stico diferencial. A OMS recomenda o m&eacute;todo Kato-Katz, por ser o exame parasitol&oacute;gico das fezes mais sens&iacute;vel, r&aacute;pido e de f&aacute;cil execu&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de ser o mais preciso qualitativa e quantitativamente. Esse m&eacute;todo &eacute; utilizado, atualmente, nos continentes africano, asi&aacute;tico e nas Am&eacute;ricas.</p>      <p>Desde 1918, diversas drogas foram indicadas para o tratamento cl&iacute;nico das esquistossomoses, mas muitas delas n&atilde;o devem ser usadas mais: t&aacute;rtaro em&eacute;tico, compostos antimoniais trivalentes, lucantone, niridazol e hicantone. Hoje, o tratamento pode ser feito com medicamentos dispon&iacute;veis no mercado brasileiro: oxamniquine ou praziquantel. Basta uma &uacute;nica dose, via oral, de um dos medicamentos. Ambos s&atilde;o bem tolerados e de baixa toxicidade e a efic&aacute;cia do tratamento gira em torno de 80% dos casos, em adultos, e 70% em crian&ccedil;as de at&eacute; 15 anos. Atualmente, prefere-se o praziquantel por apresentar o menor custo, j&aacute; que o medicamento vem sendo fabricado no Brasil por Farmanguinhos/Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz.</p>      <p>Ainda n&atilde;o existe vacina para a esquistossomose, o que poderia auxiliar como medida preventiva da doen&ccedil;a. Infelizmente, a possibilidade de desenvolv&ecirc;-la, no momento, &eacute; muito remota.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>C<small>ONTROLE DE MORBIDADE E DE TRANSMISS&Atilde;O</small></b> Mesmo com    diagn&oacute;stico e tratamento simples, a esquistossomose continua sendo um    s&eacute;rio problema de sa&uacute;de p&uacute;blica. N&atilde;o basta o controle    de morbidade, isto &eacute;, impedir o aparecimento das formas hepato-espl&ecirc;nicas    da esquistossomose, &eacute; necess&aacute;rio que haja tamb&eacute;m um controle    da transmiss&atilde;o, que visa interromper o ciclo evolutivo do parasito e,    conseq&uuml;entemente, o surgimento de novos casos. A medicina possui instrumentos    suficientes para tratar os doentes e, portanto, &eacute; capaz de fazer o controle    da morbidade. No entanto, o controle da transmiss&atilde;o vai al&eacute;m da    capacidade dos m&eacute;dicos e cientistas e deve ser feito com a&ccedil;&otilde;es    governamentais, como o saneamento b&aacute;sico, instala&ccedil;&atilde;o de    &aacute;gua e esgoto nas casas, mudan&ccedil;as no meio ambiente, educa&ccedil;&atilde;o    sanit&aacute;ria, combate aos caramujos, al&eacute;m do diagn&oacute;stico e    tratamento das pessoas infectadas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14853q3.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <p>Em 1975, foi criado, no Brasil, um programa com o objetivo de controlar a esquistossomose: o Programa Especial de Controle da Esquistossomose (Pece). A partir dessa data, mais de 12 milh&otilde;es de tratamentos foram realizados em todo o pa&iacute;s, principalmente, na regi&atilde;o Nordeste. Esse programa, lan&ccedil;ado com muitos erros conceituais e de objetivos, foi criticado por cientistas brasileiros com conhecimento na &aacute;rea, em uma &eacute;poca onde as cr&iacute;ticas &agrave;s a&ccedil;&otilde;es do governo, ent&atilde;o controlado por militares, n&atilde;o eram bem recebidas. Todavia, o Programa trouxe bons resultados como a diminui&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica do n&uacute;mero de casos da esquistossomose hepato-espl&ecirc;nica, que n&atilde;o raramente pode levar o paciente &agrave; morte.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A experi&ecirc;ncia adquirida pelo Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS), na &uacute;ltima d&eacute;cada, mostra que o diagn&oacute;stico e o tratamento da esquistossomose podem e devem ser incorporados a este sistema, isto &eacute;, os postos de sa&uacute;de locais e regionais t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de diagnosticar e tratar as pessoas infectadas pelo <i>S. mansoni</i>. Essa atitude transformaria as a&ccedil;&otilde;es de campanhas de controle (medidas verticais) centralizadas em Bras&iacute;lia (Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de e outros) em a&ccedil;&otilde;es a serem executadas pelos munic&iacute;pios e pelos estados diretamente nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de que atendem a popula&ccedil;&atilde;o (medidas horizontais).</p>      <p>J&aacute; o controle da transmiss&atilde;o n&atilde;o foi o objetivo de nenhum programa especial do governo brasileiro, at&eacute; o momento. E &eacute; esse tipo de a&ccedil;&atilde;o que apresenta resultados mais duradouros e que, ainda, contribui bastante para o controle de outras endemias que dependem das condi&ccedil;&otilde;es ambientais e de higiene, onde vivem as comunidades que representam a popula&ccedil;&atilde;o de risco.</p>      <p>As obras de engenharia sanit&aacute;ria s&atilde;o seguramente as principais medidas a serem tomadas para interromper a transmiss&atilde;o da esquistossomose. Elas evitam a elimina&ccedil;&atilde;o inadequada dos dejetos e, dessa forma, impedem a propaga&ccedil;&atilde;o da endemia por meio de esgotos a c&eacute;u aberto, c&oacute;rregos e rios polu&iacute;dos. No Brasil, o abastecimento de &aacute;gua nas cidades alcan&ccedil;a 90% da popula&ccedil;&atilde;o, mas esse &iacute;ndice &eacute; muito menor nas zonas rurais. Apenas metade das cidades brasileiras tem algum tipo de sistema para coleta adequada dos dejetos.</p>      <p>Outra medida fundamental &eacute; a educa&ccedil;&atilde;o para a sa&uacute;de das pessoas que vivem em &aacute;reas end&ecirc;micas, como a mudan&ccedil;a de comportamento nas comunidades. Evitar o contato com a &aacute;gua de rios e c&oacute;rregos, assim como o lan&ccedil;amento das fezes em local inadequado, s&atilde;o h&aacute;bitos que precisam ser incorporados a essas pessoas.</p>      <p>No terceiro mil&ecirc;nio da era comum, j&aacute; &eacute; mais do que tempo para essa doen&ccedil;a parasit&aacute;ria deixar de ter import&acirc;ncia na sa&uacute;de p&uacute;blica brasileira. Com o novo presidente do Brasil, renova-se a esperan&ccedil;a de o pa&iacute;s ser pensado a m&eacute;dio e longo prazo e de que uma das prioridades do governo seja o controle e, porque n&atilde;o, a erradica&ccedil;&atilde;o, de doen&ccedil;as end&ecirc;micas, como a esquistossomose.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i><b>Naftale Katz</b> &eacute; m&eacute;dico e pesquisador titular da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz), perito da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de e diretor cient&iacute;fico da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig).</i></p>      <p><i><b>Karina Almeida</b> &eacute; jornalista, assessora de comunica&ccedil;&atilde;o social da Fapemig e coordenadora do projeto "Minas Faz Ci&ecirc;ncia", de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica para o p&uacute;blico leigo.</i></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Bibliografia consultada:</b></p>      <!-- ref --><p>Jordan, P.; Webbe, G.; Sturrock, R. F. Human schistosomiasis. Cambridge: University    Press; p. 465. 1993.<!-- ref --><p>Katz, N. "Experi&ecirc;ncias com quimioterapia em grande escala no controle da esquistossomose no Brasil". <i>Rev Inst Med Trop S&atilde;o Paulo</i>; 22:40-51. 1980.<!-- ref --><p>Kloetzel, K. "A rationale for the treatment of schistosomiasis mansoni even when reinfection is expected". <i>Trans R Soc Trop Med Hyg</i>; 61:609-10. 1967.<!-- ref --><p>Lima e Costa, M. F.; Rocha, R. S.; Magalh&atilde;es, M. H.; Katz, N. "Um modelo hier&aacute;rquico de an&aacute;lise das vari&aacute;veis s&oacute;cio-econ&ocirc;micas e dos padr&otilde;es de contatos com &aacute;guas associadas &agrave; forma h&eacute;pato-espl&ecirc;nica da esquistossomose". <i>Cad Sa&uacute;de Publ</i>; 10:241-253. 1994.<!-- ref --><p>Mott, K. E.; Dixon, H. "Collborative sudy on antigens for immunodiagnosis of schistosomiasis". Bull WHO; 60:729-53. 1982.<!-- ref --><p>Rey, L. <i>Parasitologia</i> 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; p 349. 1992.<!-- ref --><p>Prata, A. Bi&oacute;psia retal na esquistossomose mansoni. Bases e aplica&ccedil;&otilde;es no diagn&oacute;stico e tratamento. Salvador. 1957. (Thesis Universidade da Bahia)<!-- ref --><p>Prata, A. &amp; Bina, J.C. "Development of the hepatosplenic form of schistosomiasis". <i>Gaz. M&eacute;d. Bahia</i>; 68:49-60. 1968.<!-- ref --><p>Katz, N.; Dias, L. C. S. <i>Esquistossomose mansoni em parasitologia humana    e seus fundamentos gerais</i>. Benjamin Cimerman e S&eacute;rgio Cimerman. Ed.    Atheneu. 1999. ]]></body><back>
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