<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252003000100025</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Vermes, verminoses e a saúde pública]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Chieffi]]></surname>
<given-names><![CDATA[Pedro Paulo]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Amato Neto]]></surname>
<given-names><![CDATA[Vicente]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
<xref ref-type="aff" rid="A04"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Santa Casa de São Paulo Faculdade de Ciências Médicas ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Instituto de Medicina Tropical de São Paulo  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A04">
<institution><![CDATA[,Universidade de São Paulo Faculdade de Medicina Hospital das Clínicas]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2003</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2003</year>
</pub-date>
<volume>55</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>41</fpage>
<lpage>43</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252003000100025&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252003000100025&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252003000100025&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/tp14.gif"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p><b><font size="4">V<small>ERMES, VERMINOSES E A SA&Uacute;DE P&Uacute;BLICA</small></font></b></p>      <p>Pedro Paulo Chieffi    <br>   Vicente Amato Neto</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b><font size=5>A</font></b>s infec&ccedil;&otilde;es parasit&aacute;rias    dos intestinos, de acordo com as preval&ecirc;ncias segundo as quais s&atilde;o    evidenciadas, refletem com boa margem de seguran&ccedil;a as condi&ccedil;&otilde;es    de vida de diferentes comunidades. Influem, no sentido de que elas ocorram com    intensidades vari&aacute;veis, expressivos fatores exemplificados sobretudo    por saneamento b&aacute;sico, educa&ccedil;&atilde;o inclusive especificamente    para a sa&uacute;de, habita&ccedil;&atilde;o e higiene alimentar, que, quando    existem de formas satisfat&oacute;rias, coibem a expans&atilde;o dessas parasitoses.    &Aacute;gua ou alimentos e contato desprotegido com o solo permitem comumente    as contamina&ccedil;&otilde;es, precisando ent&atilde;o merecer priorit&aacute;rias    aten&ccedil;&otilde;es. Disso tudo, resulta que a maior ou melhor proemin&ecirc;ncia    de tais infec&ccedil;&otilde;es fique na depend&ecirc;ncia de condi&ccedil;&otilde;es    relacionadas com desenvolvimentos regionais, fazendo com que num extremo elas    deixem de constituir preocupa&ccedil;&otilde;es.</p>      <p>Os modos de ocorr&ecirc;ncia e a freq&uuml;&ecirc;ncia com que parasitoses intestinais s&atilde;o encontradas em determinadas localidades dependem de intera&ccedil;&otilde;es complexas entre hospedeiros, parasitas e ambiente.</p>      <p>&Eacute; prov&aacute;vel que nos prim&oacute;rdios da hist&oacute;ria da humanidade, quando nossos antepassados possu&iacute;am h&aacute;bitos n&ocirc;mades, sobrevivendo como ca&ccedil;adores-coletores sem territ&oacute;rio fixo, a freq&uuml;&ecirc;ncia de infec&ccedil;&atilde;o por enteroparasitas, especialmente geohelmintos, fosse menor do que quando, ap&oacute;s adotar h&aacute;bitos greg&aacute;rios, o homem passou a ocupar territ&oacute;rio definido e a cultivar o solo, al&eacute;m de criar animais (1).</p>      <p>Estudo realizado em plan&iacute;cie do Ir&atilde;, localizada nas proximidades do mar C&aacute;spio, ilustra bem a influ&ecirc;ncia do tipo de contato com o solo na ocorr&ecirc;ncia de helmint&iacute;ases intestinais. Os autores investigaram os padr&otilde;es de ocorr&ecirc;ncia de helmint&iacute;ases na popula&ccedil;&atilde;o de quatro vilarejos, pr&oacute;ximos entre si, nos quais variava a atividade econ&ocirc;mica b&aacute;sica de seus habitantes, resultando em contato diferenciado com o solo e/ou animais. Em uma das localidades, a atividade produtiva principal consistia no cultivo de produtos agr&iacute;colas que impunha contato freq&uuml;ente com o solo e verificou-se preval&ecirc;ncia elevada de infec&ccedil;&atilde;o por geohelmintos, principalmente <i>Ascaris lumbricoides</i> e <i>Trichuris trichiura</i>. Em outro vilarejo, onde a atividade b&aacute;sica resumia-se no cultivo de arroz em &aacute;rea inundada, predominava a infec&ccedil;&atilde;o por ancilostom&iacute;deos. Por fim, nas duas outras localidades, nas quais a cria&ccedil;&atilde;o de gado assumia import&acirc;ncia econ&ocirc;mica, os helmintos enteroparasitas mais comuns eram <i>Trichostrongylus sp</i>. e <i>Taenia saginata</i> (2).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A freq&uuml;&ecirc;ncia de infec&ccedil;&otilde;es por geohelmintos &eacute; influenciada por vari&aacute;veis de natureza ambiental e modifica&ccedil;&otilde;es introduzidas pela atividade humana podem alterar a distribui&ccedil;&atilde;o dessas esp&eacute;cies, facilitando ou dificultando sua ocorr&ecirc;ncia (3). Tais influ&ecirc;ncias s&atilde;o mais facilmente percebidas no caso da infec&ccedil;&atilde;o por ancilostom&iacute;deos, cujas larvas eclodem dos ovos cerca de 24 horas ap&oacute;s chegarem ao solo e s&atilde;o mais sujeitas &agrave; a&ccedil;&atilde;o delet&eacute;ria da desseca&ccedil;&atilde;o e de outros fatores adversos. Assim, a ancilostom&iacute;ase encontra-se mais comumente confinada a regi&otilde;es tropicais e subtropicais, cujo solo apresenta melhores condi&ccedil;&otilde;es para reter a umidade e est&aacute; submetido a temperaturas mais elevadas.</p>      <p>A introdu&ccedil;&atilde;o de modifica&ccedil;&otilde;es no ecossistema visando melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de vida humana pode, contudo, criar situa&ccedil;&otilde;es prop&iacute;cias &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o de larvas de ancilostom&iacute;deos. Assim, a irriga&ccedil;&atilde;o de solos &aacute;ridos, nos quais as larvas n&atilde;o conseguiriam permanecer vivas por longo tempo, criou microambiente que permitiu sua sobreviv&ecirc;ncia, como ocorreu, por exemplo no Egito e em outros pa&iacute;ses &aacute;rabes. Por outro lado, pa&iacute;ses de clima temperado ou frio, cujo solo submetido a temperaturas baixas n&atilde;o permitiria a sobrevida de larvas de ancilostom&iacute;deos, experimentaram, no come&ccedil;o do s&eacute;culo XX, importantes epidemias de ancilostom&iacute;ase entre mineiros de carv&atilde;o, cujo ambiente de trabalho, representado pelas galerias de minas, constituiu-se em ecossistema extremamente bem adaptado para as larvas desses nemat&oacute;deos, por oferecer microambiente &uacute;mido e bem aquecido, influindo, tamb&eacute;m, a precariedade das condi&ccedil;&otilde;es higi&ecirc;nicas ent&atilde;o vigentes.</p>      <p>Outro exemplo de como altera&ccedil;&atilde;o brusca do ambiente pode favorecer a transmiss&atilde;o de geohelmintoses ocorreu no Haiti. Ali se observou uma eleva&ccedil;&atilde;o importante na preval&ecirc;ncia de ancilostom&iacute;ase, ap&oacute;s a derrubada de cobertura vegetal em regi&atilde;o que se tornou mais sujeita a inunda&ccedil;&otilde;es e, conseq&uuml;entemente, aumentou o teor de umidade do solo.</p>      <p>Altera&ccedil;&otilde;es ambientais, todavia, podem dificultar a transmiss&atilde;o de geohelmintoses. Assim, a significativa queda na ocorr&ecirc;ncia de infec&ccedil;&atilde;o por geohelmintos, e especialmente por ancilostom&iacute;deos, verificada em muitas regi&otilde;es do estado de S&atilde;o Paulo tem sido explicada como conseq&uuml;&ecirc;ncia de modifica&ccedil;&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o no meio rural e do intenso processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o ocorrido em &aacute;reas metropolitanas (4).</p>      <p>De maneira geral, ocorreu queda na preval&ecirc;ncia de infec&ccedil;&atilde;o    por enteroparasitas no Brasil e, em particular, no estado de S&atilde;o Paulo    nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. No munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo,    uma avalia&ccedil;&atilde;o revelou diminui&ccedil;&atilde;o significativa na    preval&ecirc;ncia de enteroparasitoses, como decorr&ecirc;ncia de melhoria das    condi&ccedil;&otilde;es de vida e especialmente da eleva&ccedil;&atilde;o dos    n&iacute;veis de escolaridade da popula&ccedil;&atilde;o. Todavia, em muitas    &aacute;reas de nosso pa&iacute;s ainda s&atilde;o observados altos &iacute;ndices    de infec&ccedil;&atilde;o por parasitas intestinais, quer em raz&atilde;o da    persist&ecirc;ncia de condi&ccedil;&otilde;es de vida menos privilegiadas em    amplos segmentos da popula&ccedil;&atilde;o, quer pela exist&ecirc;ncia de condi&ccedil;&otilde;es    particulares de ordem epidemiol&oacute;gica, justificando a coloca&ccedil;&atilde;o    desses agravos entre os problemas de sa&uacute;de p&uacute;blica que necessitariam    de aten&ccedil;&atilde;o especial na agenda das autoridades sanit&aacute;rias    (5).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14854q1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <p>A configura&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica dessas infec&ccedil;&otilde;es &eacute; inconstante. &Agrave;s vezes n&atilde;o se traduzem por manifesta&ccedil;&otilde;es, se bem que continuem propiciando transmiss&otilde;es; em certas situa&ccedil;&otilde;es, agem agravando doen&ccedil;a concomitante vinculada a maior gravidade ou, ent&atilde;o, constituem todo o motivo que exige assist&ecirc;ncia m&eacute;dica.</p>      <p>O encontro, nas fezes, de protozo&aacute;rios at&eacute; agora tidos como comensais serve para denunciar contamina&ccedil;&atilde;o oral-fecal de intensidade vari&aacute;vel. <i>Entamoeba coli</i>, <i>Endolimax nana</i>, <i>Chilomastix mesnili</i> e <i>Iodamoeba b&uuml;tschlii</i> s&atilde;o, por enquanto, esses microrganismos, felizmente ainda n&atilde;o influenciados por imunodepress&atilde;o. <i>Trichomonas hominis</i> e <i>Blastocystis hominis</i> configuram controv&eacute;rsias por terem suas patogenicidades n&atilde;o definidas com seguran&ccedil;a; contudo, ind&iacute;cios relacionam agressividade de <i>Blastocystis</i> com defici&ecirc;ncia imunit&aacute;ria.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Existe a possibilidade de que tipos de tais parasitoses assumam fei&ccedil;&otilde;es correlacionadas com gravidades. Como ilustra&ccedil;&otilde;es, lembramos a necrose amebiana em geral situada no f&iacute;gado, a balantid&iacute;ase fulminante, a tricur&iacute;ase com infec&ccedil;&atilde;o muito acentuada, a estrongiloid&iacute;ase generalizada e a criptosporid&iacute;ase intensa, estando as duas condi&ccedil;&otilde;es por &uacute;ltimo citadas mais comumente implicadas com imunodepress&atilde;o. Peculiaridades regionais s&atilde;o conhecidas e, felizmente, a necrose ou a tricur&iacute;ase referidas surgem com bem maior freq&uuml;&ecirc;ncia em determinados outros pa&iacute;ses.</p>      <p>Surtos s&atilde;o vi&aacute;veis, possibilitados por influ&ecirc;ncias facilitadoras. Assim, rememoramos os de isospor&iacute;ase ou oxiur&iacute;ase em certas comunidades como creches, asilos e institui&ccedil;&otilde;es cong&ecirc;neres, assim como os de criptosporid&iacute;ase que chegam a comprometer grande n&uacute;mero de pessoas.</p>      <p>Os diagn&oacute;sticos s&atilde;o realiz&aacute;veis de maneiras simples e pouco custosas, sendo utilizadas t&eacute;cnicas e condutas bem padronizadas (6). Alguns m&eacute;todos, calcados por exemplo em procedimento imunoenzim&aacute;tico ou em biologia molecular, est&atilde;o ficando em foco, mas, de fato, podem prestar aux&iacute;lios em poucas circunst&acirc;ncias, quando conv&eacute;m determinar esp&eacute;cies, como no caso da ameb&iacute;ase, e para evidenciar ant&iacute;genos em fezes.</p>      <p>Alguns parasitas, como <i>Cryptosporidium</i>, <i>Cyclospora</i> e microspor&iacute;deos, s&oacute; passaram a gerar preocupa&ccedil;&otilde;es em &eacute;pocas recentes. Quase nunca eram cogitados. Entretanto, hoje fazem parte de interesses comuns, especialmente na presen&ccedil;a de d&eacute;ficit imunit&aacute;rio.</p>      <p>Houve n&iacute;tido progresso quanto aos tratamentos (6). Atualmente a grande maioria das doen&ccedil;as parasit&aacute;rias intestinais pode ser eficientemente tratada, inclusive por meio de doses &uacute;nicas ou de medicamentos com amplo espectro de atividade. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s formas graves, tamb&eacute;m s&atilde;o poss&iacute;veis sucessos terap&ecirc;uticos. Condutas para abranger expressivos grupos populacionais, ap&oacute;s caracteriza&ccedil;&otilde;es epidemiol&oacute;gicas adequadas, ficaram vi&aacute;veis. Portanto, esse panorama difere muito do vigente em d&eacute;cadas n&atilde;o muito distantes, quando dificuldades para usos, toxicidades e pequenas efetividades eram habituais. A prop&oacute;sito dessas parasitoses, sucedeu algo diferente do que se passa com outras, freq&uuml;entes nos pa&iacute;ses em desenvolvimento e n&atilde;o merecedoras de devidas aten&ccedil;&otilde;es pelos produtores de f&aacute;rmacos.</p>      <p>A quantidade de indiv&iacute;duos com imunodepress&atilde;o, ou at&eacute; com imunossupress&atilde;o, aumentou sensivelmente nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Contribu&iacute;ram para isso os tratamentos de mesenquinopatias, do c&acirc;ncer e de doen&ccedil;as da &aacute;rea da hematologia, que ficaram habituais. Transplantes de &oacute;rg&atilde;os tamb&eacute;m participam e presentemente processou-se acr&eacute;scimo extremamente ponder&aacute;vel: a infec&ccedil;&atilde;o devida ao v&iacute;rus da imunodefici&ecirc;ncia humana (HIV), respons&aacute;vel pela s&iacute;ndrome da imunodefici&ecirc;ncia adquirida (AIDS). O muito vigente d&eacute;ficit imunol&oacute;gico em quest&atilde;o gerou claros agravamentos de parasitoses intestinais, outrossim mais difundidas e trat&aacute;veis com not&oacute;rias dificuldades, n&atilde;o raramente sem sucessos. S&atilde;o destac&aacute;veis, a prop&oacute;sito, a isospor&iacute;ase, a criptosporid&iacute;ase e a estrongiloid&iacute;ase (7). Portanto, ocorreu a concretiza&ccedil;&atilde;o de um compartimento novo no qual situam-se periculosidades e modifica&ccedil;&otilde;es epidemiol&oacute;gicas ligadas a afec&ccedil;&otilde;es parasit&aacute;rias muitas vezes pouco proeminentes.</p>      <p>Essas infec&ccedil;&otilde;es intestinais fazem parte do grupo de endemias parasit&aacute;rias presentes no Brasil e exemplificadas por doen&ccedil;a de Chagas, esquistossom&iacute;ase mans&ocirc;nica, filar&iacute;ases, leishman&iacute;ases e mal&aacute;ria. Dependem do subdesenvolvimento econ&ocirc;mico-social e, ainda bem, em geral n&atilde;o s&atilde;o graves, podendo ser tratadas com razo&aacute;vel facilidade. Isso comumente n&atilde;o acontece com as outras enfermidades citadas, com exce&ccedil;&atilde;o da esquistossom&iacute;ase, que permanece influenciada pelo mau saneamento b&aacute;sico mas ficou menos proeminente pela disponibilidade de singela e eficiente terap&ecirc;utica. Almejamos que, nesse panorama, as parasitoses que afetam os intestinos arrefe&ccedil;am progressivamente, imitando o que j&aacute; sucedeu em outros pa&iacute;ses por causa da coibi&ccedil;&atilde;o dos fatores que facilitam as inconvenientes preval&ecirc;ncias delas.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i><b>Pedro Paulo Chieffi</b> &eacute; professor&shy;titular de Parasitologia da Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas da Santa Casa de S&atilde;o Paulo; e professor-assistente-doutor do Instituto de Medicina Tropical de S&atilde;o Paulo.</i></p>      <p><i><b>Vicente Amato Neto</b> &eacute; professor-em&eacute;rito da Faculdade de Medicina da Universidade de S&atilde;o Paulo(USP); chefe do Laborat&oacute;rio de Parasitologia do Instituto de Medicina Tropical de S&atilde;o Paulo; e chefe do Laborat&oacute;rio de Investiga&ccedil;&atilde;o M&eacute;dica-Parasitologia do Hospital das Cl&iacute;nicas, da Faculdade de Medicina da USP.</i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>      <!-- ref --><p>1. Schantz, P.M. "Human behavoir and parasitic zoonosis in North America".    In: Croll, N.A. &amp; Cross, J.H. (eds.) Human ecology and infectious disease.    New York, Acad. Press, p. 188-223. 1983.<!-- ref --><p>2. Ghadirian, E.; Croll, N.A. &amp; Gyorkos, T.W. "Sociocultural factors and parasitic infections in the Caspian littoral region of Iran". <i>Trop. Geog. Med.</i>; 31: 485-491. 1979.<!-- ref --><p>3. Lilley, B.; Lammie, P., Dickerson, J. &amp; Eberhardt, M. "An increase in hookworm infection temporally associated with ecologic change". <i>Emerg. Inf. Dis.</i>; 3: 391-393. 1997.<!-- ref --><p>4. Ferreira, M.U.; Ferreira, C.S. &amp; Monteiro, C.A. "Tend&ecirc;ncia secular das parasitoses intestinais na inf&acirc;ncia na cidade de S&atilde;o Paulo (1984-1986)". <i>Rev. Sa&uacute;de P&uacute;bl</i>.; 34(Supl.6): 73-82. 2000.<!-- ref --><p>5. Waldman, E.A. &amp; Chieffi P.P. "Enteroparasitoses no Estado de S&atilde;o Paulo: quest&atilde;o de sa&uacute;de p&uacute;blica". <i>Rev. Inst. Adolfo Lutz</i>; 49: 93-99. 1989.<!-- ref --><p>6. Chieffi, P.P.; Gryschek, R.C.B. &amp; Amato Neto, <i>V. Parasitoses intestinais - diagn&oacute;stico e tratamento</i>. S&atilde;o Paulo, Lemos Editorial, p. 11-35. 2001.<!-- ref --><p>7. Cinerman, S.; Cinerman, B. &amp; Lewi, D.S. "Prevalence of intestinal parasitic    infection in patients with acquired immunodeficiency syndrome in Brasil". <i>Int.    J. Infect</i>. Dis.; 3: 203-206. 1999. ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Schantz]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Human behavoir and parasitic zoonosis in North America]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Croll]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cross]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Human ecology and infectious disease]]></source>
<year>1983</year>
<page-range>188-223</page-range><publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Acad. Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ghadirian]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Croll]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gyorkos]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Sociocultural factors and parasitic infections in the Caspian littoral region of Iran]]></article-title>
<source><![CDATA[Trop. Geog. Med.]]></source>
<year>1979</year>
<volume>31</volume>
<page-range>485-491</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lilley]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lammie]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Dickerson]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Eberhardt]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[An increase in hookworm infection temporally associated with ecologic change]]></article-title>
<source><![CDATA[Emerg. Inf. Dis.]]></source>
<year>1997</year>
<volume>3</volume>
<page-range>391-393</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.U.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Monteiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tendência secular das parasitoses intestinais na infância na cidade de São Paulo (1984-1986)]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev. Saúde Públ.]]></source>
<year>2000</year>
<volume>34</volume>
<numero>^sSupl.6</numero>
<issue>^sSupl.6</issue>
<supplement>Supl.6</supplement>
<page-range>73-82</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Waldman]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Chieffi]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Enteroparasitoses no Estado de São Paulo: questão de saúde pública]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev. Inst. Adolfo Lutz]]></source>
<year>1989</year>
<volume>49</volume>
<page-range>93-99</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Chieffi]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gryschek]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.C.B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Amato Neto]]></surname>
<given-names><![CDATA[V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Parasitoses intestinais: diagnóstico e tratamento]]></source>
<year>2001</year>
<page-range>11-35</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Lemos Editorial]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cinerman]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cinerman]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lewi]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Prevalence of intestinal parasitic infection in patients with acquired immunodeficiency syndrome in Brasil]]></article-title>
<source><![CDATA[Int. J. Infect. Dis.]]></source>
<year>1999</year>
<volume>3</volume>
<page-range>203-206</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
