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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/tp14.gif"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p><b><font size="4">O <small>CONTROLE DAS ENDEMIAS NO</small> B<small>RASIL E    SUA HIST&Oacute;RIA</small></font></b></p>      <p>Luiz Jacintho da Silva</p>      <p>&nbsp;</p>      <p align="right"><i>Inda tanto nos sobra, por este grandioso pa&iacute;s,     <br>   de doen&ccedil;as e insectos por cuidar!...    <br>   </i>M&aacute;rio de Andrade, em <i>Macuna&iacute;ma</i> (1928).</p>     <p><b>I<small>NTRODU&Ccedil;&Atilde;O</small></b> Convencionou-se no Brasil designar    determinadas doen&ccedil;as, a maioria delas parasit&aacute;rias ou transmitidas    por vetor, como "endemias", "grandes endemias" ou "endemias rurais". Essas doen&ccedil;as    foram e s&atilde;o, a mal&aacute;ria, a febre amarela, a esquistossomose, as    leishmanioses, as filarioses, a peste, a doen&ccedil;a de Chagas, al&eacute;m    do tracoma, da bouba, do b&oacute;cio end&ecirc;mico e de algumas helmint&iacute;ases    intestinais, principalmente a ancilostom&iacute;ase (1).</p>      <p>A l&oacute;gica era o impacto dessas doen&ccedil;as em sa&uacute;de p&uacute;blica. Ainda hoje, esta conceitua&ccedil;&atilde;o de "endemias" &eacute; adotada pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (2).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Essas doen&ccedil;as, predominantemente rurais, constitu&iacute;ram a preocupa&ccedil;&atilde;o central da sa&uacute;de p&uacute;blica brasileira por quase um s&eacute;culo, at&eacute; que diversos fatores, notadamente a urbaniza&ccedil;&atilde;o, desfizeram as raz&otilde;es de sua exist&ecirc;ncia enquanto corpo homog&ecirc;neo de preocupa&ccedil;&atilde;o. Neste artigo, procuramos analisar a evolu&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias de seu controle.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>P<small>RIM&Oacute;RDIOS DO CONTROLE DE ENDEMIAS</small></b> O conceito    doen&ccedil;as infecciosas resulta do desenvolvimento da microbiologia como    disciplina cient&iacute;fica, no final do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cio    do s&eacute;culo XX. Nesse per&iacute;odo, gra&ccedil;as ao desenvolvimento    de uma nova tecnologia, uma enorme quantidade de agentes infecciosos e seus    vetores, reservat&oacute;rios e mecanismos de transmiss&atilde;o puderam ser    identificados, permitindo a consolida&ccedil;&atilde;o de uma nosografia que    j&aacute; vinha se estabelecendo desde o final do s&eacute;culo XVIII.</p>      <p>Durante s&eacute;culos, o controle das doen&ccedil;as infecciosas se fundamentava na medicina dos humores. Os fatores ambientais como os ventos, a chuva, emana&ccedil;&otilde;es reais ou imagin&aacute;rias, compunham um figurino de a&ccedil;&atilde;o tipicamente hipocr&aacute;tico (3).</p>      <p>A sa&uacute;de p&uacute;blica brasileira antes da Rep&uacute;blica est&aacute;    repleta de medidas de interven&ccedil;&atilde;o ambiental, quase sempre nas    cidades, ainda que a maioria da popula&ccedil;&atilde;o fosse rural. A localiza&ccedil;&atilde;o    dos cemit&eacute;rios e hospitais, a drenagem dos terrenos e a influ&ecirc;ncia    dos ventos e at&eacute; de pessoas "nocivas", como mendigos, doentes mentais    ou "leprosos" sempre constituiu um ponto central de preocupa&ccedil;&atilde;o    (4-7).</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>F<small>INAL DO S&Eacute;CULO</small> XIX <small>E O SALTO DE QUALIDADE</small></b>    A partir do final do s&eacute;culo XIX, houve um salto de qualidade nas atividades    de controle de endemias, decorr&ecirc;ncia do advento da microbiologia como    ci&ecirc;ncia. Var&iacute;ola, febre amarela e c&oacute;lera foram as que mais    sofreram a influ&ecirc;ncia das novas id&eacute;ias.(5,8).</p>      <p>O in&iacute;cio do s&eacute;culo XX foi um suceder de estudos sobre a etiologia, ocorr&ecirc;ncia e outros aspectos de diferentes doen&ccedil;as end&ecirc;micas brasileiras, como os estudos de Gaspar Vianna sobre a leishmaniose cut&acirc;nea, de Lutz sobre a blastomicose sul-americana e a descoberta da doen&ccedil;a de Chagas em 1909. Este fervilhante movimento cient&iacute;fico, concentrado no Rio de Janeiro e em S&atilde;o Paulo, se fez sentir sobre o controle das doen&ccedil;as. A febre amarela que vinha causando epidemias sucessivas no Rio de Janeiro desde 1849, determinou a mais emblem&aacute;tica das a&ccedil;&otilde;es de controle de endemias na hist&oacute;ria do pa&iacute;s (4,9).</p>      <p>Ao mesmo tempo em que a Comiss&atilde;o Reed estudava a transmiss&atilde;o da febre amarela, em Cuba, e conclu&iacute;a de maneira definitiva pela transmiss&atilde;o vetorial, Em&iacute;lio Ribas, ent&atilde;o buscando controlar a febre amarela nas cidades cafeeiras do estado de S&atilde;o Paulo, passou a empregar o controle do <i>Aedes aegypti</i> como estrat&eacute;gia &uacute;nica do controle da febre amarela, em S&atilde;o Sim&atilde;o. O sucesso obtido ainda no s&eacute;culo XIX, determinou a ado&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia em outras cidades de S&atilde;o Paulo e, posteriormente, atrav&eacute;s de Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Em 1908, a febre amarela urbana havia desaparecido de S&atilde;o Paulo e do Rio de Janeiro, ainda que permanecesse nas cidades costeiras do Norte e Nordeste (4,5,10).</p>      <p>Em 1899, a peste bub&ocirc;nica chegava aos portos brasileiros, causando epidemias    em Santos e no Rio de Janeiro. Foi a peste bub&ocirc;nica, mais do que a febre    amarela, o gatilho para o desencadeamento da resposta governamental &agrave;s    endemias e epidemias que acometiam as cidades brasileiras. A investiga&ccedil;&atilde;o    conduzida por Vital Brazil em Santos foi exemplar, e estabeleceu as bases dos    servi&ccedil;os de controle da peste. A peste foi eficientemente controlada,    n&atilde;o chegando a causar grandes epidemias e n&atilde;o mais surgindo no    meio urbano, ainda que tenha permanecido em focos silvestres e rurais, hoje    silenciosos, no Nordeste e na Serra dos &Oacute;rg&atilde;os no estado do Rio    de Janeiro (1,10).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14855q1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <p>Doen&ccedil;a importada, de triste mem&oacute;ria no imagin&aacute;rio europeu desde a idade m&eacute;dia, a chegada da peste determinou uma en&eacute;rgica resposta, que levou &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o do Instituto Butantan em S&atilde;o Paulo e do Instituto Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro, ambos, ainda hoje, duas grandes institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa em sa&uacute;de p&uacute;blica e ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas do pa&iacute;s.</p>      <p>A renova&ccedil;&atilde;o urbana talvez tenha sido o grande legado da resposta sanit&aacute;ria brasileira do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. Pereira Passos no Rio de Janeiro, Saturnino de Brito em Santos, Orozimbo Maia em Campinas, solidamente apoiados pelos governos centrais, buscaram emular Hausmann e empreenderam reformas nas suas cidades, com destaque &agrave;s obras de saneamento (5,8,9,11).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A <small>DESCOBERTA DO SERT&Atilde;O E A NOVA AGENDA DO CONTROLE DE ENDEMIAS</small></b>    O impacto das endemias na primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XX se fazia    sentir essencialmente nas cidades. Tanto foi que a mal&aacute;ria, doen&ccedil;a    do sert&atilde;o e de pequenas cidades, somente foi alvo de a&ccedil;&otilde;es    sistem&aacute;ticas quando dificultava projetos de grande import&acirc;ncia,    como a moderniza&ccedil;&atilde;o do porto de Santos, a constru&ccedil;&atilde;o    de uma estrada de ferro no sert&atilde;o mineiro e a constru&ccedil;&atilde;o    da adutora de &aacute;gua para o Rio de Janeiro, em Cachoeiro do Macacu, na    serra fluminense. Pa&iacute;s com um vasto, desconhecido e inexplorado sert&atilde;o,    o Brasil ainda era uma constela&ccedil;&atilde;o linear de cidades ao longo    da costa. Poucos anos antes, no final do s&eacute;culo XIX, a rec&eacute;m-proclamada    Rep&uacute;blica havia se dado conta dos riscos decorrentes de ignorar o povo    e a cultura desse sert&atilde;o, quando do epis&oacute;dio de Canudos.</p>      <p>Talvez impulsionado por essa tr&aacute;gica experi&ecirc;ncia, o governo brasileiro determinou ao Instituto Oswaldo Cruz que realizasse uma s&eacute;rie de expedi&ccedil;&otilde;es ao interior do pa&iacute;s para conhecer a realidade sanit&aacute;ria nacional (12).</p>      <p>A mais memor&aacute;vel dessas expedi&ccedil;&otilde;es foi a de Artur Neiva e Belis&aacute;rio Penna, mas n&atilde;o podemos esquecer as de Oswaldo Cruz &agrave; Amaz&ocirc;nia, inclu&iacute;da a&iacute; a Estrada de Ferro Madeira-Mamor&eacute; ent&atilde;o em constru&ccedil;&atilde;o; a de Lutz e Penna ao Nordeste e a de Lutz, Souza Ara&uacute;jo e Fonseca Filho ao sul do pa&iacute;s, chegando &agrave; Argentina pelo Rio Paran&aacute; (13-15).</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O <small>PER&Iacute;ODO ENTRE AS GUERRAS E AS NOVAS ALIAN&Ccedil;AS</small></b>    O final da I Guerra Mundial al&ccedil;ou os EUA &agrave; sua nova posi&ccedil;&atilde;o    de destaque na ordem mundial, e colocou o Brasil nos planos da Funda&ccedil;&atilde;o    Rockefeller, o bra&ccedil;o sanit&aacute;rio internacional dos EUA.</p>      <p>Na &eacute;poca, o grande interesse da Funda&ccedil;&atilde;o Rockefeller era a ancilostom&iacute;ase, cujo controle se baseava na experi&ecirc;ncia adquirida no sul dos EUA no in&iacute;cio do s&eacute;culo, a febre amarela e a mal&aacute;ria, estas &uacute;ltimas buscando reproduzir a experi&ecirc;ncia do ex&eacute;rcito norte-americano em Cuba e no Panam&aacute;.</p>      <p>A participa&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o Rockefeller teve um peso consider&aacute;vel na forma&ccedil;&atilde;o do pensamento sanit&aacute;rio brasileiro, influenciando-o at&eacute; as d&eacute;cadas de 1950 e mesmo 1960. Financiou o treinamento de uma gera&ccedil;&atilde;o de sanitaristas brasileiros nos EUA, a imensa maioria na escola de sa&uacute;de p&uacute;blica da universidade Johns Hopkins, em Baltimore. Os tr&ecirc;s primeiros m&eacute;dicos brasileiros a receberem bolsa de estudos foram Carlos Chagas, Geraldo H. de Paula Souza e Francisco Borges Vieira (5,16).</p>      <p>Esse foi um per&iacute;odo de intensa atividade e de grandes avan&ccedil;os. A parceria com a Funda&ccedil;&atilde;o Rockefeller foi refor&ccedil;ada devido a duas importantes circunst&acirc;ncias: o retorno das epidemias de febre amarela urbana, com a epidemia de 1928-29 no Rio de Janeiro, e a detec&ccedil;&atilde;o do <i>Anopheles gambiae</i> no Rio Grande do Norte (5).</p>      <p>Quando a febre amarela deixou de causar epidemias nas capitais brasileiras, a partir de 1908, as atividades de controle do <i>Aedes aegypti</i> foram gradativamente sendo relegadas para um segundo plano, at&eacute; que, 20 anos depois, irrompe uma epidemia no Rio de Janeiro, controlada a muito custo e com um contingente de 10 mil agentes. Essa epidemia serviu como um s&eacute;rio alerta &agrave;s autoridades, que entenderam haver a necessidade de programas de controle de endemias mais organizados e de car&aacute;ter permanente, o que levou o governo brasileiro a firmar um acordo com a Funda&ccedil;&atilde;o Rockefeller para o controle da febre amarela em todo o pa&iacute;s (5).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>O <small>P&Oacute;S-GUERRA E AS NOVAS TECNOLOGIAS</small></b> O final da    II Guerra Mundial trouxe n&atilde;o s&oacute; uma nova ordem mundial, mas tamb&eacute;m    a id&eacute;ia de que as doen&ccedil;as end&ecirc;micas eram pass&iacute;veis    de controle, quando n&atilde;o de erradica&ccedil;&atilde;o. A capacidade organizativa    adquirida pelos sanitaristas norte-americanos durante a guerra e a percep&ccedil;&atilde;o    de que o controle das doen&ccedil;as end&ecirc;micas e epid&ecirc;micas poderia    ser um importante trunfo na busca de aliados durante a Guerra Fria, fizeram    com que o governo norte-americano, atrav&eacute;s de diversas ag&ecirc;ncias    de coopera&ccedil;&atilde;o internacional, assim como os organismos internacionais    de sa&uacute;de, a Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-americana da Sa&uacute;de (OPAS)    e Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), empreendessem uma    s&eacute;rie de a&ccedil;&otilde;es globais ou regionais com vistas ao controle    e a erradica&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as.</p>      <p>No Brasil, essas a&ccedil;&otilde;es tiveram pleno desenvolvimento, gra&ccedil;as a uma significativa corte de sanitaristas formados no pa&iacute;s e no exterior, que haviam acumulado uma invej&aacute;vel experi&ecirc;ncia no controle de diversas endemias ao longo de d&eacute;cadas. Apoiados pela OMS e OPAS, empreenderam duas grandes campanhas cujo objetivo final era a erradica&ccedil;&atilde;o: a mal&aacute;ria, com sucesso parcial, e o <i>Aedes aegypti</i>, com sucesso total, ainda que de dura&ccedil;&atilde;o ef&ecirc;mera.</p>      <p>No in&iacute;cio da segunda metade do s&eacute;culo XX, havia uma grande proximidade entre essas organiza&ccedil;&otilde;es internacionais. O presidente da OMS era Marcolino Candau, um sanitarista brasileiro e o da OPAS era Fred L. Soper, um sanitarista norte-americano anteriormente da Funda&ccedil;&atilde;o Rockefeller, que trabalhara por v&aacute;rios anos no Brasil, tendo sido respons&aacute;vel pelo programa de controle da febre amarela e pela erradica&ccedil;&atilde;o do <i>An. gambiae</i> do Nordeste brasileiro.</p>      <p>Ao lado das sempre lembradas campanhas de erradica&ccedil;&atilde;o do <i>Aedes aegypti</i> e da mal&aacute;ria, h&aacute; uma outra, sempre esquecida, mas com resultados excelentes e duradouros, que foi a campanha de erradica&ccedil;&atilde;o da bouba. Este foi talvez campanha de erradica&ccedil;&atilde;o mais eficientemente conduzida e de maior sucesso de toda a hist&oacute;ria da sa&uacute;de p&uacute;blica brasileira, mas tamb&eacute;m a mais freq&uuml;entemente esquecida (17).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>O <small>DESMONTE DA M&Aacute;QUINA E A IMPLANTA&Ccedil;&Atilde;O DO</small>    SUS</b> A manuten&ccedil;&atilde;o das ag&ecirc;ncias de controle de endemias    e de suas a&ccedil;&otilde;es fazia parte da ideologia desenvolvimentista dos    anos 50 e 60, fortemente apoiadas e, muitas vezes financiadas, por organismos    internacionais e pelo governo norte-americano. O gradual desinteresse deste    &uacute;ltimo pelo controle e erradica&ccedil;&atilde;o de endemias, notadamente    a mal&aacute;ria, fez com que o governo brasileiro p&oacute;s-1964 passasse    a relegar essas atividades para um plano cada vez mais secund&aacute;rio, preocupado    que estava com seu projeto de desenvolvimento de ind&uacute;strias de base e    de infra-estrutura, muito mais urbano do que rural. O centro das preocupa&ccedil;&otilde;es    em sa&uacute;de passou a ser o oferecimento de aten&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico-hospitalar    &agrave; crescente popula&ccedil;&atilde;o urbana.</p>      <p>As a&ccedil;&otilde;es de controle de endemias foram perdendo sua import&acirc;ncia    na l&oacute;gica oficial, ainda que fossem mantidas, mas n&atilde;o mais com    a prioridade dada no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1950. Tanto foi que o    <i>Ae. aegypti</i>, erradicado em 1955, voltou ao pa&iacute;s por diversas vezes,    mas sempre eliminado, at&eacute; que em 1973 se constata a reinfesta&ccedil;&atilde;o    do pa&iacute;s, n&atilde;o mais sendo alcan&ccedil;ada a erradica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14855q2.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <p>O desmantelamento da estrutura de controle das endemias n&atilde;o se restringiu aos governos militares, ao contr&aacute;rio, se acelerou ap&oacute;s a restitui&ccedil;&atilde;o da democracia e com a implanta&ccedil;&atilde;o do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS). A implanta&ccedil;&atilde;o do SUS implicou na enorme tarefa de passar para o controle e responsabilidade do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de e das Secretarias Estaduais e Municipais de Sa&uacute;de de todo o pa&iacute;s todo o sistema de assist&ecirc;ncia m&eacute;dico-hospitalar p&uacute;blico, at&eacute; ent&atilde;o na sua maior parte sob o controle dos &oacute;rg&atilde;os previdenci&aacute;rios. A constitui&ccedil;&atilde;o federal de 1988, assim como as constitui&ccedil;&otilde;es estaduais que se seguiram, colocaram como direito do cidad&atilde;o e dever do Estado, o acesso &agrave; assist&ecirc;ncia m&eacute;dico-hospitalar.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>S<small>&Atilde;O</small> P<small>AULO, UMA HIST&Oacute;RIA (QUASE) &Agrave;    PARTE</small></b> O controle das endemias no estado de S&atilde;o Paulo n&atilde;o    pode ser analisado dentro do conjunto do restante do pa&iacute;s. Nos demais    estados do pa&iacute;s, o controle das endemias sempre foi uma responsabilidade    federal, n&atilde;o obstante a descentraliza&ccedil;&atilde;o prevista na primeira    constitui&ccedil;&atilde;o republicana, em 1891. Em S&atilde;o Paulo, gra&ccedil;as    a uma situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica privilegiada em rela&ccedil;&atilde;o    ao restante do pa&iacute;s e de interesses espec&iacute;ficos determinados principalmente    pela agroind&uacute;stria cafeeira, essa foi uma &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o    do governo estadual, desde a forma&ccedil;&atilde;o do Servi&ccedil;o Sanit&aacute;rio,    em 1898 e mesmo antes, j&aacute; no final da monarquia.</p>      <p>A febre amarela, a peste e a c&oacute;lera constitu&iacute;ram os grandes desafios do final do s&eacute;culo XIX em S&atilde;o Paulo; j&aacute; a mal&aacute;ria somente foi enfrentada de maneira sistem&aacute;tica e organizada a partir da d&eacute;cada de 1930, quando se criou a Inspectoria de Prophylaxia do Paludismo, uma divis&atilde;o do Servi&ccedil;o Sanit&aacute;rio (19).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A mal&aacute;ria e a doen&ccedil;a de Chagas foram duas doen&ccedil;as cuja transmiss&atilde;o vetorial foi interrompida em S&atilde;o Paulo gra&ccedil;as a campanhas bem conduzidas, muito antes do mesmo ocorrer em outras &aacute;reas do pa&iacute;s (9,18,19).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>F<small>IN DE SI&Egrave;CLE E O NOVO MIL&Ecirc;NIO</small></b> Chegamos    ao final do s&eacute;culo XX com uma folha corrida no m&iacute;nimo paradoxal.    Algumas endemias importantes foram controladas, algumas por a&ccedil;&atilde;o    direta dos programas de controle, outras por for&ccedil;a da evolu&ccedil;&atilde;o    da sociedade, como urbaniza&ccedil;&atilde;o, saneamento e melhoria das condi&ccedil;&otilde;es    de vida, n&atilde;o obstante ainda termos uma parcela significativa da popula&ccedil;&atilde;o    vivendo pr&oacute;ximo e abaixo da linha da pobreza. Dentre essas endemias,    podemos citar a doen&ccedil;a de Chagas, resultado de uma combina&ccedil;&atilde;o    de fatores: a&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas de controle, urbaniza&ccedil;&atilde;o    e redu&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o rural. A transforma&ccedil;&atilde;o    do trabalhador rural de permanente e residente no local em trabalhador tempor&aacute;rio,    residindo na periferia de cidades, tend&ecirc;ncia observada no pa&iacute;s    desde a d&eacute;cada de 1960, foi um importante fator na redu&ccedil;&atilde;o    da doen&ccedil;a de Chagas. A ancilostom&iacute;ase sofreu uma importante redu&ccedil;&atilde;o,    quase desaparecendo, gra&ccedil;as a uma conjun&ccedil;&atilde;o de fatores:    urbaniza&ccedil;&atilde;o, maior acesso ao uso de cal&ccedil;ados, melhoria    do saneamento e a disponibilidade de medicamentos espec&iacute;ficos de baixo    custo, altamente eficazes e com quase total aus&ecirc;ncia de efeitos colaterais    (17).</p>      <p>&Eacute; muito dif&iacute;cil conseguir estabelecer uma tend&ecirc;ncia geral das endemias na virada do s&eacute;culo. Ao mesmo tempo em que o pa&iacute;s se v&ecirc; &agrave;s voltas com repetidas epidemias de dengue, com a circula&ccedil;&atilde;o, at&eacute; a data, de tr&ecirc;s sorotipos diferentes do v&iacute;rus, v&aacute;rios estados v&ecirc;m sendo certificados pela OPAS como tendo interrompido a transmiss&atilde;o vetorial da doen&ccedil;a de Chagas.</p>      <p>Uma an&aacute;lise sensata, ainda que sujeita a cr&iacute;ticas, mostra que as endemias para as quais se disp&otilde;e de medidas de interven&ccedil;&atilde;o eficazes e de custo acess&iacute;vel, que n&atilde;o dependam da melhoria dos indicadores sociais e de qualidade de vida, sofreram uma redu&ccedil;&atilde;o significativa do impacto causado sobre a sociedade. Exemplo disso &eacute; a doen&ccedil;a de Chagas, controlada mediante uma a&ccedil;&atilde;o coordenada e sustentada (19).</p>      <p>A esquistossomose &eacute; um interessante exemplo, ao mesmo tempo em que deixou de representar um papel negativo sobre a popula&ccedil;&atilde;o, gra&ccedil;as &agrave; medica&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, de custo acess&iacute;vel e altamente eficaz, continua a expans&atilde;o da &aacute;rea de transmiss&atilde;o da doen&ccedil;a, agora j&aacute; atingindo todas as unidades da federa&ccedil;&atilde;o, inclusive os estados sulinos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, al&eacute;m da crescente urbaniza&ccedil;&atilde;o. Esse comportamento indica que os determinantes da sua ocorr&ecirc;ncia ainda est&atilde;o presentes, apenas a doen&ccedil;a deixou de determinar a morbidade anteriormente vista (17,20).</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>M<small>AL&Aacute;RIA</small></b> A mal&aacute;ria, muitas vezes utilizada    como exemplo de fracasso, foi, na verdade, um sucesso enquanto campanha de controle,    ainda que tenha ficado muito longe da meta da erradica&ccedil;&atilde;o. Quando    o Brasil iniciou a&ccedil;&otilde;es sistem&aacute;ticas de controle da mal&aacute;ria,    no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1950, a imensa maioria dos casos de mal&aacute;ria    do pa&iacute;s ocorria fora da regi&atilde;o Amaz&ocirc;nica, ent&atilde;o virtualmente    despovoada. Ao longo de vinte anos, a mal&aacute;ria foi eliminada da regi&atilde;o    costeira do pa&iacute;s e das &aacute;reas urbanas, restando alguns focos remanescentes,    muitos de prov&aacute;vel origem zoon&oacute;tica, nas &aacute;reas de mata    atl&acirc;ntica da regi&atilde;o Sudeste.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14855q3.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>A mal&aacute;ria da Amaz&ocirc;nia torna-se representativa numericamente a partir da d&eacute;cada de 1970, quando essa regi&atilde;o passa a ser povoada por migrantes do Sul, Sudeste e Nordeste do pa&iacute;s, em busca de trabalho nas obras de infra- estrutura (hidrel&eacute;tricas, rodovias, projetos de minera&ccedil;&atilde;o), no garimpo, na extra&ccedil;&atilde;o de madeira e nos projetos agropecu&aacute;rios. A abertura das fronteiras norte e oeste &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o e ao desenvolvimento econ&ocirc;mico n&atilde;o constava dos planos do programa de erradica&ccedil;&atilde;o da mal&aacute;ria proposto no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1950, e uma adapta&ccedil;&atilde;o do plano n&atilde;o foi feita para essa nova circunst&acirc;ncia no processo de desenvolvimento do pa&iacute;s. Desse modo, a incid&ecirc;ncia da mal&aacute;ria, ap&oacute;s atingir o seu nadir no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1970, inverte a tend&ecirc;ncia de queda imposta pela campanha de erradica&ccedil;&atilde;o e inicia um crescimento que somente se interromperia no in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI (19,17,21).</p>      <p>Apesar desse crescimento de mais de 1.000% nos casos de mal&aacute;ria num espa&ccedil;o de tempo de menos de duas d&eacute;cadas, a mal&aacute;ria na por&ccedil;&atilde;o extra-Amaz&ocirc;nica do pa&iacute;s, onde se concentra a quase totalidade da popula&ccedil;&atilde;o, virtualmente desapareceu. A campanha de erradica&ccedil;&atilde;o da mal&aacute;ria iniciada nos anos 50 foi um sucesso, o crescimento da doen&ccedil;a na Amaz&ocirc;nia foi resultado da inexist&ecirc;ncia de um projeto espec&iacute;fico de controle, as estrat&eacute;gias da campanha foram delineadas para uma parte do pa&iacute;s e contemplavam uma Amaz&ocirc;nia praticamente despovoada, com uma popula&ccedil;&atilde;o ribeirinha de pequena mobilidade (21).</p>      <p>A mal&aacute;ria exemplifica bem a situa&ccedil;&atilde;o atual do controle de endemias, de um lado sucesso e de outro fracasso; para o futuro, essa ambig&uuml;idade pr&oacute;pria do pa&iacute;s precisa ser resolvida, sob pena de um panorama sanit&aacute;rio sombrio.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><i><b>Luiz Jacintho da Silva</b> &eacute; professor titular de infectologia da Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas da Unicamp; titular da Superintend&ecirc;ncia de Controle de Endemias (Sucen) da Secretaria Estadual de Sa&uacute;de de S&atilde;o Paulo.</i></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>      <!-- ref --><p>1. Pessoa, S.B. <i>Problemas brasileiros de higiene rural</i>. S&atilde;o Paulo:Renascen&ccedil;a.    1950.<p>2. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Controle de Endemias. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, Secretaria Executiva. Bras&iacute;lia:Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. 2001.</p>      <!-- ref --><p>3. Hippocrates. On Airs, Waters, and Places. <i><a href="http://classics.mit.edu/Hippocrates/airwatpl.html">http://classics.mit.edu/Hippocrates/airwatpl.html</a></i><!-- ref --><p>4. Benchimol, J.L. <i>Dos micr&oacute;bios aos mosquitos. Febre amarela e a revolu&ccedil;&atilde;o pasteuriana no Brasil</i>. Rio de Janeiro:Fiocruz/UFRJ. 1999.<!-- ref --><p>5. Benchimol, J.L (coord.). <i>Febre amarela: a doen&ccedil;a e a vacina, uma hist&oacute;ria inacabada</i>. Rio de Janeiro:Editora Fiocruz. 2001.<!-- ref --><p>6. Ferreira, L.O. "Os peri&oacute;dicos m&eacute;dicos e a inven&ccedil;&atilde;o de uma agenda sanit&aacute;ria para o Brasil" (1827-43). <i>Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de</i> (Manguinhos); 6:331-51. 1999.<!-- ref --><p>7. Rodrigues, C. "A cidade e a morte: a febre amarela e seu impacto sobre os costumes f&uacute;nebres no Rio de Janeiro (1849-50)". <i>Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de</i> (Manguinhos); 6:53-80. 1999.<!-- ref --><p>8. Chalhoub, S. <i>Cidade febril. Corti&ccedil;os e epidemias na corte imperial</i>. S&atilde;o Paulo:Cia das Letras. 1996.<!-- ref --><p>9. Almeida, M. de, e Dantes, M.A.M. "O servi&ccedil;o sanit&aacute;rio de S&atilde;o Paulo, a sa&uacute;de p&uacute;blica e a microbiologia". In: Dantes, M.A..M. (org.). <i>Espa&ccedil;os da ci&ecirc;ncia no Brasil. 1800-1930</i>. Rio de Janeiro:Fiocruz. 2001.<!-- ref --><p>10. Piza, J.T. "Esbo&ccedil;o hist&oacute;rico da incid&ecirc;ncia de algumas mol&eacute;stias infectuosas agudas em S&atilde;o Paulo". <i>Arquivo Higiene Sa&uacute;de P&uacute;blica</i>; 29:7-46. 1964.<!-- ref --><p>11. Benchimol, J.L. "Pereira Passos, um Haussmann tropical". Rio de Janeiro: Departamento Geral de Documenta&ccedil;&atilde;o e Informa&ccedil;&atilde;o Cultural. 1990.<!-- ref --><p>12. Thielen, E.V. ; Alves, F.A.P.; Benchimol, J.L.; Albuquerque, M.B. de; Santos, R.A. dos; Weltman, W.L. "A ci&ecirc;ncia a caminho da ro&ccedil;a: imagens das expedi&ccedil;&otilde;es cientificas do Instituto Oswaldo Cruz ao interior do Brasil entre 1911 e 1913". Rio de Janeiro: Fiocruz/Casa de Oswaldo Cruz. 1991.<!-- ref --><p>13. Neiva, A. e Penna, B. "Viagem Cient&iacute;fica pelo Norte da Bahia, Sudoeste de Pernambuco, Sul do Piau&iacute; e de Norte a Sul do Goi&aacute;s". Mem Inst Oswaldo Cruz; 8:73-224. 1916.<!-- ref --><p>14. Lutz, A.. e Penna, B. "Estudos sobre a Schistomatose feitos no Norte do Brasil. por uma comiss&atilde;o do Instituto Oswaldo Cruz." Mem Inst Oswaldo Cruz; 10:83-94. 1918.<!-- ref --><p>15. Lutz, A.; Souza-Araujo, H.C de; Fonseca F&deg;; O. da. "Viagem cient&iacute;fica no Rio Paran&aacute; e Assunci&oacute;n com volta por Buenos Aires, Montevideo e Rio Grande". Mem Inst Oswaldo Cruz; 10:104-173. 1918.<!-- ref --><p>16. Campos, C. "S&atilde;o Paulo pela lente da higiene. As propostas de Geraldo Hor&aacute;cio de Paula Sousa para a cidade" (1925-1945). S&atilde;o Paulo:RiMa/Fapesp. 2002.<!-- ref --><p>17. Waldman, E.A; Silva, L.J. da; Monteiro, C.A. "Trajet&oacute;ria das doen&ccedil;as infecciosas: da elimina&ccedil;&atilde;o da poliomielite &agrave; reintrodu&ccedil;&atilde;o da c&oacute;lera". In: Monteiro, C.A. (org.). <i>Velhos e novos males da sa&uacute;de no Brasil</i>. 2a edi&ccedil;&atilde;o S&atilde;o Paulo: Hucitec/Nupens-US., 2000.<!-- ref --><p>18. Silva, L.J. <i>A evolu&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a de Chagas no estado de S&atilde;o Paulo</i>. S&atilde;o Paulo:Hucitec/Funcraf. 1999.<!-- ref --><p>19. Silva, L.J. "Public health challenges and emerging diseases: the case of S&atilde;o Paulo". <i>Cad Sa&uacute;de P&uacute;bl;</i> 17 (supl):141., 2001.<!-- ref --><p>20. Silva, L.J.; Canesqui, A.M. "Pol&iacute;tica de Controle da Esquistossomose no Brasil". Mem Inst Osvaldo Cruz; 84 (suppl 1):220. 1989.<!-- ref --><p>21. Tauil, P. "Mal&aacute;ria: agrava-se o quadro da doen&ccedil;a no Brasil".    <i>Ci&ecirc;ncia Hoje</i>; 2(12):58-64. 1984. ]]></body><back>
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