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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4">Pintura</font></p>      <p><font size=5>O <small>PERCURSO DE</small> R<small>EBOLO E DO</small> S<small>ANTA</small>    H<small>ELENA</small></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14863f1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <p>Duas exposi&ccedil;&otilde;es em S&atilde;o Paulo durante o segundo semestre de 2002 homenagearam a produ&ccedil;&atilde;o de um movimento da pintura contempor&acirc;nea brasileira que, at&eacute; hoje, n&atilde;o &eacute; devidamente reconhecido como tal. <i>Rebolo 100 anos</i>, inaugurada no Museu de Arte Moderna (MAM) na data de anivers&aacute;rio do imigrante espanhol Francisco Rebolo Gonsales em 22 de agosto, e <i>Oper&aacute;rios na Paulista</i>, uma realiza&ccedil;&atilde;o do Museu de Arte Contempor&acirc;nea (MAC) com o Sesi, reunindo obras que contam a hist&oacute;ria do Grupo Santa Helena.</p>      <p>Diferente dos pintores modernistas, artistas vinculados &agrave; elite paulistana do in&iacute;cio do s&eacute;culo passado que patrocinou a Semana de Arte de 22, os pintores "prolet&aacute;rios" &shy; onde se incluem Rebolo, Volpi, Pennacchi, Bonadei, Rizzotti, Zanini, Cl&oacute;vis Graciano, Manoel Martins e Humberto Rosa &shy; foram mestres autodidatas das tintas. Misturando seu trabalho de sobreviv&ecirc;ncia em profiss&otilde;es t&atilde;o diversas como mec&acirc;nico, a&ccedil;ougueiro ou pintor de paredes, imprimem na pintura contempor&acirc;nea brasileira, paisagens, cores e tons compar&aacute;veis aos grandes mestres internacionais. S&atilde;o reconhecidos pela t&eacute;cnica das cores e pela proximidade com pintores do Novecento italiano ou do Impressionismo franc&ecirc;s; tudo sem que tivessem contato direto com o exterior, devido &agrave; sua origem humilde.</p>      <p>"Com exce&ccedil;&atilde;o de F&uacute;lvio Pennacchi, que veio adulto da It&aacute;lia    e que teve contato com o que se produzia l&aacute; fora, os demais n&atilde;o    dominavam as regras da pintura, n&atilde;o tinham feito cursos, n&atilde;o conheciam    esses mestres; aprendiam uns com os outros, no di&aacute;logo prof&iacute;cuo    entre as paredes do Santa Helena da d&eacute;cada de 30. A aproxima&ccedil;&atilde;o    com os impressionistas, atribu&iacute;da e identificada em algumas obras, foi    acidental", explica Elvira Vernaschi, historiadora e cr&iacute;tica de arte    que dividiu a curadoria da exposi&ccedil;&atilde;o do MAM com Lizbeth Gon&ccedil;alves,    filha de Rebolo.</p>     <p>&Eacute; o caso da semelhan&ccedil;a do quadro "Cena de jogo num bar", de Rebolo    com a pintura de mesmo tema retratada por C&egrave;zanne &shy; de quem ele nunca    tinha ouvido falar. &Eacute; o que mostra um depoimento capturado pelo document&aacute;rio    de Olavo Tavares de Ara&uacute;jo, integrante da mostra: quando perguntado sobre    o pintor franc&ecirc;s, quis saber em que bairro morava ou se era torcedor do    Corinthians, um dos times onde Rebolo jogou profissionalmente como ponta-direita    e para quem criou o s&iacute;mbolo definitivo do tim&atilde;o, com &acirc;ncora    e remos agregados &agrave; bandeira paulista. "Como pintavam diretamente da    natureza, essa semelhan&ccedil;a ocorreu em diversos momentos, de forma n&atilde;o    proposital", acrescenta a curadora.</p>     <p>A exposi&ccedil;&atilde;o comemorando o centen&aacute;rio do pintor conseguiu    reunir, de um acervo bastante espalhado entre membros da fam&iacute;lia, particulares    e institui&ccedil;&otilde;es, 150 pinturas a &oacute;leo, al&eacute;m de fotos,    documentos, objetos e o filme/document&aacute;rio. Essa panor&acirc;mica da    trajet&oacute;ria produtiva de Rebolo come&ccedil;a em 1934, quando aluga salas    do edif&iacute;cio Santa Helena, destru&iacute;do algumas d&eacute;cadas depois    para a constru&ccedil;&atilde;o do p&aacute;tio do metr&ocirc; entre as pra&ccedil;as    da S&eacute; e Cl&oacute;vis Bevil&aacute;qua, na capital paulista, e constitui    um movimento importante da pintura contempor&acirc;nea.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14863f2.jpg"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>      <p>Embora Rebolo e os amigos, que se agruparam em torno do Santa Helena, n&atilde;o sejam merecidamente reconhecidos como movimento e nem tenham a exalta&ccedil;&atilde;o dos nomes da Semana de Arte de 22, suas obras s&atilde;o essenciais para construir a identidade nacional na pintura contempor&acirc;nea. Para Elvira, a inten&ccedil;&atilde;o da mostra era celebrar a vida produtiva do pintor, que se manteve ativo at&eacute; meses antes de sua morte em julho 1980, e expandi-la tamb&eacute;m para outras institui&ccedil;&otilde;es, num projeto que come&ccedil;ou tr&ecirc;s anos antes, sob o comando de Lizbeth Gon&ccedil;alves. A exposi&ccedil;&atilde;o <i>Oper&aacute;rios na Paulista</i>, sob coordena&ccedil;&atilde;o da diretora do MAC, Elza Ajzenberg, cumpriu esse papel, ao compor um cen&aacute;rio fundamental para entender a arte origin&aacute;ria do Santa Helena. O objetivo agora &eacute; viajar com a exposi&ccedil;&atilde;o de Rebolo, primeiramente para a Bahia, o que vem sendo negociado com o MAM, que facilitaria uma extens&atilde;o da viagem at&eacute; o Cear&aacute;, cujo significado se amplia pois algumas obras expostas mostram paisagens da regi&atilde;o, resultado de suas viagens ao Nordeste entre os anos de 1971 a 1979.</p>      <p>Dois projetos em andamento, a cargo tamb&eacute;m de Lizbeth, devem consolidar a comemora&ccedil;&atilde;o a Rebolo: a cria&ccedil;&atilde;o do Instituto Rebolo a ser instalado na casa onde o pintor viveu a maior parte de sua vida, no Morumbi, e que est&aacute; intacta; e relan&ccedil;amento do livro <i>Rebolo</i>, publicado em 1986 sob patroc&iacute;nio da empresa MWM, e que foi revisto para a pr&oacute;xima reedi&ccedil;&atilde;o, antecipa Elvira.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p align="right"><i><b>Wanda Jorge</b></i></p>       ]]></body>
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