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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4">Museus</font></p>     <p><font size=5>E<small>XPOSI&Ccedil;&Otilde;ES DE ARTE GANHAM CAR&Aacute;TER    HIST&Oacute;RICO E EDUCATIVO</small></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Algumas exposi&ccedil;&otilde;es, de car&aacute;ter hist&oacute;rico, realizadas    na capital paulistas no segundo semestre de 2002 e em circula&ccedil;&atilde;o    pelo pa&iacute;s, me fizeram refletir o qu&atilde;o interessante tem sido a    performance dos museus de arte, de institutos e centros culturais nestes &uacute;ltimos    tempos. &Eacute; bom frisar que esta reflex&atilde;o se refere apenas ao item    de organiza&ccedil;&atilde;o de exposi&ccedil;&otilde;es &shy; eventos voltados    para o p&uacute;blico &shy; e a inten&ccedil;&atilde;o de repensar o atual papel    do museu em nossa sociedade. &Eacute; bom lembrar que, em nenhum instante, essas    institui&ccedil;&otilde;es deixaram de realizar eventos de arte moderna e contempor&acirc;nea.    Tratamos, aqui, de tecer algumas considera&ccedil;&otilde;es sobre a arte e    sua recep&ccedil;&atilde;o a partir dos eventos em considera&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Os museus, ao longo da hist&oacute;ria, t&ecirc;m passado por constantes e    importantes revis&otilde;es do car&aacute;ter de suas fun&ccedil;&otilde;es.    Parece que, ao analisar essas recentes mostras com as quais os paulistanos foram    brindados, as defini&ccedil;&otilde;es de cunho mais cl&aacute;ssico s&atilde;o    as que prevalecem. Recentemente, o presidente Carlos Bratke e o curador Afons    Hug da Bienal de S&atilde;o Paulo, em depoimento ao jornal da Associa&ccedil;&atilde;o    Brasileira de Cr&iacute;ticos de Arte, frisaram que o papel da Bienal de 2002    e da institui&ccedil;&atilde;o como tal, uma vez que o curador est&aacute; mantido    para a pr&oacute;xima realiza&ccedil;&atilde;o, &eacute; o de "divulgar a arte    contempor&acirc;nea" e que os n&uacute;cleos hist&oacute;ricos (parte importante    de bienais anteriores) estavam sendo muito bem realizados pelos museus.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14864f1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <p>De fato, &eacute; interessante constatar que desde meados dos anos 90 do s&eacute;culo passado os nossos museus t&ecirc;m organizado grandes exposi&ccedil;&otilde;es com essas caracter&iacute;sticas, quer no &acirc;mbito da arte brasileira, quer no &acirc;mbito da arte internacional. As primeiras a se registrarem foram <i>O Brasil dos viajantes</i> (Museu de Arte de S&atilde;o Paulo, 1994) e <i>Rodin</i> (Pinacoteca do Estado, 1995), passando ainda por <i>Modernismo/Paris anos 20</i> (Museu de Arte Contempor&acirc;nea/USP, 1995), <i>Pancetti, o marinheiro s&oacute;</i> (Museu de Arte Brasileira/FAAP, 2001). S&oacute; em 2002 tivemos nos &uacute;ltimos meses do ano, na esfera internacional, as exposi&ccedil;&otilde;es: <i>500 anos da arte russa</i> (Oca, jul/set); <i>Paris 1900</i> (Museu de Arte de S&atilde;o Paulo, ago/out); <i>China: a arte imperial, a arte do cotidano, a arte contempor&acirc;nea</i> (Museu de Arte Brasileira/FAAP, ago/ nov); <i>Rembrandt e a arte da gravura</i> (Centro Cultural Banco do Brasil, set/nov); <i>Rugendas no M&eacute;xico</i> (Memorial da Am&eacute;rica Latina, set/out).</p>      <p>Na esfera da arte nacional, registraram-se as mostras: <i>Arcangelo Ianelli</i> (Pinacoteca do Estado, set/nov); <i>Oper&aacute;rios na Paulista</i>, sobre o Grupo Santa Helena (Museu de Arte Contempor&acirc;nea/USP &shy; FIESP, set/nov); <i>Rebolo 100 anos</i> (Museu de Arte Moderna de S&atilde;o Paulo, ago/out), para citar somente algumas delas. Todas, &eacute; bom que se diga, com grande repercuss&atilde;o na imprensa e enorme sucesso de p&uacute;blico, que &eacute; o que nos interessa nesta reflex&atilde;o.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por causa desse sucesso, creio que &eacute; necess&aacute;rio repensar o papel    do museu. Muitas dessas exposi&ccedil;&otilde;es provocaram extensas filas e    longas horas de espera, nem sempre compensadas por uma visita&ccedil;&atilde;o    acurada e muito menos tranq&uuml;ila para o p&uacute;blico conhecedor. Quanto    ao p&uacute;blico em geral, qual teria sido seu grau de envolvimento, de aproveitamento?    Ser&aacute; que houve tempo e condi&ccedil;&otilde;es para observar e usufruir    a exposi&ccedil;&atilde;o e/ou as obras? Os museus detectaram um novo fil&atilde;o    para atrair mais p&uacute;blico? Pela rea&ccedil;&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o    do p&uacute;blico, com presen&ccedil;a maci&ccedil;a, parece que sim. Parece    haver, portanto, uma revis&atilde;o deste papel: a m&aacute;xima de que o prazer    da arte &eacute; proporcional ao seu entendimento constitui-se em atual preocupa&ccedil;&atilde;o    dos museus &shy; a grande maioria do p&uacute;blico ainda precisa identificar    (ou se identificar) a parecen&ccedil;a da obra para entend&ecirc;-la, gostar    dela e, portanto, usufru&iacute;-la. A dicotomia arte/fruidor continua sendo    de algumas d&eacute;cadas e, ao programar exposi&ccedil;&otilde;es tem&aacute;ticas    ou de car&aacute;ter hist&oacute;rico, aliadas a uma montagem que facilita o    percurso e sua conseq&uuml;ente leitura, os museus t&ecirc;m conseguido, realmente,    atrair enorme freq&uuml;&ecirc;ncia e despertar, ao menos, a curiosidade do    p&uacute;blico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14864f2.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <p>Considero correta essa que pode ser uma nova postura dos museus, uma vez que &eacute; necess&aacute;rio, ao menos quanto ao Brasil, que o p&uacute;blico seja iniciado e atra&iacute;do para nossas institui&ccedil;&otilde;es. As exposi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas t&ecirc;m em seu bojo um apelo muito grande, identificam-se no tempo e no espa&ccedil;o com o cotidiano das pessoas, atrav&eacute;s de temas e faturas palp&aacute;veis: o p&uacute;blico 'reconhece as figuras' e assim se sente confort&aacute;vel e pode admir&aacute;-las e, ao se comprazer nisto, retorna para novos eventos, traz a fam&iacute;lia e os amigos. Algumas delas s&atilde;o imprescind&iacute;veis para o conhecimento geral, j&aacute; que para muitos pode ser a primeira e talvez &uacute;nica vez que v&ecirc;em de perto obras como, por exemplo as da arte russa, ou da arte chinesa &shy; estas de car&aacute;ter hist&oacute;rico com &ecirc;nfase na arte milenar, no popular e no contempor&acirc;neo e que 'contam' a saga de uma civiliza&ccedil;&atilde;o; ou mesmo a reuni&atilde;o, em um mesmo espa&ccedil;o, de uma grande cole&ccedil;&atilde;o de obras de artistas como Rebolo e Ianelli &shy; de car&aacute;ter retrospectivo, onde o p&uacute;blico pode acompanhar a trajet&oacute;ria do artista. E &eacute; isto que um museu tem que ter como um de seus pressupostos: despertar o interesse do p&uacute;blico.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p align="right"><i>Elvira Vernaschi &eacute; historiadora e cr&iacute;tica </i><i>    <br>   de arte, membro da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira     <br>   de Cr&iacute;ticos de Arte e da Associa&ccedil;&atilde;o     <br>   Internacional de Cr&iacute;ticos de Arte.</i></p>      ]]></body>
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