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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4">Cinema</font></p>      <p><font size=5>A<small>CIDENTE COM O</small> C<small>&Eacute;SIO INSPIRA NOVAS    PRODU&Ccedil;&Otilde;ES</small></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/fbpe/cic/v55n1/14866f1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>      <p>O acidente com o C&eacute;sio-137, contamina&ccedil;&atilde;o ocorrida a partir do contato com o lixo radioativo em um ferro-velho de Goi&acirc;nia em 1987, motivou a produ&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios filmes e document&aacute;rios por cineastas interessados em resgatar a hist&oacute;ria. No IV Festival Internacional de Cinema e V&iacute;deo Ambiental (Fica), realizado em junho passado na Cidade de Goi&aacute;s, foram apresentados <i>C&eacute;sio no sangue</i>, do sueco Lars Westman, e <i>Amarelinha</i>, do goiano &Acirc;ngelo Lima.</p>      <p>Outro filme em desenvolvimento, tamb&eacute;m baseado no acidente com o C&eacute;sio-137 em Goi&acirc;nia, &eacute; <i>O sil&ecirc;ncio azul</i>. &Eacute; uma co-produ&ccedil;&atilde;o do cineasta e professor da Universidade Cat&oacute;lica de Goi&aacute;s, Luiz Eduardo Jorge, com a produtora Laura Pires, vi&uacute;va do cineasta baiano Roberto Pires, autor de <i>C&eacute;sio-137 &shy; o pesadelo de Goi&acirc;nia</i>, realizado em 1990. Laura Pires vive em Salvador (BA) e persiste na luta iniciada por seu marido. "Roberto era louco por cinema e fazia qualquer coisa para ter as imagens que queria. N&atilde;o se importou com o que poderia acontecer com ele entrando no local onde sabia que era muito perigoso", lamenta.</p>      <p>As loca&ccedil;&otilde;es de <i>O sil&ecirc;ncio azul</i> est&atilde;o previstas para Goi&acirc;nia, Angra I, Chernobyl, Hiroshima, Nagasaki. Inclui, ainda, locais em Cuba onde algumas v&iacute;timas da contamina&ccedil;&atilde;o se trataram. Segundo o cineasta, o objetivo &eacute; fazer uma abordagem hist&oacute;rica e estabelecer correla&ccedil;&atilde;o do C&eacute;sio-137 com outros acidentes. Jorge pretende reunir extenso material com a visita ao dep&oacute;sito com rejeitos radioativos, em Abadia de Goi&aacute;s, e a cemit&eacute;rios, ouvir depoimentos de m&eacute;dicos, secret&aacute;rios de sa&uacute;de, cientistas, parentes das v&iacute;timas e pessoas envolvidas com o acidente, al&eacute;m de checar novamente os n&uacute;meros oficiais de mortos e contaminados.</p>      <p>A dupla de produtores tem mais um desafio &shy; o de descobrir se o c&acirc;ncer que vitimou o cineasta Roberto Pires deveu-se &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o prolongada em ambiente contaminado no dep&oacute;sito do C&eacute;sio-137 durante as filmagens.</p>      <p><b>P<small>ERSONAGENS MARCADOS</small></b> Outra produ&ccedil;&atilde;o sobre    o tema &eacute; a do sueco Lars Westman, <i>C&eacute;sio no sangue</i>. O filme    em 57 minutos retrata o sofrimento de v&iacute;timas do acidente, sob a perspectiva    da discrimina&ccedil;&atilde;o sofrida por elas e a dificuldade em retomar a    normalidade de suas vidas. O filme foi patrocinado pela empresa Westman's Film    e produzido entre os meses de outubro e novembro de 2001. A &uacute;nica apresenta&ccedil;&atilde;o    p&uacute;blica ocorreu no festival goiano. O cineasta explica que n&atilde;o    encontrou espa&ccedil;o para divulga&ccedil;&atilde;o, nem na televis&atilde;o    brasileira nem na sueca, sob o argumento de que o assunto n&atilde;o era mais    novidade.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>C&eacute;sio no sangue</i> &eacute; uma continuidade de um document&aacute;rio realizado pelo cineasta h&aacute; 15 anos, na &eacute;poca do acidente radiol&oacute;gico, para uma televis&atilde;o estatal da Su&eacute;cia, com o nome de <i>Eu tenho c&eacute;sio dentro do sangue e tenho medo</i>. No ano passado, ele retornou a Goi&acirc;nia, procurou as mesmas pessoas e o cen&aacute;rio encontrado "foi de desola&ccedil;&atilde;o". Algumas das v&iacute;timas morreram, outras est&atilde;o bastante doentes e a maioria continua com medo de falar sobre o assunto.</p>      <p>O cineasta sueco, que vive hoje na Bahia, considera os acidentes radioativos    s&eacute;rios problemas da atualidade. Al&eacute;m de participar de <i>O sil&ecirc;ncio    azul</i>, ele n&atilde;o pretende parar de documentar o assunto, porque, em    suas pesquisas, constatou que existem 387 m&aacute;quinas iguais &agrave;s do    acidente de Goi&acirc;nia, desaparecidas. Isso, na sua opini&atilde;o, representa    um risco constante, para o qual os governantes n&atilde;o est&atilde;o atentos.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p align="right"><i><b>Rosane de Bastos</b></i></p>       ]]></body>
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