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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n2/tb2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>F<small>ISIOLOGIA</small></p>     <p><b><font size="4">Pesquisa avalia rotina de mergulhadores em &aacute;guas profundas</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Mais uma despedida da fam&iacute;lia. O retorno ser&aacute; nos pr&oacute;ximos    28 dias, quando suas tarefas se encerrarem e ele poder&aacute;, finalmente,    sair do confinamento da c&acirc;mara hiperb&aacute;rica, onde vive sob altas    press&otilde;es atmosf&eacute;ricas. O espa&ccedil;o, o entretenimento e o contato    com o mundo exterior s&atilde;o restritos. Essa &eacute; a rotina de um mergulhador    profissional, que ganha a vida trabalhando, sobretudo, na manuten&ccedil;&atilde;o    de plataformas de petr&oacute;leo.</p>     <p>Verdadeiros astronautas do mar, s&atilde;o bem preparados fisicamente e recebem    treinamentos rigorosos de seguran&ccedil;a, t&eacute;cnica, vida animal e fisiologia    humana, para atingirem, com tranq&uuml;ilidade, profundidades de 290 metros,    onde a press&atilde;o chega a ser 30 vezes maior que na superf&iacute;cie. Essa    exposi&ccedil;&atilde;o do corpo a ambientes extremos &eacute; o foco de uma    pesquisa desenvolvida por professores da Escola Paulista de Medicina, em colabora&ccedil;&atilde;o    com M&aacute;rio Augusto Ferrari de Castro, estudante do terceiro ano de medicina    da Universidade Metropolitana de Santos e a DiversUniversity, &uacute;nica empresa    no Brasil que oferece cursos de mergulho profissional com a autoriza&ccedil;&atilde;o    da Marinha.</p>     <p>O objetivo &eacute; detectar que tipos de altera&ccedil;&atilde;o sofrem esses    mergulhadores para se adaptarem ao ambiente de alta press&atilde;o, explica    Ferrari de Castro, idealizador do projeto e mergulhador h&aacute; 16 anos. Para    o estudo, a equipe aproveitou a participa&ccedil;&atilde;o de 50 alunos que    realizavam curso de mergulho raso ou profundo, expostos a diferentes press&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n2/15511f1.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Para entender melhor como funciona a press&atilde;o nas profundidades &eacute;    importante lembrar que a cada 10 metros ao fundo a press&atilde;o atmosf&eacute;rica    aumenta em uma unidade, ou seja, aos 10 metros a press&atilde;o ser&aacute;    duas vezes a da superf&iacute;cie, aos 20 metros ser&aacute; tr&ecirc;s vezes    maior e assim por diante. Uma experi&ecirc;ncia simples para medir o efeito    da press&atilde;o &eacute; frequentemente realizada por mergulhadores, que levam    consigo uma lata de alum&iacute;nio vazia para o fundo. Conforme profundidades    maiores v&atilde;o sendo atingidas, a lata vai sendo amassada pelo aumento da    press&atilde;o. No corpo humano, um dos efeitos conhecidos &eacute; o aumento    da dissolu&ccedil;&atilde;o do g&aacute;s nitrog&ecirc;nio, que comp&otilde;e    o ar respirado, no sangue e nos tecidos. Essa dissolu&ccedil;&atilde;o atinge    um limite, deixando o mergulhador saturado. No retorno &agrave; superf&iacute;cie,    ocorre o oposto, ou seja, diminui a press&atilde;o e os gases se expandem, podendo    formar bolhas e at&eacute; causar doen&ccedil;as descompressivas, como a embolia,    causadas principalmente quando a subida &eacute; feita de maneira brusca.</p>     <p>Por isso, o confinamento em c&acirc;maras hiperb&aacute;ricas &eacute; t&atilde;o    importante para garantir a descompress&atilde;o desses profissionais com seguran&ccedil;a.    As descompress&otilde;es seguem um padr&atilde;o firmado em tabelas, que delimitam    o tempo de perman&ecirc;ncia do mergulhador em v&aacute;rias profundidades e    o seu tempo de subida. Essas tabelas garantem que o mergulhador n&atilde;o tenha    doen&ccedil;as descompressivas, mas pouco ainda se sabe sobre as altera&ccedil;&otilde;es    de sua fisiologia.</p>     <p>As primeiras pistas est&atilde;o sendo coletadas em dois grupos. No primeiro,    32 mergulhadores do curso de mergulho raso (profundidades de at&eacute; 50 metros)    que permaneceram 88 minutos em uma press&atilde;o de 6 atmosferas e, por estarem    expostos a alta press&atilde;o por pouco tempo, foi considerado o grupo agudo,    que sofre satura&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida.</p>     <p>J&aacute; o outro grupo, composto por 20 mergulhadores de profundidade (que    ir&atilde;o mergulhar a profundidades na faixa de 100 a 300 metros), permaneceu    por 36 horas a uma press&atilde;o de 2,2 atmosferas o que equivale a 12 metros    de profundidade, e portanto uma exposi&ccedil;&atilde;o cr&ocirc;nica. Os dois    grupos permitiram comparar situa&ccedil;&otilde;es distintas de press&atilde;o    atuando sobre o corpo e tamb&eacute;m o efeito do confinamento.</p>     <p>Nessa primeira etapa da pesquisa foram feitas medi&ccedil;&otilde;es cardio-respirat&oacute;ria,    atrav&eacute;s de eletrocardiogramas e de press&atilde;o arterial a cada 4 horas,    no caso do grupo cr&ocirc;nico; e, no agudo, as medi&ccedil;&otilde;es foram    feitas antes e depois do confinamento. Os resultados preliminares indicam um    decr&eacute;scimo significativo na frequ&ecirc;ncia card&iacute;aca tanto na    exposi&ccedil;&atilde;o aguda (de 77 para 65) como na cr&ocirc;nica (de 85 para    67) e apenas no grupo com exposi&ccedil;&atilde;o cr&ocirc;nica houve diminui&ccedil;&atilde;o    na frequ&ecirc;ncia respirat&oacute;ria (de 13 por 9 para 10 por 4) apontando    para altera&ccedil;&otilde;es cardio-respirat&oacute;rias durante a exposi&ccedil;&atilde;o    hiperb&aacute;rica. O que leva a essas altera&ccedil;&otilde;es &eacute; um    dos alvos de estudo da pesquisa.</p>     <p>Na segunda etapa, a equipe pretende analisar amostras de urina e sangue e,    mais tarde, realizar estudos neurol&oacute;gicos envolvendo respostas motoras.    O que se quer saber &eacute; se a concentra&ccedil;&atilde;o de subst&acirc;ncias    como o c&aacute;lcio, fosfato e glicose &eacute; alterada quando o corpo &eacute;    submetido a altas press&otilde;es. Existem, por&eacute;m, problemas operacionais,    lembra Campos Jr, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; retirada do sangue dos mergulhadores    uma vez que &eacute; um exame invasivo, diferente dos outros. Para driblar essa    dificuldade &eacute; poss&iacute;vel que amostras sejam coletadas antes e depois    do mergulhador entrar na c&acirc;mara hiperb&aacute;rica para efeito comparativo.    O trabalho ser&aacute; apresentado na Faseb, Congresso de Biologia Experimental    neste m&ecirc;s de abril, nos Estados Unidos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="RIGHT"><i><b>Germana Barata</b></i></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
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