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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n2/tb2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A<small>GRICULTURA</small></p>     <p><b><font size="4">Sementes r&uacute;sticas para resgatar produ&ccedil;&atilde;o    no Vale do Ribeira</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Algumas pequenas comunidades rurais na regi&atilde;o do Vale do Ribeira, em    processo de reconhecimento pelo poder p&uacute;blico como remanescentes de escravos    ou como comunidades quilombolas, encaram o desafio de tornar suas terras produtivas.    O plantio de ro&ccedil;as, garantida a posse leg&iacute;tima sobre essas terras,    &eacute; uma das &uacute;nicas alternativas de sobreviv&ecirc;ncia para a regi&atilde;o,    que det&eacute;m os mais baixos &Iacute;ndices de Desenvolvimento Humano (IDH)    do estado de S&atilde;o Paulo. Cresce, portanto, a necessidade por sementes    r&uacute;sticas, mais adaptadas &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es do ambiente    e de plantio.</p>     <p>"As esp&eacute;cies e variedades requisitadas pelas comunidades s&atilde;o    as mesmas que sempre foram cultivadas por seus antepassados", afirma Justiniano    Carnero, agr&ocirc;nomo respons&aacute;vel pelo programa "Resgate de Sementes    Variedades Tradicionais", desenvolvido na regi&atilde;o pela Funda&ccedil;&atilde;o    Instituto de Terras, &oacute;rg&atilde;o da Secretaria da Justi&ccedil;a e da    Defesa da Cidadania do estado de S&atilde;o Paulo. O objetivo &eacute; retomar    o plantio de esp&eacute;cies nativas, aproveitando o conhecimento no manuseio    do banco gen&eacute;tico, que &eacute; parte da cultura de pelo menos quinze    comunidades favorecidas. Arroz, feij&atilde;o, milho e outras esp&eacute;cies    aliment&iacute;cias, como ra&iacute;zes de mandioca, colmos de cana-de-a&ccedil;&uacute;car,    tub&eacute;rculos de batata-doce, rizomas de bananas, taiobas, car&aacute;s,    inhames e mangaritos est&atilde;o entre as variedades catalogadas e disseminadas    nas comunidades. Uma parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu&aacute;ria    (Embrapa) poder&aacute; garantir parte do fornecimento necess&aacute;rio de    algumas esp&eacute;cies tradicionais, que j&aacute; n&atilde;o existem nas ro&ccedil;as    do Vale. Tamb&eacute;m foram doadas pela prefeitura de Porto Vit&oacute;ria,    no Paran&aacute;, uma pequena quantidade de cinco variedades de milho crioulo    extintas entre os quilombolas. "Todas as variedades encontradas estavam, ou    ainda est&atilde;o, em processo de extin&ccedil;&atilde;o", alerta o agr&ocirc;nomo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n2/15516f1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n2/15516f2.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>As restri&ccedil;&otilde;es legais ao cultivo em lugares vizinhos a &aacute;reas    de preserva&ccedil;&atilde;o ambiental, bem como a lentid&atilde;o da regulariza&ccedil;&atilde;o    fundi&aacute;ria, acarretaram a redu&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o agricult&aacute;vel,    levando algumas comunidades a abandonar suas ro&ccedil;as. Com isso, houve perda    de variedades de sementes r&uacute;sticas que deixaram de ser plantadas. Entre    as metas do programa, est&aacute; o fortalecimento da seguran&ccedil;a alimentar,    recupera&ccedil;&atilde;o e preserva&ccedil;&atilde;o das riquezas gen&eacute;ticas    e culturais das comunidades rurais e montagem de um banco de sementes. O coordenador    acrescenta que se espera amenizar alguns problemas enfrentados pelas comunidades    quando elas tentam recuperar o plantio nas ro&ccedil;as. "Infelizmente, muitas    fam&iacute;lias t&ecirc;m que recorrer &agrave; doa&ccedil;&atilde;o de sementes    e, em alguns casos, compr&aacute;-las em casas de lavoura. Como essas sementes    n&atilde;o s&atilde;o desenvolvidas para a regi&atilde;o, e nem para o tipo    de manejo utilizado pelas comunidades, elas t&ecirc;m baixa produtividade e,    muitas vezes, sequer germinam", diz Carnero.</p>     <p>O programa, criado h&aacute; pouco mais de um ano, vem pesquisando variedades    existentes nas comunidades - coleta, cataloga&ccedil;&atilde;o e classifica&ccedil;&atilde;o    de amostras -, permutas entre as comunidades para multiplicar as sementes, al&eacute;m    de consultar os pequenos agricultores sobre quais variedades pretendem cultivar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="RIGHT"><i><b>Sara Nanni</b></i> </p>      ]]></body>
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