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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n2/tp5.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>P<small>ROPRIEDADE INTELECTUAL</small></p>     <p><font size="4"><b>Regras prejudicam pa&iacute;ses subdesenvolvidos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Em 1994, na chamada Rodada Uruguai, foi institu&iacute;do pela Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial do Com&eacute;rcio (OMC) o acordo Trips - Tratado sobre Propriedade    Intelectual -, que, entre outros, enrijeceu as leis de patentes e possibilitou    o patenteamento de seres vivos. De certa forma, o Trips direcionou o desenvolvimento    tecnol&oacute;gico mundial ao dar efetividade mundial &agrave;s patentes, tornando-as    mais atrativas para as empresas. Ativista e cientista social, a norte-americana    naturalizada francesa Susan George esteve em Porto Alegre para conversar com    os movimentos sociais e elaborar novas estrat&eacute;gias de luta para a pr&oacute;xima    rodada da OMC, em Canc&uacute;n, M&eacute;xico, em setembro pr&oacute;ximo.    Nesta entrevista, ela discute o efeito do Trips para os pa&iacute;ses subdesenvolvidos,    que tiveram dificultado o acesso &agrave; tecnologia, ao mesmo tempo em que    sua biodiversidade se tornou alvo do interesse de grandes empresas transnacionais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Como a senhora analisa os mecanismos atuais de propriedade intelectual?</i></p>     <p><b>S<small>USAN</small> G<small>EORGE</small></b> Os direitos de propriedade    intelectual existem porque as corpora&ccedil;&otilde;es norte-americanas exigem.    Querem ter 20 anos de prote&ccedil;&atilde;o &agrave;s patentes e incluir novas    &aacute;reas no direito de propriedade. S&atilde;o essas empresas que inventaram    essa prote&ccedil;&atilde;o, que escreveram seu texto e que a implementaram    na Rodada Uruguai, que criou tamb&eacute;m a OMC.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Que impacto essas regras t&ecirc;m para os pa&iacute;ses subdesenvolvidos?</i></p>     <p>O Trips &eacute; um acordo feito para impedir o acesso dos pa&iacute;ses pobres    &agrave; tecnologia, e prend&ecirc;-los a um sistema em que as &uacute;nicas    t&eacute;cnicas que podem ser obtidas s&atilde;o as que j&aacute; est&atilde;o    obsoletas. As tecnologias de ponta do setor m&eacute;dico, por exemplo, ficam    protegidas e as empresas podem vend&ecirc;-las ou n&atilde;o. Outro fator &eacute;    a propriedade biol&oacute;gica e dos genes, que surgiu de maneira muito r&aacute;pida    e os pa&iacute;ses de grande diversidade biol&oacute;gica n&atilde;o conseguiram    acompanhar. &Eacute; o caso do Brasil, por exemplo. As empresas est&atilde;o    captando essa diversidade, atrav&eacute;s de expedi&ccedil;&otilde;es, que v&atilde;o    a campo e coletam tamb&eacute;m o conhecimento tradicional das popula&ccedil;&otilde;es    nativas, trazendo-o para os laborat&oacute;rios, transformando-o em ci&ecirc;ncia    convencional e tirando uma patente. Acho que os pa&iacute;ses devem rejeitar    esse modelo. Alguns pa&iacute;ses j&aacute; formalizaram a venda da biodiversidade    por um pre&ccedil;o bastante barato. A Costa Rica conseguiu apenas US$ 1 milh&atilde;o    por tudo que as companhias farmac&ecirc;uticas encontrarem l&aacute;. Tudo isso    est&aacute; acontecendo porque os pa&iacute;ses s&atilde;o pressionados, de    uma maneira geral, mas tamb&eacute;m porque eles n&atilde;o sabem em que est&atilde;o    se metendo. Essas negocia&ccedil;&otilde;es s&atilde;o t&atilde;o complexas    que os pa&iacute;ses subdesenvolvidos precisam parar de seguir o fluxo das negocia&ccedil;&otilde;es    e colocar em pauta o que eles realmente precisam.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n2/15522f1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Os pa&iacute;ses subdesenvolvidos devem rejeitar a lei de patentes?</i></p>     <p>N&atilde;o se pode falar dos pa&iacute;ses subdesenvolvidos, pois os dirigentes    est&atilde;o satisfeitos com o que est&aacute; acontecendo. Ao contr&aacute;rio,    eles combater&atilde;o as mudan&ccedil;as, como j&aacute; vimos no caso das    patentes sobre medicamentos. Os EUA bloqueiam qualquer tipo de altera&ccedil;&atilde;o.    Mas se falarmos nos movimentos progressistas de todo mundo, a resposta &eacute;    sim.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="RIGHT"><i><b>Rafael Evangelista</b></i></p>      ]]></body>
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