<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252003000200019</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A fantástica descoberta da estrutura do DNA faz 50 anos]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ortiz]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lúcia Cunha]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>04</month>
<year>2003</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>04</month>
<year>2003</year>
</pub-date>
<volume>55</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>22</fpage>
<lpage>22</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252003000200019&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252003000200019&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252003000200019&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n2/tp5.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>G<small>EN&Eacute;TICA</small></p>     <p><b><font size="4">A fant&aacute;stica descoberta da estrutura do DNA faz 50    anos</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O artigo "Molecular structure of the nucleic acids" (Estrutura molecular dos    &aacute;cidos nucl&eacute;icos) de Francis Crick e James Watson, publicado em    25 de abril de 1953 na revista <i>Nature</i>, modificou de forma radical os    rumos da ci&ecirc;ncia na busca pelas origens da vida. Com menos de mil palavras    e um gr&aacute;fico simplificado, descreve a fant&aacute;stica descoberta do    DNA.</p>     <p>Gra&ccedil;as ao conhecimento da estrutura do DNA e aos 50 anos de desenvolvimento    da biologia molecular que se seguiram, &eacute; not&aacute;vel o est&aacute;gio    alcan&ccedil;ado por essa ci&ecirc;ncia. "A terapia g&ecirc;nica permite &agrave;    medicina a possibilidade da gera&ccedil;&atilde;o de novas t&eacute;cnicas terap&ecirc;uticas    e tratamentos para doen&ccedil;as antigamente consideradas incur&aacute;veis",    explica Jo&atilde;o Bosco Pesquero, coordenador do Laborat&oacute;rio de Animais    Transg&ecirc;nicos da Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp).</p>     <p>Atualmente, &eacute; poss&iacute;vel gerar em laborat&oacute;rio modelos de    animais para estudar praticamente todas as doen&ccedil;as humanas, o que pode    facilitar muito o desenvolvimento de novos medicamentos e novas terapias. "O    seq&uuml;enciamento completo do genoma humano n&atilde;o seria realidade sem    o conhecimento da estrutura do DNA", conclui o pesquisador.</p>     <p><b>H<small>IST&Oacute;RIA</small></b> Em 1950, j&aacute; como doutor em microbiologia    pela Universidade de Indiana, James Watson decide trabalhar em um dos mais famosos    centros de f&iacute;sica de ent&atilde;o, o Laborat&oacute;rio Cavendish da    Universidade de Cambridge. Alguns anos antes ele havia lido um livro que muito    o impressionara: <i>What is life? The physical aspect of the living cell</i>,    escrito por um dos pais da mec&acirc;nica qu&acirc;ntica, Erwin Schr&ouml;dinger.    As id&eacute;ias de Schr&ouml;dinger, de que genes e cromossomos continham o    segredo da vida, o fascinaram. Em Cambridge, Watson dividiu uma sala com Francis    Crick, um estudante de doutorado que tamb&eacute;m se interessava pela estrutura    do DNA. Na mesma &eacute;poca, Watson conhece o f&iacute;sico Maurice Wilkins    que, ap&oacute;s a guerra, passara a trabalhar com biologia molecular. Wilkins    mostrou-lhe uma imagem de difra&ccedil;&atilde;o de raios X em que vinha trabalhando    no Medical Research Council do King's College, Londres. Watson percebe que aquele    era o caminho para descobrir a estrutura qu&iacute;mica do DNA, at&eacute; ent&atilde;o    considerada um mist&eacute;rio.Decide, ent&atilde;o, estudar a difra&ccedil;&atilde;o    de raios X. Ele e Crick, em decorr&ecirc;ncia de uma perfeita sintonia de id&eacute;ias,    estabelecem que o ponto central de suas pesquisas ser&aacute; a descoberta da    estrutura do DNA.</p>     <p>Peter Pauling, filho de Linus Pauling, chegou a Cambridge no outono de 1952,    e passou a dividir a sala com Watson e Crick. Peter mostrou-lhes os resultados    mais recentes de seu pai, que propunha, erroneamente, uma tripla-h&eacute;lice    para a estrutura do DNA. Enquanto isso, Wilkins e sua colaboradora Rosalind    Franklin trabalhavam no aperfei&ccedil;oamento das imagens de difra&ccedil;&atilde;o    de raios X no King's College.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao ler o artigo de Pauling, Watson percebe o erro e, euf&oacute;rico, parte    imediatamente para King's para tentar convencer Franklin a realizar novos experimentos,    mas n&atilde;o obt&eacute;m sucesso. Wilkins, constrangido com a m&aacute; recep&ccedil;&atilde;o    que sua assistente dispensara ao visitante, mostra-lhe suas &uacute;ltimas imagens    de difra&ccedil;&atilde;o de raios X. Nesse instante, Watson n&atilde;o tem    mais d&uacute;vidas e, de volta a Cambridge inicia, juntamente com Crick, a    constru&ccedil;&atilde;o do novo modelo da estrutura do DNA.</p>     <p>Ap&oacute;s cinco semanas de erros e acertos, finalmente o modelo estava pronto.    A not&iacute;cia se espalha: "pesquisadores de Cambridge haviam descoberto o    segredo da vida".</p>     <p>Wilkins, que ficou de fora da descoberta, teria reagido apenas com uma breve    e sarc&aacute;stica mensagem: "acho que voc&ecirc;s s&atilde;o uma dupla de    belos patifes...". Parte da comunidade cient&iacute;fica chega a acus&aacute;-los    de inescrupulosos, pois teriam baseado suas descobertas em raios X produzidos    no King's College. Rosalind Franklin, que por longo per&iacute;odo havia trabalhado    no desenvolvimento da t&eacute;cnica, morreu de c&acirc;ncer em 1958. Quatro    anos depois, Crick, Watson e Wilkins recebem o Pr&ecirc;mio Nobel de Medicina.</p>     <p>Atualmente, a possibilidade da clonagem reprodutiva coloca a humanidade frente    a um inevit&aacute;vel teste de poder.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="RIGHT"><i><b>L&uacute;cia Cunha Ortiz</b></i> </p>      ]]></body>
</article>
