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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n2/tb17.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4">C<small>ONVERSANDO COM O EMPREENDEDOR DE SOFTWARE</small></font></b></p>     <p>Renato S. Toi</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size=5>E</font></b>ste texto pretende transmitir a novos empreendedores    de software uma vis&atilde;o pessoal de fatores a serem considerados ao se iniciar    um novo neg&oacute;cio. Os fatores se aplicam em especial a um neg&oacute;cio    de software que se prop&otilde;e a realizar crescimento acelerado, trabalhar    com tecnologia avan&ccedil;ada, e remunerar adequadamente o trabalho e o capital    investidos.</p>     <p>Em primeiro lugar, apresentam-se quatro aspectos-chave no planejamento e organiza&ccedil;&atilde;o    de uma nova empresa. Em seguida destaca-se o importante assunto dos canais de    vendas. O texto se encerra com uma an&aacute;lise pessoal do contexto atual    de neg&oacute;cios.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4">Q<small>UATRO ASPECTOS DA EMPRESA</small></font></b></p>     <p>Os riscos e as oportunidades para a empresa podem ser avaliados em quatro aspectos:    Mercado, Tecnologia, Recursos Humanos e Capitaliza&ccedil;&atilde;o. Em cada    um deles, a maneira como se enfrentam os riscos e se aproveitam as oportunidades    &eacute; determinante no sucesso do empreendimento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>M<small>ERCADO</small></b> O maior risco para o empreendedor quanto ao mercado    &eacute; concentrar sua aten&ccedil;&atilde;o no <b>mercado</b> como um entidade    pr&oacute;pria. Minha opini&atilde;o &eacute; que mercado deve ser apenas uma    denomina&ccedil;&atilde;o abreviada para "Lista de clientes, com nome, telefone    e endere&ccedil;o para contato". Considera&ccedil;&otilde;es tais como : "este    &eacute; um mercado de US$ 56 milh&otilde;es por ano, do qual pretendemos adquirir    5% no primeiro ano, 25% no segundo ano e 50% no terceiro ano", s&atilde;o excelentes    para elaborar um plano de neg&oacute;cios, mas s&atilde;o de pouca utilidade    para aquilo que realmente importa: conhecer os clientes, suas necessidades,    os fatores importantes na decis&atilde;o de compra, como garantir sua fidelidade    e finalmente: como vender.</p>     <p>O neg&oacute;cio principal do seu cliente provavelmente n&atilde;o &eacute;    vender software. Nesses casos, software pode ser encarado como um "bem de produ&ccedil;&atilde;o",    usado pelo cliente para produzir produtos ou servi&ccedil;os. Se este for o    seu caso, torna-se essencial que voc&ecirc; e sua empresa conhe&ccedil;am o    neg&oacute;cio do seu cliente, de forma a identificar sua oportunidade de neg&oacute;cios    a partir de necessidades concretas. Analisar o neg&oacute;cio do seu cliente,    e tomar atitudes que criem vantagens competitivas para ele, a partir do uso    do seu produto &eacute; uma excelente abordagem para conquistar e fidelizar    o cliente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>T<small>ECNOLOGIA</small></b> A maioria das empresas de tecnologia &eacute;    criada por colegas de faculdade, ou por profissionais formados em &eacute;pocas    diferentes, mas com a mesma titula&ccedil;&atilde;o. Consequentemente, o conte&uacute;do    t&eacute;cnico &eacute; o ponto forte dessas empresas, viabilizando a cria&ccedil;&atilde;o    de diferenciais competitivos a partir do conte&uacute;do tecnol&oacute;gico    dos produtos. Este diferencial cria a principal oportunidade para a empresa    e, invariavelmente, leva &agrave; sua cria&ccedil;&atilde;o com o seguinte racioc&iacute;nio:    "vamos criar a empresa, desenvolver o produto e procurar os clientes". A&iacute;    est&aacute; tamb&eacute;m o maior risco para a empresa, j&aacute; que antes    de desenvolver o produto &eacute; necess&aacute;rio cumprir corretamente as    tarefas relacionadas ao mercado, conforme j&aacute; exposto.</p>     <p>&Eacute; importante ressaltar a aqui a necessidade de uso de padr&otilde;es    de mercado em desenvolvimento de software. Metodologias reconhecidas e pr&aacute;ticas    de qualidade (ISO, CMM, Spice, etc.) podem contar a favor da sua empresa na    avalia&ccedil;&atilde;o pelo cliente. Por outro lado, a falta de metodologia    estruturada ou de pr&aacute;ticas de qualidade, provavelmente contar&atilde;o    contra a sua empresa ao ser comparada com outras empresas onde existam essas    pr&aacute;ticas ou metodologias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>R<small>ECURSOS HUMANOS</small></b> A forma&ccedil;&atilde;o de equipes    em empresas iniciantes tem caracter&iacute;sticas especiais. Enquanto equipes    homog&ecirc;neas oferecem menores riscos de diverg&ecirc;ncias internas, podem    sofrer conseq&uuml;&ecirc;ncias exatamente pela falta de pensamentos divergentes.    Conforme comentado no item anterior, as empresas s&atilde;o geralmente criadas    por uma equipe homog&ecirc;nea em termos de forma&ccedil;&atilde;o. Um "tempero"    na equipe, concretizada pela inclus&atilde;o de profissionais de forma&ccedil;&atilde;o    e hist&oacute;rico diversos, tal como a diversidade gen&eacute;tica de uma popula&ccedil;&atilde;o,    &eacute; um fator importante para a capacidade da equipe de inovar e se adaptar    a novas situa&ccedil;&otilde;es. Na pr&aacute;tica, a melhor solu&ccedil;&atilde;o    para a quest&atilde;o dos recursos humanos, &eacute; que o dirigente (ou dirigentes)    da empresa constituam a equipe a partir de um conjunto heterog&ecirc;neo, e    que se administre a conviv&ecirc;ncia e os conflitos naturais, de forma a aproveitar    produtivamente o vetor resultante dos pensamentos divergentes.</p>     <p>No caso de produtos ou servi&ccedil;os de software, a motiva&ccedil;&atilde;o    da equipe de desenvolvimento afeta profundamente a qualidade e a produtividade    da empresa. Chamo a aten&ccedil;&atilde;o para um ponto importante nessa motiva&ccedil;&atilde;o:    em uma experi&ecirc;ncia anterior, o fator mais importante para a motiva&ccedil;&atilde;o    da equipe estudada foi a qualidade do direcionamento da empresa. Assim sendo,    em uma empresa de software, &eacute; fator fundamental para a motiva&ccedil;&atilde;o    que a equipe de ger&ecirc;ncia seja capaz de estabelecer uma dire&ccedil;&atilde;o    estrat&eacute;gica clara e que transmita &agrave; equipe uma sensa&ccedil;&atilde;o    de dom&iacute;nio do quadro de mercado e de tecnologia.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>C<small>APITALIZA&Ccedil;&Atilde;O</small></b> A capitaliza&ccedil;&atilde;o    das empresas iniciantes tornou-se um assunto merecedor de manchetes e reportagem    de capa em publica&ccedil;&otilde;es de neg&oacute;cios, tecnologia e at&eacute;    em publica&ccedil;&otilde;es destinadas ao p&uacute;blico acad&ecirc;mico e    ao p&uacute;blico em geral. H&aacute; iniciativas privadas e p&uacute;blicas    para capitaliza&ccedil;&atilde;o de empresas iniciantes, em diversos modelos    no Brasil.</p>     <p>A oportunidade de capitaliza&ccedil;&atilde;o a partir de Capital de Risco    (<i>Venture Capital</i>) oferece aos empreendedores uma alternativa interessante    para suprir o capital normalmente necess&aacute;rio em todas as fases de crescimento    acelerado.</p>     <p>Entretanto, a cria&ccedil;&atilde;o de empreendimentos que exijam investimentos    de terceiros para sua viabiliza&ccedil;&atilde;o, cria riscos adicionais para    os empreendedores. A partir da entrada do investidor, a equipe de gest&atilde;o,    que j&aacute; tem a responsabilidade de satisfazer clientes, desenvolver produtos,    administrar os recursos humanos e materiais, dever&aacute; ainda levar em conta    os interesses do investidor, que deseja maximizar a remunera&ccedil;&atilde;o    do capital investido.</p>     <p>A solu&ccedil;&atilde;o mais segura para a necessidade de capitaliza&ccedil;&atilde;o    &eacute; viabilizar o crescimento da empresa com recursos pr&oacute;prios, oriundos    dos s&oacute;cios, ou resultantes do sucesso comercial da empresa. Em caso de    oferta de capital externo, sugiro que este capital seja acompanhado de oferta    de colabora&ccedil;&atilde;o na gest&atilde;o, de forma que o compromisso de    remunera&ccedil;&atilde;o de capital tenha uma contrapartida na divis&atilde;o    de responsabilidades dentro da equipe de gest&atilde;o. Julgo, na verdade, que    esta oferta de colabora&ccedil;&atilde;o na gest&atilde;o, &eacute; ainda mais    importante para o empreendedor que o capital oferecido, pois o conte&uacute;do    de gest&atilde;o agregado nessa ocasi&atilde;o pode influir de maneira decisiva    nos rumos do empreendimento.</p>     <p>Para as empresas de software, a primeira necessidade de capital &eacute; derivada    dos investimentos no desenvolvimento de produtos. Nos &uacute;ltimos dois anos    surgiram no Brasil iniciativas estaduais e federais de fomento ao desenvolvimento    de tecnologia. Como exemplo, cito aqui o programa Prosoft, do BNDES, o programa    Pipe da Fapesp e os programas federais: CT-Info, do MCT e o VentureForum, da    Finep. Estas s&atilde;o excelentes iniciativas para atender as necessidades    de capitaliza&ccedil;&atilde;o, nas diferentes fases de desenvolvimento da empresa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="4">C<small>ANAIS DE VENDA</small></font></b></p>     <p>A abordagem mais comum em empresas iniciantes, no que se refere &agrave; estrutura    comercial, &eacute; montar uma equipe pr&oacute;pria, e buscar atingir o mercado    apenas com esta equipe. (A exce&ccedil;&atilde;o que encontro &eacute; nas empresas    que produzem jogos de computador, que sabem que ser&atilde;o remuneradas com    apenas 10% a 20% do valor de venda do jogo produzido, todo o restante do valor    de venda do jogo &eacute; usado para remunerar os intermedi&aacute;rios comerciais).</p>     <p>As vantagens de ter uma equipe pr&oacute;pria s&atilde;o:</p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>1. maior proximidade com os clientes e suas necessidades</p>       <p>2. melhor margem em cada venda.</p> </blockquote>     <p>As desvantagens s&atilde;o:</p>     <blockquote>        <p>1. maiores custos de venda</p>       <p>2. limita&ccedil;&atilde;o em alcance geogr&aacute;fico e acesso a novos      segmentos de mercado</p>       <p>3. limita&ccedil;&atilde;o de portf&oacute;lio de produtos disponibilizados      aos vendedores.</p> </blockquote>     <p>A melhor solu&ccedil;&atilde;o para a estrutura&ccedil;&atilde;o do canal de    vendas &eacute; combinar as duas alternativas. Manter equipe pr&oacute;pria,    tendo como objetivo principal manter o canal de comunica&ccedil;&atilde;o direta    com o cliente, e priorizar vendas atrav&eacute;s de parceiros comerciais bem    remunerados, com m&aacute;xima abrang&ecirc;ncias geogr&aacute;fica e atingindo    o maior n&uacute;mero de segmentos industriais poss&iacute;vel.</p>     <p>A utiliza&ccedil;&atilde;o de canais de vendas, para uma empresa de software,    acarreta n&atilde;o apenas uma mudan&ccedil;a na atua&ccedil;&atilde;o da equipe    comercial. Tamb&eacute;m o desenvolvimento de produtos deve estar ciente do    uso dos canais, e os produtos devem ser especificados e desenvolvidos de forma    que os canais de vendas sejam neg&oacute;cios vi&aacute;veis e competitivos.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font size="4">C<small>ONTEXTO ATUAL DE NEG&Oacute;CIOS UMA AN&Aacute;LISE    PESSOAL</small></font></b></p>     <p>Ao planejar estrategicamente o neg&oacute;cio, o empreendedor deve analisar    o contexto empresarial, social e econ&ocirc;mico. Segue uma breve an&aacute;lise    do momento atual, realizada a partir de observa&ccedil;&otilde;es pessoais recentes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M<small>UDAN&Ccedil;A E VELOCIDADE DA MUDAN&Ccedil;A</small></b> A mudan&ccedil;a    mais marcante que observei nos &uacute;ltimos meses foi o aumento da velocidade    das mudan&ccedil;as. O cen&aacute;rio de neg&oacute;cios, que inclui as compras    pelos clientes e sua capacidade de investimentos, as margens de lucro que se    pode praticar, o volume de neg&oacute;cios dispon&iacute;veis e a competi&ccedil;&atilde;o    em quase todos os mercados, sofreram mudan&ccedil;as profundas, principalmente    a partir do segundo semestre de 2001. A partir da&iacute;, sucederam-se altera&ccedil;&otilde;es    nas perspectivas de neg&oacute;cio em um ritmo in&eacute;dito. Em muitos casos,    tr&ecirc;s meses foram suficientes para alterar dramaticamente a condi&ccedil;&atilde;o    de uma empresa, seja para melhor ou para pior.</p>     <p>Caracterizo este passado recente nas seguintes fases:</p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v55n2/tb18.gif"> <b>Primeira fase,</b> iniciada    no segundo semestre de 2001: "O ano acabou, volte no ano que vem". Esta frase    foi ouvida por muitos profissionais da &aacute;rea comercial ao promover neg&oacute;cios    junto aos clientes. Cada segmento de mercado iniciou esta fase em um momento    particular. Meu testemunho pessoal &eacute; que os primeiros a sentirem o impacto    foram os varejistas, em julho de 2001, quando alguns lojistas reportaram quedas    significativas em vendas (acima de 20% de queda em rela&ccedil;&atilde;o ao    ano anterior). Outros segmentos tiveram o privil&eacute;gio de manterem est&aacute;veis    suas vendas at&eacute; mar&ccedil;o de 2002.</p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v55n2/tb18.gif"> <b>Segunda fase,</b>    iniciada no primeiro semestre de 2002. "Estagna&ccedil;&atilde;o Darwinista".    Para ilustrar esta fase, cito aqui um empreendedor ouvido recentemente: "Se    minha empresa n&atilde;o tivesse contratos que garantem uma pequena receita    mensal, eu j&aacute; estaria procurando emprego em outra empresa". Sem conseguir    transformar em neg&oacute;cios os contatos iniciados a partir do segundo semestre    de 2001, muitas empresas fecharam as portas. As que conseguiram superar esta    fase, o fizeram &agrave; custa de muito sacrif&iacute;cio, seja do caixa da    empresa, do quadro de pessoal, ou at&eacute; do patrim&ocirc;nio pessoal dos    empreendedores. O resultado desta fase foi uma sele&ccedil;&atilde;o dos mais    aptos - as empresa que tiveram est&ocirc;mago mais forte para tomar as medidas    necess&aacute;rias para a sobreviv&ecirc;ncia, encontraram ao final uma realidade    dura, mas que oferece oportunidades de continuidade.</p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v55n2/tb18.gif"> <b>Terceira fase,</b>    iniciada nos &uacute;ltimos meses de 2002. "De brisa em popa". Esta fase, que    &eacute; a fase atual, caracteriza-se pela retomada da realiza&ccedil;&atilde;o    de vendas. Meu coment&aacute;rio pessoal sobre este momento, &eacute; : "h&aacute;    uma brisa, n&atilde;o um vento, e ela est&aacute; em popa". Esta fase foi precedida    por "suspiros" do mercado no segundo semestre de 2002, quando clientes retomaram    algumas negocia&ccedil;&otilde;es interrompidas em 2001. Uma mudan&ccedil;a    surpreendente foi o fechamento de neg&oacute;cios no per&iacute;odo entre festas    de fim de ano e Carnaval - a tradi&ccedil;&atilde;o brasileira era "deixar para    depois do Carnaval". Esta &eacute; uma fase de neg&oacute;cios concretos, com    caracter&iacute;sticas marcantes: pedidos urgentes, com pagamento certo e em    pequenos volumes.</p>     <p>Minha conclus&atilde;o &eacute; que, neste momento, h&aacute; pouqu&iacute;ssimas    oportunidades de neg&oacute;cios para produtos e servi&ccedil;os que n&atilde;o    sejam essenciais &agrave; sobreviv&ecirc;ncia do comprador. Mesmo sendo essenciais,    as aquisi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o realizadas apenas mediante os recursos    dispon&iacute;veis, e se oferecerem retorno de investimento seguro a curto prazo.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font size="4">I<small>NICIANDO UMA EMPRESA</small></font></b></p>     <p>Ao iniciar uma empresa neste momento, ou ao planejar estrategicamente uma empresa    j&aacute; existente, sugiro considerar o seguinte:</p>     <p><b>1-</b> Sua oferta deve estar relacionada ao neg&oacute;cio principal (<i>core    business</i>) do seu cliente. Sendo bem sucedido neste ponto, voc&ecirc; ser&aacute;    procurado pelo cliente, ou bem recebido ao procur&aacute;-lo. Ap&oacute;s um    bom contato inicial, ser&aacute; chamado para iniciar negocia&ccedil;&otilde;es.    Caso a sua oferta seja de um excelente produto, de &oacute;tima tecnologia,    por&eacute;m sem oferecer ganhos significativos para o resultado de neg&oacute;cios    do seu cliente; voc&ecirc; pode no m&aacute;ximo esperar dele manifesta&ccedil;&otilde;es    de respeito e admira&ccedil;&atilde;o, seguidas de agradecimentos, sem nenhuma    perspectiva de continuidade de negocia&ccedil;&atilde;o comercial. Evite explicar    seu produto com base nas suas caracter&iacute;sticas t&eacute;cnicas , e procure    focar nos benef&iacute;cios que o produto trar&aacute; ao seu cliente (ex: "o    banco de dados SQL oferece seguran&ccedil;a e velocidade em todas as transa&ccedil;&otilde;es"    x "o banco de dados usado garante que todas as autoriza&ccedil;&otilde;es de    consulta m&eacute;dica ser&atilde;o registradas antes de autorizar o procedimento    m&eacute;dico, e que as autoriza&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o processadas    sem interferir nos procedimentos administrativos da cl&iacute;nica").</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v55n2/15531q1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2-</b> Seus pre&ccedil;os, quando avaliados contra os benef&iacute;cios    da sua oferta, devem oferecer ao cliente um resultado expressivo. Para ser bem    sucedido neste ponto, voc&ecirc; deve conhecer a realidade do seu cliente de    forma a assegurar que os ganhos oferecidos sejam relevantes, e deve evidenciar    estes ganhos de forma inequ&iacute;voca, sem criar temores quanto a inova&ccedil;&otilde;es    ou mudan&ccedil;as que tragam novos riscos ao seu cliente. Procure relacionar    seus pre&ccedil;os contra m&eacute;tricas conhecidas do seu cliente, ex: "o    produto de software oferecido, quando relacionado com o volume total de consultas    autorizadas, acarreta um custo de R$0,90 para cada autoriza&ccedil;&atilde;o    concedida. Atualmente cada consulta realizada por m&eacute;todo manual custa    R$1,50".</p>     <p><b>3-</b> Sua empresa deve oferecer seguran&ccedil;a ao cliente. Especialmente    no caso de produtos ligados ao neg&oacute;cio chave do seu cliente, a seguran&ccedil;a    transmitida pela sua empresa torna-se um item importante na decis&atilde;o de    compra. Para uma empresa pequena, o hist&oacute;rico anterior dos empreendedores    e funcion&aacute;rios &eacute; o primeiro fator a considerar. Os fatores considerados    a seguir s&atilde;o a carteira de clientes da sua empresa e suas parcerias comerciais    e tecnol&oacute;gicas. Al&eacute;m disso, a rede de relacionamento da sua empresa    tamb&eacute;m pode influenciar a decis&atilde;o de compra pelo seu cliente.    No caso de produtos de software para mercados verticais, &eacute; importante    demonstrar que as melhorias propostas foram verificadas na pr&aacute;tica, em    situa&ccedil;&otilde;es reais de opera&ccedil;&atilde;o do produto.</p>     <p>Para concluir esta an&aacute;lise, lembro que para o <b>empreendedor</b> &eacute;    sempre mais importante "fazer a pergunta certa". Para o <b>funcion&aacute;rio</b>,    o importante &eacute; "responder certo" &agrave; pergunta do patr&atilde;o.    Em situa&ccedil;&otilde;es de mudan&ccedil;as aceleradas, a pergunta essencial    &eacute;: "Que momento &eacute; este, e como devo aproveit&aacute;-lo em favor    da minha empresa ?". Tomo a liberdade - her&eacute;tica - de citar Jung, que    dizia que a Astrologia usa a posi&ccedil;&atilde;o dos astros para identificar    o momento atual, de forma an&aacute;loga aos ponteiros do rel&oacute;gio, que    indicam a hora atual. &Eacute; sabido que alguns empres&aacute;rios recorrem    &agrave; astrologia para tomada de decis&atilde;o, enquanto outros baseiam-se    na sua pr&oacute;pria intui&ccedil;&atilde;o. Outros ainda praticam o que denomino    "supersti&ccedil;&atilde;o empresarial", supondo que pr&aacute;ticas que funcionam    em outras empresas devem funcionar na sua, ou que pr&aacute;ticas que funcionaram    no passado na sua empresa devem continuar a funcionar no presente. Acho in&uacute;til    julgar o valor ou o m&eacute;rito de qualquer abordagem, j&aacute; que o importante    para a empresa &eacute; atingir os resultados. Piorando ainda mais a heresia    j&aacute; cometida, lembro que at&eacute; rel&oacute;gio parado d&aacute; a    hora certa duas vezes por dia.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i><b>Renato S. Toi</b> &eacute; diretor da VentureLabs.</i> </p>      ]]></body>
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